Movimento dos Focolares
Na Suécia, encontro entre movimentos católicos

Na Suécia, encontro entre movimentos católicos

El 19 de mayo pasado, Vigilia de Pentecostés, tuvo lugar en la Diócesis de Estocolmo un encuentro entre Movimientos de la Iglesia Católica, entre los cuales el Movimiento de los Focolares, el Camino Neocatecumenal y el Movimiento Carismático. Fueron un centenar los participantes. Durante la jornada se ofreció una presentación de la exhortación apostólica del Papa Francisco “Gaudete et exsultate”, y se prosiguió con un intenso intercambio. Es sus palabras de saludo, durante la misa conclusiva, o cardeal de Estocolmo, Anders Arborelius subrayó cuán preciosa considera él la presencia de los Movimientos en la Iglesia local. Escriben de la comunidad de los Focolares: “Nos sentimos todos co-responsables del evento. Al final de la jornada se sentía una gran alegría y agradecimiento, un signo, nos parece, de la presencia tangible de Jesús que guía a su pequeña grey. Nos pareció percibir que estos momentos, año con año, son cada vez más esperados, y que está creciendo la comunión entre todos”.

Um espaço para todos os cristãos

Um espaço para todos os cristãos

Beatriz Sarkis

«Um espaço de encontro entre cristãos, onde os preconceitos desaparecem e é possível estabelecer relações de estima recíproca». Beatriz Sarkiz define assim a III Assembleia do Fórum Mundial Cristão (24 – 27 de abril de 2018) que reuniu mais de 250 fieis pertencentes a igrejas, organizações e movimentos cristãos, do mundo inteiro. A teóloga brasileira, diplomada na Inglaterra e com mestrado em uma universidade luterana, no Brasil, sobre a contribuição do Movimento dos Focolares ao ecumenismo, esteve presente no encontro representando Maria Voce, presidente dos Focolares. Numa entrevista, Sarkiz – que de 2009 a 2016 participou, a única mulher leiga, da Consulta entre o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Aliança Evangélica Mundial – explicou-nos as finalidades do GCF. «A ideia de criar um Fórum nasceu em 1998, fruto de um profundo intercâmbio entre a Aliança Evangélica Mundial, o Conselho Ecumênico das Igrejas, a Fraternidade Mundial Pentecostal e o Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos. Juntas, estas quatro instituições continuam a apoiá-lo como um espaço aberto a todos.

Foto © Albin Hillert/WCC

Após um primeiro encontro a nível mundial, no Quênia (2007), seguiu-se outro, na Indonésia (2011). Provenientes de 55 países, em Bogotá éramos anglicanos, adventistas, batistas, católicos, quakers, discípulos de Cristo, membros do Exército da Salvação, evangélicos, independentes, luteranos, menonitas, metodistas, neocarismáticos, ortodoxos, orientais ortodoxos, pentecostais, reformados/presbiterianos, pertencentes ao movimento de santidade, às Igrejas Africanas Constituídas valdenses, veterocatólicos e um representante dos judeus messiânicos». O Fórum Cristão Mundial persegue o objetivo de colocar em diálogo entre si cristãos e igrejas de tradições muito diferentes. «O Fórum não substitui o precioso e insubstituível trabalho dos teólogos, nas várias comissões – explica Sarkiz -, mas é um dos caminhos que hoje se percorrem para reunir o povo de Deus e colocá-lo em marcha, de imediato, em direção à unidade. Se o amor fraterno está vivo, as questões teológicas depois serão enfrentadas mais facilmente. Durante a Assembleia houve momentos de troca e reflexão comum sobre o futuro e sobre os desafios que todos os cristãos devem enfrentar hoje. Não faltaram momentos de oração comum, no início e na conclusão de cada dia. Pessoalmente, eu participava todos os dias, com outros católicos, da Santa Missa, no vizinho Mosteiro da Visitação.  O tema escolhido, “Perseverai no amor fraterno” (Hb 13,1) levou-nos todos ao coração do cristianismo.

Foto © Albin Hillert/WCC

Divididos em pequenos grupos, compartilhamos reciprocamente o presente do nosso encontro pessoal com Jesus. Esta prática, que caracteriza o Fórum desde o seu início, encontra uma consonância especial com a espiritualidade dos Focolares, porque a comunhão das experiências acontece também dentro do Movimento. Uma partilha profunda, que abriu os nossos olhos e fez-nos ver o trabalho de Deus na vida de cada um, derrubando muitos preconceitos. Nós descobrimos que somos simplesmente cristãos. Além disso, tive a grande alegria de poder compartilhar esta experiência, ainda que brevemente, com a comunidade local dos Focolares, que me recebeu depois que alguns contratempos impediram que retornasse imediatamente à Itália. A mensagem final da Assembleia contem um convite a unir-nos no amor mútuo, em Cristo, para continuar a caminhar juntos, porque as divisões entre cristãos contradizem a vontade de Jesus, escandalizam o mundo e danificam a missão comum de anunciar o Evangelho a todos os povos. Devemos, todos juntos, continuar a construir, ou reforçar, esta rede. Este é também o objetivo do “Centro Uno” para a unidade dos cristãos (Roma), fundado por Chiara Lubich em 1961, para concorrer, com a espiritualidade da unidade, à plena e visível comunhão entre as Igrejas».

Um novo nós

Um novo nós

«“Foste tu que nos fizeste entender que o matrimônio significa abertura, realização do projeto que Deus tem para nós. Faremos todos os nossos esforços para que a família e o mundo se tornem como devem ser”. Maria da Conceição, para todos nós simplesmente São, escreveu estas palavras a Chiara Lubich, assim que começamos a nossa aventura. Nós nos casamos em Braga, em 1981 – conta Zé Maia – e da nossa união nasceram seis filhos. Depois, chegaram os netos, que já são nove. A própria Chiara Lubich, tempos antes, lhe tinha indicado uma frase do Evangelho como programa de vida: “É necessário que ele cresça, e eu diminua” (Jo 3, 30). Quantas vezes ela a repetiu para mim!» Zé e São, ambos portugueses, em 2002 se mudaram com os filhos para a cidadezinha dos Focolares “Arco Íris”, a 50 quilômetros de Lisboa, para dar uma contribuição concreta à sua construção. Em novembro de 2016, São estava participando, no Centro Mariápolis de Castelgandolfo (Roma), do simpósio “Juntos pela Europa”. «Antes de partir – continua Zé – mi confidenciou: “Fico contente por participar dele, creio que será este o caminho que deveremos fazer”. Foi o seu último ato de amor, na alegria de dar a própria vida pelos outros. No dia 11, de repente, por um infarto, Deus a chamou para si. E agora? Estou fazendo a experiência de viver ela, que está em mim, naquela “uma só carne”, entre céu e terra. Não posso perder o frescor das suas últimas palavras, aquele desafio a “ir em frente juntos e com coragem”. Recomeço cada dia, com o estímulo e a ajuda da vida do focolare. Em casa, na família, estamos descobrindo um “novo nós” e experimentamos que o que construímos com o amor permanece. E continua, porque a eternidade é o perfeito amor. Vivo na busca contínua de como me tornar, ao mesmo tempo, pai e mãe. Vivo como se São estivesse aqui comigo, recebendo os outros em casa, ou fazendo as compras. Junto com ela, colho flores, preparo um bom almoço para os filhos ou aquelas coisas boas de que os netos gostam. Junto com ela, digo uma palavra que corrige, constrói ou incentiva. É um diálogo contínuo, entre terra e céu. Fiz uma nova descoberta, Jesus Eucaristia. Lá é o momento do “nosso” encontro. Os momentos de dor existem, mas nos fazem dilatar o coração na direção do próximo. A solidão existe, é uma sombra verdadeira. É preciso virar as costas para ela e olhar a luz. No final de cada dia descubro a gratidão, quando levanto o olhar para conseguir ver o invisível, mesmo se o medo aparece como um ladrão, secretamente, para nos roubar a paz. De vez em quando a alma deseja voar para longe, ir para outro lugar. Mas depois, deixo que aquele raio de luz me fale, me cumprimente e me acompanhe». «Às vezes escrevo duas linhas para os filhos, para lhes contar o que estou vivendo com a mãe deles: “Cada dia, no caleidoscópio da alma, ela se mostra com novas belezas, com todas as nuances do céu azul. E então a contemplo no seu mistério”. A vida continua, feita de momentos de família e de vida de comunhão com todos. Sim, é verdade, sinto a falta dela, da sua companhia, da sua cumplicidade, da sua partilha. Nunca estamos prontos para vermos partir o próprio companheiro, para ficarmos sozinhos, sem a sua palavra ou o seu olhar, sob todos os aspectos, afetivo, psicológico, relacional. Mas também concretamente, com os filhos, a família, o trabalho. Em 1967, Chiara Lubich dirigiu às famílias esta reflexão: quando um dos dois “parte” para o céu, “acontece que o matrimônio, que tinha feito de duas criaturas uma coisa só, não só fisicamente, mas espiritualmente, pelo sacramento do matrimônio, se rompe, por vontade de Deus. É alguma coisa de divino – se assim se pode dizer – como uma pequena Trinidade que se despedaça”. Então se vive uma verdadeira purificação, que se enfrenta colocando-se a amar quem está ao nosso redor. Neste ano, descobri o que significa Deus-Amor, o Amor: mais do que as coisas de Deus, Deus mesmo. Só o amor permanece. Encontramos uma breve oração escrita por São: “Ajuda-nos a nos tornarmos a família que tu pensaste. Dá-me a graça de superar as dificuldades com sabedoria, criatividade, inteligência e bondade. Ajuda-nos a vermos tudo com a tua luz”». Gustavo Clariá

Palavra de Vida – Junho

O Evangelho de Mateus abre o relato da pregação de Jesus com o surpreendente anúncio das bem-aventuranças. Nelas, Jesus proclama “felizes”, ou seja, plenamente afortunados e realizados, todos aqueles que, aos olhos do mundo, são considerados perdedores ou sem sorte: os humildes, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os puros no coração, os que promovem a paz. A eles Deus faz grandes promessas: serão saciados e consolados por Ele mesmo, serão herdeiros da terra e do Seu reino. Portanto, é uma verdadeira revolução cultural, que subverte a nossa visão, muitas vezes fechada e míope, que vê as pessoas dessa categoria como figuras marginais e insignificantes na luta pelo poder e pelo sucesso. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.” Na visão da Bíblia, a paz é fruto da salvação que Deus realiza. É, portanto, antes de mais nada um dom de Deus. É uma característica do próprio Deus, que ama a humanidade e toda a criação com um coração de Pai e tem para todos um projeto de concórdia e de harmonia. Por isso, quem labuta pela paz demonstra uma certa “semelhança” com Ele, como um filho. Chiara Lubich escreve: Somente quem tem a paz dentro de si pode levá-la aos outros. É preciso levar a paz, antes de tudo, através dos próprios atos de cada momento, vivendo em pleno acordo com Deus e com sua vontade. (…) “… serão chamados filhos de Deus”. Receber um nome significa tornar-se o que esse nome exprime. Paulo chamava Deus de “o Deus da paz”. E quando saudava os cristãos dizia: “o Deus da paz esteja com todos vós”. Os que promovem paz manifestam seu parentesco com Deus, agem como filhos de Deus, dão testemunho de Deus que (…) imprimiu na sociedade humana a ordem, cujo fruto é a paz. Viver em paz não é simplesmente viver sem conflito; também não é ter uma vida tranquila, fazendo certas concessões no que se refere aos valores, a fim de ser aceito sempre e de qualquer maneira. Pelo contrário: é um estilo de vida refinadamente conforme ao Evangelho, que exige a coragem de assumir escolhas contracorrente. “Promover a paz” é sobretudo criar ocasiões de reconciliação na própria vida e na vida dos outros, em todos os níveis: em primeiro lugar com Deus e depois com aquele que está ao nosso lado na família, no trabalho, na escola, na paróquia e nas associações, nas relações sociais e internacionais. É, portanto, uma forma de amor ao próximo decisiva, uma grande obra de misericórdia que revigora todos os relacionamentos. Foi isso que Jorge, um adolescente da Venezuela, decidiu fazer na sua escola: “Um dia, depois das aulas, percebi que meus colegas estavam se organizando para uma manifestação de protesto, durante a qual estavam decididos a usar a violência, incendiando carros e jogando pedras. Pensei logo que aquela atitude não estaria em sintonia com o meu estilo de vida. Propus então aos colegas que escrevêssemos uma carta à diretoria da escola. Assim poderíamos requisitar de um modo diferente as mesmas coisas que eles pensavam conseguir com a violência. Junto com alguns deles redigimos a carta e a entregamos ao diretor”. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.” Nestes tempos vem em relevo de modo particular a urgência de promover o diálogo e o encontro entre pessoas e grupos com história, tradições culturais, pontos de vista extremamente diferentes, demonstrando que se valoriza e se aceita essa variedade e riqueza. Como disse recentemente o Papa Francisco: “A paz constrói-se no coro das diferenças. (…) E a partir destas diferenças aprendemos do outro, como irmãos (…). O nosso Pai é Uno, nós somos irmãos. Amemo-nos como irmãos. E se discutirmos entre nós, que seja como irmãos, que se reconciliam imediatamente, que voltam a ser sempre irmãos” . Também podemos nos empenhar em conhecer as sementes de paz e fraternidade que já tornam nossas cidades mais abertas e humanas. É importante ocupar-se delas e fazê-las crescer. Assim estaremos contribuindo para remediar as fraturas e os conflitos que as atravessam. Letizia Magri