Movimento dos Focolares
Encontro interreligioso inaugura a Semana da Juventude

Encontro interreligioso inaugura a Semana da Juventude

Semana da Juventude, assim foi denominada pelo Papa Francisco, em Roma, na conclusão do Ângelus do domingo, dia 21. Assim inicia o tão esperado encontro dos jovens no Rio de Janeiro, durante uma inteira semana, na qual haverá uma sucessão de momentos de encontros, de festa, de oração, em uma palavra: de vida! Os jovens esperam Francisco que, como todos, ele mesmo carregou a sua bagagem de mão no avião. Mas a semana começou com um programa até então inédito na organização deste tipo de evento.

No domingo, dia 21, foi realizado um “Encontro Interreligioso entre hebreus, muçulmanos e católicos”. Promovido pelo Comitê Organizador Local, o encontro contou com a participação de duzentos jovens delegados, reunidos na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. “Iniciamos a JMJ mirando o seu ponto central: nós podemos acolher as diferenças”, palavras de Josafá Siqueira, reitor da PUC.

Membros dos Focolares estão envolvidos no grupo do diálogo interreligioso que se encontra mensalmente no Rio, e que está na origem desta iniciativa. Victor Gomes, carioca, um dos delegados presentes no encontro nos relata como se realizaram as atividades: “Foram constituídos pequenos grupos com o objetivo de debater diversas questões. Tinham algumas pessoas que nunca haviam feito este tipo de experiência e, após as reuniões, sentiam uma nova esperança. Os líderes das religiões presentes demonstraram muito interesse e muita fraternidade. Entre eles o tratamento era de igual para igual e ninguém se sentia superior aos outros!

Focus: JMJ 2013: festa dos jovens no Rio de Janeiro

Atualizado em 23 de julho de 2013

BF – LH

Serviço de Informação dos Focolares (SIF)

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Encontro interreligioso inaugura a Semana da Juventude

Deixou-nos Piergiorgio Colonneti

Homem profundamente humilde, Piergiorgio Colonneti tinha como característica a capacidade de colocar-se a serviço dos outros, com grande inteligência, profunda escuta e compreensão.

Ele faleceu na manhã do dia 17 de julho, depois de uma doença inesperada, rápida, mas muito grave, cercado pelos seus familiares e pelos focolarinos.

Nasceu em Turim em 1930, conheceu o Movimento dos Focolares em 1956 e depois participou de uma das primeiras Mariápolis, em Fiera di Primiero, na região de Trento (Itália). Em 1957 casou-se com Simonetta. Foram uma das primeiras “famílias focolare

Em 1967 transferiram-se para Roma, quando Piergiorgio foi convidado a trabalhar na fundação da “Ajuda à Igreja que sofre”. Foi chamado por Chiara Lubich, em 1987, a assumir cargos de responsabilidade em várias esferas do Movimento.

«Agradeço ao Senhor pelas imensas graças recebidas desde quando conheci o Ideal [da unidade] até hoje, e pelo tempo que me resta, por “como” eu o poderei viver; mas o que importa é somente a Vontade de Deus, pedindo a Ele, se possível, que eu possa continuar a amá-lo até o último momento» – escreveu no início deste ano. «Esta fase da minha vida, breve ou longa que seja, é cheia de luz e de serenidade, e procuro vivê-la apenas por Deus, pela sua Obra, por toda a Igreja universal, em plena unidade com Papa Francisco». «O importante é fazer apenas o que Ele deseja, e alcançá-lo».

Seu funeral aconteceu no dia 18 de julho de 2013, no Centro Internacional do Movimento dos Focolares, em Rocca di Papa (Roma – Itália).

Encontro interreligioso inaugura a Semana da Juventude

Acender a chama nos jovens

O nosso sistema de educação colocou no mundo homens que não compreendem mais a sociedade na qual devem viver. Esse sistema é destinado a destruir a nossa civilização, e já a está destruindo. É inútil dar a culpa aos políticos, aos homens de negócio, aos advogados… nós demos o primeiro empurrão para que muitos dos nossos jovens entrassem na carreira da criminalidade. É culpa nossa se as ruas estão cheias de delinquentes. Já é tempo de reparar essa loucura. É tempo de reunir essa juventude, tão preciosa para a sociedade, e alimentá-la nas fontes da Vida.

Se os resultados não são bons – quem entre nós pode rejeitar a responsabilidade? Cada um examine a própria consciência e examine a própria filosofia! É porque rejeitamos os ensinamentos da religião que nos é difícil perceber as mutilações mais graves do laicismo. Ter afastado a religião da nossa vida significa ter reduzido a cultura à erudição, a vida à técnica, a ciência aos manuais. Significa ter privado o espírito do homem dos valores do espírito. Significa ter tirado da sociedade os princípios constitutivos, para compor-se e reger-se, ter tirado dela o critério de escolha entre o bem e o mal, com o senso de responsabilidade e a consciência da culpa. Uma cultura sem Deus é uma cultura na qual falta a ideia de um juiz infalível e, portanto, de uma sanção certa e inevitável para todo ato humano. E um cidadão que não crê e ignora uma sanção eterna, facilmente é levado a abusar do irmão, porque ignora tratar-se de um abuso moral. O homem aprende como se faz uma máquina e ignora como ele próprio é feito. Sabe a que serve a atmosfera e ignora a que serve a sua alma.

Educar, formar é acender uma chama. Se desejamos formar jovens capazes de elevar-se acima do ganho financeiro e do prazer sensual, é preciso elevá-los com uma fé superior à matéria e à sensação. O homem eleva-se com um impulso super-humano, que não faz dele um super-homem, mas confirma a sua semelhança com Deus. Esse impulso ascendente chama-se amor de Deus, e gera, por expansão natural, o amor ao homem. Gera fome e sede de justiça, e o jovem, ávido dela, a leva até a sociedade.

A chama acesa deve ser alimentada e o jovem deve ser educado para conservar e aumentar calor e luz; necessita de uma educação que não dura somente a infância, mas acontece do nascimento até a morte: todo o tempo no qual ocorre expandir-se e iluminar. Ela precisa de alimento, e o alimento é variado, são palavras, livros, espetáculos, e são, principalmente, exemplos e experiências. Essa chama viva faz experimentar a graça divina, que orienta aos seres mais atormentados, menos dotados, fracos, derrotados, desprezados, para compensar neles, com a nossa doação, as nossas deficiências. Doar-nos é necessário, como é necessário buscar a saúde mesmo estando doentes, aliás, justamente porque estamos doentes. É preciso que todos concorram a suscitar uma ordem de paz e de força, de colaboração e de altruísmo; tornar-se divulgadores da verdade.

Igino Giordani in: A sociedade cristã, Città Nuova, 2010 (ed. Salesiana, 1942).

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A Igreja e os desafios de hoje / 2

Parte 1

Num rico intercâmbio de opiniões foram avaliados os pontos críticos de quatro continentes. Andrew Recepcion, filipino, presidente da Associação dos missiólogos católicos, representou a Ásia. Num continente onde concentra-se 58,8% do total da população mundial e somente 13,2% é cristã, os principais desafios que a Igreja Católica Romana enfrenta partem do anúncio do Evangelho, desconhecido pela maioria e realizado por meio dos diálogos com as culturas, o que torna a Igreja local realmente presente na vida do povo. E ainda o diálogo com as grandes religiões asiáticas e com os pobres a fim de unir-se a eles na luta por um mundo mais humano.

Outra visão, de outro continente: Martin Nizigiyimana, sacerdote originário da Ruanda, explica a atualidade da Igreja na África partindo de um contexto histórico, no qual deve ser lido «inclusive nos acontecimentos dolorosos, uma crise de crescimento que pede humildade e colaboração, para assumir a responsabilidade histórica do reino de Deus no mundo». Neste contexto a Igreja é chamada a colocar-se a serviço da reconciliação, da justiça e da paz. A África é conhecida pelos seus problemas, mas agora há um novo olhar sobre o continente, indicado por Bento XVI no sínodo de 2009: a África, como «um imenso pulmão espiritual, para uma humanidade em crise de fé e de esperança». Nesse sentido ele citou três experiências significativas do Movimento dos Focolares na África: a ação de nova evangelização em Fontem, na República dos Camarões, a escola para a inculturação em Nairóbi, Quênia, e o testemunho da Mariápolis permanente de Man, na Costa do Marfim, durante a guerra civil.

Da América Latina, em conexão skype de Buenos Aires, José Maria Poirier, diretor da revista Critério, fez uma avaliação sobre o cardeal Bergoglio antes de sua eleição como Papa: «Pouco conhecido pelos meios de comunicação, atento aos relacionamentos pessoais. Homem habituado ao governo e, ao mesmo tempo, fraterno, seja com os sacerdotes seja com os leigos. Homem da cultura do encontro e, portanto, do diálogo». Intuições sobre o direcionamento do papado? Continua Poirier: «Tolerância zero na questão dos abusos, clareza sobre a economia e as finanças vaticanas, mudanças no estilo da Cúria Romana. Propensão para uma relação pastoral entre o Papa e os bispos do mundo inteiro. Preocupação com os pobres, os últimos, aqueles que sofrem por desequilíbrios sociais».

De três países europeus, uma análise interessante. Alemanha, Irlanda e Espanha, cada um atravessado por desafios peculiares na relação igreja-sociedade. Christian Hennecke, encarregado pelo setor da pastoral missionária na diocese de Hildesheim, no norte da Alemanha, evidencia as dificuldades econômicas, a necessidade de crescer na fé, a diminuição das vocações de todos os tipos. Mas é justamente nessa situação que abrem caminho maneiras novas e promissoras de viver na Igreja. Entre as indicadas por Hennecke existe aquela de reforçar o aspecto da Palavra de Deus vivida comunitariamente, consequência de um caminho compartilhado entre a Igreja católica e a protestante.

O que acontece atualmente à Igreja na Espanha? Pergunta-se Manuel Bru, sacerdote jornalista de Madri. Ele individualiza pontos críticos: a diminuição da presença pública da Igreja num contexto de escolhas legislativas contrárias à doutrina da Igreja católica; a redução dos membros inclusive entre os movimentos; o abandono da prática religiosa entre os jovens e entre as mulheres; a perda de entusiasmo nos sacerdotes, com um sentimento de cansaço. Como servir mais à Igreja na Espanha? «Inserir-nos na nova onda de radicalismo evangélico do Papa Francisco, mirando a primazia do amor concreto».

Dom Brendan Leahy, recentemente sagrado bispo de Limerick (Irlanda), traça algumas linhas relativas mundo anglo-saxão. Obrigatória foi a referência ao impacto causado pelos escândalos dos últimos anos. «Por vezes acontecem coisas nas Igrejas que nos levam a dar passos que, de outro modo, jamais daríamos. Neste caso aconteceu a descoberta da função das crianças e adolescentes na Igreja, não tanto como objeto de ação pastoral quanto como sujeitos ativos na vida da comunidade». Diante da cultura cada vez mais secularizada sente-se uma certa polaridade de posições dentro da Igreja: há quem busca o caminho do diálogo e quem segue uma defesa da fé sem compromissos. É necessário ultrapassar as visões ideológicas. Como faz o Papa Francisco: o seu estilo, a espontaneidade dos gestos e a sua liberdade ao se expressar tocam até quem não frequenta a Igreja.

São todos desafios, mas também oportunidades, nas quais percebe-se um caminho a ser percorrido, reconhecendo os “sinais dos tempos”. Trata-se de repensar a história «com um olhar grato ao Espírito Santo que a conduziu no tempo» – como afirmou Maria Voce na abertura dos trabalhos de reflexão. Por detrás das importantes mudanças que estamos assistindo, a presidente do Movimento dos Focolares convida a «evidenciar a gerência do Espírito Santo, a constante capacidade da Igreja de responder a desafios sempre novos».

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A Igreja e os desafios de hoje / 1

O que acontece na Igreja hoje? Como vocês enfrentam os desafios da transmissão da fé às novas gerações, os escândalos ocorridos em vários países, o abandono da fé no continente europeu? Como captar a vitalidade e os talentos que provêm da Ásia e da África?

São as questões basilares que animam a reflexão do grupo de especialistas no campo eclesial e do mundo da comunicação composto por sacerdotes, religiosos e leigos que atuam em vários setores (missiologia, eclesiologia, educação, nova evangelização, culturas juvenis) e em diversas partes do mundo, que reuniram-se no mês de junho em Castelgandolfo (Roma – Itália). Desafios tomados em nível universal e segundo grandes áreas geográficas, que nos diferentes contextos adquirem fisionomias variadas, mas que, em seu conjunto, podem contribuir para dar uma visão daquilo que a Igreja deve enfrentar. Não faltou a visão sociológica, que abordou as questões em nível macro e micro às quais não apenas a Igreja mas toda a sociedade deve levar em conta: a gestão da complexidade no panorama globalizado, o novo quadro das relações e a criação de coesão social. O evento de Pentecostes 2013 foi avaliado como um envolvimento dos movimentos na perspectiva indicada pelo Papa: “ir para fora”, ao encontro do homem.

Este evento, promovido pela revista de vida eclesial Gen’s, chegou à sua terceira edição dias 12 e 13 de junho passado. Este ano também a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, interveio na abertura dos trabalhos. Ela salientou que o «impulso que vem do novo Papa a essa visão mais próxima a todos os homens, mais sóbria, mais simples», para o Movimento «deve significar o compromisso sempre renovado de edificar e de apresentar aquela Igreja-comunhão que o carisma [da unidade] nos permite viver, comunhão com Deus e com toda a humanidade. É o convite constante do Papa Francisco a “ir para fora”, que também nós sentimos de modo especial. Ser Igreja-comunhão e apresentar-se como tal, inclusive fora das estruturas estritamente eclesiais». E Giancarlo Faletti, copresidente dos Focolares, recordou a «paixão pela Igreja» que sempre animou Chiara Lubich, especialmente no período logo após o Concílio Vaticano II, convidando todos a continuar a reconhecer a ação do Espírito Santo que guia o povo de Deus.

O desafio das novas gerações e, de consequência, da educação, emerge com força, e um exemplo disso é a recente Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Cultura sobre as culturas jovens emergentes. Nela foram colhidos os elementos amadurecidos a partir do protagonismo dos jovens, da linguagem juvenil e do conhecimento do universo juvenil para a transmissão da fé cristã.

«Cinco palavras para a minha Igreja», foi o sugestivo título da palestra do teólogo Piero Coda, em conexão Skype  do Instituto Universitário Sophia, do qual é o reitor, na Mariápolis internacional de Loppiano. As palavras «sequela, povo de Deus, espírito e ethos», são compreendidas por ele como linhas de desenvolvimento da Igreja de hoje. «O Espírito Santo é capaz de gerar novas energias para responder às questões mais urgentes da humanidade» – explicou -. «É ele que leva adiante a Igreja, e às vezes o faz com mudanças bruscas. E nós, que não somos maleáveis, temos a impressão de ter que começar tudo do começo, mas devemos observar o caminho do Espírito Santo na Igreja».

Continua.

Julho 2013

“Toda a lei se resume neste único mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.”

Todavia, a pessoa que ama não só evita o mal. Quem ama se abre aos outros, deseja o bem, pratica o bem, sabe doar-se: chega a dar a vida pela pessoa amada.

Por isso Paulo escreve que, amando o próximo, não só se cumpre a lei, mas se cumpre “toda a lei”.

“Toda a lei se resume neste único mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.”

Se toda a lei está contida no amor ao próximo, precisamos ver os outros mandamentos como meios para nos iluminar e guiar a fim de sabermos encontrar, nas complexas situações da vida, o caminho para amar os outros; precisamos saber descobrir nos outros mandamentos a intenção de Deus, a sua vontade.

Ele quer que sejamos obedientes, castos, mortificados, mansos, misericordiosos, pobres… para concretizarmos melhor o mandamento da caridade.

“Toda a lei se resume neste único mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.”

Poderíamos nos perguntar: por que o Apóstolo não fala também do amor a Deus?

O fato é que o amor a Deus e o amor ao próximo não competem entre si. Um deles, o amor ao próximo, é até mesmo expressão do outro, do amor a Deus. Com efeito, amar a Deus significa fazer a sua vontade. E a sua vontade é que amemos o próximo.

“Toda a lei se resume neste único mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.”

Como colocaremos em prática essa Palavra?

É evidente: amando o próximo; amando o próximo de verdade.

Isso significa: doar-se, mas doar-se a ele de modo desinteressado.

Não é amor instrumentalizar o próximo por objetivos próprios, ainda que estes sejam os mais espirituais, como por exemplo, a própria santificação. Devemos amar o próximo, não a nós mesmos.

Porém não resta dúvida de que, quem ama dessa maneira, chega realmente à santidade; torna-se “perfeito como o Pai”, porque realizou a melhor coisa que podia fazer. Atuou de modo certeiro a vontade de Deus, colocou-a em prática: cumpriu toda a lei.

Porventura no fim da vida não seremos examinados unicamente sobre esse amor?

Chiara Lubich


Este comentário à Palavra de Vida foi publicado originalmente, em junho de 1983.