Palavra de Vida – Dezembro
Chegou o Natal, vamos levar a todos Jesus em meio!
« O Senhor vos faça crescer abundantemente no amor de uns para com os outros e para com todos.» (1Tes 3,12).
Visite o novo site Gen 4 para ver a Palavra de Vida em outros formatos.
A aventura da unidade: Os primórdios/1
Silvia – este era o nome de batismo de Chiara Lubich – nasceu em Trento dia 22 de janeiro de 1920, segunda de quatro filhos. Seu pai, Luigi, comerciante de vinhos, ex-tipógrafo, antifascista e socialista, irredutível adversário político de Mussolini. Sua mãe, Luigia, possuía uma fé sólida e tradicional. O irmão mais velho, Gino, depois de concluir os estudos de medicina participou da resistência, nas célebres Brigadas Garibaldi, para depois dedicar-se ao jornalismo, escrevendo no então jornal do Partido Comunista, “A Unidade”.
Aos 18 anos Silvia diplomou-se como professora primária, com a nota máxima. Seu desejo era estudar e por isso tentou entrar na Universidade Católica. Não conseguiu, tendo se classificado em 34º lugar quando havia 33 vagas gratuitas disponíveis. Sim, porque a família Lubich não possuía recursos suficientes para os seus estudos em outra cidade. E assim teve que trabalhar. No ano letivo 1940-1941 ensinou na Obra Seráfica de Trento.
Uma viagem, em 1939, será o ponto de partida decisivo da sua experiência humano-divina. «Fui convidada a um congresso de estudantes católicas, em Loreto – ela escreveu – onde, segundo a tradição, está conservada a casinha da Sagrada Família de Nazaré, em uma grande igreja-fortaleza… Num colégio participava do curso, com todas as outras, mas logo que podia corria para lá. Ajoelhava-me ao lado da parede enegrecida pelas lâmpadas. Algo de novo e divino me envolvia, quase me esmagava. Com o pensamento contemplava a vida virginal dos três. (…). Cada pensamento pesava sobre mim, apertava o meu coração, as lágrimas caiam sem controle. Em todos os intervalos do curso voltava correndo para lá. No último dia a igreja estava lotada de jovens. Tive um pensamento claro, que nunca mais se cancelou: uma multidão de virgens a seguirá».
Quando retornou a Trento, Chiara encontrou seus alunos e o pároco, que sempre a tinha acompanhado naqueles meses. Quando ele a viu radiante, uma moça realmente feliz, perguntou se tinha encontrado o seu caminho. A resposta de Chiara foi (para ele) aparentemente decepcionante, porque ela sabia dizer apenas quais as vocações que não eram a “sua”, ou seja, as tradicionais: nem o convento, nem o matrimônio, nem a consagração no mundo. E nada mais.
Nos anos que seguiram, da visita a Loreto, 1939, até 1943, continuou a estudar, trabalhar e colocar-se a serviço da Igreja local. Quando se tornou uma terciária franciscana assumiu o nome de Chiara (Clara, em menção a Santa Clara de Assis).
Em 1943, já com 23 anos, enquanto ia pegar o leite na localidade de Nossa Senhora Branca, a dois quilômetros de sua casa, no lugar de suas irmãs que haviam se recusado ao pedido da mãe, devido ao frio intenso, exatamente quando passava por baixo de uma ponte ferroviária, Chiara sentiu que Deus a chamava: «Doe-se completamente a mim». Ela não perdeu tempo e, com uma carta, pediu a um sacerdote capuchinho, padre Casimiro Bonetti, a permissão para fazer um ato de total doação a Deus. Obteve a permissão após uma profunda conversa. No dia 7 de dezembro de 1943, às 6 horas da manhã, ela se consagrou. Naquele dia Chiara não tinha em seu coração nenhuma intenção de fundar alguma coisa: simplesmente desposava Deus. E isso, para ela, era tudo. Somente mais tarde atribuiu-se àquela data o início simbólico do Movimento dos Focolares.
Natália Dallapiccola: uma biografia
“Eu inicio a escrever esta biografia com estremo cuidado e com um pouco de temor”. É a primeira frase da introdução de Matilde Cocchiaro, autora da biografia de Natália Dallapiccola, a primeira a seguir Chiara Lubich. Na história dos Focolares a presença de Natália foi muito importante, Chiara chegou a afirmar que se não tivesse conhecido uma pessoa como Natália, já preparada por Deus, talvez nunca pudesse iniciar uma vida tão revolucionária, fundamentada no Evangelho.
Pelo seu incansável amor por todos, vivido de maneira radical desde o início, Chiara a chamara “Anzolon” que, no dialeto trentino, significa “grande anjo”.
Determinante o seu trabalho na difusão do Ideal da unidade nos países do bloco comunista que, naquela época, estavam além da Cortina de Ferro e, também, no campo do diálogo inter-religioso, aos quais dedicou talentos e energia por trinta anos, até os últimos dias da sua vida.
Nichiko Niwano, Presidente do movimento budista Rissho Kosei-kai, no prefácio, afirma: “Por muitos anos Natália exerceu a função de uma “janela aberta” que nos uniu ao Movimento dos Focolares (…) dedicando a esta função as suas melhores energias do coração e da mente (…). Um antigo ditado diz: ‘Conheça o passado e descobrirás o novo!’ E isto significa: examine a história, estude atentamente a tradição e obterás uma nova sabedoria. Desta forma, eu não desejo outra coisa senão isto e faço votos de que esta biografia de Natália torne-se um precioso ponto de referência no caminho em direção ao futuro”.
Por ocasião da sua partida para o céu, no dia 1° de abril de 2008, somente dezoito dias após a partida de Chiara, muitas pessoas expressaram gratidão e grande apreço. O Rabino David Rosen, de Jerusalém disse: “Entre nós existia uma profunda união. Conservarei para sempre, como um tesouro, o seu amável e nobre espírito”.
Da Índia, Shantilal Somaiya, Kala Acharya e Lalita Namjoshi, della Somaiya Bharatya (Hindu): “Recordamos com grande reverência a visita de Natália ao nosso Instituto e o seu estilo silencioso, mas, tão eficaz na ação de levar adiante os nossos encontros de Diálogo”.
De Skopje, Azir Semani, em nome de todos os muçulmanos da Macedônia, dirigiu-se diretamente a ela: “Obrigado pela sua mão sempre estendida!… Nós acolhemos plenamente o seu convite: ‘Que todos sejam um’. A voz de Deus por intermédio da sua vida foi um chamado de amor e de confiança para o qual nós muçulmanos nos sentimos honrados de poder caminhar juntos, em direção ao mundo unido. Que seja sempre bendito o seu amor!”.
O Cardeal emérito de Praga, Dom Miloslav Vlk, que por muitos anos foi moderador dos Bispos Amigos do Movimento dos Focolares, assim testemunhou: “Posso realmente dizer que Natália foi mãe do Ideal da unidade para os nossos países. Da sua vida sem muitos discursos, deixava transparecer a luz do carisma que recebera de Chiara e que nos transmitia com toda a sua profundidade. Em 1968, Natália estava nas montanhas de Tatra, cerca de seis horas de distância da República Tcheca, e organizou a primeira Mariápolis. Tudo aconteceu sob o pretexto de ‘férias’ e, para evitar o controle da polícia, fazíamos longas caminhadas, depois parávamos e ela nos falava (…). A vida que ela nos apresentava era genuína, verdadeira, cada um dos presentes ficava encantado com sua simplicidade silenciosa e, ao mesmo tempo, ativa. O seu amor conquistava porque era natural e, ao mesmo tempo, sobrenatural”.
“Natália não deixou uma autobiografia ou uma história escrita porque era muito dedicada a amar e a doar-se a cada próximo – conclui a autora – e, portanto, eu procurei reconstruí-la… Insubstituível a contribuição das primeiras e dos primeiros focolarinos que, junto a ela, viveram com Chiara Lubich nos albores do Movimento. Eu pude recolher também algumas reflexões espirituais de Natália, muito preciosas, textos autógrafos, na maioria em folhas avulsas ou ditadas a quem trabalhava com ela, e que foram recolhidos pelas testemunhas oculares e reconstruídos com fidelidade”.
Matilde Cocchiaro, “Natalia: la prima compagna di Chiara Lubich”, Città Nuova Editrice, Roma, 2013. Collana Città Nuova Per).
Email: info@focolare.org
Viagem a Cuba
«Cuba é um país muito bonito, onde se respira a atmosfera de uma nação que tinha sido florescente nos anos 50. Com exceção de alguns edifícios e alguns lugares restaurados no centro de Havana e de outras cidades, nota-se um estado de abandono».
Agostino e Marisa contam alguns episódios da sua viagem a Cuba. São uma família dos Focolares, de Vicenza (Itália), que, após terem vivido 11 anos na República Dominicana, atualmente residem nos arredores de Roma.
«Podemos dizer que vivemos aqueles dias em Cuba em constante comoção, pela autenticidade que encontramos na vida das pessoas. Pela situação em que se encontram, ousamos dizer que são vidas heroicas. Uma família contou-nos que, com muito esforço, tinha guardado 20 $ para comprar um par de sapatos para um dos filhos. Numa tarde de sábado, saíram à procura, mas não encontraram nada que valesse a pena e que fosse possível comprar com a quantia que tinham. Assim, decidiram deixar para outro momento. Quando regressavam para casa, encontraram uma família muito pobre: o pai, a mãe e uma criança com os sapatos destruídos. Olharam-se e juntos tomaram a decisão de dar uma parte do que tinham para os sapatos daquela criança. Não seriam de grande qualidade, mas certamente seriam melhores do que aqueles que usava. Alguns dias depois, receberam a visita da avó, que trouxe um envelope: tinha recebido uma quantia de um parente e pensou em dividir com eles; para as necessidades que tivessem. Era o que faltava para poderem comprar os sapatos para o filho.
Percorremos cerca de 3.000 km com os meios de transportes mais diferentes. Nas cidades andávamos a pé, de bicicleta, de carroça, de “bici-taxi”.
Em Cienfuegos, Santiago de Cuba, Camaguey, Florìda, Holguin, Banes encontramo-nos com grupos de famílias e também de namorados, para aprofundar a espiritualidade da unidade, com uma atenção particular aos reflexos na vida familiar. Nestes grupos havia pessoas que não tinham uma fé religiosa; mas eram precisamente estas que sublinhavam que esta espiritualidade é para todos.
Estivemos com muitas famílias para almoçar e jantar. Foi uma experiência bonita estar nas suas casas e partilhar as suas vidas! Contavam-nos muitos episódios do amor concreto. Como uma família que foi visitar um casal, que recentemente tinha tido um bebê, e percebeu que o açúcar, que mensalmente recebiam do Estado, estava por terminar. Comprar mais seria muito caro, assim, quando regressaram para casa, pegaram o que tinham e levaram tudo para aquele casal. Com surpresa, eles exclamaram: “E vocês como vão fazer?”. Naquela mesma noite, receberam em casa a avó, que trouxe o açúcar que não podia mais usar por motivos de saúde.
Procurando partilhar as alegrias e os sofrimentos dos nossos novos amigos, entendemos o porquê desta espiritualidade ter nascido durante a guerra. Chiara Lubich não esperou por “tempos melhores” para começar a amar de maneira concreta e começou precisamente no meio das dificuldades. Foi uma confirmação de que é possível viver o Evangelho em todas as situações».
Quando se vive o Evangelho/2
Juntos é possível
Alguns dos meus colegas de escola são provenientes de bairros muito pobres, de um estado de marginalização, e haviam feito experiências muito negativas. Eu vivi um ano difícil porque eles me isolaram. Depois de ter feito amizade com um jovem que, assim como eu, queria viver o cristianismo, decidimos ir ao encontro especialmente dos nossos colegas mais pobres ou que têm graves problemas. Diante da nossa escola havia uma comunidade de portadores de deficiência física. Interiormente nos sentimos impulsionados a ir ao encontro deles, para ajudá-los e fazer com que sintam menos solidão e mais felizes. Envolvemos nesta experiência também alguns dos nossos colegas. Vivendo desta forma os últimos dois anos do curso foram realmente repletos de experiências profundas para todos. (G. Z. – Itália).
A mais bela fotografia
Sou fotógrafo profissional e sempre tive um olhar a tudo e a todos sob este aspecto: unicamente profissional. Sempre olhei as pessoas e as coisas ao meu redor como se fossem propriedades minhas. O que Deus e o amor têm a ver com a fotografia? Embora pensando e agindo desta forma, algo não me satisfazia mais no meu trabalho. Um dia, durante um congresso, no momento em que eu faria a foto mais bela da minha vida (nós, fotógrafos, pensamos sempre assim!), alguém pronunciou o meu nome, tocando-me o ombro. Uma decisão difícil: faço a foto ou respondo a quem pode ter necessidade de mim neste momento? Um segundo de suspensão e deixo de lado a máquina fotográfica. Fui invadido por uma alegria imensa! (M. T. Argentina)
Duas sacolas
Caminhando pela rua encontramos uma jovem desesperada: sua mãe partira deixando-lhe uma soma suficiente para três dias, já se passara mais de uma semana e ela não retornara. Decidimos ajudá-la doando tudo o que tínhamos naquele momento. Ela ficou muito surpresa e feliz com a nossa atitude porque, deste modo, poderia comprar alimentos para os seus dois irmãos.
Ao chegarmos a casa recebemos a visita de algumas religiosas que nos trouxeram duas sacolas repletas de alimentos: muito mais do que havíamos doado àquela jovem. Nós vimos a realização da frase do Evangelho: “Dai e vos será dado!” (O. M. F. – Bolívia).
Fonte: O Evangelho do dia, novembro de 2013, Città Nuova Editrice.
