25 Jan 2012 | Sem categoria
Um ano inteiro de Economia de Comunhão: os dados e as notícias que se encontram no Relatório Edc vão de setembro de 2010 a setembro de 2011. O relatório está dividido em três partes: as empresas, a cultura de comunhão e os pobres invocando, dessa forma, os “3 terços” da divisão dos lucros, ponto fundamental do projeto Edc. Dados numéricos e gráficos muito coloridos e de simples interpretação acompanham a história do vigésimo ano do projeto, com as vozes dos protagonistas. Importante ressaltar o anexo que contém a sondagem sobre a Edc “Identidade e futuro” realizada por Simona Di Ciaccio durante a Assembleia Internacional de maio de 2011 no Brasil. O Relatório está disponível online: todos estão convidados a baixá-lo e a conhecê-lo. Boa leitura! O Relatório pode ser baixado aqui (por enquanto somente em italiano)
20 Jan 2012 | Sem categoria
“Aí vai um punhado de versos sobre a nossa passagem pela Sardenha no final de 2011” – escreveu Tomek Mikusiński à redação de WWW.focolare.org, desejando-nos um ano “frutuoso e cheio de boas comunicações”. Um ano que se prevê rico de eventos e novos projetos para o grupo internacional. “Atualmente estamos gravando um cd com músicas novas, que esperamos encontre espaço, até o final de março, nas lojas de discos da Itália e fora – contou ainda Tomek –, e que vai acompanhar a turnê com o concerto “Dimensão Indelével”, revisitado e ulteriormente modernizado, do ponto de vista artístico”.
E antecipou alguma novidade: “Paralelamente estamos terminando o novo musical, e esperamos que ele possa sair à vida pública até o fim de 2012 ou início de 2013…”. Terminado este período, que o Gen Rosso definiu como “trabalho em casa”, até o dia 14 de março, o grupo partirá para a Espanha, onde estará quase dois meses, para depois viajar por três continentes, em turnês mais ou menos longas: a Europa, com República Tcheca, Bélgica e Alemanha, depois China e Austrália. E fazendo um passo atrás, vamos ao último show do ano, em Villacidro (a 50 km de Cagliari, na Sardenha – Itália). No dia 29 de dezembro o Gen Rosso apresentou o concerto “Dimensão Indelével” no contexto da XXV Marcha da Paz, e no cenário dos recentes acontecimentos em países como a Nigéria e a Síria, que mostram como o caminho da paz ainda precisa ser fortemente apoiado.
O tema da marcha era “Educar os jovens para a paz”, dado por Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro. Participaram do concerto – momento conclusivo da Marcha – mais de duas mil pessoas, dentro de um galpão normalmente utilizado como mercado de vendas no atacado. “O cenário era bastante insólito para atividades artísticas (e não foram poucos os problemas técnicos) – contaram do Gen Rosso – mas o calor e o entusiasmo dos jovens sardos fez com que esquecêssemos logo todas as dificuldades”. “Um outro mundo é possível, uma outra humanidade já vive… Obrigada, de coração!”, escreveu alguém após o show.
No dia seguinte, 30 de dezembro, na zona industrial, um dia de reflexão e compromisso para os jovens sardos. O evento foi conduzido pelos Jovens por um Mundo Unido que, juntamente com o Gen Rosso, dirigiram as oficinas e workshops, com jovens vindos de várias partes da Sardenha. “Obrigado Gen Rosso!!! Show maravilhoso… ‘obrigado’, de todo o povo da Sardenha… uma gratidão sem fim!!!
16 Jan 2012 | Sem categoria
«Vindo aqui, explodiu algo. Explodiu esta ideia: realmente Deus nos deu um novo ecumenismo. Antes havia o ecumenismo da caridade, isto é, o diálogo da caridade, como quando Atenágoras levava presentes ao Papa, e o Papa levava presentes a Atenágoras; como quando Ramsey levava presentes ao Papa, o Papa dava presentes… como um sinal de amizade. Depois havia o diálogo da oração, onde todos rezamos juntos, sobretudo na Semana pela unidade. E ainda havia o diálogo teológico, que está travado em muitas partes, também aqui na Inglaterra… está travado. Nós percebemos, sobretudo vindo aqui, que temos um quarto diálogo, uma quarta linha. O nosso diálogo é o diálogo da vida, o diálogo de um povo que já é católico, anglicano, luterano, reformado… de um povo que já está unido e que é um povo… É “o” povo cristão do ano 2000, de agora. Este é o nosso modo de fazer ecumenismo: despertar nos cristãos o seu instinto cristão, unirmo-nos, porque a garrafa está quase cheia, e fazer crescer este povo. O Papa já nos tinha dito há anos: “Vocês são um povo”, mas ele o dizia referindo-se ao número. Agora quadruplicamos. Mas nós pensamos assim: que povo é? É o povo cristão. O povo… somos nós; somos nós. Eu dizia outro dia, falando aos focolarinos, estavam presentes Lesley e Callan(*): “Mas quem me separará de Lesley e de Callan? Ninguém, porque Cristo nos uniu! Jesus no meio nos uniu. Ninguém nos separará!”. Pois bem, quem fala assim no mundo cristão em geral entre ortodoxos e católicos e luteranos? Todos seguem a sua linha. Todos seguem a própria Igreja, naturalmente; é preciso fazer assim. E cuidam das pessoas da própria Igreja, da própria corrente, da própria denominação; mas quem diz: “Ninguém me separará, porque Cristo nos uniu”? O fato é que Cristo nos uniu e fez de nós um único povo. Esta é a pequena “bomba” que explodiu aqui na Inglaterra. Caríssimos, muito obrigada pelos aplausos. Nunca agradeço os aplausos, mas é sinal de que vocês aceitam o que eu disse, que aceitamos». Chiara Lubich, Londres, 16 de Novembro de 1996 – à comunidade dos Focolares da Grã-Bretanha e Irlanda (*) Focolarinos anglicanos
16 Jan 2012 | Sem categoria
“Gosto de estar entre as crianças porque são os que interpretaram da melhor maneira o meu Ideal!”, escreveu Chiara Lubich em 1955. As crianças que vivem o Ideal da unidade são hoje mais de 16 mil, em todos os continentes. Numa época de emergência educativa, são uma resposta viva aos muitos questionamentos sobre a educação que os adultos se colocam, porque, juntamente com seus assistentes, testemunham uma nova relação, o amor recíproco, como disse Jesus: “Amai-vos como eu vos amei”. E foi este o título da escola que reuniu em Castelgandolfo, de 27 de dezembro a 3 de janeiro, uma parte dos encarregados pela formação dos Gen 4 – as crianças do Movimento dos Focolares -, 180 pessoas, vindas inclusive dos Estados Unidos, Brasil, Vietnã, África do Sul – alguns com viagens de até 30 horas – e outros conectados na internet, no mundo inteiro.
Crianças bombardeadas por mensagens frequentemente de-formativas, que não as respeitam nas características de sua idade: como dar a elas uma formação seja humana que cristã? Situações difíceis vividas em família, que provocam a perda da confiança nos adultos e, de consequência, em Deus. Como fazer com que experimentem o amor de Deus? Estas algumas das questões sobre as quais refletiram durante a semana de formação. “O nosso modo de transmissão começa por nós mesmos – sintetizam os organizadores – por sermos os primeiros a colocar o Evangelho em prática”.
Um intercâmbio vivo de ideias e de experiências, aprofundamentos temáticos e psicopedagógicos na luz da espiritualidade coletiva, experimentos, tutela da infância, trabalhos em grupo e diálogos na plenária, num clima de grande dedicação às crianças, renovaram o desejo de colocar-se com todas as forças nesse jogo. “Os gen 4 viam os maiores, adolescentes e jovens, que se mobilizavam pela sua cidade, o Cairo – contaram os formadores do Egito presentes no encontro – e queriam de qualquer jeito fazer algo também. ‘Por que não levar a paz e a alegria?’, nos perguntamos. Compramos flores para dar às pessoas que passavam. Antes de ir para as ruas os e as gen 4 pensaram em que frase iriam dizer ao entregar as flores: ‘Quando comer um bombom, se você ama o Egito, não jogue o papel no chão!’, ou outras como essa. Muita gente, seja cristãos seja muçulmanos, ficava de boca aberta… um gari disse a uma gen 4: ‘Uma flor para mim?’. ‘Sim, porque quero bem a você!’, e ele, comovido: ‘É a primeira vez que alguém me dá uma flor’”. Uma história tocante, do Brasil. Cristina, uma gen 4, tem uma doença que provoca insuficiência cardíaca. Neste verão quase perdeu a vida por um ataque cardíaco muito grave, e os médicos a submeteram a muitos exames. Cristina é sempre muito serena, porque depois de ter conhecido a história de Chiara Luce Badano já não tem medo das consultas e terapias que deve suportar. Num desses momentos de conversa com os médicos, um deles disse-lhe: ‘Você sabe que ontem esteve bem na porta do Paraíso?’. E ela: ‘Sim, eu sei, mas não entrei porque a minha mochila ainda não está bem cheia de atos de amor’. Depois dessa resposta o médico quis saber algo a mais sobre a sua vida. Estes, alguns dos depoimentos dados durante a semana de trabalho a serviço das novas gerações. Um itinerário formativo complexo e delicado, conduzido em colaboração com as famílias e especialistas em vários campos, e que interpela todos nós.
15 Jan 2012 | Sem categoria
Pode-se considerar o dia 21 de fevereiro de 1966 a data do início do Movimento dos Focolares em Portugal. Nesse dia, por desejo da própria Chiara Lubich, duas jovens brasileiras chegaram a Lisboa para “abrir” o focolare, para que pudesse dar acolhida os primeiros focolarinos que chegavam ou partiam da Europa, visto que, naquela época, todos os voos para a América do Sul faziam escala naquela cidade. Em 1967 chegaram também os focolarinos, dando inicio ao segundo focolare.
Foram muitas as pessoas que conheceram a espiritualidade da unidade naqueles anos, em Portugal, adultos, leigos, religiosas e sacerdotes, mas foram principalmente os jovens que, atraídos por uma vida evangélica simples, mas totalitária, lançaram-se com entusiasmo, comunicando a nova descoberta que havia preenchido suas vidas: “Deus é amor, Deus nos ama imensamente”. Impulsionados pela presença de Jesus entre eles, sem distinções de idade ou de extração social, trabalhavam em bairros pobres, organizavam eventos e espetáculos musicais onde transmitiam o Ideal da unidade, com a convicção de poder contribuir na construção de um mundo mais unido. Foi assim que nasceu uma comunidade semelhante à dos primeiros cristãos, onde tudo era partilhado: bens espirituais e materiais, sofrimentos e alegrias.
No dia 25 de abril de 1974, com a queda da ditadura de Salazar, terminou a guerra colonial que durara 13 anos. O Movimento teve então uma grande expansão: as Mariápolis – encontros típicos dos Focolares – contavam até milhares de pessoas; da mesma forma as jornadas para os jovens, em Lisboa e no Porto. Multiplicaram-se as vocações ao focolare e a outros compromissos assumidos no Movimento, que assim começou a se consolidar.
Atualmente o Movimento tem mais de 2 mil membros e milhares de simpatizantes, que aderem à sua espiritualidade, em todo o país (inclusive nas ilhas), com dez focolares (em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro), e a Mariápolis Arco Íris, a 50 quilômetros de Lisboa, coração do Movimento em Portugal.
Alguns dos pioneiros do Movimento dos Focolares em Portugal já não estão entre nós, mas o seu testemunho deixou o perfume do autêntico amor evangélico. Outros colocaram a própria vida à disposição de Deus, para construir a unidade e a fraternidade universal no mundo. Hoje existem focolarinos portugueses no Japão, Vietnã, Paquistão, Líbano, Síria, Brasil, Chile, Paraguai, Estados Unidos, Canadá, França, Áustria, Itália, Suíça, Bélgica…
Editoria. Como instrumento de difusão e formação à espiritualidade, nasceu a Editora Cidade Nova, em 1973. Com textos de Chiara Lubich e de outros autores, até agora foram publicados cerca de 80 títulos. Em 1976 foi lançada a revista Cidade Nova, que desde 2006 é publicada mensalmente.
Âmbito eclesial. O Movimento dos Focolares em Portugal caracteriza-se pela participação em diversas atividades e organizações eclesiais, a nível local e nacional. Faz parte do Conselho Nacional das Associações dos Leigos, está presente nas comissões diocesanas da pastoral da família, dos jovens e do ecumenismo.
Âmbito social. A ONG Ações por um Mundo Unido (AMU/Portugal), sustenta várias atividades em bairros carentes e com dificuldades de integração. Promove ainda microprojetos de autodesenvolvimento nos PALOP (países africanos de língua portuguesa), e concede bolsas de estudo a jovens desses países.
Família. O Movimento Famílias Novas desenvolve – como em muitas partes do mundo – o projeto “Sustento à distância”. Em Portugal são 73 as crianças africanas, asiáticas e latino-americanas que recebem apoio.
Economia de Comunhão. Suscitada por Chiara Lubich em maio de 1991, no Brasil, como uma resposta aos graves problemas de desequilíbrio social e econômico, a EdC expandiu-se também em Portugal, com 12 empresas que livremente decidiram investir os seus lucros em três frentes: ajudas aos mais necessitados, formação a uma “cultura da partilha”, e no desenvolvimento da própria empresa. No Polo Empresarial “Giosi Guella”, inaugurado em 2010 e situado na Mariápolis Arco Íris, estão representadas algumas delas. A Associação por uma Economia de Comunhão e a AMU/Portugal promovem também uma reflexão teórica sobre a EdC, com encontros e fóruns que reúnem, regularmente, especialistas na área financeira e social.
A Mariápolis Arco Íris, situada em Abrigada, no município de Alenquer, nasceu em 1997 e é muito apreciada pela Igreja e pelas autoridades civis locais, que a consideram de interesse público. O cardeal patriarca de Lisboa, presente na sua inauguração, manifestou os votos de que seja “um ponto fixo de unidade, na comunhão, para demonstrar que a unidade entre todos é possível”.
Seus moradores são cerca de 50: adultos, famílias, jovens, crianças, e um sacerdote que, por desejo do cardeal, é também o pároco de Abrigada. É um laboratório aberto, onde procura-se atuar a espiritualidade da unidade através de experiências concretas do Evangelho vivido. Um ponto de irradiação que vai além dos membros do Movimento, especialmente entre os jovens que todos os anos, no dia 1º de maio, reúnem-se em centenas, para um dia de intercâmbio e de festa. Espaço privilegiado de diálogo com o mundo civil e com pessoas de outras convicções e culturas.
12 Jan 2012 | Sem categoria
História e profecia: os dois olhos com os quais a humanidade contempla o cenário do seu drama. Um olha o passado e outro olha o futuro, para regular o presente. Poder-se-ia dizer que a profecia é a visão de Deus, a história é a visão do homem; assim a história é um epitáfio de decaídos e a profecia é o anseio de liberação da morte à vida: um anseio pela paz. E Cristo veio, e sobre o seu berço, na noite dos tempos, os anjos cantaram: “Glória a Deus no alto dos céus e paz na terra aos homens”. Aquilo que é a glória para Deus no Céu é a paz para os homens na terra. A paz é a glória dos homens; a glória é a paz de Deus. Agora Cristo induz à paz: “Cristo é a nossa paz…, artífice de paz”, vindo para “trazer a boa nova da paz”, como diz Paulo aos romanos, gente de guerra. A sua revolução é a descoberta do irmão, feita com a luz da caridade, e o fruto da caridade é a paz. A sua lei é o perdão, e o perdão rompe os impulsos da guerra. Em quem promove a guerra ela mesma denuncia um ateísmo efetivo, uma revolta contra Deus. Uma das bem-aventuranças evangélicas proclama: “Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus”. Os pacíficos são os feitores da paz, porque a paz se faz, se produz, e é o objeto mais precioso no ciclo de produção da civilização. O cristão é um produtor de paz, que a reconstrói indefinidamente no tecido dos séculos, isto é, reconstrói a vida, sem tréguas, fazendo “guerra à guerra”, como diz Pio XII, para combater o seu inimigo que é a morte.
Mas existe paz e paz. Há uma que é vida, há outra que é morte. “Eu vos deixo a paz – diz Jesus – dou-vos a minha paz, não aquela que o mundo dá”. Aquela do mundo é imposta pela guerra, a de Cristo é uma dádiva do amor. A esse respeito, a paz e a guerra brotam do coração de cada um de nós. No mundo, muitos povos ainda repetem, com os profetas: “Esperamos a paz e não possuímos o bem; esperamos a hora da cura e do remédio aos males sofridos, e eis novos temores e perturbações; esperamos a luz e estamos ainda nas trevas… esperamos a justiça e não existe, a saúde e ela ainda está longe de nós”. Civilização e paz se identificam, como guerra e barbárie se acompanham. Hoje é necessária uma profecia – isto é, uma visão de amor e de racionalidade – que grite sobre a cabeça dos responsáveis os perigos iminentes aos quais a sua insipiência – e seus medos – podem expor-nos. Se o sangue de Cristo correr na humanidade ele nos libertará do mal. À cidade do homem hoje, como à Jerusalém de ontem, Ele continua a dizer: “Oh, se tu soubesses – e justamente nesse dia – o que é preciso para a tua paz!”. Exatamente nesse dia: porque não há mais tempo a perder. Para a paz é necessária a racionalidade humana com a racionalidade divina, que é substancialmente caridade. O sangue da Redenção, que nos faz consanguíneos de Cristo e, portanto, consanguíneos entre nós, impele-nos a recompor-nos em família, em comunidade. A chegar à unidade. E, além disso, está operando uma unificação universal. Únicos e comuns são os ideais de liberdade, de justiça e de paz que hoje agitam negros e amarelos, proletários e trabalhadores de qualquer lugar e posição. Sobre toda a sua agitação, que compõe a história dramática do nosso tempo, faz-se cada vez mais urgente o convite profético de Cristo: “Que todos sejam um!”. Igino Giordani