12 Fev 2019 | Sem categoria
“É preciso trabalhar juntos e ter a coragem de fazer as coisas funcionarem bem.” Loris Rossetto tem certeza disso e no recente congresso “Co-Governança, corresponsabilidade nas cidades hoje” contou sobre o hostel “Bella Calabria”, construído em uma estrutura confiscada da ‘ndrangheta. “Talvez, às vezes, uma mentalidade de ‘nada vai mudar mesmo’ ou ‘é melhor não arriscar’ causa danos à nossa terra. Por outro lado, quando se arregaça as mangas e se trabalha em equipe, os resultados chegam.” É a experiência de Loris Rossetto e sua esposa, calabreses que emigraram nos anos 90 para o Vêneto e depois para Trentino. Ao voltar à sua terra, em 2005, começaram uma atividade em estruturas confiscadas da ‘ndrangheta (é assim que se chama o submundo organizado nesta região). Tendo provado a eficiência do norte da Europa, pensaram em junta-la ao calor e aos recursos naturais e culturais do sul, desenvolvendo um “turismo todo particular, aquele da amizade e do acolhimento calabrês”. O objetivo deles é promover o crescimento econômico do território, mas sobretudo criar relações de amizade com pessoas de outros países e encorajar a população local a agir pelo bem comum, na legalidade, acreditando na possibilidade de renascimento do território.
De fato, de acordo com os dados, há atualmente na Calábria 35 Conselhos Comunais dissolvidos pela máfia, incluindo a capital, e metade das drogas que chegam na Itália passa pela região. Mas a praga da máfia, como demonstra a experiência dos Rossetto, não é a última palavra se houver a coragem de propor um modelo diferente de relações. “Começamos fundando a associação ‘Amigos do Alemão’”, conta Loris, “com a ideia de promover trocas entre nossa cidade e países de língua alemã. A primeira experiência foi a criação de um centro de agregação. Depois, decidimos abrir o hostel ‘Bella Calabria’ em um imóvel confiscado em Cutro na província de Crotone”. No dia 11 de abril de 2015 a estrutura foi inaugurada. “Inventamos um programa para as aulas”, continua Loris, “’48 horas no hostel com o lema: Quem respeita as regras é feliz’. Subtítulo: ‘Faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você!’ Os alunos interiorizam a ideia de que trabalhar em equipe é ótimo. Aprendem línguas estrangeiras por meio de simulações e diálogos na outra língua”. Mas os primeiros passos dessa aventura foram difíceis. E não só porque os Rossetto não entendiam de economia nem de turismo. No verão, faltou água na região. Há uma cisterna para abastecer, mas não é o suficiente. A providência quis que no ano seguinte fosse eleito um prefeito que trabalha para ajuda-los. “É um sinal do céu”, pensou o casal, sentindo-se encorajado a ir para frente. E enquanto isso o projeto cresce. Chegam turmas do norte da Itália e hóspedes da Europa, o time de Hockey de Hamm, uma turma de Dresden, a Cruz Vermelha alemã. Todos experimentam o calor da acolhida calabresa, e as pessoas do lugar, antes desconfiadas, se abrem à iniciativa. “O povo de Cutro responde de modo estupendo”, observa Loris. “Muitas vezes acontece do turista, surpreso, nos dizer ‘fui ao bar e me ofereceram café’ ou um vizinho que traz fruta fresca no verão. Os hóspedes ficam tão tocados que se apaixonam pela cidade e pelo hostel, assim, quem vem uma vez geralmente retorna. Entendemos que estamos no caminho certo.” Haverá um segundo hostel em Crotone e um projeto que envolve três parques: “Em Cropani Marina, propusemos educação de trânsito com minicarros; em Isola, um percurso para mountain bike; em Cirò, um percurso botânico. Aqui também não faltam problemas, mas no fim dá tudo certo”. Como denominador comum, uma motivação forte e um convite: “Nunca parar de sonhar tendo os pés no chão, com o olhar voltado ao céu, para amar e melhorar a própria terra”.
Claudia Di Lorenzi
11 Fev 2019 | Sem categoria
É intitulada “Together fo a new Africa” a primeira escola de liderança para líderes jovens do continente africano. Participaram mais de 100 de doze países. “Encontra a tua paixão, independente de qual seja, assumi-a e deixe que se transforme em ti. Verás coisas grandes acontecerem contigo, contigo e graças a ti”. Estas palavras de Allan T. Armstrong resume muito bem o sentido da escola de liderança à qual participaram mais de 100 jovens líderes provenientes de doze países da África do Leste e da República Democrática do Congo no início de janeiro. O curso realizou-se na Mariápolis Piero, a Mariápolis Permanente dos Focolares no Quênia. Trata-se de uma série de Summer School com um nome promissor “Together for a new Africa”, juntos por uma nova África.
Melchior Nsavyimana, jovem especialista em política do Burundi e atualmente docente e coordenador do Institute for Regional Integration/Catholic University of Eastern Africa é um dos pioneiros do curso. Explica que o objetivo deste primeiro encontro foi “aprofundar e fazer a experiência de uma liderança que, enraizada nos valores do continente africano, responda aos desafios de hoje. Uma liderança que se exprime de modo comunitário e construa a comunidade, com os instrumentos e as linguagens da fraternidade universal. “Se é esta a questão que temos para o nosso futuro, este deve ser o nosso compromisso hoje, valorizando os fundamentos da cultura da unidade”. Na organização deste primeiro encontro um verdadeiro network composto pelo Instituto Universitário Sophia, com a coolaboração do Movimento político pela unidade, com a ONG New Humanity e a cooperação da Unesco, e o apoio de Cáritas e Missio. Tudo começou há alguns anos por iniciativa de um grupo de estudantes africanos do Instituto Universitário Sophia que decidiram empenhar-se por uma nova África, começando pela trasformação e pela renovação cultural das suas lideranças. Vinte professores da África oriental, da República Democrática do Congo e de Sophia iniciaram o primeiro ciclo de uma formação trienal interdisciplinar e intercultural sobre temas relativos à cidadania responsável, à liderança e à uma cultura de fraternidade, para enfrentar com uma consciência iluminada as feridas do continente. “A viagem está no início”, lê-se na página Web da escola, onde os jovens promotores explicam a intenção do projeto: “A África (em particular a oriental) é submetida a uma série de mudanças demográficas, políticas, sociais e culturais muito complexas. Um dos efeitos é o clima de incerteza que se instaura. Muitas vezes os jovens não têm os instrumentos necessários para compreender as mudanças que acontecem e permanecem passivos diante das perguntas confusas de políticos, de grupos armados, de multinacionais, etc. É por isso que nós, jovens africanos, formados no Instituto Universitário Sophia entendemos que é nossa responsabilidade, juntamente com os jovens africanos, decider que África queremos para o futuro, como propõe a Agenda da União Africana para o ano 2063. Queremos dar aos jovens africanos uma formação integral sobre a liderança responsável e criar uma rede entre eles para agirmos juntos pela África que queremos”.
Stefania Tanesini
11 Fev 2019 | Sem categoria
Este ano, o Conselho Geral do Movimento dos Focolares escolheu um lugar de grande valor simbólico para seu retiro anual: Jerusalém e Terra Santa. O instituto ecumênico de Tantur, situado na fronteira da Cidade Santa com Belém, almeja ser um oásis de hospitalidade e comunhão para quem deseja imergir-se na realidade bastante complexa de Jerusalém, com sua mistura de culturas, povos, religiões e confissões. É por isso que é adequado para o retiro anual do Conselho Geral do Movimento dos Focolares que está ocorrendo de 10 a 17 de fevereiro.
“O programa destes dias inclui, de certo modo, o passado, o presente e o futuro”, explicam Friederike Koller e Ángel Bartól, responsáveis centrais do Movimento e coordenadores deste retiro. “Uma viagem à Terra Santa é sempre uma peregrinação que convida a olhar o passado, ou seja, os lugares históricos da fé cristã e suas raízes na religião hebraica. O presente será tocado nos momentos de trabalho sobre um dos temas principais de 2019: o aspecto da ‘comunhão de bens, economia e trabalho’. O objetivo é recuperar no Movimento um radicalismo da vida evangélica com relação à comunhão de bens, também materiais, e, a partir de um estilo de vida alternativo impregnado do carisma da unidade, encontrar respostas para os desafios econômicos de hoje. Depois, voltaremos os olhares ao futuro tratando de dois assuntos importantes: o trabalho para e com as novas gerações e a preparação da próxima Assembleia Geral de 2020.” Ángel Bartól destaca o quanto é exigente aplicar o método de trabalho escolhido considerando o número de participantes (62 pessoas): “Trabalhando em plenária ou em pequenos grupos, estamos em uma peregrinação; sentimos que estamos sempre em caminho com Jesus que está presente, vivo e ativo em nosso meio. Isso é possível quando cada um de nós está pronto a oferecer seu ponto de vista sem estar apegado”. E Friederike Koller acrescenta: “Deste modo podemos também nós dar uma pequena contribuição para a paz, à qual nos convida a Palavra de Vida deste mês e da qual o mundo, e sobretudo esta cidade, precisam tanto”.
Joachim Schwind
Aqui está a saudação de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, ao partir para Jerusalém.
10 Fev 2019 | Sem categoria
Por ocasião da “Jornada mundial do doente” propomos uma breve reflexão de Chiara Lubich sobre a doença e sobre as comunidades do Movimento em que vivem pessoas doentes. Vocês sabem que toda a nossa vida, porque é vida cristã, é uma revolução. É uma revolução do modo de pensar, é ir contra a corrente. Ora, se repararmos como o mundo considera os doentes, observaremos que, sobretudo se a doença se prolongar ou for incurável, eles passam a ser considerados diferentes dos sadios, como se formassem uma categoria à parte. Com efeito, a sociedade de hoje, não compreendendo o valor da dor, e querendo esquecê-la – como tenta fazer com a morte –, marginaliza os enfermos. É uma atitude anticristã, muito grave, porque o primeiro marginalizado deveria ser, então, Jesus Cristo na cruz. Por isso, essas comunidades especiais em que vivem pessoas doentes, se, por um lado, são sem dúvida iguais às outras, por outro lado são também especiais pelo bem que produzem e porque têm a possibilidade de testemunhar ao mundo o que é a dor para um cristão. A dor é um dom que Deus concede à criatura. E isso não é apenas uma frase feita, para nos consolar ou para consolar os doentes. Todos os que não estão bem de saúde são realmente amados por Deus de maneira especial, porque são os que mais se assemelham ao seu Filho. (Chiara Lubich, Por que me abandonaste?, 1998, Cidade Nova, pág.104-105)
8 Fev 2019 | Sem categoria
Humilde mas decidido, com a convicção de que o Evangelho é um dos livros mais revolucionários da história, capaz de mudar o mundo. Assim viveu Marco Aquini. Deixou-nos há um mês, no dia 4 de janeiro passado. O encontro com Marco marcava. Era uma daquelas pessoas francas que, com o olhar profundo, chegava diretamente ao coração, e com poucas palavras, sem divagar, respondia com gestos concretos às tuas necessidades, dava um conselho, mas sem impor nada, pelo contrário, suscitando uma resposta interior. Nasceu em 1958 e foi um dos primeiros jovens da sua região a aderir aos Focolares. Vinha do Friuli, uma terra de pessoas íntegras: sério, trabalhor, disciplinado. Conheceu cedo a crueldade que a vida às vezes traz, com a perda do pai após um acidente grave. Mas o encontro com a espiritualidade dos Focolares deu uma virada na sua história. Durante um campus com os Gen (os jovens dos Focolares) em 1978, sentiu o chamado a doar-se a Deus como focolarino e aderiu ao convite de Chiara Lubich de assumir um compromisso de fidelidade a Deus até ao fim da vida. Tratava-se do “Pacto do até o fim”, que se tornou histórico. Naquela época, escreveu a Chiara: “Antes de conhecer o Ideal* estava muito fechado no meu mundo de ouro. Agora estou saindo de mim mesmo. Volto para casa com a consciência de ter a força potencial de mudar o mundo onde vivo”. Deu a sua contribuição com entusiasmo primeiro na Alemanha, depois outra vez na Itália, no centro do Movimento dos Focolares, especialmente na fundação de dois organismos ao serviço dos últimos e da paz: a AMU-Associação Mundo Unido AMU e “New Humanity”, a ONG do Movimento credenciada na ONU. Por vários anos trabalhou também como conselheiro central para o aspecto da “Comunhão dos bens, Economia e Trabalho”. Tornou-se corresponsável do movimento Jovens por um Mundo Unido. A partir do ano 2000 esteve ao lado de Chiara Lubich e Eli Folonari na condução do Collegamento CH, a video-conferência que, desde 1980, reúne periodicamente a família dos Focolares no mundo. Mas a vida reservou-lhe uma outra experiência inesperada, a inexplicável morte da sua irmã Chiara, que tinha uma saúde frágil. Sofreu muito junto com a sua mãe, enquanto seguiram-se os dias de buscas até que o corpo foi encontrado. Também nesta tragédia Marco conseguiu perceber o amor de Deus que lhe deu a força para sustentar a sua família. Depois Marco colaborou com a sua mãe, Franca, para o nascimento de uma casa de acolhimento intitulada à irmã, para a inserção social de pessoas com necessidades especiais e doenças psíquicas. Mesmo à distancia, continuou sempre mantendo contato com a associação. Dedicou-se também ao ensino acadêmico na Pontíficia Universidade de São Tomás de Aquino de Roma e, sempre na área da economia dos Focolares, assumiu o cargo de membro do atual Conselho de administração da revista “Città Nuova”. O seu amor para com os mais necessitados levou-o a comprometer-se também em oferecer uma assistência competente a um grupo de escuta da Caritas. Em novembro de 2018 compartilhou com muitos amigos a descoberta de uma doença grave e enfrentou esta nova etapa com uma escolha de Deus renovada, que lhe deu uma alegria profunda, apesar do grande sofrimento físico. Maria Voce, no telegrama enviado às comunidades dos Focolares no mundo, destacou a sua vocação de focolarino, o seu estilo sóbrio, claro e direto que se refletia na palavra do Evangelho que Chiara lhe indicou como lema de vida: “Que o vosso falar seja: «Sim, sim», «Não, não»” (Mt 5,37), e como tenha vivido de maneira extraordinária a doença. A última etapa da vida de Marco deixou todos sem palavras, na aparente impossibilidade de acompanhar o rápido agravamento da saúde que, em apenas dois meses, o levou, na manhã de 4 de janeiro, a alcançar a meta do Céu. Ao seu funeral estavam presentes pessoas de todos os tipos, todas ligadas a ele, de algum modo, junto com ele escalando não apenas as suas amadas montanhas, mas os cumes mais altos da vida, acompanhados pelo seu exemplo autêntico e luminoso. *a espiritualidade dos Focolares Patrizia Mazzola
8 Fev 2019 | Sem categoria
O que têm em comum Medellín, Katowice e Kingersheim? Apesar da distância cultural, aquilo que as acomuna é o projeto social e civil. Estão geograficamente situadas em dois continentes diferentes e em três áreas culturais distantes. Trata-se de Medellín (Colômbia), Katowice (Polônia) e Kingersheim (França). São cidades que acolheram o desafio de pôr no centro o bem comum no sentido mais autêntico e não como soma de interesses particulares. Administrações e cidadania trabalharam para encontrar um caminho para romper egoísmos, pobrezas, solidões e reconhecer-se irmãos. Os protagonistas em campo são respectivamente Federico Restrepo, Danuta Kaminska e Jo Spiegel que no Congresso “Cogovernança. Corresponsabilidade nas cidades hoje” contaram as suas três histórias, diferentes, mas com um único leitmotiv. A primeira história é contada por Federico Restrepo, engenheiro e ex diretor da EPM – Empresas Públicas de Medellín (Colômbia) que, junto com outros amigos, não se rendeu diante da inevitabilidade da situação que parecia maior do que as suas forças. Medellín – cidade que conta quase três milhões de habitantes –, como muitas outras cidades sul-americanas demonstra uma forte tendência de crescimento das áreas urbanas em detrimento da população rural.
“Em alguns bairros de Medellín se acham populações que procuram construir uma sua cidade na periferia da cidade” conta Restrepo. A alguns anos foi dado início a uma experiência-piloto nos bairros nascidos de migrações forçadas para atuar projetos urbanos integrais. A imigração, em aumento na Colômbia inclusive por causa da crise venezuelana, não se resolve construindo muros: “Temos a responsabilidade – continua – de construir relações entre as cidades para poder resolver este problema social que a nossa sociedade está atravessando”. Mas não é somente uma questão de urbanística. Outros desafios se apresentam para redescobrir o coração da cidade e fazê-lo pulsar. A experiência que Danuta Kaminska conta, atua como um elo entre o continente americano e a Europa.
Administradora pública no Conselho da Silésia Superior, na Polônia, ela apresenta histórias quotidianas, mas ao mesmo tempo extraordinárias, de acolhimento por parte dos cidadãos de Katowice para promover a inserção dos migrantes, na maioria ucranianos. Só no ano passado, eles atingiram o número de 700.000. “Para ativar a cogovernança na nossa cidade entendemos que é preciso apoiar os cidadãos. Colabora-se com as comunidades religiosas e as organizações não governamentais para a integração, como por exemplo o apoio às comunidades judaica e muçulmana”. Katowice, dois milhões de habitantes, sofreu nestes anos uma profunda mutação, transformando-se de cidade industrial a sito UNESCO, e foi sede da Conferência das Partes sobre Mudança do Clima de 2018 (COP24).
Se a cidade é um espaço de transformação, se a democracia deve ser fraterna, é preciso cultivar a participação e a espiritualidade. Estamos falando de administradores que se tornam facilitadores dos processos decisionais e Jo Spiegel, prefeito de Kingersheim, cidadezinha francesa de cerca de 13.000 habitantes, continua a não se poupar, com todas as forças, para restituir à sua cidade um semblante multiforme onde possam coexistir culturas e gerações diferentes. “Vinte anos atrás – conta o prefeito – fundamos um ecossistema democrático participativo, dando vida à ‘Casa da Cidadania’, um lugar privilegiado onde se aprende a viver juntos, cidadãos e políticos”. Mais de quarenta, os projetos levados a termo como a revisão do plano urbanístico local, o planejamento do tempo da criança, a criação de um lugar de culto muçulmano. “A fraternidade não se delega, não se decreta. Está dentro de nós, está entre nós. Constrói-se.”
Patrizia Mazzola