13 Mar 2016 | Sem categoria
A espiritualidade da unidade nascida de Chiara Lubich tem uma forte relevância para a paz. Esta mensagem ressoa com força do evento de Castelgandolfo (Roma), no último dia 12 de março, quando mil pessoas reuniram-se para uma releitura, à luz da atualidade, da herança de Chiara Lubich no campo da construção da paz. Estiveram presentes embaixadores e representantes do corpo diplomático junto à Santa Sé e ao Estado italiano, de 20 países: Marrocos, Líbia, Benin e Gabão, Turquia e Taiwan, da Argentina, Venezuela, Cuba, Uruguai e Paraguai, dos Estados Unidos e da Guatemala, e de várias nações europeias, como Ucrânia, Lituânia, Albânia, Eslovênia, Portugal e Malta.
Mas a atualidade que se impõe ao nosso olhar oferece imagens de “uma paz violada, muitas vezes ridicularizada”, até levar a pensar que “viver em paz não pertença mais às gerações do Terceiro Milênio”, afirmou Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares na sua saudação inicial. Como reatar o fio despedaçado nas relações entre as pessoas, os povos, os estados? “Na sede da UNESCO, Chiara Lubich ofereceu um método de educação para a paz”, lembrou Maria Voce. É a espiritualidade da unidade, que coloca as bases para a cultura do diálogo. O demonstraram as quatro experiências contadas em seguida: a simplicidade do “dado da paz”, que se tornou o embasamento para a ampliação de Living Citty, um projeto nas escolas do Cairo que atualmente está em 300 escolas de 110 países, com a inclusão de mais de 100 mil crianças e adolescentes; o diálogo entre muçulmanos e cristãos na Itália, sob o pano de fundo das tensões que atravessam o continente; a história “milagrosa” de Fontem, na República dos Camarões, na qual Chiara Lubich entreviu o futuro da unidade entre os povos, preconizado pelo pacto estabelecido entre os chefes de duas tribos; e ainda o seu grande sonho de influir na sociedade por meio da cultura e do pensamento, do qual nasceu o Instituto Universitário Sophia (Loppiano, Florença, Itália).
Do palco do Centro Mariápolis falou também o Gen Verde: as canções do seu novo espetáculo, On the Other Side – recentemente apresentado em turnê em Hong Kong e Taiwan – vão todas nessa direção. O sacrifício dos monges de Thiberine, na Argélia, a canção de ninar para a menina sem nome afogada durante uma das tantas viagens da esperança, a voz da verdade de Oscar Romero, o bispo salvadorenho, hoje beato, assassinado, o grito da floresta amazônica empobrecida. O trabalho do Gen Verde quer lançar um alicerce sólido para a paz, com os milhares de jovens envolvidos nos workshops que promove. Lá onde estão, eles são “sementes de um povo novo, de um mundo mais solidário, especialmente para com os menores, os mais pobres, de um mundo mais unido”. Como dissera Chiara Lubich na UNESCO, sem esconder o segredo para realizá-lo: a coragem de saber sofrer, de aceitar a cansaço e a amargura que tudo isso comporta. “Se um número maior de homens aceitasse o sofrimento por amor, o sofrimento que o amor exige – afirmava ainda Chiara – esta poder-se-ia tornar a arma mais potente para dar à humanidade a sua mais alta dignidade, a de sentir-se não tanto um conjunto de povos, um ao lado do outro, amiúde em luta entre si, mas um único povo”.
11 Mar 2016 | Sem categoria
“Mulher de fé intrépida, mansa mensageira de esperança e de paz”, assim o papa Bento XVI descreveu Chiara Lubich na mensagem enviada para seu funeral há oito anos. E o papa Francisco, na abertura da causa de beatificação em janeiro de 2015, exortava a “fazer com que o povo de Deus conheça a vida e obra daquela que, acolhendo o convite do Senhor, acendeu uma nova luz para a Igreja no caminho da unidade”. Centenas de eventos no mundo para dizer que a paz não é uma utopia São mais de 200 os eventos promovidos pelas comunidades dos Focolares na Europa. Em Minsk, Bielorrússia, haverá uma jornada com o título Vivemos pela unidade. Na Suécia, haverá encontros de famílias nas seis cidades onde estão presentes comunidades do Movimento. Em Mônaco, Alemanha, haverá o primeiro “Chiaratag”. Em Lisboa, Portugal, haverá uma mesa redonda sobre Chiara e a paz com jornalistas e membros da Comissão Nacional Justiça e Paz. Em Sevilha, Espanha, o foco será sobre Chiara Lubich, educadora da paz, com a contribuição do Iman AllalBaschar da Mesquita do Rei Abdul Aziz al Saud de Marbella e do padre Manuel Palma Ramírez, vice-diretor do Centro de Estudos Teológicos de Sevilha. Em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, a comunidade dos Focolares, composta por católicos, ortodoxos, muçulmanos e pessoas de convicções não-religiosas, recolherá no encontro A mensagem de diálogo e de paz o resultado de anos de trabalho conjunto. Será aberto à cidade, com a participação do arcebispo cardeal Vinko Puljić. Uma convicção que atravessa o diálogo constante também nos outros países balcânicos e que passa do reconhecimento recíproco de tradições e nacionalidades. Uma amostra disso é o programa educativo Perle de Skopje, na Macedônia: uma escola infantil, ligada à universidade, que acolhe crianças de várias etnias, envolve as famílias e tem como base do projeto educativo os ideais de fraternidade de Lubich. Uma iniciativa do professor Aziz Shehu, muçulmano, ex-catedrático e decano da faculdade de pedagogia. Testemunharam que é um processo irreversível os 110 jovens croatas, sérvios, rutenos, húngaros, albaneses e macedônios, com outros da Bulgária e Romênia, que se reuniram pela primeira vez no início de março, com o lema Bálcãs: somos um. Acontecem nas Américas inúmeros encontros, simpósios, conferências e concertos, de dimensão espiritual e oração, inter-religiosa ou ambiental, de Nova York a São Francisco, nos EUA, em Santiago, Chile, passando a Havana, em Cuba, Neza, no estado mexicano de Nezahualcóyotl, Caracas, na Venezuela, Rio de Janeiro, no Brasil, Mendoza, na Argentina. Em Medellín, Colômbia, não há nenhuma família que não tenha perdido, nestes 50 anos de conflito, pelo menos um de seus membros. Também é assim entre os membros da comunidade dos Focolares: três gerações com histórias como aquela de Rosa, que após o assassinato do filho pelas mãos de um amigo, não se rende à vingança, mas empunha com todas as forças a coragem do perdão, trabalhando no centro social do bairro para difundir reconciliação, cuidado, cultura. Projetos de formação em diversas cidades da Colômbia, Equador, Venezuela e México testemunham a alternância de gerações de crianças que, tornando-se profissionais e professores, assumem a função de formar novos cidadãos com a cultura da fraternidade e paz. No Pacífico, são significativos os encontros em Honolulu, capital das ilhas do Havaí, e em Noumea, na Nova Caledônia. Na Austrália, o foco é sobre a paz e a acolhida, com encontros em Camberra, Melbourne, Sydney e Perth, este último foi preparado pelos jovens e será ao ar livre na Northbridge Piazza. Na Nova Zelândia, haverá encontros em Wellington e Christchurch com o tema Politics for Unity: Making a World of Difference. Na Coreia do Sul, há encontros animados por 31 comunidades nas diversas regiões para aprofundar os laços entre Chiara Lubich e a paz. Nas Filipinas, na universidade De La Salle, em Manila, o simpósio Carisma da unidade, uma herança sem tempo abordará os percursos feitos nos 50 anos de vida do Movimento dos Focolares no continente asiático. No Vietnã, em Vung Tau, 300 pessoas provenientes do país inteiro se encontrarão por alguns dias para viver juntos a espiritualidade da unidade. No Paquistão, estão previstos encontros de espiritualidade e missas pela paz em sete cidades. Também haverá aprofundamento em Burkina Faso, Costa do Marfim, Camarões, Nigéria, Quênia, Uganda, para citar apenas alguns. No Burundi, na atual situação de tensão social, se encontrarão com o tema Misericordiosos como o Pai Celeste, somos construtores de paz. Na República Democrática do Congo, uma conferência telefônica unirá as grandes cidades do país: Lubumbashi, Goma, Kikwit e Kinshasa. Nesta, 1500 pessoas, com a presença de embaixadores, membros da UNESCO, expoentes de diversas confissões cristãs, autoridades muçulmanas, refletirão sobre como vivem A paz na família. Na Itália, a presença difundida das comunidades dos Focolares suscita localmente muitas iniciativas. Em Roma, 280 jovens se encontram no Parlamento com a presidente da Câmara Laura Boldrini, o ministro de Relações Exteriores Gentiloni e outros parlamentares. Pasquale Ferrara, diplomata, Michele Zanzucchi, diretor da editora Città Nuova, Shahrzad Houshmand, teóloga muçulmana, serão os interlocutores para discutir o conteúdo de um manifesto com propostas concretas sobre a paz, o desarmamento e a modernização industrial. Na Universidade de Pisa, uma aula de Antonio M. Baggio no curso de Jurisprudência: O amor dos amores. Inspiração religiosa e laicidade da política em Chiara Lubich. No Palazzo Ducale di Genova, haverá um aprofundamento do Laudato sì’ durante o evento As religiões dialogam pela paz e pelo ambiente, com Husein Salah, presidente da comunidade islâmica, Giuseppe Momigliano, chefe rabino, Gnanathilaka Mahauswewe, monge budista, Andrea Ponta, engenheiro ambiental, Roberto Catalano, do centro de diálogo inter-religioso do Movimento dos Focolares. Eu através de você é o título de um evento itinerante em Milão, um tipo de “abraço” na cidade e de interação entre grupos diversos. E mais diálogo, integração, perdão para o ciclo de encontros O meu mundo é como o seu? …passos para se re-conhecer. No auditório do Centro Mariápolis de Castelgandolfo, Roma, se encontrarão membros do corpo diplomático, creditados junto à Itália e à Santa Sé, e expoentes do mundo da cultura, acolhidos pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, para recordar Chiara Lubich sob o perfil A cultura do diálogo como fator de Paz. No Oriente Médio, enquanto os conflitos armados continuam a semear destruição e a matar a esperança, as comunidades do Movimento dos Focolares da Síria afirmam que “também nós somos responsáveis pela paz. Se acreditamos que Deus, Senhor da História, pode vencer o Mal e nos escuta, pecamos por omissão se não rezamos incessantemente a Ele, para quem são possíveis as coisas impossíveis e pode nos sustentar para alcançarmos o objetivo grandioso de fazer de toda a humanidade uma só família. Portanto, rezar enquanto mudamos nossos corações e fazemos os bens circularem”. O sentido deste 14 de março de 2016 está realmente nisto: convergir o empenho e as orações de muitos, de tantos pontos da Terra, para tornar o mundo mais unido. Paralelamente, a Causa de Beatificação de Chiara Lubich, iniciada em 27 de janeiro de 2015, segue o procedimento previsto pela legislação vigente. Muitas pessoas puderam oferecer seu testemunho, de diversas Igrejas e de convicções não-religiosas. Um mosaico que evidencia o exemplo de sua vida, com o empenho com todos que Deus colocava em seu caminho em “tornarem-se santos juntos”. Comunicado de imprensa
11 Mar 2016 | Sem categoria
Se da capital da Argentina se entra na rodovia em direção ao sul, após meia hora de viagem se chega a Plátanos, bairro de periferia com aproximadamente 20.000 habitantes. Pessoas trabalhadoras que construíram as próprias casas com muito esforço e pouco dinheiro. A paróquia, intitulada a Santa Isabel da Hungria, é muito ativa. Quase 30 anos atrás, pe. Francesco Ballarini, italiano, levou para lá o espírito dos Focolares. Hoje são os leigos que continuam a viver este espírito de unidade juntamente com outras paróquias da diocese. «No início deste ano – contam – organizamos uma festa para as crianças da vila mais periférica de Plátanos, cujos habitantes não frequentam muito a paróquia. Cada um era convidado a pôr em comum os próprios talentos: um ensinava a fazer a massa do pão, outro a pintar, um laboratório de cerâmica, um pai catequista mago, algumas senhoras do bairro para preparar o mate (a típica infusão que se bebe no Cone Sul)». Nesta ocasião conhecem uma jovem de quinze anos em final de gravidez. «Precisava de tudo. Iniciou-se uma competição de solidariedade para conseguir suprir as suas necessidades e as da criança, que nasceu depois de poucos dias. Chegando na sua casa ficamos impressionados com a precariedade do ambiente: pequeno, sem pavimento, sem janelas, com a porta quebrada, onde moravam, além dela e do recém-nascido, 6 irmãozinhos e os pais. Informada a comunidade desta situação, começaram a chegar muitas ajudas. Já estamos quase prontos para colocar janelas, porta, um aquecedor, e outras pessoas ofereceram a mão de obra. Algumas senhoras foram ensinar a M. como cuidar o melhor possível do bebê. M., que conhecemos triste e irritada, começou a sorrir. É a caridade vivida juntos que faz estes pequenos milagres». «Outra iniciativa que estamos levando em frente juntos – continuam contando – é o projeto Sachetera: se trata da fabricação de sacos de dormir feitos com saquinhos de leite, para os sem teto. Como paróquia queremos continuar a sustentar este projeto e, mesmo se poderíamos trabalhar cada um em casa, preferimos trabalhar juntos: adolescentes, jovens e adultos. Num dia de forte chuva, duvidávamos se conseguiríamos nos reunir, mas a lembrança dos nossos sem teto nos impeliu a trabalhar ainda mais forte».
«Depois nos encontramos em Bernal (outro bairro) com pessoas de outras paróquias e com os jovens dos Focolares que levam em frente projetos de ajuda aos necessitados. Para nós é importante compartilhar as nossas experiências com outras paróquias, também para não nos fecharmos só na “nossa” periferia e, ao invés, aprender dos outros». Em setembro, quando um incêndio destruiu completamente a casa de uma família de um bairro próximo, «entramos em ação para ajudar, levando das nossas casas o necessário. Com a comunhão de bens comunitária contribuímos na construção das paredes. Deste modo, com muito entusiasmo, puderam reconstruir a sua casinha. Só mais tarde soubemos que a família pertence à igreja pentecostal, e ele é o seu Pastor. Ficamos comovidos porque, mais uma vez, o Amor não olhou nem a confissão religiosa, nem as outras diferenças». Nos dias seguintes, o Pastor, pedreiro de profissão, se ofereceu para rebocar a parede da igreja destinada à construção de um altar para a imagem da Virgem de Luján. «Agradeço-lhes pelo amor que vocês nos deram sem pedir nada –disse o Pastor à comunidade católica reunida para a missa dominical da qual quiseram participar –. Vocês me ajudaram a vencer os preconceitos que muitos de nós (pentecostais) temos para com os católicos; também vocês são meus irmãos».
9 Mar 2016 | Sem categoria
«Há cinco anos, antes que explodisse o conflito na Síria, com toda a minha família tínhamos o projeto de fazer uma experiência, todos juntos, na Mariápolis permanente internacional dos Focolares, em Loppiano (Itália). Violeta e eu frequentaríamos a Escola Loreto, na qual, junto a outros casais de vários lugares do mundo, aprofundaríamos as diversas temáticas familiares, aprofundando-nos na espiritualidade da unidade, enquanto que os nossos quatro filhos frequentariam as escolas do território circunstante. Depois de muitos anos de trabalho, eu sou médico, queríamos reservar um ano da nossa vida e dedicar-nos a Deus. Preparamos a viagem para a Itália nos mínimos particulares e com muita responsabilidade, sem saber o que aconteceria pouco depois: a explosão do conflito no nosso país. No tempo que eu tinha à disposição, antes da viagem, eu pude me dedicar ao meu povo de muitas maneiras, cuidando dos feridos, inclusive indo com o meu carro a lugares distantes, correndo riscos para prestar socorro. Também a partida para a Itália foi cheia de aventuras exatamente pelas desordens que, infelizmente, continuavam.
Com o passar do tempo seguíamos, com preocupação, as notícias sempre mais trágicas que recebíamos e, ao concluir o curso, os nossos parentes nos suplicaram insistentemente que não retornássemos na data que havíamos previsto. É difícil descrever a angústia na qual tomamos a decisão de não retornar e o desconforto por nada poder fazer pelos nossos compatriotas. Sentíamos como se fossemos um carro com um motor potente, mas, forçado a ficar parado. Mas, por outro lado, permanecer na Itália também não é nada fácil. Não temos nenhuma perspectiva de futuro. Mesmo se estamos em um ambiente muito hospitaleiro, os meus títulos de estudo não são reconhecidos e eu não posso exercer a minha profissão. E assim eu procurei outros trabalhos, em uma marcenaria e em outros lugares, na esperança que surgissem mais possibilidades.
E, finalmente, surgiu uma ocasião para fazer algo pelo meu povo. Recebi a notícia de um projeto de acolhimento para refugiados, na Eslovênia, mantido pelos Médicos Sem Fronteiras, onde precisavam de um médico que falasse árabe. E assim eu parti imediatamente, sem ter ideia alguma do que iria encontrar. Ao chegar lá me coloquei imediatamente à disposição das inúmeras pessoas que chegam ao Centro de Acolhimento por via marítima ou vindos de lugares distantes, percorrendo muitos quilômetros a pé. Muitos deles são provenientes do Irã, do Iraque, do Afeganistão e, também, muitos da Síria! Ao vê-los chegar e poder recebê-los falando na nossa língua eu fiquei muito emocionado, foi impossível conter as lágrimas. Desde aquele momento não me preocupei mais com os horários nem de sono nem de refeições… Eu queria estar o tempo todo com eles, aliviar o seu sofrimento, me ocupar e cuidar deles, fazer com que se sentissem “em casa”. Tenho ainda no coração e diante dos olhos a primeira criança que atendi: a menina chorava continuamente e não conseguíamos acalmá-la. Na consulta entendi que ela estava com dores no estômago e, assim eu a tomei nos braços, ofereci aconchego e comecei a ninar conversando com ela em árabe. Aos poucos a menina foi sevacalmando e dormiu profundamente. Quando as pessoas se aproximavam para pega-la, ela se agitava e não queria sair dos meus braços… aquele fato me marcou profundamente! Aqui o fluxo é contínuo. Os trens – chegam três por dia – trazem cerca 2.500 pessoas. Somente em quatro dias tivemos de nos ocupar de muitas pessoas: o equivalente ao atendimento de um mês. A nossa equipe é composta por cinco pessoas e todas as outras são da região. Também elas se deram conta, imediatamente, da minha comoção ao ver os meus concidadãos chegarem naquelas condições. Quando eu os recebo, apresentando-me e dizendo o meu nome, Issa (que em árabe significa Jesus), percebo que o olhar deles torna-se radiante. Eu gostaria de ser, para cada um deles, outro Jesus que, por meu intermédio, está ali para recebê-los, que se ocupa e cuida deles. Esta possibilidade que me foi dada é, para mim, uma resposta de Deus».
8 Mar 2016 | Sem categoria
«Poder-se-ia dizer que esta é a hora da mulher: não porque jornais e revistas alardeiam, sem dar tréguas, divórcios, fofocas e modos de grandes estrelas da tela, mas porque se sente que na convivência, que é fruto da dialética homem-mulher, hoje se necessite, mais do que nunca, da presença de quem é ou será mãe, natural ou espiritualmente. O organismo social sofre, como nunca, da carência da feminilidade plena, sadia, normal, como se o seu voo fosse feito por duas asas em que uma é agitada demais, a outra, inexpressiva: daí um proceder na desordem. A consciência do povo é de que esta seja a hora da mulher; mas de uma mulher mulher, e não de uma contaminação ou contraposição de homem: quase homem feminizado. A história dos últimos séculos, nos quais o tipo do homem forte – do super-homem – foi forjado com o desprezo da feminilidade, ressentiu da excessiva masculinidade. Não equilibrada pela feminilidade. Defeito igual e contrário da feminilidade não integrada e sustentada por sentido viril. Hoje as mulheres podem votar, conquistam lugares em escritórios, invadem a vida pública. Mas o seu influxo permanece desenxabido, como antes ou pior do que antes, porque entrando na competição pública, se equiparando aos homens, assimilam as suas ambições, se dobram aos seus métodos: tornam-se homens de bitola estreita. Agregam os seus votos, sem discriminação evidente aos dos homens, de modo que o jogo destes continua como antes, sem o corretivo, sem a integração, sem a iluminação do outro indispensável componente. E se prossegue a voar (ou a cair em queda livre) com uma só asa. Considere-se o que foi e o que é o fascínio de Maria: apenas o seu nome, que significa sublimação da mulher, a mulher feita ponto de enxerto do divino no humano e como ianua coeli, porta do Céu, elevada do humano ao divino. Agora a sociedade pede a presença da mulher, para que ela leve à sociedade as instâncias da maternidade, isto é, da vida; e, portanto, do nutrimento material e moral, da educação, do amor na paz e no trabalho, da família recolhida na pureza e, por conseguinte, da condenação de facções e guerras; porque a mulher, por natureza, significa geração de vida e não produção de morte, para o bem dos filhos, e estes são o Estado e a Igreja de amanhã, são a humanidade de sempre». (Igino Giordani, «Fides», 1961)
6 Mar 2016 | Sem categoria
«Aquilo que não devia acontecer, aconteceu. Eclodiu uma guerra terrificante e no mundo inteiro se está com o fôlego suspenso diante da possibilidade de que se alastre, envolvendo outros povos». Aconteceu há poucas semanas a invasão dos Estados Unidos ao Iraque (17 de janeiro de 1991) em resposta à invasão das tropas iraquianas no Kuwait (2 de agosto de 1990). Nas páginas da edição italiana da revista Cidade Nova, Chiara Lubich volta a falar sobre a paz. Propomos aqui as suas palavras do editorial de fevereiro de 1991. «Apesar das muitas orações, Deus permitiu a guerra. Por quê? Porque a vontade de algum responsável não coincidiu com a Sua, manifestada pelo coro das vozes daqueles que estavam do lado da razão e que o Santo Padre – a maior autoridade espiritual e moral do mundo – resume e condensa nos seus incessantes apelos à paz, afirmando a inutilidade da guerra como meio para solucionar os problemas, evitando assim as suas consequências catastróficas. A única esperança é que, nos Seus misteriosos planos, Deus com o Seu amor infinito saiba e queira extrair algum bem também deste imenso mal. Não o mereceríamos, mas conhecemos a Sua imensa misericórdia. Por isso e sobretudo para que a paz volte, não deixemos de rezar. Agora o nosso “time-out”, feito todos os dias ao meio dia (hora italiana) para pedirmos juntos a paz, deverá ser ainda mais intenso. Além do mais neste momento, todos nós devemos nos sentir chamados a seguir com decisão uma linha de vida que repare pelo menos dentro de nós (mas, graças à comunhão dos santos, em muitos) o erro que foi cometido. Os homens não fizeram a vontade de Deus, do Deus da paz, fizeram a própria. Devemos impor a nós mesmos, como jamais fizemos, o cumprimento perfeito da Sua vontade. «Não a minha, mas a tua vontade seja feita». Hoje, essas palavras de Jesus devem assumir para nós uma importância toda especial. Diante delas qualquer outra coisa deve se tornar secundária. Não deve ser tão importante na nossa vida, por exemplo, ter boa saúde ou estar doente, estudar ou servir, dormir ou rezar, viver ou morrer; o importante será assumirmos como nossa a sua vontade, sermos a sua vontade viva. Era assim que vivíamos nos primeiros tempos do nosso Movimento quando, justamente no contexto de outra guerra, o Espírito nos iluminou sobre o valor das coisas. Diante da destruição provocada pelo ódio, Deus se revelou como o único ideal que não morre, que nenhuma bomba podia destruir. Deus Amor. Esta grande descoberta era uma bomba espiritual de tal dimensão que nos fez esquecer literalmente todas as bombas que caíam ao nosso redor devido à guerra. Descobríamos que para além de tudo e de todos existe Deus que é Amor, existe a sua providência que faz com que tudo coopere para o bem daqueles que o amam. Percebíamos os traços do seu amor em todas as circunstâncias, até mesmo sob o flagelo da dor. Ele nos amava imensamente. E nós, como responder ao seu amor? «Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus». Podíamos portanto amá-lo fazendo a sua vontade. Vivendo assim nos habituamos a escutar com crescente atenção “a voz” dentro de nós, a voz da consciência, que nos evidenciava a vontade de Deus expressa nas mais variadas formas: através da sua Palavra, dos deveres do nosso estado de vida, das circunstâncias, das inspirações. Tínhamos a certeza de que Deus conduziria a nossa vida para uma divina aventura, inicialmente desconhecida por nós, na qual, sendo ao mesmo tempo expectadores e atores do seu desígnio de amor, dávamos, momento após momento, a contribuição da nossa livre vontade. Pouco depois nos fez entrever vislumbres sobre o nosso futuro, fazendo-nos descobrir com segurança o objetivo pelo qual o Movimento estava nascendo: atuar a oração do testamento de Jesus: «Pai, que todos sejam um», colaborar na realização de um mundo mais unido. É assim que podemos nos comportar também agora. A vida de algum de nós sofreu uma brusca e dolorosa mudança? Devemos correr para os refúgios muitas vezes, exatamente como naquele tempo distante? Vivemos momentos de medo, de angústia, de dúvida até mesmo de que a nossa vida nos seja tirada? Ou levamos a mesma vida de sempre, com os nossos compromissos diários, por enquanto longe do perigo? Para todos deve valer o que mais vale, nem isto nem aquilo, mas a vontade de Deus: colocar-se à “escuta”. Que ela ocupe o primeiro lugar no nosso coração, na nossa memória, na mente. Devemos orientar, antes de tudo, as nossas forças ao seu serviço. Retificaremos assim, pelo menos em nós, o erro cometido. Deste modo Cristo permanecerá no nosso coração e seremos um grupo mais compacto, mais unido, todos “um”, partilhando tudo, rezando com eficácia uns pelos outros e para que retorne a paz». Chiara Lubich: Attualità leggere il proprio tempo, Città Nuova Ed., pag.85-87. Originariamente publicado em Città Nuova n. 4/1991