Movimento dos Focolares

A regra de ouro na política, a partir do Conselho Municipal Júnior

Tenho 15 anos e moro em Ischia, uma ilha no sul da Itália. Alguns anos atrás uma avalanche destruiu a casa da colega que sentava ao meu lado na classe. Ela terminou embaixo das ruínas com o seu pai e suas irmãs. Para mim foi um sofrimento enorme e sem explicação! Naquele mesmo dia aconteceu o massacre de Nassiriva, no Iraque, um atentado onde morreram 19 pessoas que estavam numa missão de paz. Estas tragédias fizeram com que crescesse o meu desejo de fazer alguma coisa para mudar este mundo. Quando a minha escola aderiu ao projeto da Prefeitura de instituir um Conselho Municipal de adolescentes eu respondi logo, com a vontade de transmitir, por meio do diálogo, a vida nova que nasce do Evangelho. A Regra de Ouro: “Faz aos outros o que gostarias que fosse feito a ti”, por exemplo, me sugeriu de não atrapalhar um colega que, como eu, queria se candidatar a prefeito. Por isso eu me candidatei a vereadora e o ajudei a formar a sua chapa e a preparar o programa, mas não antes de escutar as idéias de cada um sobre os problemas da ilha. Durante a campanha eleitoral, para nos apresentarmos na TV local, além de superar o medo de falar em público eu encorajei também outros candidatos. No final estive entre os mais votados, inclusive por outras escolas. Importante foi o primeiro Conselho municipal, na Sala da Assembléia, com a presença de alguns membros da Assembléia dos adultos. Eu sabia que não ia ser fácil e que não podia dar tudo como certo, e por isso descobri ainda mais a importância de escutar-se, do respeito, do modo como exprimir as próprias idéias sem ofender os outros. A experiência só começou e cresce em mim o desejo de trabalhar, no meu pequeno ambiente, por uma política que não seja contraste, mas diálogo para construir juntos o bem de todos. (Testemunho relatado durante o evento Run4unity 2008)

julho de 2008

Você já sentiu alguma vez uma sede de infinito? Já sentiu alguma vez em seu coração o desejo ardente de abraçar a imensidão?
Ou, então: já percebeu alguma vez em seu íntimo a insatisfação por aquilo que faz, pelo que você é?
Se assim for, ficará feliz por encontrar uma fórmula que lhe dê a plenitude com que tanto você sonha: algo que não deixe remorsos pelos dias que se vão semivazios…
Há uma frase no Evangelho que faz pensar e que, se entendida nem que seja um pouco, faz vibrar de alegria. Nela está condensado o que devemos fazer na vida. Ela resume cada lei que Deus imprimiu no fundo do coração de cada homem.
Ouça esta frase:

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”

Ela se chama “regra de ouro”.
Foi Cristo quem a trouxe, mas já era universalmente conhecida. O Antigo Testamento a trazia. Sêneca a conhecia, e o chinês Confúcio, no Oriente, a repetia. E outros ainda. Isso mostra o quanto ela importa a Deus: ele quer que todos os homens façam dela a norma de suas vidas.
É linda de ler e ecoa como um slogan.
Ouça-a novamente:

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”

Amemos assim cada próximo que encontramos no correr do dia.
Imaginemos estar na sua situação e tratemo-lo como gostaríamos de ser tratados em seu lugar.
A voz de Deus que mora dentro de nós haverá de nos sugerir a expressão de amor adequada a cada circunstância.
Ele está com fome? Estou com fome eu – pensemos. E demos a ele de comer.
Sofre injustiça? Sou eu que a sofro!
Está nas trevas e na dúvida? Sou eu que estou. E lhe digamos palavras de conforto, e dividamos com ele suas angústias, e não sosseguemos enquanto ele não se sentir iluminado e aliviado. Nós quereríamos ser tratados assim.
É alguém com deficiência física? Quero amá-lo até quase sentir em meu corpo e em meu coração a sua deficiência, e o amor haverá de me sugerir o recurso certo para fazer que se sinta igual aos outros, aliás, com uma graça a mais, pois nós cristãos sabemos o valor do sofrimento.
E assim com todos, sem discriminação alguma entre simpático e antipático, entre jovem e ancião, entre amigo e inimigo, entre compatriota e estrangeiro, entre bonito e feio… O Evangelho quer realmente dizer todos.
Tenho a impressão de ouvir um murmúrio geral…
Compreendo… Talvez essas minhas palavras pareçam simples, mas quanta mudança elas exigem! Quão longe estão do nosso modo costumeiro de pensar e de agir!
Mas, coragem! Tentemos.
Um dia passado assim vale uma vida. E, à noite, não nos reconheceremos mais a nós mesmos. Uma alegria jamais sentida nos invadirá. Uma força se apoderará de nós. Deus estará conosco, porque está com aqueles que amam.
Os dias se seguirão plenos.
Às vezes, pode ser que reduzamos a marcha, que sejamos tentados a desanimar, a largar tudo. E queiramos voltar à vida de antes…
Mas não! Coragem! Deus nos dá a graça.
Recomecemos sempre.
Perseverando, veremos lentamente o mundo mudar à nossa volta.
Entenderemos que o Evangelho é portador da vida mais fascinante, acende a luz no mundo, dá sabor à nossa existência, tem em si o princípio da resolução de todos os problemas.
E não teremos paz enquanto não comunicarmos a nossa extraordinária experiência a outros: aos amigos que nos podem entender, aos parentes, a quem quer que nos sintamos impelidos a transmiti-la.
A esperança renascerá.

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”

Chiara Lubich

Ser o espelho de Jesus

Ser o espelho de Jesus

As palavras de Jesus! Devem ter sido a sua maior arte. O Verbo que fala em palavras humanas: que conteúdo, que intensidade, que expressão, que voz! A ouviremos no Paraíso. Ele nos falará. A Palavra de Deus não é como as outras. Ela tem o poder de realizar o que diz. Gera Jesus na nossa alma e nas almas dos outros. A Palavra deve transformar-se em ação e conduzir a vida. Desse modo ela se revela atraente. Bastam poucas letras e poucas regras gramaticais para saber ler e escrever, mas se essas não se aprendem ficamos analfabetos toda a vida. Assim, quem não aprende uma a uma as palavras do Evangelho não sabe escrever Cristo com a sua vida. Bastam poucas frases para formar Jesus em nós. Nós não temos outro livro fora do Evangelho, não temos outra ciência, outra arte. Ali está a Vida! Quem a encontra não morre. Chiara Lubich

junho de 2008

Quem ama gostaria de estar sempre com a pessoa amada. Esse também é o desejo de Deus, que é Amor. Criou-nos para que pudéssemos encontrá-lo e, sendo ele o único capaz de saciar o nosso coração, não teremos alegria plena enquanto não alcançarmos a íntima união com ele. Desceu do céu para estar conosco e para introduzir-nos na sua comunhão.
O apóstolo João, na sua carta, fala de “permanecer” um no outro, Deus em nós e nós em Deus, lembrando a exigência mais profunda manifestada por Jesus na sua última ceia. “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”, disse o Mestre, explicando com a alegoria da videira e dos seus ramos o quanto é forte e vital a ligação que nos une a ele (cf. Jo 15,1-5).
Mas, como alcançar a união com Deus?
João não hesita. Afirma que basta observar os mandamentos:

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”.

São muitos os mandamentos que devemos observar para que essa unidade seja alcançada?
Não, porque Jesus os sintetizou num só preceito. João recorda, imediatamente antes de citar a Palavra de Vida escolhida para este mês: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu” (1Jo 3,23).
Crer em Jesus e amar-nos como ele nos amou: eis o único mandamento.
Se a existência humana encontra a sua realização na presença de Deus entre nós, então existe apenas um modo para sermos pessoas plenamente realizadas: amar! João está tão convicto dessa realidade que repete sempre no decorrer de toda a carta: “Quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4,16b); “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós…” (1Jo 4,12).
A esse respeito a tradição conta que, quando alguém fazia perguntas a João, já bem idoso, sobre os ensinamentos do Senhor, ele repetia sempre as palavras do mandamento novo. Se lhe perguntavam por que não dizia outra coisa, respondia: “Porque é o mandamento do Senhor! Se alguém o pratica, isso basta”.
Pode-se dizer o mesmo de cada Palavra de Vida: ela nos leva inevitavelmente a amar. Não pode ser de outra forma, porque Deus é Amor e cada Palavra sua contém o amor, exprime o amor e, se for vivida, nos transforma em amor.

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”.

A Palavra deste mês nos convida a acreditar em Jesus, a aderir com todo o nosso ser à sua Pessoa e ao seu ensinamento: crer que ele é o amor de Deus – como nos ensina ainda João nessa carta – e que por amor deu a vida por nós (cf. 1Jo 3,16). Faz-nos acreditar até mesmo quando ele parece estar longe, quando não o sentimos, quando chegam as dificuldades ou o sofrimento…
Encorajados por essa fé, saberemos viver seguindo o seu exemplo e, obedecendo ao seu mandamento, amar-nos como ele nos amou.
Amar inclusive quando o outro não parece mais merecer o amor, mesmo quando temos a impressão de que o nosso amor seja inadequado, inútil, não correspondido. Agindo assim, reavivaremos os relacionamentos entre nós, que se tornarão cada vez mais sinceros, cada vez mais profundos, e a nossa unidade atrairá a permanência de Deus entre nós.

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”.

“Meu marido e eu vivíamos apaixonados. Era fácil o relacionamento entre nós nos primeiros anos de casados. Nesse último período, porém, ele anda muito cansado e estressado. No Japão, o trabalho pesa como chumbo nas costas de um homem.
Uma noite, voltando do trabalho, ele sentou-se à mesa para jantar. Aproximei-me para sentar ao seu lado, mas aos gritos mandou que eu saísse: “Você não tem o direito de comer, porque não trabalha!” Passei a noite chorando e prometendo a mim mesma separar-me dele, ir embora. No dia seguinte mil pensamentos me torturavam o tempo todo: “Casei-me com a pessoa errada, não consigo mais viver com ele”.
À tarde falei com as amigas com as quais partilho a minha experiência cristã. Escutaram-me com amor e na comunhão com elas encontrei a força e a coragem necessárias para não desanimar… Então consegui preparar mais uma vez o jantar para o meu marido. Porém, quanto mais se aproximava a hora da sua chegada, mais aumentava o meu receio: como será que ele vai reagir hoje? E sentia como se uma voz interior me dissesse: “Acolha essa dor. Fique firme. Continue amando”. Nesse momento ele abriu a porta. Trazia uma torta para mim. E disse: “Perdoe-me por tudo o que aconteceu ontem.”

Chiara Lubich