Movimento dos Focolares

Maio 2008

“Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”

Jesus Ressuscitado, o Senhor, ainda hoje continua agindo na história, como nos tempos de Paulo, e o faz de modo especial na comunidade cristã, através de seu Espírito. Ele também nos permite compreender o evangelho em toda a sua novidade e o inscreve em nossos corações, de modo que seja a nossa lei de vida. Não somos guiados por leis impostas de fora; não somos escravos sujeitos a determinações que não nos convencem e que não aceitamos. O cristão é movido por um princípio de vida interior, que o Espírito Santo lhe conferiu com o batismo. É movido pela sua voz, que repete as palavras de Jesus e faz com que as compreenda em toda a sua beleza, expressão de vida e de alegria. O Espírito as atualiza, ensina como vivê-las e ao mesmo tempo dá a força para colocá-las em prática. É o próprio Senhor que, graças ao Espírito Santo, vem viver e agir em nós, transformando-nos em evangelho vivo. Ser guiado pelo Senhor, pelo seu Espírito, pela sua Palavra: é essa a verdadeira liberdade que coincide com a mais profunda realização do nosso eu.

“Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”

Mas, para que o Espírito Santo possa agir, sabemos que é necessária a plena disponibilidade para escutá-lo, com a disposição de mudar a nossa mentalidade, se preciso for, e depois aderir plenamente à sua voz. É fácil deixar-se escravizar pelas pressões que os costumes e a opinião pública exercem sobre nós e que podem nos induzir a escolhas erradas. Para viver a Palavra de Vida deste mês é necessário aprender a dar um não decidido a todo o negativo que brota do nosso coração cada vez que somos tentados a nos adequar a modos de agir que não estão de acordo com o evangelho; é preciso aprender a dar um sim convicto a Deus cada vez que sentimos o seu chamado a viver na verdade e no amor. Assim descobriremos que a relação existente entre a cruz e o Espírito é de causa e efeito. Cada corte, cada poda, cada não ao nosso egoísmo é uma fonte de luz nova, de paz, de alegria, de amor, de liberdade interior, de realização de si. É uma porta aberta ao Espírito Santo. Neste tempo de Pentecostes, ele poderá nos dar com mais abundância os seus dons, poderá guiar-nos. E seremos reconhecidos como verdadeiros filhos de Deus. Ficaremos cada vez mais livres do mal, cada vez mais livres para amar.

“Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”

É essa a liberdade que um funcionário das Nações Unidas encontrou durante a sua última tarefa em um dos países balcânicos. As missões que lhe eram confiadas representavam um trabalho gratificante, embora extremamente duro. Uma das suas grandes dificuldades era ficar distante da família por períodos tão longos. Mesmo quando voltava para casa era difícil deixar fora da porta a carga de trabalho que o envolvia, para dedicar-se com ânimo desimpedido às crianças e à esposa. De repente aconteceu uma nova transferência para outra cidade, sempre na mesma região; e ele não podia nem pensar em levar consigo a família, porque, apesar dos acordos de paz recém-assinados, as hostilidades continuavam. O que fazer? O que vale mais, a carreira ou a família? Discutiu longamente a questão com a esposa, que há tempo compartilhava com ele uma intensa vida cristã. Os dois pediram que o Espírito Santo os iluminasse e procuraram entender qual seria a vontade de Deus para toda a família. Enfim, tomaram a decisão: deixar aquele trabalho tão cobiçado. Decisão realmente incomum nesse ambiente profissional. “A força para fazer essa escolha – conta ele – foi fruto do amor mútuo com a minha esposa: ela nunca me fez pesar as privações que eu lhe causava; e eu, de minha parte, procurei o bem da família, para além da segurança econômica e da carreira. E encontrei a liberdade interior”. Chiara Lubich

Viver a Palavra transforma o relacionamento com Deus e com os irmãos

Este foi o último pensamento preparado por Chiara para o Movimento, do leito do hospital Gemelli, pouco antes de sua “partida”, e transmitido recentemente. Desta vez gostaria de focalizar o valor do relacionamento, dos relacionamentos entre nós. Vivendo a Palavra, nos primeiros tempos, em Trento, a nossa relação com Deus e com os irmãos se transformou. Foi assim que nasceu aquela que na época chamávamos de “comunidade cristã”. Não nos esqueçamos dessa nossa origem. Construamos a obra sobre esta base. Em seguida transcrevemos algumas frases retiradas do primeiro comentário da Palavra de Vida, há mais de 50 anos, ainda hoje de grande atualidade. Poderiam muito bem referir-se ao pensamento apenas citado, para compreendê-lo profundamente e transformá-lo em vida. «As palavras do Evangelho parecem simples, mas que transformação exigem! Quanto estão distantes do nosso modo habitual de pensar e agir! Mas coragem! Experimentemos! Um dia vivido assim vale uma vida. E à noite não nos reconheceremos mais. Seremos invadidos por uma alegria nunca antes experimentada. Uma força nos investirá. Deus estará conosco, porque está com aqueles que amam. Os dias serão plenos. Talvez alguma vez diminuamos o passo, sejamos tentados a nos desencorajar, desistir. E desejaremos voltar à vida de antes… Mas não! Coragem! Deus nos dá a graça. Recomecemos sempre. Perseverando veremos lentamente o mundo ao nosso redor se transformar. Entenderemos que o Evangelho torna a vida mais fascinante, Acende a luz no mundo, dá sabor à nossa existência, Possui em si o princípio da solução de todos os problemas. E não ficaremos em paz até quando não comunicarmos a nossa experiência a outros: Aos amigos que podem nos compreender, aos parentes, A todos a quem nos sentirmos impulsionados a doá-la. Renascerá a esperança».  

Põe em ação a fraternidade no esporte

Abriu-se o horizonte sobre um esporte nobre e confiável, distante das ameaças trazidas pela violência, racismo, doping, comercialização exasperada. O Congresso 2008 de Sportmeet, com o título “Sport In – Confiável – Põe em ação a fraternidade”, foi realizado em Castelgandolfo, Roma, de 28 a 30 de março.

O desafio da fraternidade no esporte e por meio do esporte foi assumido por 420 desportistas de 38 nações, dos cinco continentes, que participaram do evento, com depoimentos significativos, relações de especialistas internacionais, mesas-redondas, workshops, momentos de esporte e lazer.

Entre os numerosos testemunhos de desportistas de todos os níveis, o de Josefa Idem, várias vezes campeã olímpica de canoagem, de Ippolito Sanfratello, ouro em Turim 2006 na patinação de velocidade, de Marco Pinotti, do alpinista dos 8 mil metros, Karls Unterkircher, do campeão mundial de orienteering (orientação) Nicolò Corradini, da maratonista húngara, Petra Teveli, terceira colocada na última maratona de Milão.

Ao lado deles os promotores de projetos esportivos de ação social em países em via de desenvolvimento (Colômbia, Brasil, Argentina, República Democrática do Congo, Burundi, Líbano, Paquistão, Filipinas) e os animadores de projetos de educação à paz anti-máfia e anti-camorra na Sicília e na Campânia.

Professores e estudantes de 17 institutos universitários de todo o mundo, em rede com Sportmeet, testemunharam o empenho de elaborar e difundir uma nova cultura esportiva, orientada à fraternidade.

abril de 2008

“Até que sobre nós se derrame o espírito que vem do alto. Aí, então, o que era deserto virá a ser um bosque e o que era um bosque será uma floresta.” Assim começa o trecho que contém a Palavra de Vida deste mês. Na segunda metade do século VIII antes de Cristo, o profeta Isaías anuncia um futuro de esperança para a humanidade, de certo modo uma nova criação, um novo “bosque” ou “jardim”, onde moram o direito e a justiça, capazes de gerar paz e segurança.
Essa nova era de paz (shalom) será obra do Espírito divino, força vital capaz de renovar a criação; e, ao mesmo tempo, será fruto do respeito pela Aliança, pelo pacto entre Deus e o seu povo e entre os componentes do próprio povo, uma vez que a comunhão com Deus e a comunidade dos homens são realidades inseparáveis.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

As palavras de Isaías recordam a necessidade de um esforço responsável e sério em respeitar as normas comuns da convivência civil, que impedem o individualismo egoísta e o arbítrio cego, favorecem a coexistência harmoniosa e o trabalho a serviço do bem comum.
Mas, será possível viver segundo a justiça e praticar o direito? Sim, com a condição de que se reconheçam todas as outras pessoas como irmãos e irmãs e se veja a humanidade como uma família, no espírito da fraternidade universal.
E como é possível enxergá-la assim, sem a presença de um Pai para todos? Ele, por assim dizer, já gravou a fraternidade universal no DNA de cada pessoa. Com efeito, a primeira vontade de um pai é que os filhos se tratem como irmãos e irmãs, que se queiram bem, que se amem.
Por isso o “Filho” por excelência, o Irmão de cada homem, veio e nos deixou como norma da vida social o amor mútuo. E o respeito pelas regras da convivência e o cumprimento do próprio dever são expressões do amor.
O amor é a norma suprema de toda ação; norma essa que promove a verdadeira justiça e traz a paz. As nações precisam de leis cada vez mais correspondentes às necessidades da vida social e internacional, mas sobretudo precisam de homens e mulheres que no seu íntimo saibam “ordenar” a caridade. Essa “ordem” é justiça, e só nessa ordem as leis têm valor.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

Como viveremos, então, a Palavra de Vida durante este mês?
Empenhando-nos ainda mais nos deveres profissionais, na ética, na honestidade, na legalidade.
Reconhecendo os outros como pessoas da mesma família que esperam de nós atenção, respeito, proximidade solidária.
Se você colocar a caridade mútua e contínua (que precede todas as coisas) na base da sua vida, nos seus relacionamentos com o próximo, como a mais completa expressão do seu amor para com Deus, então a sua justiça será realmente agradável a Deus.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

No sul da Itália, um guarda civil com sua família decidiu morar, por opção de solidariedade para com as pessoas menos privilegiadas da cidade, num dos bairros novos que estavam surgindo: ruas sem asfalto, ausência de iluminação pública, de rede de água e de esgoto; serviços de assistência social e transporte público, nem pensar.
“Procuramos criar com todas as famílias e cada habitante do bairro uma relação de conhecimento e de diálogo”, diz ele, “tentando sanar a fratura existente entre os cidadãos e a administração pública. Aos poucos, os cerca de 3.000 habitantes do bairro se tornaram agentes ativos no relacionamento com as instituições públicas, por meio de um comitê criado com esse objetivo.
Chegaram a conseguir da administração regional a aprovação de uma verba significativa para a recuperação do bairro, que agora é um bairro-modelo, tendo criado até atividades de formação para representantes de todos os comitês de bairro da cidade”.

Chiara Lubich

“Tudo é amor”

Todos os anos, na Semana Santa, sentimo-nos envolvidos por uma atmosfera especial. De fato, estes são dias nos quais se manifesta, mais do que nunca, o seu amor por nós, porque é amor tudo aquilo de que se faz memória. Quinta-feira Santa: Amor o sacerdócio que possui um caráter ministerial, isto é, de serviço, de amor concreto. Amor a Eucaristia, na qual Jesus nos deu a si mesmo, por inteiro. Amor a unidade, efeito do amor que ele pediu ao Pai: “Que todos sejam um, como eu e tu”. Amor é aquele mandamento que Jesus conservou no coração por toda a vida, para revelá-lo um dia antes de morrer: “Assim como eu vos amei, amai-vos vós também. Disto todos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Não podemos passar este dia sem um momento de recolhimento, no qual dizemos a Jesus toda a adesão da nossa alma àquele mandamento que ele chamou “seu” e “novo”. Um mandamento que é  reflexo da própria vida da Trindade. Nós o havíamos descoberto ainda em Trento, durante a segunda guerra mundial. O Verbo de Deus nos parecia um divino imigrante que, fazendo-se homem, sem dúvida se adaptou ao modo de viver deste mundo. Foi criança e filho exemplar, homem e trabalhador. Mas trouxe o modo de viver da sua Pátria celeste, e quis que homens e coisas se recompusessem segundo uma ordem nova, a lei do céu: o amor.