Movimento dos Focolares

A chama

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Dia Mundial da Paz

Dia Mundial da Paz

papa-francesco«O século passado – escreve o Papa Francisco – foi arrasado por duas guerras mundiais devastadoras, conheceu a ameaça da guerra nuclear e um grande número de outros conflitos, hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços […] que provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. […] Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos, porque grandes quantidades de recursos são destinadas a fins militares e subtraídas às exigências do dia-a-dia dos jovens, das famílias em dificuldade, dos idosos, dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos. […] Ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência. […] que não consiste «em render-se ao mal (…), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça. Quando a Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979, declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: «Na nossa família, não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos de destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros […]. E poderemos superar todo o mal que há no mundo». […] (Ela) inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! – da pobreza criada por eles mesmos».  A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes. Os sucessos alcançados por Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, na libertação da Índia, e por Martin Luther King Jr contra a discriminação racial nunca serão esquecidos. As mulheres, em particular, são muitas vezes líderes de não-violência, como, por exemplo, Leymah Gbowee e milhares de mulheres liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (pray-ins), obtendo negociações de alto nível para a conclusão da segunda guerra civil na Libéria. […] Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um património exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem «a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida». Reitero-o aqui sem hesitação: «nenhuma religião é terrorista».  A violência é uma profanação do nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: «jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra. […] Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. […]. A família constitui o cadinho indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão. […] Lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética. Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças. No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum». Leia a mensagem integral  

Maria, Rainha da Paz

Maria, Rainha da Paz

maria loppiano[…] A história é feita só de guerras, e nós, quando crianças, por pouco não aprendemos nos bancos da escola que as guerras são boas, são santas, quase que salvaguardas da própria pátria. […] Mas se sentimos ressoar em nosso espírito os apelos dos Papas, […] vemos quanto eles receavam a guerra para a humanidade e iam, chamados ou não, até os governantes, tentando aplacar as iras, os interesses, e afastar a terrível catástrofe da guerra com a qual tudo se perde, enquanto com a paz tudo se ganha. Isto porque a história é uma sequência de lutas fratricidas entre povos irmãos a quem o único Senhor do mundo deu um pedaço de terra para cultivar e nela viver. Ele abençoa a paz porque Ele personificou a paz. Nós que vemos como o Senhor está conquistando para si um por um os corações de seus filhos de todas as nações, de todas as línguas, transformando-os em filhos do amor, da alegria, da paz, da ousadia, da força, esperamos que o Senhor tenha piedade deste mundo dividido e disperso, destes povos fechados na própria casca a contemplar a própria beleza – para eles sem igual – limitada e insatisfatória, a defender com unhas e dentes, os próprios tesouros — resguardar até aqueles bens que poderiam servir a outros povos nos quais se morre de fome — e faça cair as barreiras e jorrar em fluxo ininterrupto a caridade entre terra e terra, torrente de bens espirituais e materiais. Esperamos que o Senhor componha uma ordem nova no mundo, Ele, o único capaz de fazer da humanidade uma família e de preservar as distinções entre os povos, para que, no esplendor de cada um, posto a serviço do outro, reluza a única luz de vida que, embelezando a pátria terrena, faz dela a antessala da Pátria eterna. Talvez tudo o que se vem dizendo pareça um sonho. Mas –  à parte o fato que, se a relação entre os cristãos é o amor mútuo, a relação entre povos cristãos só pode ser o amor mútuo, pela lógica do Evangelho que não muda –  há um vínculo que já une fortemente os povos e que a voz do povo, de cada povo, que tão frequentemente é voz de Deus, já proclamou. Este vínculo oculto e guardado no coração de cada nação é Maria. Quem será capaz de dissuadir os brasileiros da ideia de que “Nossa Senhora Aparecida”, é a Rainha de sua terra? Quem poderá negar aos portugueses que Maria é “Nossa Senhora de Fátima”? Ou quem não reconhecerá que ela, para os franceses, é a “Sorridente Senhora de Lourdes”? Para os poloneses, a Virgem de Czestochowa? Para os ingleses, que sua terra é o “Feudo de Maria ”? E quem poderá negar que Maria é a “Castelã da Itália”? […] Todos os povos cristãos já a proclamaram sua Rainha, deles e de seus filhos. Mas falta uma coisa, e esta, Maria não pode fazer; nós é que devemos ajudá-la. Falta a nossa cooperação para que os povos católicos, como muitos irmãos unidos, vão até ela e a reconheçam ao mesmo tempo Mãe e Rainha. Poderemos coroá-la como tal se, com nossa conversão, com nossas orações, com nossa ação, tirarmos o véu que ainda cobre a sua coroa […].  A fração de mundo que está em nossas mãos, nós devemos depô-la  […] aos pés da maior Rainha que Céu e terra conhecem: Rainha dos homens, Rainha dos santos, Rainha dos anjos, pois quando viveu na terra soube imolar-se totalmente, serva do Senhor, e assim ensinar a seus filhos o caminho da unidade, do abraço universal dos homens, para que seja assim na terra como no Céu.   Livro Ideal e Luz – Editoras Cidade Nova e Brasiliense, São Paulo, 2003 – págs. 288-290.  

Cristãos e hinduístas em diálogo sobre a paz

Cristãos e hinduístas em diálogo sobre a paz

luce di pace2«Assim é a ânsia, assim é a ira, elas nascem do rajas, da paixão dos sentidos que tudo devora…» (Bhagavad Gita 3,37). É uma das citações feitas por Paramahamsa Svami Yogananda Ghiri, presidente honorário da União Hinduísta italiana (UII), no seu discurso de saudação na 1ª Conferência cristã-hinduísta que, no dia 6 de dezembro, lotou a sala magna da Universidade Gregoriana (Roma). A abrir os trabalhos, o card. Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o diálogo inter-religioso, promotor do evento, em colaboração com a UII, a Conferência episcopal italiana, Religions for Peace e o Movimento dos Focolares. O prelado, ao expressar a sua alegria por este momento de diálogo, pressagia confiante: «Com a nossa luz interior que arde e ilumina, seremos capazes de orientar cada um dos nossos passos no caminho da Paz». Cristianismo e hinduísmo, religiões representadas em igual número por 300 pessoas animadas por um profundo desejo de conhecimento e de comunhão recíprocos. Dois emblemas se sobressaem na sala: a Lâmpada e o Crucifixo, ambos símbolos de luz. De fato, “Luz de Paz” é o título do dia transcorrido no diálogo e na busca de construir juntos a Paz. Significativas as palavras do bispo Paul Gallagher, secretário para as relações do Vaticano com os Estados que, após ter recordado os muitos conflitos presentes no planeta, apela à comunidade internacional por uma «superação da lógica do individualismo, da competitividade, do querer ser os primeiros» e pede que, o mais rápido possível, se promova “uma ética da solidariedade”. De grande interesse também a análise do prof. Naso da Universidade La Sapienza (Roma). Ele, após ter mencionado os tristes dados da conflitualidade gerada por motivos religiosos, recorda os muitos casos em que são justamente as comunidades de fé que se tornam mediadores de processos de paz (ex. Irlanda do Norte, África do Sul, Moçambique). Isto faz com que se tenha esperança de que «as religiões possam realmente exercer um papel construtivo nas situações de conflito». luce di pace1 Vivaz e apoiada por experiências pessoais, o relato da psicóloga hinduísta Sangita Dubey, sobre as diferenças culturais e sobre os custos psíquicos da migração, devidos à diferente alimentação, língua, mentalidade… Por isso, afirma que é preciso multiplicar os eventos inter-religiosos, de modo a penetrar nas tradições do outro, acolhendo as respectivas diversidades. “A derrota do diálogo”, evidencia Svamini Hamsananda Ghiri (UII) no seu discurso sobre a perspectiva hinduísta, «é o medo, a indiferença, o fundamentalismo, a suspeita do outro»; para perseguir o bem comum é preciso «ver o outro como irmão, porque gerado por um Deus Pai». Paolo Trianni, do Ateneu de S. Anselmo, a quem foi pedido que exprimisse a perspectiva cristã, conclui: «Quando se encontram duas civilizações milenárias, duas espiritualidades tão profundas, não podem senão originar daí grandes riquezas». Duas experiências de diálogo deram concretude às perspectivas traçadas: fr. Cesare Bovinelli monge de Camáldoli (Itália), lembrou a grande sintonia com os temas do meio ambiente nos encontros de Assis; uma jovem dos Focolares, Aileen Carneiro, da Índia, descreveu as múltiplas atividades realizadas no seu país com jovens hindus e cristãos. Em particular, a sinergia com o grupo gandhiano Shanti Ashram de Coimbatore, da qual tomou vida um projeto que tende a resolver a pobreza, seguindo a Economia de Comunhão. Aileen explicou que deve ser privilegiado o diálogo da vida, pondo em prática a assim chamada Regra de Ouro: «Faça aos outros tudo o que gostaria que fosse feito a você». A Conferência se concluiu com um espaço cultural de poesias, cantos e danças sacras hindus, em que a arte se tornou mais um motivo de comunhão, digna moldura à leitura do Comunicado conjunto Anna Friso

Palavra de Vida – Janeiro de 2017

“Ontem à noite fui jantar fora, com mamãe e uma amiga dela. Pedi o prato principal com ervilhas, para depois comer o doce de que eu mais gostava. Mas a mamãe não deixou. Eu estava querendo ficar emburrada, mas me lembrei que Jesus estava bem ali, com a mamãe, e então dei um sorriso”. “Hoje, depois de um dia cansativo, voltei para casa. Comecei a ver televisão, mas meu irmão tirou de minhas mãos o controle remoto. Fiquei com muita raiva. Mas depois me acalmei e deixei que ele ficasse vendo a TV”. “Hoje meu pai me disse uma coisa e eu lhe respondi mal. Quando olhei para ele, vi que não estava feliz. Então pedi desculpas e ele me perdoou”. São experiências sobre a Palavra de Vida contadas por crianças da quinta série, de uma escola de Roma. Pode ser que essas experiências não tenham uma ligação imediata com a Palavra que estavam vivendo naquele momento, mas o fruto do Evangelho vivido é justamente este: o impulso a amar. Qualquer que seja a Palavra de Vida que nos propomos a viver, os efeitos são sempre os mesmos: ela muda a nossa vida, coloca em nosso coração o impulso de ficarmos atentos às necessidades dos outros, faz com que nos disponhamos a servir os irmãos e as irmãs. E não poderia ser diferente: acolher e viver a Palavra faz nascer Jesus em nós e nos leva a agir como Ele. É o que Paulo dá a entender aqui, quando escreve aos coríntios. O que impulsionava o apóstolo a anunciar o Evangelho e a empenhar-se pela unidade das suas comunidades era a profunda experiência que ele tinha feito de Jesus. Tinha se sentido amado, salvo por Ele. Jesus tinha penetrado na sua vida a tal ponto, que nada nem ninguém poderia jamais separá-lo dele: não era mais Paulo que vivia, porque era Jesus que vivia nele. Imaginar que o Senhor o tinha amado até o ponto de dar a vida era algo que o fazia enlouquecer, não o deixava em paz e o impelia com força irresistível a fazer o mesmo, e com o mesmo amor. Será que o amor de Cristo impele também a nós com a mesma intensidade? Se nós tivermos realmente experimentado o seu amor, também nós não poderemos deixar de amar e de nos embrenhar com coragem nos lugares onde existe divisão, conflito, ódio, para levar concórdia, paz, unidade. O amor nos dá as condições de lançar o coração para além do obstáculo, chegando a estabelecer um contato direto com as pessoas, na compreensão e na partilha, para juntos procurar a solução. Não se trata de uma ação opcional. A unidade deve ser procurada a todo custo, sem que nos deixemos impedir pela falsa prudência, por dificuldades ou possíveis desencontros. Isso se mostra urgente, também em campo ecumênico. Esta Palavra de Vida foi escolhida para este mês no qual se celebra no Hemisfério Norte a Semana de Orações pela Unidade1, justamente para ser vivida em conjunto pelos cristãos das diversas Igrejas e comunidades, a fim de que todos se sintam impelidos pelo amor de Cristo a se aproximarem uns dos outros, tendo em vista a recomposição da unidade. Na abertura da II Assembleia Ecumênica Europeia em Graz, na Áustria, no dia 23 de junho de 1997, Chiara Lubich afirmava: “Será autêntico cristão da reconciliação somente aquele que souber amar os outros com a mesma caridade de Deus, aquela caridade que faz ver Cristo em cada um, que é destinada a todos – pois Jesus morreu por toda a humanidade –; a caridade que toma sempre a iniciativa, que é a primeira a amar; aquela caridade que leva a amar a todos como a si mesmo, que se ‘faz um’ com os irmãos e as irmãs, nos sofrimentos e nas alegrias. E é preciso que também as Igrejas amem com esse amor”. Vivamos também nós o radicalismo do amor com a simplicidade e a seriedade daquelas crianças da escola de Roma. Fabio Ciardi No Hemisfério Norte se celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em janeiro. No Brasil, ela é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes (em 2017 será de 25 de maio a 4 de junho).