Um caminho de reconciliação em Myanmar
https://vimeo.com/192659836 Copyright 2016 © CSC Audiovisivi – All rights reserved
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Piotr, o que o levou a optar por Sophia? Muitos fatores me conduziram a Sophia. Nos anos do ensino médio tive a sorte de conhecer um filósofo de Turim, chamado Costanzo Preve, que me aproximou dos estudos da filosofia a partir da minha pré-existente curiosidade pela política. A sua impostação filosófica hegel-marxista abriu-me a um olhar sobre a totalidade social que, ao mesmo tempo, tornou árdua a escolha de uma universidade; eu estava indeciso entre economia, política e filosofia e, na conclusão do ensino médio, um professor falou-me de Sophia, ainda que houvesse apenas cursos para mestrado. Afinal, até para ter um “pedaço de papel” mais “consumível”, optei pelo curso trienal de economia, em Gênova. Uma escolha que não o satisfez… A insatisfação com a impostação “convencional” de muitos cursos levou-me a aderir à rede internacional de Rethinking Economics, para promover um pluralismo econômico, metodológico e interdisciplinar no ensino universitário de economia, e fundei uma sede local dela. Paralelamente, de maneira autônoma, continuei os meus estudos musicais e filosóficos. Além disso, tornei-me jornalista: faço parte da redação do jornal Termômetro Político e há alguns meses passei a dirigir a revista de debate eclesial Nipoti di Maritain. Mas, voltando ao ponto, nestes anos li alguns ensaios do reitor Piero Coda e pedi-lhe para visitar Sophia. Estive aqui duas vezes, antes de fazer minha matrícula. A cada vez a confirmação da minha vocação “sophiana” era mais reforçada. Que trajetória você decidiu fazer e o que tem ganho nestes primeiros meses presenciais? Decidi estudar ontologia trinitária, inclusive pela possibilidade de usufruir do acordo com a Universidade de Perúgia para o título duplo, e obter, além do diploma vaticano, um mestrado italiano em filosofia com ênfase didática, o que eventualmente abriria para mim um caminho para o ensino superior. Nesses primeiros meses todos nós frequentamos os mesmos cursos filosóficos, teológicos, políticos e econômicos, o que consente partir de uma base comum. Este aspecto inter-disciplinar, no meu caso não foi uma surpresa, mas uma opção consciente e deliberada. Do ponto de vista acadêmico, o nível de Sophia é muito elevado e deu-me a possibilidade de aprofundar temas de interesse pessoal durante os cursos. Desde o final de agosto moro num apartamento dois andares acima das salas de aula, com nove rapazes de todos os continentes, da Argentina à China, da Alemanha à Tanzânia, passando pelo Líbano. Ótima convivência, bem organizada também nos trabalhos domésticos; desde o início nos sentimos logo como irmãos, nos pequenos cuidados cotidianos. E os seus projetos? Que previsões você faz? É difícil dizer, porque no momento não faço outra coisa senão abrir novas estradas; o objetivo, a médio prazo, é obter o diploma, mas para a tese tenho muitas ideias diferentes e, como acontece muitas vezes, provavelmente nenhuma delas será a definitiva. Depois poderei pensar num doutorado, mas veremos. Mas eu gostaria, de qualquer forma, de continuar a atividade jornalística, e como trabalho, não seria mal ensinar ou encontrar um lugar no campo editorial. Mas não gostaria de colocar obstáculos para o Espírito, que poderia me levar muito além. Fonte: IUS online
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Neste Natal, Senhor, te recomendamos os “distantes”: os muitos que eram “próximos” e que agora não são mais porque os males, os demasiados males do mundo, os afastaram de Ti; aqueles que não te conhecem, mas te buscam com coração puro e sincero, e que não sabem ainda que um dia, um suavíssimo dia, Tu apareceste criança na terra. Neste Natal, Senhor, te recomendamos sobretudo aqueles que são sem uma fé. Nós os recomendamos a Ti para que, sobre o pano de fundo da não rara boa vontade deles, faça brecha um raio da tua luz, fulgure por um instante a estrela que guia a ti e possam experimentar, pelo menos por alguns momentos, quão plena é a alegria de quem te reconhece e te ama. Nós te recomendamos os “distantes”, Senhor, porque sabemos que é sobretudo para eles que um dia te fizeste criança. Chiara Lubich, E torna Natale …, Ed. Città Nuova, Roma 2007, XI edizione, pag 59-60.
“Uma longa experiência de professora do ensino fundamental – inicia falando Patrizia Bertoncello, organizadora do livro – bem cedo me levou a individualizar aqueles sinais típicos de tribulações que estão mais presentes nas periferias do que em outros lugares. Frequentemente foram os próprios alunos a contá-las: “Era uma vez uma flor – escreve Cristina, sete anos, durante a aula –. O seu papai-flor tinha ido embora e também a mamãe-flor não estava com ela, porque tinha muito a fazer e estava muito preocupada. Não tinha tempo de ouvi-la. A flor era uma rosa com mil espinhos. Os espinhos eram muitíssimos e picavam. A flor queria fazer amizade com os animaizinhos do bosque ou com as outras flores. Mas quando se aproximavam se picavam forte e fugiam numa corrida desabalada, porque ela picava demais. E não podia fazer nada. No fim, a flor, que era uma rosa, estava sempre sozinha e muito triste”. (1) É a explicação lúcida, dada por ela mesma, daqueles repetidos ressentimentos na sala de aula que a afastavam de todos. Assim como ela, com diferentes problemáticas, são muitas as crianças atribuladas, neste nosso mundo que para muitos se mostra bem vivível e protetivo, mas que não está imune a contradições e ambivalências em detrimento dos mais fracos. Às vezes aquelas instituições que, com palavras, se enfileiram em prol dos direitos da infância, com os fatos, os levam pouco em consideração. Especialmente os das crianças que não podem contar com pais eficazes ou com vínculos familiares duradouros, deixando-as assim numa espécie de zona de sombra, na instabilidade afetiva e, frequentemente, também numa dilacerante pobreza. A falta de proteção e de reais oportunidades de crescimento, certamente não são condições dignas de uma sociedade como a nossa. Por isso, muitas vezes me perguntei como dar voz a estas “crianças invisíveis”, como contribuir para a construção de uma cultura de tutela e pleno respeito pela infância.
Comecei procurando acolher cada um dos meus alunos com amor e, aos poucos, via que as suas lágrimas se enxugavam. Percebi que para “encontrar” realmente o mundo dos pequeninos é preciso se aproximar de cada uma das crianças com atenção, aprendendo a olhar as coisas com o seu olhar, pondo em campo toda energia e competência para criar relações significativas. Depois, com outros agentes e profissionais, animados pelo mesmo estilo educativo, procurei ativar processos nos quais as crianças e as suas famílias façam a experiência de relacionamentos realmente educativos. Desta sinergia nasceu a ideia de um livro que narrasse não só histórias de “crianças invisíveis”, mas também boas práticas e percursos de resgate. “Crianças em apuros”, escrito por um oncologista, um assistente social, um pediatra e por mim que organizei a edição, quer pôr em luz aqueles germes de esperança e de relacionalidade positiva que se tornam, em alguma medida, ativadores de resiliência. Ou seja, aquele recurso que muitas crianças, oportunamente ajudadas, conseguem pôr em ação atingindo bons níveis de recuperação. Como aconteceu com Emma. Quando tinha oito anos, abalada pelo desmantelamento familiar, tinha até mesmo tentado tirar a própria vida. Recentemente, após ter me encontrado no Facebook, me escreveu: “Querida professora, que saudades tenho de você e dos muitos momentos juntas! Você se lembra de quando lia as histórias imitando as vozes dos personagens? E a excursão à praia? Certo, aquilo que nunca se cancelará do meu coração é o bem que você me quis quando para mim tudo estava escuro. Quando estive no hospital depois da tragédia, você estava lá e nunca me perguntou por que havia feito aquilo, estava lá e isso era tudo. Depois, voltei à escola com aquelas feridas e você fez com que eu fizesse todas aquelas pulseiras com os fios coloridos… mas eu entendi que era para me ajudar a esconder as cicatrizes que eu não queria mostrar…” (2) Nas apresentações do livro em universidades e congressos, surpreende o despertar de atenção e de comprometimento das pessoas, que começam a perceber aquela criança da porta ao lado ou daquela que pede a esmola no metrô ou está numa enfermaria de hospital. Crianças antes eram invisíveis e agora podem voltar a ser protagonistas do próprio futuro. Coletânea feita por Anna Friso 1) – 2) – Patrizia Bertoncello – Bambini nei guai (Crianças em apuros) – Città Nuova 2015, pág. 11 e pág. 66
«Acordei hoje de manhã, 1° de janeiro, pronta a viver este dia e este ano que acaba de alvorecer – escreve um
a amiga de Istambul –. A primeira notícia com que me deparo é a do atentado que aconteceu na Discoteca Reina Club durante a noite. De repente, um sentido de forte dor, de apreensão e medo. Não é possível!!! Depois de algumas horas leio na palavra de vida do mês: “Se nós tivermos realmente experimentado o seu amor, também nós não poderemos deixar de amar e de nos embrenhar com coragem nos lugares onde existe divisão, conflito, ódio, para levar concórdia, paz, unidade. O amor nos dá as condições de lançar o coração para além do obstáculo…”. É mesmo feita para mim, para nós, que queremos continuar a crer e a viver pela paz e pela fraternidade universal. Os votos de bom ano que trocamos entre nós durante o dia com muitos amigos têm um sabor misto de desencorajamento e esperança. Não! Não vamos nos deixar subjugar por quem quer fazer com que acreditemos que a paz é uma utopia. E do mundo inteiro, muitos nos fazem sentir que não estamos sós». E é bem assim: não estão sozinhos. Embora no medo e apreensão pelo perpetrar-se de tanta violência injusta, de fato somos muitos a apostar e a se empenhar a cada dia pelo advento da paz. Queremos assumir como nosso o convite que o Papa Francisco dirige a todos na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz que acabamos de celebrar: «No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum».