4 Out 2015 | Sem categoria
No dia 4 de outubro abre-se o tão esperado Sínodo sobre a família, que dá sequência ao sínodo extraordinário, realizado no ano passado e que preparou os seus fundamentos. Um Sínodo que, também dessa vez, o Papa desejou fosse precedido por uma vigília de oração, «a fim de que o Espírito Santo ilumine os padres sinodais e os guie em sua árdua missão». E assim, na tarde do dia 3 de outubro, na Praça de São Pedro, estavam todos: casais, crianças, noivos, avós, tios, primos, religiosos, pessoas solteiras… vindos para rezar com o Papa Francisco. Muitos vieram de longe, mas todos como protagonistas, justamente porque, desde o início, cada um sentiu-se envolvido na reflexão que preparou os dois encontros do Sínodo. Nunca havia acontecido, na verdade, que ao convocar um sínodo, o Papa houvesse solicitado uma dupla consulta popular, quase significando que as paredes da sala sinodal deviam abrir-se à escuta de quem vive a experiência familiar em primeira pessoa, ou daqueles que, até no anonimato, buscam com que a família tenha todo o apoio que necessita, enquanto bem da criação. C
ada participante com uma vela acesa: muitas pequenas luzes que, juntas, clareiam simbolicamente o horizonte de todas as famílias. Daquelas que diariamente, com vigor renovado, seguem o caminho do seu desígnio originário, assim como das que estão mergulhadas na escuridão por não acreditarem mais no amor. Muitas luzes, para dizer a todos que, em Cristo, o “para sempre” é possível. Que a graça do sacramento do matrimônio cura qualquer incapacidade de amar e doa aos cônjuges um maravilhoso tesouro: a presença de Jesus em suas casas. As orações eram alternadas com cantos – de várias bandas, entre as quais também a dos Focolares – e testemunhos de famílias: um modo diferente de rezar, mas igualmente significativo e sagrado. Foi evidenciada a beleza da família, que muitas vezes brota de um cotidiano fatigoso e impregnado de gratuidade, de ternura e de perdão, beleza que é a única que pode trazer a verdadeira alegria. Ao percorrer trajetórias de vida, os testemunhos demonstram a dádiva que a família representa para o mundo, enquanto via privilegiada para um novo anuncio do Evangelho.
«Rezemos para que o Sínodo – invoca o Santo Padre – valorize e proponha tudo o que nela há de belo, bom e santo; abrace as situações de vulnerabilidade, que a põem à prova: a pobreza, a guerra, a doença, o luto, as relações feridas e desfeitas de que brotam contrariedades, ressentimentos e rupturas». Rezemos, continuou o Papa, por «um Sínodo que, mais do que falar de família, saiba ir à sua escola, com a disponibilidade de reconhecer sempre a sua dignidade, consistência e valor, apesar das muitas fadigas e contradições que a possam marcar». Francisco exprimiu ainda a sua esperança de que seja oferecida «a espessura duma Igreja que é mãe, capaz de gerar para a vida e cuidadosa em dar continuamente a vida, em acompanhar com dedicação, ternura e força moral. Porque, se não soubermos unir a compaixão à justiça, acabaremos por ser inutilmente severos e profundamente injustos». Alguns fundadores ou presidentes de movimentos oferecem uma visão iluminada sobre a família, segundo o próprio carisma. São eles, Kiko Argüello do Caminho Neocatecumenal, Salvatore Martinez da Renovação Carismática, Maria Voce dos Focolares, Julián Carrón de Comunhão e Libertação, Matteo Truffelli da Ação Católica Italiana.
Traçando um perfil de famílias que decidem caminhar com o Ressuscitado, Maria Voce afirmou que estas, como os discípulos de Emaús, «sentem que se acende nos corações a alegria típica da presença de Jesus, e experimentam seus dons: a unidade com Deus e entre eles, luz, coragem, ardor missionário». «Aliás – diz ainda a presidente dos Focolares – será Jesus, presente entre eles, que falará ao coração de todos os que encontrarem, reacendendo neles a esperança». «O Papa – prosseguiu Maria Voce – encoraja as famílias a tomarem a iniciativa de doar-se à comunidade. Também nós queremos acolher esse desafio, e fazê-lo em colaboração com as nossas paróquias e os outros movimentos e associações, especialmente na acolhida aos refugiados que batem à porta do nosso coração. Às famílias cristãs é confiado o mandato da convivência humana sanada pela misericórdia. Elas podem mostrar à humanidade a ternura e a força do amor de Deus, e assim, como diz o Papa, escrever cada dia uma página de história sagrada, não aquela escrita somente nos livros, mas a que permanece eternamente no coraçao do Pai».
3 Out 2015 | Sem categoria
A paz é o resultado de um projeto: um projeto de fraternidade entre os povos, de solidariedade com os fracos, de respeito mútuo. Assim constrói-se um mundo mais justo, assim afasta-se a guerra como prática bárbara, pertencente à fase escura do gênero humano. E Giordani conhecia bem a guerra: participou dela, no primeiro conflito mundial, merecendo uma condecoração por ter sido gravemente ferido no fronte austríaco. Mas não é somente o horror pelo sangue e pela morte que deve induzir o homem a rejeitar a guerra como instrumento para resolver os problemas de ordem internacional. A guerra pode ser tida como natural por aquelas pobres mentes que pensam no homem como uma máquina sedenta de poder, e pronta a lançar-se contra qualquer inimigo para realizar os próprios sonhos de potência. Mas não existe nada de natural em procurar sofrimento, miséria e morte uns para os outros. As guerras não produzem vencedores, mas apenas derrotados. Isso a história nos ensina, e Giordani o demonstra: os graves problemas que qualquer guerra deixa são infinitamente mais angustiantes do que os que se desejava resolver desencadeando o conflito. É, portanto, a própria razão que nos sugere depor as armas e os sentimentos belicosos, e preparar uma ordem pacífica. Mas, para aqueles que acreditam que o homem é uma criatura de Deus, a ofensa ao próximo deve permanecer fora da ação. Como pode-se agradar a Deus atentando contra a vida de suas criaturas? Meio século se passou desde quando Giordani escreveu as linhas que transcrevemos abaixo, retiradas de “A inutilidade da guerra”, e, no entanto, parecem escritas para a nossa atualidade, dilacerada por conflitos tão perigosos. «A guerra é um homicídio em grande escala, revestido por uma espécie de culto sagrado, como era o sacrifício dos primogênitos ao deus Baal. E isso devido ao terror que incute, à retórica da qual se reveste e aos interesses que implica. Quando a humanidade terá progredido espiritualmente a guerra será catalogada ao lado dos ritos cruentos, das superstições da feitiçaria e dos fenômenos de barbárie. Está para a humanidade como a doença está para a saúde, como o pecado para a alma: é destruição e massacre e investe alma e corpo, os indivíduos e a coletividade». «A história confirma a lógica cristã, de que o aparelhamento das armas leva ao medo, à desconfiança, à guerra. São falsos realistas aqueles que dizem: “se queres a paz, prepara a guerra”. Basta abrir um manual de história para ver aonde conduz acumular armas e munições. A paz é difícil. Porque somos cristãos, não somos ingênuos. Nós queremos a paz e não a ilusão. A paz não cairá já feita do céu. A paz é uma ação paciente que devemos fazer juntos. A paz, enfim, obtém-se com a paz». «Defende a guerra quem tem medo. Faz-se a guerra por medo. Quem tem medo insulta e dispara por um instinto de liberação. É preciso coragem – uma coragem racional – para sustentar a paz». Alberto Lo Presti L’inutilità dela guerra (A inutilidade da guerra), Città Nuova 2003 ((pp. 7, 71-72, 83)
30 Set 2015 | Sem categoria

Das 17 às 18 horas, testemunhos dos representantes de movimentos eclesiais, entre os quais Maria Voce, do Movimento dos Focolares
Um momento de oração e testemunhos de fé, ao redor do Papa Francisco e dos Padres Sinodais, promovido pela Conferência Episcopal Italiana. «Estou convencido de que, nas associações, movimentos e novas comunidades, muitas lindas luzes familiares são vistas, e gostaria que como uma tocha elas iluminassem a Praça de São Pedro na noite de vigília, com o Papa Francisco, no próximo dia 3 de outubro», declarou D. Galantino, Secretário Geral da CEI, convidando representantes de associações e movimentos eclesiais ao grande encontro de oração, na véspera da abertura da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (4-25 de outubro), que terá como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. A iniciativa deseja ser uma resposta do povo aos inúmeros apelos do Santo Padre à oração pela família e pelo trabalho dos Padres sinodais. Entre os depoimentos previstos, das 17 às 18 horas, estão os de representantes de movimentos eclesiais, entre os quais Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares; Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal; Juliám Carrón presidente de Comunhão e Libertação; Salvatore Martinez, presidente da Renovação no Espírito Santo; Matteo Truffelli, presidente da Ação Católica Italiana. Libretto della veglia di preghiera Informazioni generali
30 Set 2015 | Sem categoria
Diante do drama humanitário dos refugiados, os Jovens por um Mundo Unido, dos Focolares, atuam em muitas frentes, mobilizam-se apelando aos organismos internacionais e comprometendo-se pessoalmente, junto com todo o Movimento. https://www.change.org/p/sign-up-for-a-global-petition-for-peace-now
- Reduzir os financiamentos públicos destinados aos armamentos
- Atuar na raiz das desigualdades para contrastar a miséria
- Rever os atuais modelos de governança
- Adotar um modelo de legalidade organizada em oposição aos fenômenos de criminalidade
- Garantir um nível de instrução primária universal
São estes os cinco pontos principais do apelo dos Jovens por um Mundo Unido(MJU), do Movimento dos Focolares, dirigido aos parlamentos nacionais, ao Parlamento Europeu, às Comissões nacionais da Unesco e às Nações Unidas. Assina o apelo https://www.youtube.com/watch?v=pozSjyH1Xvo
30 Set 2015 | Sem categoria

Das 17 às 18 horas, testemunhos dos representantes de movimentos eclesiais, entre os quais Maria Voce, do Movimento dos Focolares
Um momento de oração e testemunhos de fé, ao redor do Papa Francisco e dos Padres Sinodais, promovido pela Conferência Episcopal Italiana. «Estou convencido de que, nas associações, movimentos e novas comunidades, muitas lindas luzes familiares são vistas, e gostaria que como uma tocha elas iluminassem a Praça de São Pedro na noite de vigília, com o Papa Francisco, no próximo dia 3 de outubro», declarou D. Galantino, Secretário Geral da CEI, convidando representantes de associações e movimentos eclesiais ao grande encontro de oração, na véspera da abertura da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (4-25 de outubro), que terá como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. A iniciativa deseja ser uma resposta do povo aos inúmeros apelos do Santo Padre à oração pela família e pelo trabalho dos Padres sinodais. Entre os depoimentos previstos, das 17 às 18 horas, estão os de representantes de movimentos eclesiais, entre os quais Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares; Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal; Juliám Carrón presidente de Comunhão e Libertação; Salvatore Martinez, presidente da Renovação no Espírito Santo; Matteo Truffelli, presidente da Ação Católica Italiana. Veja ainda, em língua italiana: Libreto da vigília de oração Informações gerais
28 Set 2015 | Sem categoria
“A verdadeira generosidade é uma troca com consequências imprevisíveis. É um risco, porque mistura as nossas necessidades e os nossos desejos com as necessidades e os desejos dos outros”. A. Phillips e B. Taylor, Elogio da gentileza. As empresas, e todas as organizações, restam espaços de vida boa e íntegra, se e até quando deixam viver virtudes não econômicas ao lado daquelas econômico-empresariais. Uma coexistência decisiva, mas absolutamente não simples, porque exige dos dirigentes renunciar ao controle total dos comportamentos das pessoas, aceitar um componente de imprevisibilidade em suas ações, estar dispostos a relativizar inclusive a eficiência, que está se tornando o verdadeiro dogma da nova religião do nosso tempo. A generosidade é uma dessas virtudes não econômicas, mas essenciais a qualquer empresa e instituição. A raiz da generosidade está na palavra latina genus, generis, um termo que remete à estirpe, família, nascimento – é este o primeiro significado da palavra gênero. Esta antiga etimologia, atualmente perdida, diz-nos coisas importantes sobre a generosidade. Inicialmente recorda-nos que a nossa generosidade tem muito a ver com a transmissão da vida: com a nossa família, com as pessoas ao nosso redor, com o ambiente onde crescemos e aprendemos a viver. Nós a recebemos como herança quando viemos a este mundo. (…) Essa generosidade primária não é uma virtude individual, mas uma dádiva que passa a fazer parte do cabedal moral e espiritual daquilo que se chama caráter. É um capital com o qual chegamos na terra, que formou-se antes do nosso nascimento e que se alimenta da qualidade das relações nos primeiros anos de vida. (…) Viver com pessoas generosas nos torna mais generosos – precisamente como acontece com a oração, a música, a beleza… cultivar generosidade produz mais efeitos do que aquilo que conseguimos ver e medir – e o mesmo acontece com a não-generosidade, nossa e dos outros. O estoque de generosidade de uma família, de uma comunidade, de um povo, é uma espécie de soma das generosidades de cada um. Cada geração incrementa o valor desse estoque ou o reduz, como está acontecendo hoje na Europa, onde a nossa geração, empobrecida de ideais e de grandes paixões, está dilapidando o patrimônio de generosidade que herdou. Um país que deixa a metade de seus jovens sem trabalho não é um país generoso. A nossa generosidade, ademais, reduz-se ao envelhecer. Quando nos tornamos adultos, e depois anciãos, naturalmente encontramo-nos menos generosos (…). Aqui a generosidade torna-se virtude, porque, quando os anos passam, são necessários mais amor e sofrimento para permanecer generosos. Mas conservar-se generosos é fundamental se deseja-se continuar a gerar vida. Generosidade e gerar são duas palavras irmãs, uma se lê e se explica com a outra. Somente quem é generoso gera, e a geração da vida reforça e alimenta a generosidade. Um sintoma da diminuição da generosidade é, então, a não-fecundidade ou esterilidade da vida. (…) Nas empresas, que são simplesmente um pedaço de vida, frequentemente existe muita generosidade e, portanto, geração. Os empresários são generosos por vocação, especialmente na primeira fase de suas atividades. (…) As boas empresas, inclusive as econômicas e industriais, nascem de pessoas generosas, e continuam a surgir assim. Quando uma empresa começa, a generosidade de empresários, sócios, dirigentes, trabalhadores, não é simplesmente importante, é essencial para crescer bem. Sem o entusiasmo e o excedente de todos, em relação ao que o contrato de trabalho e os deveres exigem e, portanto, sem generosidade, as empresas não nascem ou não duram (…). A alegria, “sacramento” de qualquer vida generosa, acompanha o início das aventuras dos jovens empresários e das verdadeiras empresas. Mas quando a empresa cresce e transforma-se progressivamente numa organização complexa, burocrática e orientada racionalmente aos lucros, a generosidade originária dos empresários se reduz, e a verdadeira generosidade dos trabalhadores não é mais nem exigida e nem encorajada. No seu lugar desenvolve-se uma subespécie de generosidade: a funcional aos objetivos, manejável, controlável. (…) A empresa, que tornou-se instituição, quer manter somente aquela generosidade que encaixa-se nos próprios planos industriais, uma generosidade limitada, domesticada, reduzida. Mas se a generosidade perde a profusão, e o excedente é distorcido, deixa de ser ela mesma. Não se pode ser generosos “por objetivos”. Quem procura normatizar a generosidade, destituindo-a das suas dimensões menos manejáveis e mais desestabilizadoras, nada mais faz senão combater e matar a própria generosidade. A generosidade produz frutos bons se é deixada livre de gerar mais frutos do que os necessários. Mas é justamente a convivência de frutos “úteis” e “inúteis” um dos grandes inimigos das empresas capitalistas e de todas as instituições burocráticas. (…) Os seres humanos dão muito somente se são livres para dar tudo. A qualidade de vida dentro das nossas organizações dependerá cada vez mais da capacidade de seus dirigentes de deixar amadurecer mais frutos do que os que colocarão no mercado, de produzir e fazer crescer também aquelas virtudes que não servem para empresa. E chegamos, ainda, a uma nova declinação do principal paradoxo das organizações modernas. O crescimento das dimensões, e as aplicações técnicas e métodos estandardizados de gerenciamento e controle, mortificam, nos trabalhadores, aquelas características que a fizeram nascer e de que a empresa teria ainda necessidade para continuar a gerar (…). E, enfim, existe um aspecto particularmente delicado na dinâmica da generosidade. É aquela que podemos chamar “castidade organizativa”. Generosidade não remete apenas a “gerar”, remete também à “castidade”, uma palavra que só aparentemente pode parecer em antítese com as outras duas. A pessoa generosa não “come”, não consome as belas pessoas que vê ao seu redor, mas as deixa profundamente livres. (…) Se colho uma maravilhosa flor do vale alpino para embelezar minha sala já decretei o seu fim. (…) Os melhores jovens das nossas organizações e comunidades permanecem belos e luminosos até quando não quisermos transplantá-los em nosso jardim, até quando não os transformamos num bem “privado” e estamos dispostos a compartilhar a beleza deles com todos os habitantes do vale. E são em demasia os jovens que apodrecem nas grandes empresas, e às vezes também em comunidades religiosas, porque não encontram aquela generosidade necessária para que seja mantida a sua beleza excedente. Para manter a generosidade das pessoas é preciso instituições generosas, de pessoas magnânimas, de almas maiores do que os objetivos da organização. Somos habitados por um sopro divino. Todos os espaços da vida continuam a florescer até quando aquele sopro permanece vivo, livre, íntegro. Luigino Bruni Texto integral: publicado na revista italiana Avvenire de 23/08/2015