7 Out 2016 | Sem categoria
“A festa foi uma experiência incrível! Acertou na mosca, atingiu o meu coração. E nos permitiu experimentar uma bela atmosfera de fraternidade que ajuda a recarregar as baterias!” “Dei-me conta de que posso decidir se permanecer no esconderijo ou se sair dele. Compreendi o quanto é importante abrir-me e partilhar, com outros, aquilo que sinto no meu íntimo”. “Reconheci, no grupo de jovens da Mariápolis, uma grande vitalidade, radicalismo, alegria, profundidade, capacidade de olhar de frente as dificuldades…”. “Foi uma experiência muito bela. Parto daqui com a convicção de que é possível viver uma vida diferente e que não estamos sós no esforço de sermos aqueles que realmente queremos ser e… arriscar”. São algumas das impressões dos mil jovens que se reuniram, no dia 24 e 25 de setembro passado, para a Festa dos Jovens 2016, na Mariápolis permanente dos Focolares, imersa nos pampas. Trata-se de um evento já tradicional que se realiza todos os anos com a potência criadora que os jovens sabem expressar quando se trata de transmitir a outros os ideais pelos quais eles querem empregar a vida. Este ano, na edição de 2016, atraídos pelo slogan “Arrisque: o que você busca, existe”, chegaram mais de mil jovens do Paraguai, Uruguai, Chile, Brasil e de várias cidades da Argentina. E qual é a proposta? Consiste em uma experiência de fraternidade, que inicia com a partilha, por 48 horas, do estilo de vida evangélico que caracteriza aquela Mariápolis permanente do Movimento dos Focolares, na qual, atualmente, vivem 85 jovens de 17 países, além de famílias e adultos. E mais. Partilha-se uma experiência e, por meio da música, do teatro e da dança, coloca-se em comum também as atuais problemáticas nas quais os jovens estão imersos: as relações familiares, o estudo, os sucessos e os insucessos da vida, as dependências, os momentos de sofrimento e, especialmente, o encontro com um Deus próximo, que tem uma resposta para as questões de cada um. Mas, a proposta não termina aqui: procura-se envolver todos na construção de um mundo unido sem distinções de fé ou de religião.
Neste ano o programa previa uma combinação de teatro, música e testemunhos. Tudo isto resumido em uma palavra emblemática, escrita em dimensões imensas, que ocupava todo o espaço da entrada da sala na qual se realizava a apresentação e que exortava a todos: “ARRISQUE!” A linguagem escolhida para apresentar as experiências e montar as cenas de teatro, era direta e interpelou pessoalmente cada participante. As canções, apresentadas com muita energia e ritmo envolvente, contribuíram para fazer a síntese deste empenho na procura de algo grandioso para cada um. Os momentos vividos fora da sala, todos juntos, como a visita à Mariápolis, as refeições, os passeios, serviram para dar espaço à partilha entre os jovens latino-americanos, que demonstraram o próprio desejo e a própria capacidade de construir um mundo unido, uma sociedade que inclui todos. Na conclusão foi lançada uma proposta: multiplicar aquele espaço de fraternidade em todos os cantos da terra em que vivemos. As respostas foram imediatas: “Do Paraguai queremos agradecer-lhes porque vocês nos fizeram viver dias inesquecíveis. Estamos emocionados e dispostos a aceitar a proposta!” “Hoje de manhã, enquanto eu estava no ônibus, indo ao trabalho – escreveu outro jovem participante – lembrei-me dos dias que vivemos juntos e tive vontade de viver bem o dia de hoje, de doar algo a mais, de arriscar”. Fonte: Cono Sur online
6 Out 2016 | Sem categoria
Não é um erro a escolha do “WE” no título, mas é um desafio lançado aos milhares de participantes presentes e a todos os que se conectaram via streaming. Se de um lado existe uma Itália onde os assim chamados pobres absolutos aumentaram de 130% em sete anos, onde todos os dias as suas costas meridionais servem de ponte para as centenas de milhares de migrantes que fogem da miséria e das guerras, por outro lado existe toda a vontade de se arriscar: voluntários, associações, jovens que querem experimentar novas formas de empreendimento para ajudar as pessoas da emergência do dia a dia. Sim, porque o empenho (como “dar algo em-penhor”, com as palavras de Alberto Frassineti, um dos fundadores do Polo Lionello), é o espírito que anima aqueles que trouxeram as suas experiências no decorrer das iniciativas em programa para Loppianolab 2016: economia, mas também política, bem-estar, imigração, comunicação, tecnologia e educação. A iniciativa, que viu como promotores o Polo Lionello Bonfanti , o Grupo Editorial Città Nuova, o Instituto Universitário Sophia e a Mariápolis permanente de Loppiano, nasceu em 2010 com o espírito de concretizar um laboratório nacional que pusesse em ação, como desejou na sua mensagem, Maria Voce, Presidente dos Focolares, “as qualidades que tornaram grandes os italianos, a criatividade e a industriosidade, o acolhimento e a solidariedade, a cultura e a arte”.
Especialistas do mundo da cultura, da economia e da política se alternaram nos diversos momentos previstos pelo programa, junto com as muitas vozes da sociedade civil através das iniciativas promovidas pelas centenas de associações, indivíduos e comunidades, reforçando e colocando em rede pessoas apaixonadas em traduzir em práxis ideias, projetos, estilos de vida. Três dias, três focos para acolher diversos desafios: o da inovação técnico-científica, do desenvolvimento e da pobreza para reinventar a paz. E justamente em LoppianoLab foram comemorados dois aniversários importantes, o do projeto de Economia de Comunhão (EdC) pelo seu 25° ano de vida e o da revista dos Focolares, Città Nuova, que faz 60 anos. Três dias, trinta workshops multitemáticos, três transmissões ao vivo via streaming, laboratórios inclusive para crianças e adolescentes: “Loppiano Kids. É tempo de partilhar” com uma série de encontros sobre os temas da pobreza, da solidariedade e da ecologia, e “Loppiano Young” com performances e exibições artísticas organizadas pela banda internacional Gen Verde.
Jesús Morán, copresidente dos Focolares e filósofo, encerrou o último dia falando dos três desafios que hoje a humanidade se encontra abordando, os da globalização e da pós-globalização, o desafio antropológico, do “pós-humano” e, por último, o humanitário, do sub-humano, desafio que nos interpela a elaborar uma “cultura da ressurreição”, para assumir profundamente a dor do homem que sofre. A pergunta que devemos nos fazer – segundo Morán – é: quanto espaço damos, na nossa vida, aos últimos, aos “abandonados” de hoje? Enfim, durante o fórum “A riqueza das pobrezas invisíveis”, foi lançada a proposta de constituir um observatório sobre a pobreza que, baseado num plano de trabalho bienal, elabore um sistema informativo para monitorar os efeitos das ajudas da EdC em nível global, e estude alguns casos específicos significativos pelos resultados obtidos ou as metodologias adotadas. Ler também: Città Nuova online: Speciale LoppianoLab Loppiano Economia de comunhão
5 Out 2016 | Sem categoria

Anne com sua mãe, Eleanor.
«Nasci prematura de 14 semanas, pesando menos de um quilo. Os médicos disseram que eu tinha somente uma pequena possibilidade de sobrevivência e por isso minha mãe chamou um padre para me batizar. Fiquei quatro meses na incubadora, e devido à excessiva exposição ao oxigênio, o meu ouvido sofreu uma perda de 80%, em ambos os lados. Durante a adolescência comecei a me questionar por que não havia morrido logo, tanto era o sofrimento que essa grave perda auditiva me provocava. Os meus pais, que vivem a espiritualidade dos Focolares, davam sempre a mesma resposta: “Anne, Deus a ama imensamente e tem um plano especial para você”. Essa frase colocava em mim o desejo de descobrir o que Ele havia reservado para a minha vida. Aos 18 anos comecei a trabalhar nos correios. A minha função era responder ao telefone, uma grande dificuldade porque era problemático para mim entender os vários pedidos. Muitas vezes as pessoas do outro lado da linha gozavam de mim, chamavam-me de imbecil, e eu voltava para casa chorando, gritando para minha mãe por que a vida tinha que ser tão dura para mim.
Uma resposta dela me pegou de surpresa: “Tente dar você o primeiro passo. Amanhã, quando responder ao telefone, explique com simplicidade a quem lhe escuta que você tem uma perda auditiva e convide as pessoas a falarem lentamente e com clareza”. Para mim isso significou enfrentar antes de tudo a mim mesma, porque eu não queria que soubessem da minha surdez, queria parecer “normal” como todos os outros. No dia seguinte, no trabalho, ouvi o telefone tocar e, ao mesmo tempo, uma voz dizia no meu coração: “dê o primeiro passo”. Pela primeira vez na minha vida respondi ao telefone convidando a falar de maneira clara, porque eu possuía um déficit auditivo. Para minha surpresa a pessoa do outro lado foi muito gentil e compreensiva e isso me encorajou, a partir daquele momento, a fazer o meu trabalho com mais segurança. Os meus colegas, vendo as minhas dificuldades e o esforço para superá-las, procuraram ajudar, respondendo também aos chamados. Foi como se eu tivesse jogado uma pedrinha na água provocando um efeito em cadeia. Voltei para casa e disse à minha mãe: “Funcionou!”. 
Em Melbourne, com as focolarinas que moram com ela.
Aquele dia assinalou uma reviravolta na minha vida. Entendi que devia aceitar os meus limites dia a dia, e procurando dar o primeiro passo, tendo a iniciativa no amor aos outros, como Deus fez conosco, eu teria encontrado um relacionamento com o mundo e com as pessoas, juntamente com a paz interior e uma nova liberdade. O sofrimento aproximou-me de Deus, e é Ele que sempre me ajuda a colocar-me à disposição dos outros. Com o passar do tempo senti o desejo de doar-lhe a minha vida no caminho do focolare. As dificuldades não faltaram, como a de aprender a língua italiana para receber a formação necessária àquela experiência. Mas experimentei que para Deus nada é impossível. Ainda hoje não é simples: por exemplo, com as amigas com quem moro, no focolare, devemos fazer pequenos passos todos os dias. Quem falava rápido demais agora se esforça de pronunciar bem as palavras de modo que eu possa fazer a leitura labial. E no final vence o amor mútuo! Recebi de meu pai, falecido nove anos atrás, uma mensagem pessoal para ser lida após a sua morte, e nela havia só uma frase: “A minha noite não tem escuridão”. É a minha experiência cotidiana. Toda vez que decido amar e servir quem está perto de mim não existem mais trevas, e experimento o amor que Deus tem por mim».
3 Out 2016 | Sem categoria
Acenos de história. Em 1982, João Paulo II colocou à disposição do Movimento dos Focolares a sala de audiências papais em Castelgandolfo (Roma). A partir daquela grande e vazia estrutura foi realizado, com a contribuição de todos os membros do Movimento (inclusive dos mais pequenos) o atual Centro Mariápolis Internacional, que, desde 1986, recebe anualmente milhares de pessoas. Chegam das mais variadas proveniências, adultos e jovens, reunidos em congressos, simpósios, cursos de formação de todos os tipos, com amplos espaços qualificados de diálogo ecumênico e inter-religioso. Todos acomunados pelo mesmo objetivo: concorrer a realizar e tornar visível a fraternidade, viver à luz dos valores universais do Evangelho, “laboratórios de fraternidade”, “uma cidade-casa”, como escreveu, então, Chiara Lubich. Convite 
3 Out 2016 | Sem categoria
Personalidades da Igreja católica, expoentes do mundo islâmico, autoridades civis, representantes de associações e outras pessoas de Brescia e das cidades vizinhas lotaram, no dia 23 de setembro, a catedral da cidade italiana para participar do evento “Paulo VI, um retrato espiritual”, com o depoimento de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, proposto por Rosi Bertolassi, membro do mesmo Movimento. O discurso aborda três aspectos da personalidade de João Batista Montini: profeta, apóstolo, mediador. Na sua fala, a presidente dos Focolares expressa primeiro uma gratidão profunda que liga o Movimento, que representa, ao bem-aventurado Paulo VI, “uma das dádivas que Deus quis dar à humanidade do nosso tempo”. E lembra o período em que a Igreja estudava o Movimento nascente: «Quando ele se tornou papa, o seu papel foi determinante para o discernimento do carisma de Chiara Lubich, tornando possível aquilo que, no início da década de sessenta parecia ainda “impossível”, indicando sapientemente formas legais viáveis para expressar a fisionomia específica desta nova Obra na Igreja». Ela evidencia que, justamente porque «permeada pela Palavra, a figura de João Batista Montini – Paulo VI – se revela a nós na sua tríplice dimensão de profeta, apóstolo, mediador. Na dimensão profética, Maria Voce evidencia «a capacidade de abrir com coragem e sabedoria novos caminhos» e de «abater muros e expressar a renovação da Igreja que a sua alma anelava». Como o histórico abraço de paz com o patriarca Atenágoras em janeiro de 1964 na Terra Santa; em 1970, quando com uma decisão histórica, proclama doutoras da Igreja – título sempre concedido somente aos homens – duas mulheres: Teresa d’Ávila e Caterina de Sena; ou ainda quando, no Ano Santo de 1975, ajoelhou-se para beijar os pés do metropolita ortodoxo Meliton. «Paulo VI foi realmente o Papa do diálogo» assim se expressou João Paulo II em Concesio durante a sua visita pastoral em 1982, evidenciando no seu predecessor a capacidade de dialogar com a humanidade inteira». Maria Voce ressalta também a sua dimensão apostólica: «Na Ecclesiam Suam (…) sentimos vibrar o pensamento e a alma do apóstolo de quem havia escolhido o nome, o apóstolo missionário e primeiro teólogo de Cristo, aquele que se fez tudo a todos, sem se poupar, para que o anúncio do Evangelho chegasse a todas as gentes». A este propósito, Maria Voce relembra as viagens apostólicas «que o aproximou dos povos da terra, fazendo com que a Igreja se tornasse mais una e mais “católica” como Paulo VI amava evidenciar, no sentido etimológico do termo. De grande destaque e de dimensão universal, se sobressai o histórico e profundamente humano discurso pronunciado na ONU. Tenho a satisfação de citar também a inclusão inovadora dos leigos nos pontos vitais da instituição eclesiástica, a sua confiança na contribuição de suas ideias e seu reconhecimento, na Octogesima adveniens, da legitimidade da pluralidade de opções no âmbito político enquanto fiel aos princípios do Evangelho». Finalmente, a sua capacidade de “Mediador no único Mediador”: após lembrar a surpreendente carta às Brigadas Vermelhas «que floresceu em seu coração no doloroso período do rapto do deputado e amigo Aldo Moro», a presidente afirma o seu papel de mediador e acrescenta: «Paulo VI – seguindo o rastro do Mestre – toma sobre si a angústia e o tormento do mundo, os seus pecados e pesos, sentindo-os profundamente seus e sofrendo com eles, como muitas vezes transparece em seu rosto. Desta forma, a paternidade de Deus se manifesta nele nitidamente, anulando a distância entre céu e terra, curando feridas, enxugando lágrimas, trazendo paz e unidade». Leia o discurso integral
2 Out 2016 | Sem categoria

1980 – Aquarell – Matterhorn mit Zermatt, Schweiz. http://www.klaus-hemmerle.de
«Durante estes passeios percorria uma estrada que se encontra a 1.250 metros de altura e que contorna um cume. Podia-se ver o vale, o cume dos montes. Era belíssimo! Eu queria pintar tudo isto, ao voltar para casa. Parava a cada dez metros para fixar na minha alma uma situação, uma bela vista em perspectiva. E após outros cinco metros, mais outra vista completamente diferente.
Na minha vida nunca tinha observado com que velocidade as perspectivas mudam. E não saberia dizer que perspectiva podia ser a mais bonita. Cada combinação, cada constelação era um evento diferente e uma surpresa sempre nova. E assim eu vi o mundo de uma maneira completamente diferente. Vi um pedaço de céu e entendi que estas relações, este se relacionar de cada coisa com as outras, estes traços em que as linhas se dividem e depois se cruzam de novo, tudo isto é realmente uma plenitude infinita de todos os possíveis encontros de uma só e única realidade: este monte, este outro monte, este outro ainda e este vale. Mas sempre em perspectivas novas, pelas quais não posso dizer: “Esta é a vista em perspectiva justa e aquela outra não é”, mas devo ir em frente, deixando que estas perspectivas e estas linhas diferentes se encontrem. Deste modo devo ver que no único Deus em que cremos, todas as realidades criadas, todas as pessoas criadas, todas as coisas se encontram lá para um encontro sempre novo e um cruzamento sempre novo, para múltiplas belezas que não se excluem, mas se incluem reciprocamente e são um único encanto e um único canto da Beleza.
Entre nós acontece a mesma coisa: devo estar pronto a deixar um ponto de vista e uma perspectiva para poder ter outra. Em Deus deixo uma perspectiva, mas esta permanece. Assim existe uma simultaneidade que não me esmaga na sua universalidade, mas que é uma única dança, um único encontro, um único jogo, um canto novo. E pensei que embora entre as Igrejas existam obstáculos e barreiras, existam coisas que se contrapõem e que devem ser vividas e sofridas, para que possam se resolver, existe também um encontrar-se sempre novo de carismas, luz e graça.
[…] Nós deveríamos permitir uns aos outros poder tocar com as mãos um fragmento desta infinidade do paraíso e este jogo celeste e trinitário das relações recíprocas. Quanto mais nos encontramos nesta beleza, estamos uns dentro dos outros e nos apreciamos mutuamente, tanto mais atrairemos para a terra um fragmento de Paraíso. Um fragmento da Jerusalém celeste aqui no nosso meio é um primeiro hálito daquilo que deverá se desenvolver.
Naturalmente também me perguntei onde se pode achar de fato um ponto em que se encontram todas estas linhas muito diferentes, onde inclusive as realidades de dor e as contradições se cruzam, onde também o que não se pode resolver com uma espécie de síntese hegeliana encontra um ponto de encontro, ou também aquelas coisas que permanecem como um grito, mas que de qualquer forma devem ser vividas e sustentadas. Descobri que este ponto de cruzamento é Jesus no seu abandono: Ele se torna contemporâneo com aquilo que contemporâneo não é, é aceitação e acordo daquilo que não se aceita e não se acorda, é a convivência com aquela que é a morte de uns pelos outros. Justamente isto não é uma simples ideia especulativa, mas é uma possibilidade de viver e aceitar as tensões e os sofrimentos e tudo o que não é resolvível».
Klaus Hemmerle
Extraído do livro Klaus Hemmerle, innamorato della Parola di Dio de Wilfried Hagermann, Città Nuova Ed. 2013, pagg. 297-98.