Movimento dos Focolares

Junho 2013

“Se, fazendo o bem, sois pacientes no sofrimento, isto vos tornará agradáveis diante de Deus.

 A estas pessoas, o apóstolo recomenda não ceder à reação instintiva que poderia se manifestar nestas situações, mas imitar o comportamento de Jesus. Exorta-os antes a responder com amor, vendo também nestas dificuldades e incompreensões uma graça, ou seja, uma ocasião permitida por Deus para dar mostras do verdadeiro espírito cristão. Além de tudo, deste modo poderão conduzir a Cristo, por meio do amor, também aquele que não os compreende.

“Se, fazendo o bem, sois pacientes no sofrimento, isto vos tornará agradáveis diante de Deus.

Sempre existem aqueles que, partindo destas palavras ou de outras semelhantes, pretendem acusar o cristianismo de favorecer uma atitude de excessiva submissão, capaz de entorpecer as consciências, tornando-as menos ativas contra as injustiças. Mas não é isto que acontece. Se Jesus nos pede que amemos até mesmo aqueles que não nos entendem e nos maltratam, isto não significa que deseja nos tornar insensíveis diante das injustiças. Pelo contrário! Ele quer nos mostrar como é que se constrói uma sociedade verdadeiramente justa. Isto se torna possível quando difundimos o espírito do verdadeiro amor, começando nós a dar o primeiro passo no amor.

“Se, fazendo o bem, sois pacientes no sofrimento, isto vos tornará agradáveis diante de Deus.

 Como podemos viver, então, a Palavra de Vida deste mês? São muitos os modos pelos quais também nós, atualmente, podemos ser incompreendidos e maltratados: vão desde as faltas de delicadeza e grosserias às críticas maliciosas, às ingratidões e ofensas, chegando até a verdadeiras injustiças. Pois bem, também em todas essas incompreensões devemos testemunhar o amor que Jesus trouxe à Terra, amor que se dirige a todos e portanto até mesmo a quem nos trata mal. A Palavra deste mês ensina que, mesmo na defesa legítima da justiça e da verdade, nunca devemos nos esquecer que nosso primeiro dever, como cristãos, é amar o outro, isto é, ter em relação a ele aquela atitude nova, feita de compreensão, de acolhimento e de misericórdia que Jesus teve em relação a nós. Deste modo, mesmo quando defendemos nossas razões, jamais romperemos o relacionamento, jamais cederemos à tentação do ressentimento ou da vingança. E agindo assim, como instrumentos do amor de Jesus, nós também estaremos em condições de conduzir o nosso próximo a Deus. Chiara Lubich

Dom Giuseppe (Pino) Puglisi

Dom Giuseppe (Pino) Puglisi

A beatificação de Pe. Pino Puglisi, no 25 de maio de 2013, torna-se símbolo da luta contra todas as máfias e as escravidões de hoje. O percurso dos jovens dos Focolares nos caminhos da legalidade.

«Eles não podem fazer isso! Não podem fazer de nós, irmãos, escravos!» Ressoam as palavras do Papa Francisco durante o Ângelus, no dia 26 de maio, ecoando o anátema que João Paulo II dirigiu aos mafiosos do Vale dos Templos, em Agrigento, em 1993, poucos meses antes que Pe. Pino Puglisi fosse assassinado. Hoje, depois de vinte anos da sua morte, Pe. Pino Puglisi foi proclamado beato, em Palermo (Itália).

Ele foi assassinado no dia 15 de setembro de 1993 pelos sicários da família mafiosa que dominava o bairro Brancaccio, onde Pe. Pino vivia e trabalhava incessantemente como pároco na igreja de São Caetano, “educando os jovens segundo o Evangelho” e, desta maneira, salvando-os da delinquência: assim ele foi lembrado pelo Papa Francisco. Entre os oitenta mil participantes da cerimônia de beatificação, estavam também inúmeros membros do Movimento dos Focolares que fizeram questão de participar, especialmente os jovens e adolescentes, provenientes de diversas cidades da Sicília.

A cerimônia em Palermo para a beatificação do Pe. Pino fora estabelecida há muito tempo. De fato, os Jovens por um Mundo Unido, desde aquela época se empenharam na iniciativa pela legalidade do Projeto Itália e queriam reunir-se por ocasião desta celebração para viver uma ulterior experiência de partilha com todos em Palermo, e em outras localidades, que se empenham pela legalidade. E, enquanto o Pe. Pino era declarado beato na Sicília, em Milão, uma centena de jovens participantes da “Iniciativa pela legalidade”, se reuniram para debater sobre o fenômeno máfia, discutir acerca das suas origens e comportamento e, por outro lado, estudar juntos as estratégias para combater o seu desenvolvimento.

A próxima reunião dos jovens italianos pertencentes ao Movimento dos Focolares será em Caserta (29 de julho a 2 de agosto de 2013): lá se reunirão para partilhar as experiências e os resultados do aprofundamento que, nestes meses, estão se consolidando sobre três temáticas conexas à legalidade: a acolhida aos imigrantes, a defesa do meio ambiente e o trabalho.

O empenho pela legalidade na Sicília, por parte dos Focolares, tem as origens em tempos passados. Também Chiara Lubich, em 1998, em Palermo, tivera a ocasião de expressar-se acerca desse assunto, depois de uma explícita pergunta de algumas pessoas. Ela sugeriu e encorajou a união de todas as pessoas que são sinceramente compromissadas com o bem comum, a começar pelas associações e movimentos católicos, para construir a “civilização do amor” e oferecer uma crescente consciência e consistência a todos que se empenham, dia após dia, a contrastar a destrutiva presença mafiosa.

O percurso percorrido nestes anos certamente produziu resultados: junto aos Jovens por um Mundo Unido e aos membros do Movimento Juvenil pela Unidade, viajam também nos mesmos ônibus, jovens e adolescentes de outros grupos e associações que partilham o mesmo anseio de um mundo mais unido e fraterno.

E, ainda – além do testemunho da rede construída exatamente em Palermo durante esses anos – os jovens e os adolescentes tiveram, naquela tarde, duas reuniões muito significativas. A primeira, na sede da Associação Livre, para aprofundar o conhecimento da atividade daqueles que trabalham nos terrenos confiscados pela máfia, a segunda, na sede da Comunidade de Santo Egídio (Comunità di Santo Egidio), que os recebeu para um momento de diálogo com alguns testemunhos da vida de Pe. Pino. Naquela ocasião os adolescentes do Movimento Juvenil pela Unidade, de Palermo, expuseram também a atividade que eles desenvolvem na própria cidade e, especialmente, no bairro di Brancaccio, onde eles pintaram murais maravilhosos – exatamente na pequena praça onde Pe. Pino foi assassinado – e que, depois de muitos meses, restam ainda intactos. Nesses murais, eles escreveram claramente: “A Regra de Ouro: Faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você.

Dom Giuseppe (Pino) Puglisi

Cristãos e muçulmanos unidos no amor a Deus e ao homem

O professor Mohammad Shomali, que exerce uma grande atuação no campo do diálogo inter-religioso, é o Decano dos Estudos de especialização no Departamento Internacional da Jami’at al-Zahra e diretor do Instituto Internacional dos Estudos Islâmicos di Qum, no Irã.

Graças a ele foram organizados diversos momentos de diálogo entre muçulmanos xiitas e monges beneditinos e entre xiitas e menonitas.

Ele foi o guia de três delegações de estudantes do Irã que, durante o mestrado e o doutorado, visitaram Roma para ter contatos espirituais com o mundo cristão. Recentemente o Prof. Mohammad passou, mais uma vez, por Roma com um grupo de estudantes e solicitamos uma entrevista. Publicamos duas das respostas:

Professor, recentemente o senhor liderou uma delegação de mulheres iranianas durante uma visita em Roma. Qual foi a experiência que o senhor viveu? E qual a experiência delas?

«No mês de maio de 2013, com a minha mulher, eu acompanhei um grupo de dez mulheres, estudantes que fazem mestrado ou doutorado no maior seminário teológico para mulheres no Irã (Qum), Jami’atul Zahra. Esta foi a sétima visita à Itália e foi a de maior sucesso (…) porque, com o passar do tempo, foi construída uma confiança recíproca, estabeleceu-se uma relação de amizade e, portanto, pode-se aprofundar o nível do diálogo e da amizade».

Qual è sua experiência de diálogo com o Focolare e quais são as suas características?

«(…) Para nós este Movimento representou a porta aberta em direção ao cristianismo. De fato, com os amigos do Focolare nós nos sentimos à vontade, graças ao sentido de compromisso que eles têm diante de Deus, sentido de amor profundo a Deus e, ao mesmo tempo, uma atitude de grande abertura. (…) Nota-se que eles fazem bem a própria parte para que nós nos sintamos à vontade e, ao mesmo tempo, asseguram que juntos possamos fazer o bem.

Tenho a convicção de que o carisma de Chiara Lubich, a sua espiritualidade, seja um dom de Deus para o século XX e esperemos que possa produzir ainda mais frutos no decorrer do século XXI. Pessoalmente aprecio muito a ideia da unidade no sentido de agir em comunidade. Devemos pensar juntos, elaborar juntos os programas comuns, trabalhar unidos.

Esta ideia é muito semelhante a um aspecto que, parece-me, é o ponto central da mensagem do Islã, especialmente na escola de  Ahlulbayt (parte do Islã xiita), que evidencia e se concentra muito no amor que deveria existir entre os fiéis.

Por este motivo eu acho a espiritualidade do Focolare muito interessante. Aquilo que dizem e aquilo que demonstram com o próprio comportamento confirma que podemos obter grandes resultados se temos um verdadeiro amor a Deus e ao próximo».

Dom Giuseppe (Pino) Puglisi

Francisco: a cultura do encontro

«Momento de emoção profunda, íntimo e sereno». Com estas palavras Maria Voce descreveu o clima experimentado na Santa Missa celebrada pelo Papa Francisco na capela da Casa Santa Marta, para a qual havia sido convidada juntamente com o copresidente do Movimento, Giancarlo Faletti.

Particularmente tocantes foram as palavras do Papa na homilia – referentes ao Evangelho do dia (Mc 9,30-37) – na qual reafirmou que para o cristão progredir significa rebaixar-se, e que na Igreja o poder é serviço: «O verdadeiro poder é serviço. Como fez Ele, que não veio para ser servido mas para servir, e o seu serviço foi exatamente o serviço da Cruz. Ele abaixou-se até a morte, à morte na Cruz, por nós, para servir-nos, para salvar-nos. E não existe na Igreja nenhum outro caminho para progredir. Para o cristão, ir adiante, progredir, significa rebaixar-se. Se nós não aprendemos essa regra cristã, jamais, jamais poderemos entender a verdadeira mensagem de Jesus sobre o poder».

Ao cumprimentá-lo, após a Santa Missa, Maria Voce exprimiu ao Papa as orações e a gratidão de todo o Movimento dos Focolares: «Todos procuramos viver ao pé da letra o que o senhor diz, especialmente ir ao encontro dos homens para que encontrem Cristo». «É o que precisamos – respondeu o Santo Padre – a cultura do encontro!».


Vídeo: Papa Francisco celebra a Missa, Casa Santa Marta 21.5.2013

Dom Giuseppe (Pino) Puglisi

Maria Voce: «novidade» é a palavra que nos desafia

«Foi maravilhoso poder dar ao Papa Francisco a certeza de que ainda hoje existe uma força vital na Igreja, apesar de todas as dificuldades», afirmou Maria Voce na entrevista concedida à Rádio Vaticana, quando explicou quais confirmações e novidades obteve desse encontro especial.

«Certamente fomos confirmados no compromisso em viver o nosso carisma, porque sentia-se fortemente quanto a comunhão é a característica essencial da Igreja hoje, por isso parece-me que o nosso carisma de comunhão foi salientado para nós como uma necessidade de serviço à Igreja. Isso foi confirmado também vendo com que alegria nos reencontrávamos, assegurávamos nossas orações, nos interessávamos um pelo outro…».

«Fomos renovados na coragem de enfrentar o mundo, porque certamente cada movimento possui este impulso interior que o Papa Francisco está sublinhando fortemente, de ir ao encontro dos outros, de colocar-se à disposição da Igreja, servir os últimos. Escutar isso, dito com tanta força pelo Papa, foi como dar-nos a coragem de dizer: somos pequenos, somos frágeis, mas apesar de tudo Jesus nos guia, Ele está conosco, o Papa nos envia, podemos ir…».

Olhando adiante, neste caminho que diz respeito aos vários carismas e movimentos, o Papa colocou em guarda contra o particularismo e a homologação, e confiou a eles três palavras: harmonia, novidade, missão. Concretamente, o que isso significa para a senhora?

«Impressionou-me muito a palavra “novidade”, porque todos podemos ser tentados a apoiar-nos na segurança pelo caminho já percorrido, pela experiência acumulada, e o Papa, ao contrário, nos desafiou a acolher as surpresas do Espírito, a escutar bem o que Ele nos pede e a segui-lo pelas estradas do mundo».

Fonte: Radio Vaticana – Rádio Jornal de 21.05.2013, edição das 19h30.