6 Nov 2015 | Sem categoria
O evento articula-se em um Congresso (30 de junho – 1 de julho de 2016) e uma manifestação pública, no dia seguinte (2 de julho de 2016), com a qual deseja-se dar um forte sinal de esperança. Com palestras, testemunhos, cantos e orações, deseja-se testemunhar que a unidade é possível, que a reconciliação é a porta para a unidade na diversidade – como, há mais de 15 anos, tem sido constatado por Comunidades e Movimentos, de várias Igrejas. A unidade é possível. Vivendo o Evangelho de Jesus Cristo podem ser superadas as divisões entre pessoas, povos e partidos, entre culturas e também entre as Igrejas e confissões cristãs. Os “7 sim”, sintetizam o compromisso pela Europa das Comunidades e dos Movimentos cristãos de Juntos pela Europa 2016. Programa do evento
5 Nov 2015 | Sem categoria
No dia 28 de outubro de 1965, os Padres do Concílio, que já se encaminhavam para a conclusão do histórico encontro mundial dos bispos da Igreja católica, promulgaram a Nostra Aetate, um documento muito mais breve do que os demais que surgiram dos trabalhos conciliares. Passou-se meio século e aquelas poucas páginas revelaram-se proféticas considerando que a Igreja católica vinha de séculos de uma convicção firme de que ‘fora da Igreja não existe salvação’, segundo a famosa sentença latina extra ecclesiam nulla salus. Benedetto XVI, em fevereiro de 2013, poucos dias depois de ter anunciado a sua ‘desistência’, refletindo sobre o Concílio, ao fim do ano que celebrava o cinquentenário do seu início, definiu este documento, junto com a Gaudium et Spes e com aquele sobre a liberdade religiosa, como «uma trilogia muito importante, cuja relevância demonstrou-se só no decurso dos decênios». Efetivamente, Nostra Aetate abriu o horizonte do mundo cristão em direção aos outros enquanto ‘outros’, mas a sua gestação, dentro dos procedimentos conciliares, não foi nada fácil. O documento nasceu a partir de uma sugestão pessoal a João XXIII por parte do histórico hebreu francês Jules Isaac. O esquema inicial tinha sido confiado pelo Papa ao cardeal Bea. Pensava-se num documento que contribuísse para afastar a repetição de tragédias como o holocausto mas, depois de longas e complexas discussões, o Concílio chegou àquelas poucas páginas que se dirigiam a todas as religiões do mundo. Depois de um trabalhoso e difícil percurso, o documento abre-se a todas as maiores crenças religiosas, com um acento sem dúvidas particular em relação ao hebraísmo e ao islamismo. Nostra Aetate salienta que os hebreus devem ser mostrados positivamente: «não devem ser apresentados como os rejeitados por Deus, nem como amaldiçoados, como se isso nascesse da Sagrada Escritura». Principalmente, exclui a responsabilidade coletiva de Israel na morte de Jesus. Deste modo, muda radicalmente a antiga perspectiva cristã e católica de séculos, poderíamos dizer, de quase dois milênios. Ao mesmo tempo, emerge um grande respeito também em relação ao Islamismo. «A Igreja olha com estima para os muçulmanos – declara o documento – e, «se, no decorrer dos séculos, não poucas desavenças e inimizades surgiram entre cristãos e muçulmanos, o sagrado Concílio exorta a todos a esquecerem o passado e a exercitarem sinceramente a compreensão mútua, e a defenderem e promoverem juntos a justiça social, os valores morais, a paz e a liberdade para todos os homens». Como já foi acenado, também é claro o reconhecimento de tradições como o hinduísmo e o budismo sem esquecer as religiões tradicionais. Afirma-se que “a Igreja católica não rejeita nada do que é verdadeiro e santo nestas religiões”. Aquelas que muitas vezes no curso da história não tinham sido reconhecidas como religiões foram valorizadas pela tradição católica que reconheceu a presença de verdades e santidade também nas suas tradições.
Nestes dias uma grande variedade de eventos é celebrada em várias partes do mundo para refletir sobre o valor da Nostra Aetate e sobre as consequências que trouxe para o encontro entre pessoas de diferentes tradições religiosas. Foi particularmente significativo o que se realizou na Pontifícia Universidade Gregoriana, organizado pelo Pontifício Conselho para Diálogo Inter-religioso. De 26 a 28 de outubro, cerca de 400 pessoas de várias proveniências, tanto geográficas como culturais e religiosas, viveram e refletiram sobre o que aconteceu nestes 50 anos. Estiveram presentes representantes de todas as maiores religiões do mundo (hebreus, muçulmanos, hindus, jainistas, budistas, sikhs, e representantes da Tenri-kyo e das religiões tradicionais africanas). Refletiu-se sobre argumentos de grande relevância atual: violência e empenho pela paz, o desafio da liberdade religiosa, educação e transmissão de valores.
O encontro, aberto pelo cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, e pelo cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, concluiu-se com uma rica reflexão sobre ‘Educar para a paz’ por parte do cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado. Os presentes participaram da Audiência na Praça São Pedro onde o Papa Francisco dedicou a sua catequese a Nostra Aetate propondo um itinerário para o futuro do diálogo, encorajando a trabalhar juntos pelos pobres, pela justiça e pelo ambiente, sem esquecer a paz. No encontro participaram Rita Mousalem e Roberto Catalano, diretores do Centro do Diálogo Inter-religioso do Movimento dos Focolares, que dirigiram aos presentes a saudação de Maria Voce e do Movimento e apresentaram a linha de atuação para o diálogo dos Focolares, assegurando o empenho dos membros em continuar a trabalhar pelo encontro e a amizade entre pessoas de várias crenças. Roberto Catalano
1 Nov 2015 | Sem categoria
«Quem são os santos? Não são inacessíveis figuras superhumanas de uma cristandade que pretende desanimar, abater os medíocres, como nós. Não são os altos cumes, inacessíveis a tal ponto que, para pessoas como nós, é melhor permanecer-lhes aos pés e ‘acomodar-se’ na planície. Os santos são os pequenos, os verdadeiramente pequenos. Aqueles que Jesus proclama bem-aventurados no Sermão da Montanha, os pobres e os aflitos, os mansos e aqueles que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos e os puros de coração, os construtores de paz e os perseguidos por causa da justiça. Homens que colocam a si mesmos e o próprio destino nas mãos de Deus – e deste modo a mão de Deus tem liberdade para fazer do seu destino algo que seja uma bênção para o mundo. Vivem com Deus e vivem por nós – e nós podemos viver com eles. O seu exemplo é um passado que nos arrasta, a vida deles com Deus é presente que nos acolhe numa comunhão para a qual a morte não pode por limites, a sua bem-aventurança é futuro que nos convida e nos infunde coragem». Klaus Hemmerle, La luce dentro le cose, Città Nuova Editrice, 1998, pág. 339
31 Out 2015 | Sem categoria
Foi com um espírito de fecundo trabalho ecumênico que se realizou, na pequena cidade de Zwochau, no dia 12 de setembro passado, um encontro do qual participaram 80 cristãos de diversas denominações.
Em 2013, na visita da presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, a Zwochau, ela expressara o desejo de conhecer melhor Martin Lutero e os fiéis luteranos. E, mais recentemente, na intensa correspondência, durante o mês de maio passado, entre o cardeal Marx – presidente da Conferência Episcopal da Igreja Católica na Alemanha – e o bispo Bedford Strohm – responsável pelo Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha – nasceu a proposta de levar adiante iniciativas comuns, visando a comemoração dos 500 anos da Reforma, que será celebrada em 2017. São dois os pontos principais concebidos para aquele evento. O primeiro, dirigido pelo teólogo luterano Florian Zobel, tem a sua centralidade na figura de Lutero e a sua vida, evidenciando também diversos aspectos pouco conhecidos, e terá como conclusão as palavras do Papa Bento XVI segundo o qual, “para Lutero a teologia não era uma questão acadêmica, mas, de luta interior com ele mesmo. […] A pergunta: Qual é a posição de Deus em relação a mim, como eu me encontro diante de Deus? […] Penso que seja este o primeiro apelo do qual devemos nos dar conta ao encontrar Martin Lutero”. O segundo ponto, tratado pelo teólogo católico e pesquisador sobre Lutero, Hubertus Blaumeiser, é centralizado na espiritualidade do monge reformador e, especialmente, na “teologia da cruz” e no significado que a palavra “Reforma” encerra em si: “Não somente uma transformação, uma mudança ou melhoria segundo os projetos pessoais; mas, um novo início, partindo das raízes. O que significa: um retorno à Escritura […], isto é, ao Evangelho da graça de Deus e à nova escolha de uma vida com Cristo e por Cristo Crucificado”. Durante a tarde realizou-se uma mesa-redonda moderada por Hermann Schweers, com o pastor luterano Axel Meissner, de Schkeuditz, e com o bispo emérito Joachim Reinelt, de Dresden. Naquela ocasião, foram numerosas e profundas as reações dos participantes que tocaram vários temas, tais como a importância do trabalho ecumênico em uma sociedade que não crê e o significado do termo Reforma na atualidade. O evento concluiu-se com uma celebração ecumênica.

Pastor Jens-Martin Kruse. Foto: Harald Krille
Também na Itália, naturalmente, o aspecto ecumênico certamente segue em frente: o Papa Francisco irá à Igreja de Cristo, a “casa” dos luteranos em Roma, no dia 15 de novembro, e será recebido pelo Pastor Jens-Martin Kruse que, em uma entrevista à agência Sir, fazendo referência ao Papa, o definiu “o nosso bispo. Não no sentido jurídico, mas, no sentido simbólico. Nós, luteranos de Roma, sempre tivemos uma relação muito próxima com os Papas. Também neste momento, muito difícil para o mundo, em minha opinião, o Papa é o porta-voz dos cristãos.”
29 Out 2015 | Sem categoria
Por ocasião dos 50 anos da Declaração conciliar Gravissimum educationis será realizado, em Roma, o Congresso mundial “Educar hoje e amanhã. Uma paixão que se renova”, promovido pela Congregação para a Educação Católica. Participarão do congresso pessoas envolvidas na missão educativa nas escolas e universidades católicas do mundo inteiro. Com um olhar global, pretende-se refletir sobre a contribuição que a comunidade cristã pode dar, em contextos multiculturais e multirreligiosos em rápida transformação. A atual emergência educativa e social exige uma renovação de propostas capazes de transformar a realidade, ao alcance e de acordo com as exigências de crianças, adolescentes e jovens. São previstas palestras, depoimentos e mesas-redondas com especialistas internacionais. O congresso articula-se em três sessões:
- Sessão inaugural (18 de novembro, na Aula Paulo VI, Cidade do Vaticano)
- Sessão central, subdividida em: “Escola e Universidade” (19-20 de novembro, no Centro Mariápolis de Castelgandolfo), e Congresso OIEC (no Auditório da Via da Conciliação, em Roma)
- Sessão conclusiva (21 de novembro, na Aula Paulo VI, Cidade do Vaticano), com a participação e as palavras do Papa Francisco.
Na sessão conclusiva, será apresentada, diante do Papa, a proposta pedagógica do Aprendizado Serviço, abordagem que absorve alguns de seus fundamentos filosóficos e metodológicos da Pedagogia de Comunhão, de Chiara Lubich; será um dos itinerários formativos aconselhados pela Congregação para a Educação Católica às instituições educativas de todo o mundo.