Movimento dos Focolares
Reportage

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7 Novembro 2011
Com os jovens católicos holandeses, as comunidades dos Focolares dos países nórdicos e os habitantes da Mariápolis Marienkroon. O terceiro dia de Maria Voce e Giancarlo Faletti na Holanda. Alegria entre irmãos.
Feliz aniversário, Holanda! 7 Novembro 2011 A festa dos 50 anos do Movimento dos Focolares nos Países Baixos.   
6 noviembre 2011
La Presidente de los Focolares se reúne con las comunidades del Movimiento de Noruega, Suecia, Finlandia, Dinamarca, Islandia y Holanda. Diálogo con algunos obispos católicos. Encuentro cara a cara con los jóvenes.

4 noviembre 2011
Los responsables del Movimiento de los Focolares de visita a las comunidades de Holanda. Se empieza por Marienkroon, antiguo centro de espiritualidad cistercense, actualmente ciudadela de los Focolares.

   

4 Novembro 2011
Os responsáveis do Movimento dos Focolares visitam a Holanda, começando por Marienkroon, um ex-centro de espiritualidade cisterciense, agora Mariápolis permanente.
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Espiritualidade da unidade: Jesus Abandonado

Ave Cerquetti, 'Crocifissione' - Lienz (Austria) 1975

No ano 2000, num discurso, Chiara Lubich recorda a primeira “descoberta” de Jesus Abandonado: «Por um fato acontecido nos primeiros meses de 1944, tivemos uma nova compreensão sobre Ele. Por uma circunstância viemos a saber que o maior sofrimento de Jesus, e portanto o seu maior ato de amor, foi quando, na cruz, experimentou o abandono do Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,46). Ficamos profundamente tocadas com isso. E a jovem idade, o entusiasmo, mas principalmente a graça de Deus, nos impulsionaram a escolher justamente Ele, no seu abandono, como via para realizar o nosso ideal de amor. Desde aquele momento pareceu-nos encontrar o seu semblante em toda parte». Outro momento determinante para a compreensão desse “mistério de dor-amor”. Estamos no verão de 1949. Igino Giordani foi encontrar Chiara, que tinha ido para o Vale di Primiero, na região montanhosa do Trentino (Itália), para um período de repouso. Com o primeiro grupo vivia-se intensamente a passagem do Evangelho sobre o abandono de Jesus. Foram dias de luz intensa, tanto que no final do verão, devendo descer daquele “pequeno Tabor” para voltar à cidade, Chiara escreveu, num só ímpeto, um texto que inicia com verso que tornou-se célebre: «Tenho um só esposo sobre a terra, Jesus abandonado… Irei pelo mundo buscando-o, em cada instante da minha vida». Muitos anos depois ela explicou: «Desde o início entendemos que em tudo existe uma outra face, que a árvore tem as suas raízes. O Evangelho lhe cobre de amor, mas exige tudo. “Se o grão de trigo caído na terra não morre – lê-se em João – permanece só; se morre produz muito fruto” (Jo 12,24). A personificação disso é Jesus abandonado, cujo fruto foi a redenção da humanidade. Jesus crucificado! Ele havia experimentado em si a separação dos homens de Deus e entre si, e tinha sentido o Pai distante. Nós o vimos não apenas nas nossas dores pessoais, que não faltaram, e nos sofrimentos dos próximos, muitas vezes sós, abandonados, esquecidos, mas em todas as divisões, os traumas, as separações, as indiferenças recíprocas, grandes ou pequenas: nas famílias, entre as gerações, entre pobres e ricos, às vezes na própria Igreja, e mais tarde entre as várias Igrejas, e depois ainda entre as religiões e entre quem crê e quem possui uma convicção diferente. Mas todas estas dilacerações – continua Chiara – não nos assustaram, pelo contrário, pelo amor a Ele abandonado, elas nos atraíram.  E foi Ele que nos ensinou como enfrentá-las, como vivê-las e ajudar a superá-las, quando, depois do abandono, recolocou o seu espírito nas mãos do Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46), dando assim a possibilidade para que a humanidade se recompusesse, em si mesma e com Deus, e indicando-lhe o modo de fazê-lo. Ele manifestou-se como chave da unidade, remédio para qualquer divisão. Era Ele que recompunha a unidade entre nós, cada vez que era rompida. Era Ele que reconhecíamos e amávamos nas grandes, trágicas divisões da humanidade e da Igreja. Ele se tornou o nosso único Esposo. E a nossa convivência com um tal Esposo foi tão rica e fecunda, que me levou a escrever um livro, como uma carta de amor, como um canto, um hino de alegria e gratidão a Ele».

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O fruto da Redenção

Ressurgindo da morte Jesus aparece às mulheres vindas ao sepulcro, e lhes diz: «Não tenhais medo, ide e anunciai aos meus irmãos…». No momento conclusivo deu aos discípulos o nome de irmãos. Como apresentou-se então apresenta-se também agora, como irmão: o primogênito. Ao ressurgir vencera a morte e recuperara a fraternidade. Tinha vindo à terra para reestabelecer a paternidade do Pai, descera ao inferno para vencer o inimigo dos homens, agora declarava a fraternidade reconstituída dos filhos, na família de Deus.

O mundo hoje é dominado pelo medo e o egoísmo. E qual o resultado disso? […] A humanidade sofre porque entre povo e povo, classe e classe, indivíduo e indivíduo, a vida não circula, ou circula com fadiga. E vida são as riquezas e a religião, a ciência e a técnica, a filosofia e a arte… Mas, por sua vez, filosofia, arte, técnica, ciência e bens econômicos não circulam se o amor não dá o impulso, não desentrava os caminhos e supera as divisões. A própria religião deve ser liberada, deve ser redimida a cada instante das incrustações, limitações e fraturas operadas pelas culpas dos redimidos. A circulação dos bens não acontece quanto e como deveria ocorrer, porque os homens não se reconhecem mais como irmãos, ou seja, não se amam.

O homem que nos molesta no trem, que passa por nós na calçada, desdenhoso ou distraído ou enigmático, o homem que desfrutamos na oficina ou nos campos ou no banco da justiça e do dinheiro, nós não o vemos como irmão. O homem que rejeitamos, porque de outra classe ou fé, não nos parece filho do nosso Pai. No máximo parece-nos um filho ilegítimo, digno de comiseração. O homem a quem disparamos na guerra ou que atira em nós, não nos parece um irmão, é como um dispositivo homicida. A criatura que traficamos para a nossa luxúria não vive como nossa irmã. É carne à venda, que vale menos do que o dinheiro com o qual se paga. Vista assim, a sociedade parece um leprosário.

Cada divisão, cada discórdia é uma barreira para a passagem do amor: e o amor é Deus, e Deus é a única vida. E se a vida não passa a morte estagna.

[…] Se Deus fosse exclusivamente Força, Honra, Temor, teria permanecido uma pessoa só, não teria gerado um Filho, nem ressuscitado uma criação. Teria se fechado em si mesmo, não se teria aberto. Mas o amor é trinitário, é um círculo: Pai, Filho, Espírito Santo. […] A Trindade é Três e Um. Três que se amam e fazem Um; Um que se distingue em Três para amar. Infinito jogo de amor. À imagem e semelhança da Trindade, as criaturas racionais também descobrem no amor um impulso a gerar outra vida. […] O amor é expressão de Deus para com a criação, e é o retorno do Eu a Deus, através do irmão.

[…] Esse movimento é circular, parte da nascente e volta à foz. Chega-se a Deus se existe o irmão, chega-se ao irmão se existe Deus. Eu existo se existe Deus, se existe o irmão: sem eles eu não teria razão de ser, do momento que a minha razão de ser é amar.

[…] Cristo pôs de novo em circulação todos os tesouros da vida, na esfera do amor, com o qual nos transmite calor, luz, inteligência, para nos abrir o caminho que leva à unidade, onde encontra-se Deus.

E obteve isso vindo entre nós, habitando entre nós, fazendo-se um dos nossos, até que morreu para nos redimir. A Redenção, da mesma forma como nos libertou das divisões nos reuniu a Deus. Cristo recolocou Deus em nós e nós em Deus. Por isso ordenou que nos amássemos, porque onde está o amor ali está Deus, «Deus é amor, e quem está no amor está em Deus e Deus nele» (1 Jo 4,16).

Igino Giordani, O Irmão, Città Nuova, 2011.

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A unidade nos albores do Movimento dos Focolares

Video de Chiara em Amsterdã 1982 - Áudio em italiano

«O que é a unidade? Ah, é maravilhosa! Porque a unidade, aquela que Jesus pensa, quando diz: “amai-vos…” a ponto de morrer, também prontos a morrer um pelo outro, aquela unidade em virtude da qual Jesus diz: “Onde dois ou mais estão reunidos, ali estou eu”, não é uma mistura de pessoas, não é um grupo de pessoas, ali está Jesus e este é o fato. A unidade manifesta, traz Jesus. Eu me lembro… encontrei algumas cartas dos primeiros tempos do Movimento, quando começávamos a viver assim e a experimentar a presença de Cristo entre nós. Era incrível! Porque nós nunca tínhamos experimentado isso antes; o nosso cristianismo era muito individual. Vejam o que estava escrito ali, por exemplo: “A unidade! Que divina beleza! Quem ousará falar dela? É inefável, se sente, se vê, se saboreia, mas é inefável! Todos se alegram com a sua presença; todos sofrem com a sua ausência. É paz, gáudio, amor, ardor, clima de heroísmo, de suma generosidade. É Jesus entre nós!” Como se explica esta realidade? Vejam, Jesus ressuscitado disse uma frase fabulosa: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”. (cf Mt 28, 20). Ele disse que estará conosco todos os dias Mas onde está? Certamente, na Igreja, porque a Igreja é o corpo de Cristo; e de maneira especial com aqueles que anunciam o Evangelho, porque Jesus lhes disse; nós sabemos que Jesus, por exemplo, está especialmente presente na Eucaristia, está ali; Jesus está na sua Igreja e também na sua Palavra, por exemplo, as palavras de Jesus não são como as nossas, são uma presença de Jesus e nós, nutrindo-nos delas, nos nutrimos de Jesus. Jesus está com os sucessores dos Apóstolos, com os bispos. Está neles, fala através deles; Jesus está nos pobres por exemplo. Disse que está nos pobres, onde ele se esconde. Está em todos aqueles que sofrem Mas Jesus disse também: “Onde dois ou mais estão reunidos”, na comunidade, ele também está ali. Eu percebi que o mundo hoje, que não acredita ou que acredita num modo diferente é muito sensível a esta presença de Jesus. “Nisso conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes” (Jo 13,35). É uma forma importante para testemunhar Cristo hoje, porque, vejam, o que faz a unidade? Foi o que disse Paulo VI numa paróquia de Roma. A unidade gera Cristo no nosso meio. A unidade o exprime, o manifesta, o revela. Jesus não é uma realidade de vinte séculos atrás. Está na sua Igreja agora e repete para nós as suas palavras. Jesus é atual e a unidade é muito bonita por isso, pois o mostra. Tanto que Jesus disse: “Que sejam um para que o mundo creia”. É assim. Por isso, o Movimento tentou, em todos esses anos, conservar viva esta presença de Jesus, do Ressuscitado entre nós. E nós atribuímos à sua presença esta difusão universal do Movimento. Foi ele que abriu caminho. Foi ele que testemunhou o cristianismo. Então, o que devemos fazer, que conclusão tirar desse dia? Nestes dias eu tive a oportunidade de ter contato com muitos holandeses e admirei uma coisa que não encontro em outras nações: no coração desses holandeses vejo o amor que sentem pela Holanda e um grande amor pela sua Igreja. Então, o que faremos? É preciso que este amor se torne concreto. Vamos colocar a presença de Jesus ressuscitado nas nossas famílias, nas paróquias, em toda a parte, vivendo o amor recíproco, que era o segredo dos primeiros cristãos. E se o Ressuscitado está presente, qual é a consequência? Uma nova primavera e tudo ressurge. É o que desejo para vocês. E quais serão os frutos desta presença de Jesus? Os mesmos que nós constatamos quando começamos o Movimento: uma grande alegria, paz, os frutos do Espírito. Os meus votos são estes. Vou partir, mas que em seus corações fique gravado isso: “eu farei de tudo para que o Ressuscitado esteja no nosso meio!” Assim.»