Movimentos eclesiais, encarnação do Evangelho

Marc St. Hilaire. dos Focolares

Salvatore Martinez, Aurelio Molè, P. Marmann, D. Angelo Romano
Segundo Pe. Angelo Romano, Reitor da Basílica de S. Bartolomeu em Roma, e do departamento de relações internacionais da Comunidade de Sant’Egídio, “existem alguns setores em que a caminhada comum deve crescer: como cristãos não podemos deixar de nos interrogar sobre o fenômeno das migrações e promover iniciativas comuns. Outro tema a ser aprofundado é o dos conflitos, geradores de pobreza e sofrimento e de uma mensagem contrária ao Evangelho pela qual se somos diferentes não podemos viver juntos, enquanto que nós acreditamos que o Evangelho é fermento de unidade e paz e os cristãos são chamados a suscitar perspectivas novas”. Além do mais, a obra dos movimentos é uma encarnação do Evangelho: “Nós somos a resposta – afirma Martinez – àquela dicotomia que muitos gostariam de pôr entre doutrina e misericórdia, porque a teologia do espírito se faz com a vida”. E a proposta de uma Igreja pobre e missionária não está em antítese com a doutrina, mas parte dela: “É aquele diálogo com o mundo e a modernidade que o Vaticano II tinha profetizado – diz Martinez –, que Paulo VI antes de todos procurou encarnar e, depois, todos os pontífices que acompanharam a nossa história. É esta síntese original que o Papa nos pede que testemunhemos: uma doutrina que se encarna na história”. Nesta perspectiva, a vinte anos da investidura de 1998, os movimentos eclesiais se mostram cada vez mais como “a resposta providencial às necessidades do nosso tempo”. Uma resposta que implica um trabalho constante pela unidade, para levar o rosto de Cristo às periferias do humano. Claudia Di Lorenzi
Mais do que irmãs
«Nunca seremos capazes de avaliar a ajuda que os irmãos nos dão. Quanta coragem infunde em nós a fé que eles têm, quanto calor o seu amor, como nos arrasta o exemplo deles!». Chiara Lubich (1920-2008), autora destas linhas, é conhecida como aquela que soube arrastar atrás de Cristo centenas de milhares de pessoas, que entretece relacionamentos com budistas, muçulmanos, é seguida por pessoas sem convicções religiosas e dá um novo alento de vida à política, à economia. Sobre a balança das contribuições que tornaram Silvia Lubich simplesmente “Chiara”, pesa não pouco a amizade com as suas primeiras companheiras. Tudo começou com uma escolha de Deus, e com a consagração na virgindade em 1943, em Trento. Mas bem cedo não é um “eu”, mas um sujeito coletivo que se move, age, reza e ama: Chiara e as suas primeiras companheiras poderiam ter se tornado pessoas quaisquer, ao invés foram faróis nos cinco continentes. Esta história beira ao inacreditável e, no entanto, é simples. Podemos entender se abrirmos o Evangelho no capítulo 13 de João: «Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros» (João, 13, 34). Um mandamento que só pode ser posto em prática juntos. Quando, nos refúgios antiaéreos, ouvem esta passagem, trocam entre si um olhar de entendimento, enquanto avaliam o compromisso exigido. Não hesitam em se declararem reciprocamente: «Eu estou pronta a te amar até dar a vida por ti». Chiara considerará isto a pedra angular sobre a qual apoiará o edifício do Movimento dos Focolares. Certamente não é uma coisa inédita na história da Igreja. Mas há talvez algo novo. Chiara transmite às companheiras aquilo que vive e tudo o que o Espírito Santo lhe inspira. Entre elas existe um vínculo sólido como a rocha, e eu gostaria de ilustrar a qualidade deste relacionamento que valoriza, liberta as potencialidades e edifica uma obra de Deus.
Estamos em 1954. Já se passaram uns dez anos. Em Roma, com Chiara, vivem Giosi, Graziella, Natalia, Vittoria (chamada Aletta), Marilen, Bruna, Giulia (Eli). Um dia, enquanto Chiara se detém as observando, lhe vem em mente uma frase do livro dos Provérbios: «A Dama Sabedoria construiu sua casa, talhando sete colunas» (Provérbios 9, 1). Vê sete jovens mulheres, cada uma com um talento, unidas e enraizadas em Deus. Eis as sete colunas da sabedoria, as sete cores do arco-íris que brotam de uma única luz, o amor. Sete aspectos do amor, interdependentes, fluentes uns dos outros e uns nos outros. A Giosi, Chiara confia a gestão da comunhão dos bens e dos salários, além do cuidado pelos pobres: o vermelho do amor. A Graziella, confia «o testemunho e a irradiação», o alaranjado. Natalia foi a primeira companheira: a ela cabe personificar o coração deste ideal, o grito de Jesus abandonado a ser amado. Levará este segredo para além da Cortina de ferro. Era a espiritualidade e a vida de oração, o amarelo do arco-íris. Aletta será lembrada como aquela que infundiu entre os membros do Movimento o empenho de cuidar da saúde, para formar uma comunidade unida no amor: fez isso no Oriente Médio em guerra. Chiara lhe confiou a natureza e a vida física, o verde. A Marilen, que viveu quinze anos na floresta da Rep. dos Camarões, no meio de uma tribo e testemunhou um respeito incondicional pela cultura deles, Chiara confiou o azul: a harmonia e a casa. Bruna era uma intelectual e Chiara a viu como aquela que devia desenvolver o aspecto dos estudos: o anil. A Eli, que sempre estava ao lado de Chiara, cuidando para que todos os membros no mundo vivessem em uníssono, foi confiado o aspecto da «unidade e meios de comunicação», o violeta. Outras companheiras terão, sucessivamente, funções particulares: Dori, Ginetta, Gis, Valeria, Lia, Silvana, Palmira.

1959: Lia, Marilen, Bruna
Gen Verde Tour
DATAS: 12 de maio: workshop com jovens + desempenho final 13 de maio: Concerto “Do outro lado” Horário: 21:00 GenVerde Tours
A história de José Pintor
Gen Rosso “Music and Arts Village”
Foi concluída, em Loppiano (Itália), a primeira edição do “Gen Rosso Music and Arts Village”(25 de março a 1º de abril), experiência de aprofundamento artístico à luz do carisma da unidade, dirigida a jovens de 18 a 30 anos, com profissionais e estudiosos de música, dança, canto e teatro. Com uma metodologia didática projetada pelos tutores do Gen Rosso, o programa constou de laboratórios práticos alternados com troca de experiências com especialistas de fama nacional e internacional. Entre estes, Gabriel Ledda, bailarino, um dos oito campeões mundiais de hip hop; Pierluigi Grison, bailarino e coreógrafo de fama internacional, especialista em teatro-físico e teatro-dança; Antonella Lombardo, bailarina e professora, promotora do Festival da Harmonia entre os Povos e de um projeto da Terra Santa, com jovens muçulmanos, cristãos e judeus. Comentaram: Jorge Santana, professor de arte teatral na Universidade da Madri: «Criou-se entre nós um relacionamento verdadeiro, desembocado em arte e beleza». Emanuele Chirco, poli-instrumentista e tutor: «O encontro de jovens que provêm de contextos diferentes e diversas etnias cria atitudes novas, dinâmicas, que até um instante antes são uma incógnita. É o milagre da música, mas também da unidade!». Alguns participantes: «A semana mais linda da minha vida». «Cheguei pensando que entrava num “show de talentos” para entender o valor que tenho, e me encontrei com uma nova e inesperada experiência do valor de mim mesma e dos meus talentos». «Redescobri a arte como dádiva».
