29 Out 2015 | Sem categoria
«Dentro de um mês receberei, em Constantinopla, os bispos amigos do Movimento». Foi o próprio Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, que anunciou para a imprensa o próximo encontro de bispos de várias Igrejas, amigos dos Focolares, que se realizará em Istanbul, de 25 a 30 de novembro próximos. A ocasião do anúncio foi a entrevista concedida logo após a entrega do doutorado honoris causa em Cultura da Unidade, dia 26 de outubro passado, em Loppiano, por parte do Instituto Universitário Sophia. «Teremos uma reunião em Halki – continua – na escola de teologia, e lá teremos oportunidade de recordar Chiara Lubich, todos juntos, e rezar pelo repouso da sua alma, e para exprimir as nossas experiências e a nossa vontade de trabalhar pela unidade das Igrejas. Nós, como Igreja de Constantinopla, estamos felizes, estamos prontos para acolhê-los, para partilhar as nossas experiências e retribuir o beijo de paz entre Oriente e Ocidente».
29 Out 2015 | Sem categoria
Acolher-se reciprocamente, do medo à confiança. É o título, mas também o desejo da Assembleia europeia de Religiões pela Paz (RfP), o organismo que reúne em nível mundial os líderes religiosos para caminharem juntos na busca da paz e da justiça, do qual Maria Voce é uma das copresidentes. Neste período Religions for Peace se empenha – entre outras coisas – numa campanha mundial, o projeto Faiths for Earth (Religiões pela Terra). «Uma iniciativa importantíssima» – declara – porque «a humanidade se depara com um desafio em nível planetário e com pouquíssimo tempo disponível. As religiões são chamadas a entrar em ação mais uma vez para convencerem os poderosos dos países a intervir. Vejo uma providencial sintonia com a carta encíclica do papa Francisco “Laudato si’”, que despertou um grande interesse mundial». No seu discurso de abertura dos trabalhos, dia 29 de outubro, a presidente dos Focolares percorreu os recentes acontecimentos que transformaram a face da Europa. Diante do «mar de “refugiados”, de emigrantes sem precedentes», «fenômeno que, numericamente, excede de longe os milhões de pessoas deixadas sem pátria pela Segunda Guerra Mundial», Maria Voce evidencia a situação dramática que «provoca em nós cada vez maior apreensão, perplexidade, incômodo». Entre as causas identificadas, se incluem as “dramáticas e controversas intervenções militares que abalaram países inteiros do Norte da África, do Oriente Médio, da África Subsaariana e outros conflitos em andamento. E certamente os países europeus não estão completamente isentos de culpa diante desses conflitos». Causa preocupação «a profunda crise de identidade do continente que impede que se enfrente de modo coordenado e unitário estas emergências» e a constatação de que «muitas vezes estas pessoas que fogem da fome e da guerra estão no centro de disputas, suscitam reações nacionalistas» e são «instrumentalizadas para cálculos estratégicos». E eis que entram em questão os «fiéis das mais diversas crenças religiosas, junto com todos os homens e mulheres de boa vontade». «Somos indubitavelmente diferentes – afirma Maria Voce -, mas estamos todos unidos pelo mesmo imperativo, sancionado pela “Regra de Ouro” disseminada e repetida em todas as nossas Escrituras: “Faz aos outros o que gostarias que fizessem a ti”! Uma referência ética e espiritual demasiadas vezes esquecida, que o Papa Francisco propôs como verdadeiro paradigma sociopolítico no seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos». Uma Regra que «nos interpela diante destes dramas, convidando-nos como líderes, como comunidades, como indivíduos, a um empenho comum, concreto, constante, heroico se necessário, para atender às multidões de humanidade sofredora». E abre uma visão sobre o papel das religiões porque, afirma «exatamente a religião, há séculos relegada à esfera privada da vida dos indivíduos e das comunidades, voltou a ser moda dentro da vida pública dos nossos países», como «protagonista para a construção de um mundo de paz». «Esta é a extraordinária aventura que nos é dada viver nos nossos dias e Religions for Peace é uma plataforma providencial. Cada um de nós tem um papel bem preciso na sua vasta engrenagem. Somos uma esplêndida comunidade internacional, intercultural e inter-religiosa, que também se tornou uma família inclusive e sobretudo pelo ideal comum», alicerçado em pontos fundamentais: a unidade na diversidade, a reciprocidade nos relacionamentos, a igualdade na comum dignidade humana. Sobre esta «base sólida» será possível «oferecer uma contribuição eficaz para a paz e a reconciliação na Europa, e colocar-se «um ponto de chegada, um alvo, uma meta, que se alcança depois de um longo e, muitas vezes, penoso caminho. E a meta é: a humanidade no desígnio de Deus realizado, ou seja, a fraternidade universal».
29 Out 2015 | Palavra de Vida, Sem categoria
Essa é a última, apaixonada oração que Jesus dirige ao Pai. Ele sabe que está pedindo a coisa pela qual o Pai mais anseia. Com efeito, Deus criou a humanidade como sua própria família, para compartilhar com ela todo bem, a sua mesma vida divina. O maior sonho dos pais não é que os filhos se queiram bem, ajudando-se, vivendo unidos entre si? E a maior decepção não é vê-los divididos por causa de ciúmes ou interesses econômicos, chegando ao ponto de não se falarem mais? Também Deus sonhou desde toda a eternidade que a sua família estivesse unida na comunhão de amor dos filhos com Ele e dos filhos entre si. A dramática narrativa bíblica das origens nos fala do pecado e da gradual divisão da família humana: lemos no Gênesis que Adão acusa Eva; Caim mata seu próprio irmão Abel; Lamec se gaba da sua vingança desproporcional [cf. Gn 4,23: “Matei um homem por uma ferida, um jovem por causa de um arranhão”]; Babel gera a incompreensão e a dispersão dos povos… O projeto de Deus parece ter fracassado. No entanto, Deus não se dá por vencido e continua buscando com persistência a reunificação da própria família. A história recomeça com Noé, com o chamado de Abraão, com a formação do povo eleito; e continua, até quando Ele decide mandar seu próprio Filho à terra, confiando-lhe a grande missão de reunir em uma só família os filhos dispersos, recolher em um só rebanho as ovelhas perdidas, derrubar os muros de separação e as inimizades entre os povos para criar um único povo novo (cf. Ef 2,14-16). Deus nunca cessa de sonhar com a unidade. Por isso Jesus lhe pede isso como o dom maior que Ele possa implorar para todos nós: Peço-te, ó Pai, “que todos sejam um.” Cada família traz a marca dos pais. Isso vale também para a família criada por Deus. Deus é Amor, não somente porque ama a sua criatura, mas é Amor em si mesmo, na reciprocidade do dom e da comunhão que existe entre cada uma das três divinas Pessoas na relação com as outras duas. E quando Deus criou a humanidade, Ele a modelou segundo a sua imagem e semelhança e imprimiu nela a sua própria capacidade de relação, para que cada pessoa vivesse na doação mútua de si. De fato, a frase completa da oração de Jesus que queremos viver este mês diz: “Que todos sejam um; como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti, que eles estejam em nós.” O modelo da nossa unidade é nada mais nada menos que a unidade existente entre o Pai e Jesus. Parece impossível, de tão profunda que é. No entanto ela se torna possível por causa daquele como, que significa também porque: podemos ser unidos como são unidos o Pai e Jesus, justamente porque Eles nos envolvem na mesma unidade Deles, porque Eles nos doam essa unidade. “Que todos sejam um.” É justamente essa a obra de Jesus: fazer de todos nós uma só coisa, uma só família, um só povo, assim como Ele é uma só coisa com o Pai. Por isso Ele se fez um de nós, assumiu sobre si as nossas divisões e os nossos pecados, pregando-os na cruz. Ele mesmo indicou o caminho que haveria de percorrer para levar-nos à unidade: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Como profetizou o sumo sacerdote, “Jesus iria morrer (…) para reunir os filhos de Deus dispersos (Jo 11,52). No seu mistério de morte e ressurreição, recapitulou tudo em si (cf. Ef 1,10), restaurou a unidade rompida pelo pecado, reconstituiu a família ao redor do Pai e nos fez novamente irmãos e irmãs entre nós. Jesus cumpriu a sua missão. Agora falta a nossa parte, a nossa adesão, o nosso “sim” à sua oração: “Que todos sejam um.” Qual é a nossa contribuição à realização dessa oração? Para começar, é assumi-la como nossa. Podemos emprestar a Jesus os lábios e o coração, para que Ele continue a dirigir essas palavras ao Pai. E repetir todo dia confiantes a sua oração. A unidade é um dom do alto, que devemos pedir com fé, sem nos cansarmos jamais. Além disso, ela deve permanecer constantemente à frente dos nossos pensamentos e desejos. Se é esse o sonho de Deus, queremos que seja também o nosso sonho. De vez em quando, antes de qualquer decisão, de qualquer escolha, de qualquer ação, poderíamos nos perguntar: ela serve para construir a unidade? É a melhor opção em vista da unidade? E enfim, deveríamos correr para os lugares onde a desunião é mais evidente, e abraçá-la, como fez Jesus. Podem ser atritos na família ou entre pessoas que conhecemos, tensões que se vivem no nosso bairro, desavenças no ambiente de trabalho, na paróquia, entre as Igrejas. Não fugir das discórdias e incompreensões, não ficar indiferentes, mas levar o próprio amor, feito de escuta, de atenção ao outro, de partilha dessa dor que nasce daquela divisão. E sobretudo viver em unidade com todos os que estão dispostos a partilhar o ideal de Jesus e a sua oração, sem dar peso a mal-entendidos ou a divergências de ideias. Satisfazer-nos com o “menos perfeito em unidade” em vez de pretender “o mais perfeito em desunião”, aceitando com alegria as diferenças, ou melhor, considerando-as uma riqueza para a unidade, uma unidade que não deve jamais ser reduzida à uniformidade. É verdade que às vezes isso nos crucificará, mas é justamente esse o caminho que Jesus escolheu para restaurar a unidade da família humana, o caminho que também nós queremos trilhar com Ele. Fabio Ciardi (Cf. também o comentário à Palavra de Vida de janeiro de 1990)
28 Out 2015 | Sem categoria

Piero Coda, Reitor do Instituto Universitário Sophia, por ocasião da outorga do doutorado h. c. em “Cultura da Unidade” ao Patriarca Bartolomeu I. Foto © CSC Audiovisivi
O Patriarca Bartolomeu percorreu a história do caminho ecumênico, na sua opinião, quais as palavras novas? «As palavras novas são, substancialmente, duas: a primeira é a da fraternidade entre o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu. A mensagem que o Santo Padre enviou a Bartolomeu tocou profundamente o coração do Patriarca, que respondeu invocando a oração ad multus annos pelo Papa Francisco, para levar adiante esse caminho de unidade. A segunda palavra nova, que impressionou-me muito, é “a unidade na diversidade”, que é, além do mais, o leit motiv de muitos discursos do Papa Francisco, que evidencia como o Evangelho não é uniformidade, mas valorização das diferenças. É precisamente na medida em que, brotando da mesma fonte, colocam-se em mútua relação, sabem descobrir reciprocamente os dons que cada uma traz, que as diversidades são unidade. Por isso a diversidade é a flor da unidade, quando é vivida como relação, ou seja, como fraternidade, comunhão. Parece-me que essas são duas palavras muito fortes, novas, que ressoaram com eficácia, e salientadas pela ressonância que tiveram no grande público presente – 1400 pessoas – que marcaram os momentos fundamentais com aplausos fortes, que vinham do coração». Num mundo onde elevam-se barreiras em nome da diversidade e do não reconhecimento do outro, qual a responsabilidade que os cristãos têm hoje? «Uma responsabilidade única, porque, no fundo, somente Jesus trouxe à história da humanidade um modelo de unidade que sabe manter juntas as diferenças e valorizá-las. Nenhuma visão humana, nenhuma ideologia humana conseguiu manter juntas unidade e diversidade. Ou caiu na uniformidade ou caiu na anarquia. Jesus ensina-nos o caminho, estreito, difícil, que, afinal, passa até pela cruz, mas leva à ressurreição, à transfiguração das diferenças na unidade. Essa é a pérola do Evangelho, a unidade na diversidade, a comunhão, a Santíssima Trindade encarnada nos relacionamentos com todos, a começar pelos pobres, pelos últimos, como lembra-nos o Papa». A sua visão da Trindade, a fim de entender como orientar-se na direção da unidade na diversidade, lembra fortemente o carisma de Chiara Lubich, a sua visão dos “relacionamentos trinitários” como paradigma do caminho… «O Instituto Universitário Sophia nasceu da inspiração de Chiara quando ela percebeu que havia chegado o momento que o carisma que Deus lhe havia doado, que havia gerado a experiência tão universal do Movimento dos Focolares, se transformasse também em expressão cultural. Porque são necessárias sempre mediações, paradigmas – como diz Papa Francisco, uma revolução cultural – para saber canalizar a existência em novas fronteiras. Por isso nasceu o IUS: uma jovem criatura, pequena, que conhece todas as limitações do início e das forças humanas, mas que experimenta a grandeza do Espírito de Deus, do carisma da unidade, do “que todos sejam um”, que é a chave do nosso tempo. O nosso papel, então, é elaborar culturalmente, com profecia, com visão e concretude, com realismo, o que significa esse paradigma da unidade na diversidade, em política (a política da fraternidade), em economia (a Economia de Comunhão), em nível filosófico (o respeito da alteridade), em todos os campos. Parece-me importante esta sintonia tão profunda entre o que diz o Papa Francisco (a mística do nós, uma Igreja em saída), o Patriarca Bartolomeu (a unidade na diversidade), o carisma da unidade doado nesta época… para caminhar juntos. O Espírito Santo é um artista, semeia ao infinito dádivas de todos os tipos, mas tem na mira um projeto bem preciso: hoje é sanar estes conflitos, as fraturas que existem na humanidade, para fazer germinar o que existe de positivo, e que são muitas coisas. Deve ser, portanto, um laboratório de esperança». Fonte: entrevista concedida a vários periódicos, após a outorga do doutorado h.c. ao Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I
27 Out 2015 | Sem categoria
«Todos os presentes ficaram muito tocados ao perceber o afeto fraterno que une o Santo Padre, Papa Francisco a Sua Santidade, o Patriarca Bartolomeu. O Papa reconhece o seu empenho no caminho da unidade, que define ser um caminho comum. Não só, mas afirma muito corajosamente que neste caminho comum este reconhecimento constitui um passo à frente». A senhora conhece muito bem o Patriarca, viveu e vive intensamente este momento da longa história de amizade entre o Movimento dos Focolares e a Igreja ortodoxa e os Patriarcas. Qual é o seu parecer sobre esta figura e sobre o significado deste reconhecimento? «O Patriarca Bartolomeu herdou do grande Patriarca Atenágoras a sua mesma paixão pela unidade e que nele era, de certo modo, uma visão profética que não conseguiu realizar. O Patriarca Bartolomeu, imbuído desta mesma paixão, não perde a ocasião de solicitar a unidade no seio das Igrejas ortodoxas justamente para poder dialogar em conjunto, com uma voz já em certo sentido sinodal, primeiramente com a Igreja de Roma, pela qual tem um amor e uma estima especiais, e também por Papa Francisco. O Patriarca enfatiza, de muitas maneiras, quanto é vivo este caminho que percorrem juntos. Tenho a impressão de que estamos vivendo um momento feliz, porque existe um impulso que vem dos dois chefes das nossas duas Igrejas e é impossível que não traga frutos. Haverá também resistências, como afirmou o Papa Francisco na conclusão do Sínodo, mas, no final, o Espírito Santo sempre ajuda e, sem dúvida, impulsiona na direção da unidade das Igrejas. Cremos que é um momento feliz e que este reconhecimento é um passo importante, concreto, neste caminho». No seu discurso, o Patriarca afirmou que a unidade é diferente da união, da unicidade, evidenciando algo que, de certa forma, se apresenta hoje à humanidade: formar uma cultura da unidade na diversidade, diversidade entendida como riqueza, um conceito muito presente no carisma vivido por Chiara Lubich. Como realizar isso?
«Chiara sempre nos lembrou que o caminho das Igrejas é conduzido pelo Espírito Santo e que Ele certamente fez amadurecer em cada Igreja dons propícios à unidade das Igrejas e de toda a cristandade; dons que podem ser úteis quando colocados em comum. Estes dons não nivelam mas respeitam a diversidade. Isso exatamente porque se reconhece nestas diversidades uma grande riqueza que não fez outra coisa a não ser tornar a Igreja mais bela, como Jesus a desejava. Portanto, não uniformidade, mas unidade na diversidade. Chiara nos dizia que o modelo altíssimo está na unidade da Santíssima Trinidade, na qual o Pai é pai porque não é Filho, o Filho é tal porque não é o Pai, mas o amor que existe entre o Pai e o Filho gera até mesmo o Espírito Santo, que é terceiro nesta dimensão trinitária, mas que é também primeiro porque une o Pai e o Filho. E isso se verifica porque cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade se perde completamente na outra. E é o que se deseja que aconteça no caminho percorrido pelas Igrejas, ou seja, que cada uma seja capaz de se perder completamente nas outras Igrejas. Isso significa doar até o fim toda a própria riqueza e deixar-se enriquecer com a riqueza das outras. Portanto saber ser amor, para construir a Igreja de Cristo na qual cada cristão, de qualquer comunidade, se sinta realmente partícipe do corpo de Cristo». A partir deste reconhecimento surgem novas perspectivas, ou podem se abrir outras? «Conversamos justamente com o Patriarca sobre a eventual possibilidade de instituir na Universidade Sophia uma cátedra e juntos, parte católica e parte ortodoxa, estudemos as grandes figuras de Chiara Lubich e do patriarca Atenágoras, para compreender a contribuição que essas figuras, no encontro dos seus respectivos carismas, trouxeram e podem trazer para este caminho de unidade». (Da Radio Vaticana)
27 Out 2015 | Sem categoria
Em sua “carta ética” definem-se como aqueles que estão «nas contradições e nas dificuldades do tempo presente, assumindo e compartilhando os sofrimentos do mundo do trabalho… na ótica da fraternidade universal». Nesta tensão podem ser percebidos os sinais da necessária “nova escola de pensamento” indicada por Pasquale Foresi (“é a vida que faz entender”), cofundador do Movimento dos Focolares, que afirmava: «O trabalho não é somente um meio para viver, mas é algo inerente ao nosso ser homens, e, por conseguinte, também um meio para conhecer a realidade, para entender a vida». O método pode ser confirmado na experiência dos dependentes da ex Cglobal de Pisa, envolvidos em uma das costumeiras restruturações e deslocamentos de empresas, e a história do fundo sindical “Liames de Fraternidade”, de Pomigliano d’Arco, em Nápoles, que nasceu graças à paróquia São Felix em Pincis, como ajuda mútua de uma comunidade com o risco de desintegrar-se diante da carência de ocupação ditada pela divisão internacional do trabalho, dirigida pelas sociedades multinacionais. O quadro foi completado pela exposição de Alberto Botto, secretário geral do sindicato Luz e Força, de Rosário, Argentina, sobre a resistência das organizações dos trabalhadores diante do poder das ditaduras militares e das receitas liberais de privatização, que ameaçaram dissolver o próprio país.
Diante do paradigma “da economia que mata”, citando o Papa, justamente aqueles que decidiram atuar no sindicato “por sede de justiça”, estão experimentando, nestes anos, a fragilidade e os limites de suas formas organizacionais diante da mercantilização de toda uma vida. O encontro desejou criar um espaço “desarmado”, onde cada um pudesse oferecer as razões profundas do próprio empenho. Uma reciprocidade que proporcionou momentos de diálogo exigente com Maurizio Landini e Marco Bentivogli, secretários nacionais de dois sindicatos de metalurgia italianos (Fiom Cgil e Fim Cisl), e ainda com Giorgio Cremaschi, da área crítica e radical.
O programa contou com o diálogo entre Cecilia Brighi, durante anos atuante pelos sindicatos, na Organização Internacional do Trabalho, e os professores Antonio Maria Baggio, Barbara Sena e Alberto Lo Presti, que apresentou a atualidade de um texto fundamental publicado por Città Nuova (“Questão operária e cristianismo”, de Von Ketteler). Os trabalhos do seminário, dirigidos por Antonella Galluzzi e Stefano Biondi, referentes de “Made in the World”, e acompanhados pelos responsáveis do diálogo cultural do Movimento dos Focolares, Caterina Mulatero e João Manuel Motta, tiveram a participação da presidente do Movimento, Maria Voce, que observou: «Não é verdade que falte trabalho. Deus não nos deixou sem trabalho, basta olhar ao redor e ver quantas urgências e necessidades têm a sociedade civil! O que parece faltar é o dinheiro. Aonde foi parar? Com a corrupção e a avidez dos lucros sem limites, criou-se uma fratura entre o trabalho e o dinheiro, o seu uso». Por esse motivo é necessário «assumir juntos as chagas da humanidade», com a nossa “competência” que é a «fraternidade universal, reconciliar o homem com o homem». Os participantes despediram-se com o forte desejo de partilhar o que viveram, para promover espaços de diálogo com outros sindicatos. «Entendemos que não estamos sós – afirmou um dos sindicalistas argentinos – e que é muito importante permanecer unidos para dar uma alma à luta sindical e levá-la a todos».