50 anos do Movimento dos Focolares na América do Norte

“Fui profundamente tocada por este país, tive uma maravilhosa impressão” – afirmou Chiara Lubich em 1964, durante a sua primeira viagem a Nova Iorque. “Esta nação parece-me especialmente apta ao espírito do Focolare. Não existe um ar de superioridade étnica, mas um sentimento claro de internacionalidade. Aqui existe a simplicidade. Durante a Missa rezei pelo Movimento neste continente e espero que Deus escute a minha oração, porque estou rezando pela difusão do Seu Reino…”. Foram sete as visitas de Chiara Lubich aos Estados Unidos.
Para conferir um significado especial a este 50º aniversário, a presidente Maria Voce, e o copresidente Giancarlo Faletto, visitarão a América do Norte, numa viagem que durará um mês, durante o qual encontrarão as comunidades e os amigos do Movimento dos Focolares, em diversas cidades de três países.
- 19-20 de março em Toronto: encontro de diálogo e comemoração, com os membros do Movimento de todo o Canadá, e a Missa solene, celebrada pelo bispo, D. William McGrattan, no 3º aniversário do falecimento de Chiara Lubich.
- 21-24 de março, Montreal: Encontro com os bispos canadenses. Na tarde do dia 23, encontro com a comunidade de Montreal.
- 2 de abril – Poughkeepsie, Nova Iorque: encontro com a comunidade do Movimento dos Focolares.
- 3 de abril – Nova Iorque: Missa solene de ação de graças, celebrada pelo arcebispo Timothy Dolan (Catedral de São Pedro).
- 5 de abril – Nova Iorque: Evento cultural na Universidade Fordham.
- 7 de abril – Washington D.C: E pluribus unum, por uma comunidade multiétnica e multirreligiosa, que chega a ser um só povo à serviço da unidade (Caldwell Hall, Universidade Católica da América). Programa aberto ao público.
- 9 de abril – Chicago: Evento para a juventude, apresentação da vida de Chiara Luce Badano.
- 10 de abril – Chicago: Encontro inter-religioso.
- 11 de abril – Chicago: Espiritualidade e teologia trinitária. Apresentação na Universidade DePaul.
- 16 de abril – Santo Domingo: Celebração com as comunidades do Movimento dos Focolares da República Dominicana e de Porto Rico.
Uma festa ecumênica para Chiara

Nas galerias, na plateia e em cena misturavam-se rostos da ortodoxia russa e grega, com o testemunho de anglicanos, sírio-ortodoxos, católicos, membros da Igreja reformada; as músicas do extremo oriente entrelaçavam-se com as cantigas do mundo árabe, sem nenhum sincretismo, pelo contrário, as identidades eram bem delineadas, mas a paixão proposta há mais de 50 anos por Chiara Lubich, pelo “que todos sejam um”, era partilhada para além das diferenças. “A Palavra de Deus vivida – recordou Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares – unia cristãos de igrejas diferentes, nos primeiros tempos. Vivendo juntos o Evangelho aproximavam-se uns dos outros”. E reafirmou a forte validade ecumênica de algumas frases do Evangelho que, com o passar do anos, justamente porque «traduzidas em vida, injetaram uma linfa nova no caminho ecumênico».
Autoridades religiosas de várias Igrejas enviaram mensagens, algumas com um tom muito familiar, como a de Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla, em cuja saudação, cheia de afeto, nota-se a longa amizade que liga o Patriarcado ao Movimento: «Chiara nos ensinou um método para recompor a fraternidade, relacionamentos de partilha genuína que sabem afastar as desconfianças».
«As relações no dia a dia, a difusão capilar do diálogo, foram uma contribuição fundamental para o movimento ecumênico», salientou o cardeal Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, que desejou externar uma sua preocupação: «a contraposição que por vezes se manifesta entre o ecumenismo do alto e o ecumenismo da base». Um ponto crítico, que foi retomado por Maria Voce: «É necessário que ecumenismo de base e ecumenismo de vértice caminhem juntos. Se os passos teológicos não são acompanhados por relações de base verdadeiras e recíprocas, esses passos não terão grande eficácia, enquanto que, se existe um ecumenismo de base, os efeitos serão duradouros e importantes».
O diálogo pode ter efeitos inclusive na vida dos políticos, como evidenciou o prefeito de Trento, Alessandro Andreatta: «Não podemos deixar de aprender desta experiência – ele disse –, Chiara soube confrontar-se com todos e este é um convite para nós, administradores». Alguns efeitos políticos e sociais da experiência ecumênica foram explicados por Eli Folonari (que por muitos anos esteve próxima de Chiara) e por Gerard Pross, do Movimento ACM, ao apresentar a iniciativa “Juntos por…”, na qual todos os cristãos, qualquer que seja a Igreja a qual pertencem, há cerca de 10 anos estão dando uma contribuição espiritual e de testemunho, em favor de uma Europa mais unida.
Teve início em seguida, no Centro Mariápolis de Cadine (Trento), uma escola ecumênica com 400 pessoas, que aprofundará a vida da Palavra e os temas da jornada. Um momento de celebração pelos 50 anos de atividade ecumênica do Centro Uno, e uma ocasião para reforçar o diálogo da vida.
Sempre em Trento, o jornalista Franco Battaglia apresentou o seu livro “Em Trento com Chiara Lubich”, dedicado aos lugares onde o Movimento dos Focolares nasceu. Uma espécie de guia para conhecer os ângulos talvez insignificantes da cidade, mas que foram o berço da espiritualidade da unidade.
de Maddalena Maltese
[:it]Un carisma di Luce – video intervista a Chiara [:en]A Charism of Light – video interview with Chiara Lubich[:de]Auszüge aus einem Interview mit Chiara – Video[:fr]Un charisme de lumière – Vidéo[:zh]神恩的亮光——訪問盧嘉勒的視頻
Um carisma de luz

Continuamente eu estava sob a ação desta luz, que me iluminava e me mostrava o que eu devia fazer, como devia ser o nosso modo de trabalhar, de rezar, de estudar, de comunicar entre nós, o nosso modo de construir as casas, de nos vestir, e recebi muitas luzes, sobretudo no início. Também a respeito da nossa expansão nos continentes: como o nosso Movimento devia se organizar, que devia ser acima de tudo um povo. Tudo isso se realizou. Eu já previ nos primeiros tempos. No meu primeiro focolare eu já dizia que haveria uma arte nova, uma política nova, que tudo seria renovado. Por isso não notei quando a guerra terminou, pois o carisma transbordava em mim e eu comunicava a todo o Movimento.
É como se acima do meu pensamento se tivesse apoiado uma luz, que era o meu pensar e o pensar de um outro, mas foi uma passagem muito suave. Deus não nos esmaga. A graça eleva a natureza e não a destrói. Tudo o que havia em mim, serviu como base para a graça, que a elevou. Eu não me assustei!
Naturalmente, me dizem que tenho muitas responsabilidades… Não sinto nenhuma responsabilidade, pois é dele, o problema é dele!
Também agora, é tudo luz. Eu sou guiada por ele, pelo carisma que é um dom do Espírito Santo. Eu vejo, vejo e comunico. Depois se realiza. Mas não é mérito meu. Deus me utiliza como um instrumento. É Ele que escolhe.
Tínhamos que realizar a oração de Jesus: «Que todos sejam um», que todos sejam uma família, que todos sejam… e está se realizando. Quando eu for para a outra Vida, os outros continuarão tudo.
Se tivese que deixar um testamento, uma herança, deixaria Jesus em meio a todos. Amem-se reciprocamente, como Jesus nos amou. Estejam prontos a morrer um pelo outro. Sejam uma família. Eu diria isso e basta; isso é tudo.
Extraído de:
Faccia a Faccia – Entrevista a Chiara Lubich, de Sandra Hogget, Charisma Production 2002. Montagem vídeo: Centro Santa Chiara Audiovisuais
Copyright: Centro Santa Chiara Audiovisivi – Charisma Productions
