Movimento dos Focolares

Terra Santa: “Dare to care” em Nes Ammim

Nes Ammim em hebraico significa “Milagre dos povos”. Um lugar que nasceu para favorecer o diálogo e o conhecimento entre cristãos, hebreus e muçulmanos. Aqui, de 16 a 18 de setembro, realizou-se “Ousar cuidar para um futuro melhor”, um encontro promovido pelo Movimento dos Focolares na Terra Santa, dirigido a pessoas de todas as gerações, nacionalidades, credo religioso ou convicções não religiosas. Uma oportunidade para compartilhar e descobrir-se amigos, mediante a compreensão recíproca, na construção de um futuro melhor, juntos. Para conhecer testemunhos de amizade entre fiéis de religiões diferentes, veja também Terra Santa: histórias de diálogo ( https://youtu.be/XPzL5RpCvU0 ). https://youtu.be/EEGDS86jQto

Evangelho vivido: instrumentos para a graça de Deus

Deus quis veicular a graça que salva o homem por intermédio do próprio homem. Ou seja, optou por salvar-nos inclusive por meio do nosso amor mútuo, pela caridade e o cuidado que temos em relação ao próximo. E quando parece que não há nada a oferecer, que não somos úteis, o caminho que nos indica é “bater” à Sua porta como filhos, pedir e ter confiança. Pedidos especiais Por acaso, tinha sabido de uma paciente internada no hospital em condições extremas. Para tentar salvá-la era necessário sangue de um certo grupo sanguíneo, mas não se conseguia encontrá-lo. Eu tentei procurar, seja entre pessoas conhecidas seja no meu ambiente de trabalho (sou enfermeira no ambulatório de uma entidade assistencial), mas não consegui nada. Estava para depor as armas, com o peso da derrota, quando brotou da minha alma uma sincera oração ao Onipotente, um pedido. O horário de trabalho no meu departamento havia terminado e o médico especialista com quem trabalho se despediu e saiu. Pouco depois chegou uma jovem mulher para uma consulta. Corri para chamar o médico e, diferente de outras vezes, ele se dispôs a voltar ao ambulatório. Pedi à senhora um documento e ela me entregou a carteirinha do Avis. Quase não acreditei nos meus olhos… e se ela tivesse aquele grupo sanguíneo? Se estivesse disponível? Foi exatamente assim! Naquela mesma tarde a senhora estava ao lado da paciente internada para a transfusão direta. (A.M.M. – Itália)

Atrás de uma porta Partindo da ideia de reduzir pela metade os meus pertences, presenteando-os a quem poderia precisar, instaurei novos relacionamentos. Comecei com dois casacos caros, que eu raramente eu usava, oferecidos à minha vizinha, do Marrocos, pois sua filha ou a nora poderiam se interessar. Ela gostou e, por sua vez, pediu que eu aceitasse um casaco bege novo, nunca usado. Para mim significava o trabalho que procurar alguém para quem dá-lo, mas serviu para criar familiaridade com a vizinha. Duas horas depois encontrei uma amiga que aceitou com alegria o casaco, para a sua irmã que só usa roupas bege. O dia continuou, marcado pela frase “dai e vos será dado”. Na verdade, aconteceu que recebi móveis, louças e roupa de cama para o apartamento para onde me transferi recentemente. Para nós, suíços, é difícil cruzar a porta de um vizinho, temos sempre medo de perturbar. Mas, quanta humanidade está escondida por detrás das portas! Bastam poucos minutos passados diante de uma xícara de café e caem os filtros do preconceito, o coração se dilata e o espaço familiar cresce. (Isabelle – Suíça)                                                                                                                                                                                    Aos cuidados de Maria Grazia Berretta

(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, anno IX – n.1- janeiro-fevereiro de 2023)

Três mulheres contra o tráfico de seres humanos

Três mulheres contra o tráfico de seres humanos

Diana, Argia e Jane, todos os dias doam o próprio tempo para ajudar outras mulheres a saírem do abominável fenômeno do tráfico e da escravização de seres humanos. As suas histórias, contadas durante o Dia Internacional contra o tráfico. No dia oito de fevereiro celebra-se o Dia Internacional contra o tráfico e a exploração de pessoas. A rede internacional Talita Kum – que conta com mais de 3 mil freiras e tem o apoio do Vaticano e de muitas associações, entre as quais o Movimento dos Focolares – organizou, este ano, uma “peregrinação online”, intitulada “Caminhar pela dignidade”, com a narrativa de experiências de várias partes do mundo. Duas, em especial, estão ligadas ao Movimento dos Focolares. Diana e Argia, de Nápolis (Itália) trabalham há anos em uma associação de mulheres chamada “Donne Meridiane” que atua na área social e de formação cultural.

Graduação de Blessing

“Conheci o trabalho de uma religiosa – conta Argia – que há vários anos acompanha jovens mulheres vítimas do tráfico num processo de reinserção na sociedade. Eu me perguntava o que podíamos fazer concretamente por essas jovens. Dentro de mim ressoava a frase do Evangelho: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”; especialmente este “como a ti mesmo”, que talvez significasse oferecer a estas jovens mulheres as mesmas possibilidades de uma vida livre e digna que nós, mulheres europeias, possuímos. Assim nasceu a ideia de financiar um itinerário de estudos, com a Associação, para uma jovem nigeriana”. Diana acrescenta: “Envolvemos empresários, mulheres de algumas instituições e associações, amigos e parentes. Então realizamos uma noite de arrecadação de fundos para angariar dinheiro e apoiar a iniciativa. Alguns meses atrás festejamos a formatura de Blessing, essa jovem, que se tornara mãe a poucos dias. Foram convidados os amigos com quem havíamos reunido os recursos, a fim de que participassem não só da alegria por essa vitória, mas também da possibilidade de continuar a apoiar outras mulheres neste percurso”. A história da Jane vem da África. Três anos atrás ela morava em Burkina Faso. “Na rua, diante da minha casa, toda noite havia uma longa fila de moças – ela conta -. O que esperavam? A sua hora para prostituir-se. Uma situação, lamentavelmente, bem organizada, e nada se podia fazer para evitá-la”. Mas Jane queria, de alguma forma, fazer a sua parte para ajudar essas jovens. Então começou a colaborar com Talita Kum. “Descobri que muitas mulheres vão se aventurar em outros países, ou outras cidades, para buscar trabalho ou para estudar. Infelizmente, com frequência caem na armadilha da prostituição. Falar sobre o tráfico abriu os olhos de muitas moças e salvou muitas vidas”. Há um ano Jane começou a trabalhar no centro nutricional infantil do Movimento dos Focolares na Costa do Marfim. É um centro de prevenção e tratamento da má nutrição infantil. “Todo dia recebemos muitas mães. Cada uma com a sua história. Lembro especialmente de uma delas: seu marido saiu para procurar trabalho e não voltou mais. Escutamos a sua história e choramos com ela. Não tínhamos nenhuma solução. Demos a ela uma pequena soma de dinheiro, para ajudá-la a manter um pequeno comércio na frente da sua casa. As jovens com quem trabalhamos também são sensíveis à questão da exploração. Sempre me impressiona quando uma delas diz que o nosso bairro tem a taxa mais alta de prostituição. Ela o afirma com alegria, porque entendeu que, apesar desse grave problema, o trabalho de cuidar das crianças, das mães e de suas famílias, é a nossa maneira de prevenir o tráfico e a exploração de seres humanos”.

Lorenzo Russo

VÍDEO: Praça de São Pedro, Roma, multidão relâmpago contra o tráfico de seres humanos. https://www.youtube.com/watch?v=kUPDp1PaaHc

Projeto DialogUE: praticando a arte do diálogo

Mergulhar no sentido do diálogo e confrontar-se para poder vivê-lo concretamente todos os dias. Este é o principal objetivo dos 8 webinars promovidos pelo projeto “DialogUE: Diferentes identidades aliadas abertas para gerar uma Europa unida”. Um percurso aberto a todos, para aprofundar e compreender a beleza desta arte. É possível compreender-nos entre cristãos, muçulmanos e pessoas de outras religiões? Podemos trabalhar juntos com aqueles que, mesmo com o mesmo credo, o vivem com expressões vanguardistas ou, pelo contrário, ancorados nas tradições? Podemos nos entender reciprocamente, aqueles que acreditam em um Deus eterno e aqueles que não acreditam na vida após a morte? Como podemos construir uma Europa unida entre países orientais e ocidentais tão diferentes em história, cultura, desenvolvimento, tradição? Estas são as questões que movem o projeto DialogUE – Diverse Identities Allied Open to Generate a United Europe (n.d.t. Identidades Diversas Aliadas Abertas para Gerar uma Europa Unida), projeto que nasceu na Europa em particular através da l’Associazione Internazionale New Humanity, do Movimento dos Focolares que, desde o seu início, fez do diálogo um estilo de vida; uma missão pela qual se compromete diariamente em vários níveis junto com muitas organizações que sentem a mesma paixão de construir sociedades mais fraternas. Depois de ter recebido o reconhecimento e financiamento do programa CERV da Comissão Europeia, o objetivo deste projeto, centrado nas pessoas e nos valores, é recolher os frutos que surgem do diálogo muitas vezes desafiante, entre diferentes grupos ao longo de dois anos, para moldar uma Europa cada vez mais expressão daquela “unidade na multiplicidade” que é a sua razão de ser. Com base nisso, e em colaboração com a Fondação para Sophia, a partir de 18 de fevereiro de 2023, será possível participar de um aprofundamento do diálogo por meio de um curso online dividido em 8 encontros. Serão webinars abertos a todos que podem ser seguidos em italiano com tradução para inglês, francês e húngaro. As quatro primeiras reuniões permitirão mergulhar no sentido do diálogo e serão conduzidas por Roberto Catalano, especialista internacional em diálogo. Seguir-se-ão 4 estudos de aprofundamento em áreas específicas, oferecidos a muitas vozes e expressão de tantos workshops em curso no território como entre pessoas e cidadãos de vários países europeus. O calendário, com os vários temas a serem abordados, terá a seguinte estrutura:

18/02/2023 das 15h às 17h – A necessidade de identidade

21/02/2023 das 19h às 21h – Além do impossível. Dois anos de experiência de diálogo online entre Leste-Oeste da Europa

25/02/2023 das 15h às 17h – A inevitabilidade do ‘outro’

03/03/2023 das 19h às 21h – Juntos pela Europa

03/04/2023 das 15h às 17h – O segredo do relacionamento verdadeiro: a Regra de Ouro

03/11/2023 das 15h às 17h – Diálogo e fraternidade ou fraternidade e diálogo

23/03/2023 das 17h às 19h – Laicidade versus religião? Aprender com os opostos. A experiência entre cristãos e marxistas

25/03/2023 das 15h às 17h – Diálogo Inter-religioso: nascimento, evolução e profecia

Um verdadeiro percurso de formação que responde à necessidade de comunicar e de descobrir as riquezas de cada um, valorizando concretamente o que une e encarando as diferenças como terreno fértil para crescer pacientemente no respeito de todos. Pode-se participar preenchendo o formulário de inscrição no seguinte link: https://forms.gle/mhvoaTkdrfdqc9kV9 Para mais informações, entra em contato com o endereço: dialogue@new-humanity.org.

Por Maria Grazia Berretta 

Giulio e Pina: apaixonar-se todos os dias

Amar-se reciprocamente no casamento é um grande desafio. Significa perder-se nos caminhos um do outro, partilhar a vida, semear pacientemente e colher os frutos; significa escolher um ao outro todos os dias, mesmo quando não nos reconhecemos e, se necessário, aprender a afrouxar para acompanhar o outro. No dia dedicado aos nomorados, partilhamos a história contada no Collegamento de Novembro de 2017 por Giulio e Pina Ciarrocchi que, 22 anos antes, em Maio de 1995, após a chegada de um derrame que perturbou as suas vidas, encontraram a coragem de se deixarem guiar por Deus, experimentando uma nova forma de se apaixonarem novamente todos os dias, vendo Jesus um no outro. https://www.youtube.com/watch?v=DeBytp9tU1w&list=PL9YsVtizqrYvNGmUXWySZYZWzxoZItFla&index=1&t=29s

Peru: Feliciano, um novo hóspede do Hogarcito

Peru: Feliciano, um novo hóspede do Hogarcito

A missão do Hogarcito “Chiara Lubich”, o centro para idosos na floresta amazônica peruana, é acompanhar os idosos e aqueles que estão doentes. Um lugar onde o serviço é movido pelo amor, onde se encontram pessoas que fazem o bem, capazes de colocar tudo nas mãos de Deus. Na metade do ano passado, uma mulher chegou ao Hogarcito para pedir ajuda. Precisava urgentemente de um apoio para o irmão idoso que morava sozinho, longe da capital onde ela morava. Perguntou-nos se podíamos acolhê-lo no Hogarcito e, depois de pedir-lhe um pouco de tempo para analisar a situação e as nossas possibilidades, nos colocamos no lugar do idoso e não hesitamos em nos disponibilizarmos a acolhê-lo. Foi assim que Feliciano, de 74 anos, se tornou um novo hóspede no Hogarcito. Nós o acolhemos com muito afeto e uma festa de boas-vindas. Descobrimos que ele havia perdido a visão de um olho, que tinha problemas de comunicação – era difícil entender o que dizia –, além de um grave problema de audição.

Feliciano durante a reabilitação

Ele conseguia caminhar sozinho, sempre com uma bengala, mas um dia, depois de ter entrado em seu quarto, demorou para sair. Os funcionários o encontraram estendido no chão, incapaz de se levantar. Então, pediram ajuda à Emergência do Centro de Saúde. Feliciano tinha tido um derrame e metade do seu corpo ficou paralisado. A situação era muito difícil. Estava limitado, triste. Precisava de um enfermeiro ao seu lado e monitoramento cardíaco constante. A equipe do Hogarcito, porém, não estava preparada para tais cuidados especializados. Por isso, Feliciano teve de se recuperar no hospital. Calculamos que os custos ficariam em torno de 2.500 soles (620 euros), para cobrir os cuidados e tratamentos. Tentamos entrar em contato com a irmã, mas, não tendo recebido resposta, não pensamos duas vezes: confiando na providência de Deus, contratamos uma enfermeira para cuidar dele e uma fisioterapeuta para as sessões de reabilitação. Quando perguntamos à fisio quanto tínhamos que pagar, ela nos disse: “Não se preocupem com o pagamento. Será o meu modo de ajudar o Hogarcito”. Foi muito difícil e arriscado transferir Feliciano. Pedimos a Deus que nos desse forças para continuar a sustentá-lo e levar a situação adiante. No fim, o amor de todos o ajudou a melhorar a cada dia. De repente, algum tempo depois, ele nos surpreendeu ao levantar-se. Pegou a bengala e deu alguns passos. Que emoção! Estávamos todos alegres por vê-lo caminhar! Era uma felicidade plena. A experiência de acompanhar quem está doente nos permite não só encontrar pessoas que fazem de tudo para dar uma mão, mas nos dá a alegria de confiar juntos e colocar tudo e todos nas mãos de Deus.

 Os voluntários do Hogarcito