1 Set 2014 | Sem categoria
«Trabalho como vigia em uma igreja de Montevideo. Tempos atrás, toda vez que abria a porta da igreja encontrava um rapaz mal vestido que entrava na igreja com o seu mate, a bebida típica por aqui. A minha primeira reação, por causa de seu aspecto, foi de suspeita e desconfiança, e pensava: “Vai ver que começa a roubar!”. Mas depois de algum tempo lembrei-me da Palavra de Vida, comecei a cumprimentá-lo e falar com ele. Ele me contou que morava na rua. Uma manhã, vendo-o chegar limpo e com outras roupas, perguntei se tinha encontrado um lugar para morar. “Não – respondeu – eu me lavo na praça com o sabão que recebo do Ministério do Desenvolvimento Social. Não gosto de me sentir sujo”. Depois me disse que era católico e que ia à igreja para “falar com Deus”, e que tinha feito a primeira comunhão. Eu propus que ele fosse à Missa e falasse com o sacerdote, e a partir daí começou a participar todos os dias. Eu havia engordado um pouco e muitas das minhas roupas estavam apertadas. “Talvez sirvam nele” – pensei. Enchi uma sacola e levei para ele. “Tantas assim? Não! – exclamou – Eu preciso de pouco porque vivo na rua”. Depois outras pessoas da comunidade começaram a ajudar, com a convicção de que Cristo está “presente em cada irmão”. Foi assim que esse rapaz, que agora é um amigo, conseguiu encontrar um bom trabalho (é um ótimo trabalhador) e alugar um quarto». J.B. (Montevideo – Uruguai) «Dias atrás eu estava indo fazer compras quando vi uma senhora que mexia no lixo, selecionando o que encontrava. Eu parei e olhei para ela. Ela respondeu ao meu olhar dizendo: “Os ricos jogam as coisas fora… mas para nós ainda servem”. E logo me mostrou uma panela: “É de um material bom!”. “Você tem razão – respondi, surpresa com o que havia encontrado – é uma panela boa, se vê que está usada, mas é uma daquelas que são eternas…”. E continuamos a conversar: “Isso serve para fazer um pudim e isso para escorrer”. E assim continuamos. Depois ela me mostrou um santinho de Nossa Senhora que tinha encontrado no lixo, junto com uma estatueta de Nossa Senhora do Vale, uma daquelas pequenas imagens de chumbo muito antigas. “Sabe o que isso significa para mim?” – disse-lhe – Que Nossa Senhora está com você!”. E ela: “É verdade. Deus e Nossa Senhora estão comigo, eles me acompanham sempre”. Vendo que entre aquelas coisas havia algumas plantas que eu gostava ela quis dividir comigo, deixou que eu pegasse um ramo, e depois mais um… Quando cheguei em casa os coloquei na água para que nascessem as raízes, para depois plantá-los. E rezei em meu coração: “Obrigada Jesus por haver-te encontrado na rua. Obrigada por ter vindo até mim. Jamais se canse de procurar-me até que eu decida ir buscar-te, com decisão, nas periferias”. T.S. (Córdoba – Argentina).
30 Ago 2014 | Sem categoria
«Chegar à Terra Santa no final de julho, com notícias dramáticas nos telejornais, foi, como alguns disseram, “uma autêntica loucura”. Este projeto do “focolare temporário”, isto é, um focolare de um mês na Palestina, havia surgido na primavera, quando tudo parecia calmo. Mas poucas semanas antes da viagem a situação precipitou. “O que fazer?”, nos perguntamos. “Este é o momento mais oportuno para ir e testemunhar que o amor é mais forte que o medo”. Certamente a presença dos Focolares, que já estão naquela região há dezenas de anos, era e é a nossa segurança. Assim, no dia 30 de julho nos alojamos em Belém, num pequeno apartamento. Acordar na cidade onde Jesus nasceu causou uma impressão forte: “Será um sonho?”. Começamos logo a visitar as famílias, sacerdotes, jovens, todos surpresos e felizes em ver que dois focolarinos da Itália tinham mesmo chegado, e outro, de Jerusalém, tinha se juntado a eles. Houve alguns encontros fortes, como a Mariápolis feita em Nazaré, com um bom número de participantes (apesar da situação), quando recebemos uma carta e fotos da nossa comunidade de Gaza, que não podia estar fisicamente presente. Depois, no dia 8 de agosto, no auge dos combates, um encontro inter-religioso em Jerusalém, com árabes cristãos e amigos judeus e muçulmanos, juntos. O objetivo era rezar e pedir a paz. Foi uma hora de “intensa luz” na escuridão da guerra, com momentos de grande emoção. Um rabino surpreendeu a todos com uma comovente oração pelas crianças de Gaza. Eram cerca de 80 pessoas, um pequeno milagre diante das circunstâncias.
Sentimos que estamos profundamente mudados, sob três aspectos: o sofrimento, o amor e a oração. O primeiro é o sofrimento pelas histórias que ouvimos dos nossos: as aspirações por um Estado, por uma paz verdadeira e duradoura, pela água, a liberdade de movimento, um futuro melhor para os próprios filhos e, principalmente, a aspiração de viver em harmonia e em paz com todos os vizinhos. O segundo elemento é o amor: quanto amor recebemos nessas três semanas! Muito mais do que demos. E o terceiro, a oração: momentos longos, às vezes dias inteiros em silêncio rezando por todos, por quem morre e por quem dispara; e oração para que chegue o perdão recíproco nesta terra embebida de sangue. A característica de toda a experiência foi viver no meio de tantas pessoas, misturados entre todos. Não um apartamento cômodo na grande cidade: aprendemos a racionar a água que falta, por exemplo. Praticamente essa é a vida dos palestinos. Queríamos, e estamos experimentando, o que significa passar pelos “postos de controle”, o que significa sorrir e cumprimentar um soldado com uma metralhadora nas costas, ou ser gentil com uma senhora idosa que, embaixo do sol, tenta vender plantinhas de menta. Em tudo isso experimentamos a presença de Deus. E Deus, na Terra Santa, sente-se que caminha lado a lado conosco, mais uma vez, por estas ruas. Uma experiência vivida junto com aqueles que estão aqui para contribuir a realizar o sonho de Jesus: “Que todos sejam uma coisa só” (Jo 17,21). A oração pela qual Chiara Lubich deu a sua vida. O mundo unido chegará um dia, também na Terra Santa, será o mundo do perdão mútuo, a verdadeira água que matará esta sede de paz. E naquele dia, todos nós juntos, deveremos estar aqui para continuar a amar». Luigi Butori (Itália)
29 Ago 2014 | Palavra de Vida, Sem categoria
“Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus.”
Essas palavras de são Paulo nos lembram um dos aspectos mais tocantes do amor de Jesus: é o amor com o qual Ele, durante a sua vida terrena, sempre acolheu a todos, de modo especial os mais marginalizados, os mais necessitados, os mais distanciados; é o amor com o qual Jesus ofereceu a todos sua confiança, sua confidência, sua amizade, derrubando uma por uma as barreiras que o orgulho e o egoísmo humano tinham erguido na sociedade de seu tempo. Jesus foi a manifestação do amor plenamente acolhedor do Pai celeste para cada um de nós e do amor que, por consequência, nós deveríamos ter uns para com os outros. Esta é a primeira vontade do Pai a nosso respeito; por isso não temos como dar a Deus uma glória maior do que aquela que lhe damos quando procuramos nos acolher uns aos outros da maneira como Jesus acolheu a nós.
“Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus.”
Como poderemos viver então, a Palavra de Vida desse mês? Ela chama a nossa atenção para um dos aspectos mais frequentes do nosso egoísmo e – digamos a verdade – um dos mais difíceis de superar: a tendência a nos isolarmos, a discriminar, a marginalizar, a excluir o outro na medida em que é diferente de nós e poderia perturbar a nossa tranquilidade. Procuraremos, então, viver essa Palavra de Vida antes de mais nada no âmbito das nossas famílias, associações, comunidades e grupos de trabalho, eliminando em nós os julgamentos, as discriminações, os preconceitos, os ressentimentos, as intolerâncias contra esse ou aquele próximo, coisas que surgem tão facilmente e tão frequentemente, sentimentos esses que comprometem e esfriam tanto os relacionamentos humanos e impedem o amor mútuo, fazendo-o emperrar, como se fossem ferrugem. Além disso, procuraremos viver essa Palavra na vida social em geral, fazendo o propósito de testemunhar o amor acolhedor de Jesus para com qualquer próximo que o Senhor colocar ao nosso lado, principalmente aqueles que o egoísmo social tende mais facilmente a excluir ou a marginalizar. Acolher o outro, o diferente de nós, é básico no amor cristão. É o ponto de partida, o primeiro degrau para a construção daquela civilização do amor, daquela cultura de comunhão à qual Jesus nos chama hoje de modo especial.
Chiara Lubich
Este comentário à Palavra de Vida foi publicado originalmente em dezembro de 1992.
27 Ago 2014 | Sem categoria
São esperados no Centro Mariápolis de Castelgandolfo, Roma, 494 delegados dos Focolares que representam o centro internacional e as diversas áreas geográficas do mundo, expressão da pluralidade que caracteriza o Movimento: leigos e consagrados, adultos e jovens, homens e mulheres. Além desses acompanharão os trabalhos da Assembleia 49 convidados, entre os quais alguns cristãos de várias Igrejas. São convidados também representantes das grandes religiões e de culturas não religiosas, pertencentes ao Movimento. O evento foi preparado com uma grande participação das comunidades dos Focolares, concretizada por reflexões e propostas para uma Assembleia que será chamada a exprimir-se com argumentos fundamentais para a vida do Movimento. Segundo o preâmbulo dos Estatutos gerais, “a norma das normas, a premissa de qualquer outra regra” é o amor recíproco, o fundamento da ação do Espírito Santo: é esta a “lógica” que guiou tal consulta em todo o mundo. Do trabalho preparatório, emergiram questionamentos, desafios e exigências de um povo que está em caminho. Em particular, emergiram a fidelidade à indentidade carismática; a atenção para os jovens, anciãos e famílias; a exigência de ir além do próprio movimento movendo-se em direção às dores da humanidade, com um olhar privilegiado às diversas necessidades. Um impulso à ação, portanto, com uma formação espiritual e cultural adequada e atualizada, na linha da espiritualidade de comunhão típica do carisma dos Focolares, a fim de que seja Jesus mesmo, presente entre os que estiverem unidos em Seu nome (Mt 18, 20), a caminhar pelas estradas para encontrar os homens e mulheres de hoje. Os contributos foram sintetizados em 12 grandes temas que os participantes da Assembleia, em grupos e plenárias, abordarão para direcionar o Movimento nos próximos anos. Depois de alguns dias de retiro espiritual e de trabalho, a Assembleia procederá à eleição da Presidente, do Co-presidente, dos conselheiros e das conselheiras gerais para os próximos seis anos. Os participantes serão recebidos pelo papa Francisco na sexta-feira, 26 de setembro, no Vaticano. A Assembleia geral é o principal órgão de governo do Movimento dos Focolares e acontece a cada seis anos.
26 Ago 2014 | Sem categoria
«A Economia de Comunhão é um modo de pensar, sentir e agir diferente!». Galo Pozo, consultor empresarial do Equador, não usa meios termos ao definir o projeto EdC, convidando os jovens participantes a «investir a própria vida da melhor maneira possível, por esse projeto». Parece que Galo Pozo esteja dizendo essas coisas antes de tudo a si mesmo, e ele é mesmo um deles, um dos participantes da escola de verão da Economia de Comunhão (EdC) que aconteceu de 11 a 15 de agosto na Mariápolis “El Diamante”, nos arredores de Puebla, região central do México. É assim porque, como disse Luigino Bruni, Coordenador da Comissão Internacional da EdC, «Aqui não existem professores e alunos, mas pessoas que aprendem umas das outras, na comunhão». Eram 60 pessoas, entre estudantes, empresários e especialistas na EdC, vindas dos Estados Unidos, Canadá, México, Honduras, Panamá, Costa Rica, Colômbia, Argentina, Brasil e Equador, e ainda da França, Suíça e Itália, com o objetivo de aprofundar os diversos aspectos da teoria e da prática desse projeto econômico. A programação da escola constava de aulas na plenária, dos já citados Bruni e Gozo, e também do economista suíço Luca Crivelli, de Anouk Grevin, francês, e do empresário brasileiro Armando Tortelli (membros da Comissão Internacional da EdC).
Não faltaram visitas a realidades concretas que já atuam no espírito da EdC, como a Escola Santa Maria, na cidade de Actipan, que dá um forte testemunho do que é possível realizar num contexto de grande pobreza e degradação de todos os tipos. Uma escola frequentada hoje por adolescentes de diferentes camadas sociais e condições econômicas. Nela toda a comunidade educativa é empenhada ativamente, a partir das famílias; todos ensinam e cada um aprende o que é mais importante na vida, experimentando a plenitude como pessoas, em todas as dimensões: física, intelectual, psicológica e espiritual. Uma aplicação concreta que mostra como os nossos comportamentos na vida empresarial, caracterizados pela criatividade, inovação e um grande amor pelos pobres, podem realmente transformar a realidade que nos circunda.
Foram fundamentais também os momentos de comunhão e troca de experiências, que contribuíram para criar redes de colaboração entre todos, com o objetivo de reforçar e desenvolver as próprias iniciativas empresariais. Plataformas digitais para encontrar financiamentos, fábricas de confecção, galerias de arte, uma escola de formação profissional, lojas online, são algumas das iniciativas que surgiram a partir da centralidade dada à comunhão de bens, o empenho social e a essencialidade da pessoa. «Chegamos aqui com ideias, profissões e realidades nacionais muito diferentes – escreveram os jovens no manifesto conclusivo -. A Economia de Comunhão convida-nos a olhar a todas essas singularidades com olhos novos e sem fronteiras, a perceber as múltiplas dimensões da pobreza e a comprometer-nos livremente em mudar o mundo dia a dia. (…) Não deixando-nos limitar pelas fronteiras desejamos encontrar alternativas ao modelo atual de economia que não está em grau de responder ao nosso profundo desejo de uma sociedade mais fraterna e justa, onde o amor seja o maior instrumento de transformação. Somos “anjos com uma asa só” que para voar devem abraçar-se uns aos outros».
25 Ago 2014 | Sem categoria

Foto: S. Baldwin/UNHCR
«Há alguns membros da Igreja Evangélica – explica V. – que trabalham para distribuir gêneros de primeira necessidade às pessoas. Como vimos que precisavam de ajuda nos colocamos à disposição. O pastor evangélico ficou muito agradecido e nós felizes por sentir-nos mais unidos. Por muitos motivos não consigo sair sempre com outros jovens, para ajudar as pessoas em dificuldade. Um dia, enquanto andava pela escola onde estão muitas famílias refugiadas, vi dois recém-nascidos deitados num colchão no chão. Estava escuro e fazia calor. Peguei um deles em meus braços. Quando a mãe chegou começamos a conversar e perguntei se ela precisava de alguma coisa. Agradecendo, e quase com vergonha de falar, me disse que precisava de um pijama. Fazia dias que dormia sempre com a mesma roupa. Voltando para casa falei com minha família e conseguimos um pijama para ela. Noutra ocasião encontrei uma menina, de uma família conhecida, que estava chorando. Convidei-a a vir até o meu quarto e brincamos a manhã inteira. Levamos também lápis e cadernos para muitas crianças que se divertiram desenhando e pintado, depois outros jogos e rezamos junto com eles. Queríamos que sentissem que ainda existe “o Bem” no mundo e que não deviam ter medo. Sinto que essa é a nossa missão: estar de pé, tendo um forte relacionamento com Deus, para poder encorajar os outros, dar alegria, amor e paz». «Em Qaraqosh, cidadezinha no norte – diz L. –, vi um sacerdote e uma freira que estavam limpando as ruas da sujeira acumulada vários dias, porque o serviço público não garante mais a coleta. Convidei os meus amigos e fomos ajudá-los». «Em Erbil também – conta A. –, onde está o maior número de famílias refugiadas, nos reunimos com os jovens de Qaraqosh para ver como podemos nos organizar para ajudar quem precisa. Entramos em contato com alguns sacerdotes e começamos a distribuir comida e água para muitas pessoas»
Alguns gostariam de deixar o país para ficar com suas famílias que decidiram ir embora. «O sofrimento é grande – diz A. – mas no coração existe um grande desejo de continuar a amar, em qualquer lugar onde possamos viver». «Foi comovente – conta R. – ver algumas famílias do Movimento que, mesmo tendo perdido suas casas e tudo o que possuíam, queriam participar com todos os membros dos Focolares do mundo, da iniciativa dos Jovens por um Mundo Unido “Desbloquear o diálogo”. Eles também postaram uma foto no perfil, como um compromisso em viver pela paz, embora no meio de uma tragédia». «De Bagdá a Bassra não sofreram pela situação atual – conclui R. -, ainda que exista o temor de ser atingidos se não houver ações políticas em nível mundial. Nessa situação muito dolorosa nos confiamos todos a Deus, para que dê esperança e conforto às milhares de pessoas que perderam literalmente tudo, inclusive a esperança de um futuro seguro e sereno». Para aqueles que desejam ajudar os cristãos do Iraque: IBAN JO09 ARAB 1110 0000 0011 1210 9985 98 Account: 0111 210998 0 598 Swiftcode: ARABJOAX100 Motivo: ajudar os cristãos no Iraque ARAB Bank – Amman branch Amman – Jordan