Com Chiara Lubich – Novos livros
Levar-Te o mundo em meus braços De Armando Torno, editora Città Nuova (Roma) 

Reflexões sobre “As Cinzas”
«Esta manhã recordaram-nos que somos pó e ao pó voltaremos. Esta verdade elementar causa medo e parece lúgubre, […] mas ao contrário, a Igreja recorda este dado de fato justamente para acrescer a vida. Porque se um homem avalia aquilo que é materialmente, não dá mais um valor idolátrico às coisas materiais: a riqueza, o espaço vital, os territórios, as matérias primas, os mercados… os valoriza por aquilo que valem, como meios para viver e não para matar. E se considera a própria iminente pulverização, guarda-se bem de inchar-se na soberba fratricida, de querer colocar-se acima dos outros para ter os outros aos próprios pés, e estar na posição de colocar os pés em seus pescoços […]. Se todos os homens de Estado meditassem esta verdade das cinzas veriam o quanto se matam por nada e quanto é estúpido o ódio e louca a guerra, e quanto é vital a paz e quão pouco grandes são e foram os chefes que acreditaram ser reis, enquanto eram os pobres palhaços da Besta.
[…] Estes homens, de quem anseias possuir os louvores e a proteção, os delinquentes que te fazem tremer diante de sua dominação e em cujo amor te consumas, eles também cairão, mergulhados no redemoinho subterrâneo do silêncio; um silencio rompido somente pelo zumbido imperceptível da desagregação celular, e lá ricos e pobres serão emparelhados, comandantes e comandados.
[…] Isto quer dizer que é inútil e louco honrar a própria viagem com tanta bagagem: riquezas, pingentes, títulos, complicações de casta, administrativas, espadas e negócios. É melhor ser livres e caminhar rapidamente e despreocupados. São Francisco quis ser livre até das roupas. Se teve uma é porque alguém lhe doou.
Portanto, o dia das cinzas é o dia da liberação, do realismo, que está lá para nos chamar à realidade, que é esta bondade e simplicidade, e amor. Semelhante ao ar suave e efervescente dos montes, contra a irrespirável composição de cheiros fétidos e gás carbônico das nossas casas, com estufas, cortinas e fofocas.
[…] Esta lembrança cinzenta não é lúgubre, é alegre. É inútil tentar esconder a cabeça embaixo do braço para não ver: a morte é certa. E gritar, negar e fazer barulho não adianta. Ao contrário, justamente porque a morte mostra a vaidade de tudo, a pessoa não se preocupa mais com nada: abandona-se à Providência. E absorve deste estado de alma a serenidade do filho abraçado pelo Pai.
[…] Dizem que um rito assim, com uma tal recordação, humilha.
Humilhar quer dizer recolocar sobre o húmus: sobre a terra. Há quem se eleva, se incha, como um aeróstato cheio de fumaça, e estando por cima acredita que pode olhar o povo de cima para baixo, e mantê-lo sob os próprio pés. E a Igreja recorda que somos todos servos uns dos outros, e para que possamos servir-nos uns aos outros nos mantém livres. A soberba é satânica e leva à escravidão. Recordar as nossas culpas nos impede de nos considerarmos superiores aos outros. A humildade é a virtude da democracia: é a democracia. Assim como o orgulho é o disparo – ou o aparato – da plutocracia.
[…] E então, para que serve matar-se pelo amanhã? A cada dia a sua cruz. Quem se desvincula das preocupações do futuro e do obstáculo das ambições é alguém livre, que caminha rapidamente, não esperando da vida mais do que dá.
[…] A duração é breve, portanto é loucura perder tempo na luta que antecipa o túmulo. Túmulo que é uma etapa verminosa, na qual porém, não se termina. Aliás se começa. E o pensamento que além dele tem início uma vida ou uma morte imortal retira qualquer medo da morte. Este abre o acesso à casa: a casa onde não se pagam mais impostos, não se vive preocupados com taxas, e ligando o rádio não se deve mais ouvir um demagogo senhor dos povos. Mas o acesso é dado apenas a quem amou e perdoou, é negado a quem odiou e fez sofrer. Porque aquela é a casa do amor e o amor, no seu ápice, é a justiça perfeita».
Igino Giordani, Le feste, SEI, Turim, 1954.
AMU: “Em busca do bem comum…”.

“Ação por um Mundo Unido” completa 25 anos

Todos somos chamados a criar uma cultura nova, baseada na interdependência, solidariedade, justiça e comunhão, por meio de estilos de vida orientados ao bem comum.
O conceito de bem comum é o mesmo na Ásia, África, Europa?
São estas as questões postas pelo encontro “Em busca do Bem Comum – Para conservar o patrimônio da humanidade”, organizado pela AMU, Associação Ação por um Mundo Unido, a 25 anos da sua fundação, com participantes da Tailândia, Líbano, Burkina Faso, Burundi, Brasil, Alemanha, Espanha e Itália, nos dias 5 e 6 de março, em Ciampino (Roma).
Palestrantes e testemunhas qualificadas abrirão o diálogo com os participantes sobre economia solidária, tutela das reservas naturais, cidadania global, cooperação ao desenvolvimento. Entre outros:
- Guido Barbera, presidente da CIPSI (Coordenação de Iniciativas Populares de Solidariedade Internacional) – Itália
- Luigino Bruni, professor associado de Economia Política na Universidade Bicocca, de Milão
- Vincenzo Buonomo, professor ordinário de Direito Internacional e Reitor da Faculdade de Jurisprudência da Pontifícia Universidade Lateranense, de Roma
- Rosario Lembo, Secretário Nacional do Comitê para o Contrato Mundial da Água – Itália
- Alberto Lo Presti, professor de História das Doutrinas Políticas na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino – Angelicum, de Roma
- Telma Rocha, do setor de projetos para a América Latina da Fundação Avina – Brasil
- Godefroy Sankara, diretor da Buudu África e coordenador de África pro Mundo – Burkina Faso
- Stefano Zamagni, professor ordinário da Faculdade de Economia da Universidade de Bolonha
Consta no programa a exposição de algumas experiências de economia solidária, através de estandes e laboratórios. Um espaço privilegiado será dado aos jovens e ao projeto sobre cidadania ativa “Fortes sem violência”, realizado na Alemanha, e a depoimentos do Brasil, Líbano e Burundi.
O encontro é aberto a todos os cidadãos e dirige-se a agentes da solidariedade internacional, às associações e a todos os interessados no tema do desenvolvimento sustentável.
A AMU tem sua idoneidade reconhecida pelo Ministério de Relações Exteriores italiano, para a realização de projetos de cooperação nos países em via de desenvolvimento, e para atividades de formação e educação ao desenvolvimento.
Inspira-se na espiritualidade do Movimento dos Focolares e propõem-se a difundir uma cultura do diálogo e da unidade entre os povos. Juntamente com as populações envolvidas, atua na realização de atividades sustentáveis, que coloquem as premissas de um desenvolvimento efetivo, no respeito à realidade social, cultural e econômica local.
Para informações:
Associazione “Azione per un Mondo Unito – ONLUS – “ (AMU)
tel. : 06 94792170
Patrizia Mazzola cell. 335.616.54.04
e-mail: eas@amu-it.eu
website: www.amu-it.eu
2° Congresso internacional para jovens juristas

Na abertura, a mensagem da advogada Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares (ex-coordenadora de Comunhão e Direito), que encontrava-se na Terra Santa: “É preciso ter coragem diante destes desafios, um compromisso forte, coerência, um olhar que saiba captar, no tempo de hoje, os sinais que dão esperança e indicam o caminho a ser percorrido juntos, para construir um mundo onde a dignidade humana seja verdadeiramente compreendida e respeitada”. A mensagem foi lida pela Dra. Vera Araújo – socióloga e jurista – após ter delineado o valor da norma na vida civil.

Continuando, a palestrante convidou os jovens a olharem a situação atual do norte da África. A difusão de demonstrações e sinais de revolta de grande parte da população, exposta a graves dificuldades econômicas, inclusive pelo aumento descontrolado dos preços de produtos de primeira necessidade “é a prova de que a proteção que se espera e as garantias reivindicadas são ao mesmo tempo exigências de reconhecimento de liberdade e dignidade”.
Sobre estes fundamentos partilhados correram os dias intensos e participativos do Congresso, que teve os jovens como principais protagonistas.

- dignidade e Constituições europeias
- dignidade humana e novas escravidões
- dignidade do embrião
- dignidade no sistema penal e carcerário
- dignidade humana e direito ambiental
Juntaram-se às reflexões, depoimentos de pessoas que atuam em diversas áreas, como um advogado criminalista, um funcionário do ministério público, um consultor jurídico, um voluntário dedicado aos encarcerados, entre outros.
Na última manhã o professor Vincenzo Buonomo (Universidade Laterano), introduziu o discurso de Chiara Lubich às Nações Unidas, em 1997, evidenciando como justamente a dignidade humana encontra um seu espaço específico no ordenamento da “comunidade dos Estados”. E definiu proféticas e extremamente atuais as palavras de Chiara: “… se um maior número de homens aceitassem o sofrimento por amor, o sofrimento que o amor exige, este poderia tornar-se a mais potente arma para doar à humanidade a sua mais alta dignidade”.
