14 Jun 2021 | Sem categoria
Vivendo a caridade, fonte de todas as virtudes, emerge em nós a imagem de Cristo, porque amando, somos um outro Cristo. Não obstante o nosso amor para com os irmãos, carregamos alguns defeitos que tiram algo da beleza de Cristo em nós. […] Vocês sabem como, adquirindo as virtudes e lutando contra os vícios a elas opostos, nós, chamados por Deus a fazer do irmão a nossa “riqueza”, encontramos exatamente no amor ao irmão a renúncia a nós mesmos. E vocês sabem como é nosso costume, em geral, para melhorar, não é que tomamos como alvo um defeito, mas contornamos os obstáculos, “mudar de quarto” como nós dizemos, “vivendo os outros” e colocamo-nos assim na caridade, fonte de todas as virtudes. […] Além do mais, Jesus Abandonado, a quem demos a vida, é para nós o modelo de todas as virtudes e dizemos sempre que queremos amá-lo não só na dor, mas também na prática das virtudes. A caridade, de fato, modela em nós a figura de Cristo, porque amando, somos um outro Cristo. Mas amando Jesus Abandonado na prática das virtudes, tem-se a impressão de burilar esta figura de Cristo em nós, de retocá-la. A verdade é que se pode observar que, não obstante o nosso amor para com os irmãos, arrastamos conosco há anos pequenos ou grandes defeitos, às vezes banais, mas que diminuem a beleza de Cristo em nós. […] Mas quais são estes defeitos? Cada qual tem os seus. Às vezes estragamos o que fazemos por causa da pressa ou cumprimos sem perfeição a vontade de Deus; nos distraímos na oração; nos detemos em tolices que agradam ao mundo ou não sabemos moderar a gula. Muitas vezes somos vencidos pela curiosidade ou caímos na vanglória; falamos de tudo e de nada ou sem necessidade. Estamos apegados a bugigangas, um pouco dependentes da televisão; fazemo-nos servir pelos irmãos; somos inconstantes e por aí afora. O que fazer? Jesus, quando se trata de coisas não boas, nos convida a agir com decisão, como quando afirmou: “Se o teu olho é para ti motivo de escândalo, arranca-o”*. Também nós, portanto, mesmo continuando na via do amor, por amor a Jesus Abandonado, não devemos ceder, permanecendo como somos, mas temos que desenraizar vício após vício. […] Eu estou convencida que na nossa via as coisas são mais possíveis. O amor, de fato, ajuda; o amor é renegar-se a si mesmo e queima também estas coisas. Todavia, não será inoportuno tomar como alvo um defeito e adquirir o hábito oposto. […] Então coragem e mãos à obra!
Chiara Lubich
*Cf. Mt 5, 29. (em uma conexão telefônica, Rocca di Papa 21 de junho de 1984) Tirado de: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova Ed., 2019, pag. 157.
11 Jun 2021 | Sem categoria
A quase dois anos do forte terremoto, a comunidade do Movimento dos Focolares agradece a todos os doadores que sustentaram o país em um momento de grande dificuldade. E a comunhão de bens não para: os recursos que sobraram foram enviados a quem teve de enfrentar outras emergências. Às 3h54 do dia 26 de novembro de 2019, um forte terremoto atingiu a República da Albânia, na região centro-setentrional. Foram 52 vítimas e mais de 2.000 feridos; os danos e desmoronamentos também foram numerosos. Mais de 4.000 pessoas tiveram de deixar suas casas. A Coordenação de Emergência do Movimento dos Focolares logo foi acionada para ir ao encontro das necessidades do país. Durante os trabalhos preliminares, foram identificadas seis famílias em necessidade, cujas casas ficaram tão danificadas que tiveram de ser reconstruídas. Devido à pandemia, os trabalhos ficaram atrasados, mas todas as famílias puderam enfrentar o inverno em uma estrutura adequada. Hoje, cinco casas estão prontas. A única família que ainda está aguardando para ver a própria casa consertada está na espera dos documentos necessários da prefeitura.
Após a notícia do terremoto, muitos membros do Movimento dos Focolares no mundo foram acionados para ir ao encontro das necessidades da comunidade da Albânia. Foi realizada uma grande comunhão de bens organizada juntamente com a AMU (Ação por um Mundo Unido) e AFN (Ação por Famílias Novas), arrecadando doações de muitos países, entre os quais Itália, Alemanha, Suíça, Áustria e Austrália. Francesco Tortorella, da AMU, destaca: “Os efeitos se multiplicam quando agimos juntos, não como organizações singulares ou expressões do Movimento dos Focolares individuais, mas como uma realidade única”. No total, foram arrecadados 53 mil euros, dos quais foram – e serão – usados 14 mil, para projetos de reconstrução na Albânia, incluindo os trabalhos da última casa, que serão executados assim que tiverem as licenças. O resto foi repassado às populações indígenas de Honduras, depois da destruição dos campos e palafitas dos camponeses, devido a dois furacões durante 2020. “A experiência de reciprocidade acabou envolvendo o projeto inteiro”, explica Francesco Tortorella, “todos concordaram em usar o dinheiro que sobrou para essa nova emergência”. Uma parte dos fundos foi investida na realização de um curso sobre emoções para jovens: depois do terremoto e da pandemia, havia a necessidade de receber ajuda para controlar o estresse e a angústia, principalmente para os adolescentes. Atualmente, estão participando 25 jovens de 14 a 24 anos.
Elsa Cara, membro do Movimento dos Focolares e contadora em Tirana, capital da Albânia, conta: “Devido ao terremoto, perdi sete primos. Foi difícil, mas eu não quis ficar parada: graças às doações do Movimento dos Focolares, fui a Thumane, um dos lugares mais atingidos pelo terremoto. Como é um país de maioria muçulmana, a comunidade católica é muito pequena: decidi ir até lá toda semana, para ficar próxima das crianças, dando um curso de catecismo. Inicialmente, todos estavam em estado de choque. Agora, são um grupo unido e feliz por fazer esse percurso, e muitos já foram batizados. Tudo isso foi fruto de uma colaboração entre os Focolares, a igreja local e a Caritas.” Alfred Matoshi, advogado de Tirana e colaborador do projeto de reconstrução, agradece aos doadores em nome de toda a comunidade do Movimento dos Focolares na Albânia: “Obrigado porque foram eles que nos permitiram ir ao encontro das famílias em dificuldade, das crianças na rua, sem casa, das pessoas que estavam chorando com o susto. Obrigado, não parem de doar, onde quer que haja necessidades”.
Laura Salerno
9 Jun 2021 | Sem categoria
Uma conferência internacional on-line, com traduções em 20 idiomas, promovida pelos Focolares destacou a contribuição da espiritualidade de Chiara Lubich para aumentar a unidade entre os cristãos. “A vontade de Deus é o amor recíproco, portanto, para curar esta ruptura é necessário que nos amemos uns aos outros”. Com estas palavras Chiara Lubich, em 26 de maio de 1961, lançou o Centro “Uno” para a unidade dos cristãos, como uma contribuição na esfera ecumênica para “curar” a “ruptura” da divisão entre cristãos de várias Igrejas. Aqueles que, do mundo inteiro, mais de 13.000 pessoas, participaram do encontro internacional pela unidade cristã promovido pelo Movimento dos Focolares e realizado on-line nos dias 28 e 29 de maio passado, com o título “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12), puderam ver que a linha então indicada pelo fundador continua sendo a linha do Movimento na esfera ecumênica. (Jo 15:12), pôde ver que a linha indicada na época pela fundadora continua a ser a linha do Movimento na esfera ecumênica. Duas, em particular, emergiram no caminho para a unidade cristã: “o diálogo da vida” e “a partilha dos dons espirituais”. Na base destes, para os membros do Movimento dos Focolares, há dois pontos da espiritualidade da unidade: a presença de Jesus no meio dos cristãos unidos em seu amor (cf Mt 18,20) e o amor levado ao extremo no grito de Jesus na cruz (cf Mc 15,34). “O grito da humanidade hoje”, disse Margaret Karram, presidente do Movimento dos Focolares, em seu discurso, “parece ser um eco de seu próprio grito: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Mc 15:34). Mas Jesus, com um ato supremo de rendição, entregou-se completamente ao Pai, colmatando cada lacuna, cada desunião possível”. “Nele”, continuou, “encontramos a medida do amor. Quando O reconhecemos em tudo o que nos machuca, em nossos próprios limites e nos dos outros, quando é difícil ‘nos encontrarmos’ sem nos machucarmos, ainda é Ele quem nos chama a amar a Igreja do outro como se fosse nossa”. O Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, também se referiu aos “dois pólos do carisma da unidade”, a unidade e Jesus abandonado. Apontou-os como a contribuição da espiritualidade ecumênica de Chiara Lubich para aumentar a unidade entre os cristãos. Declarou também que havia “recebido dela muita inspiração para minha tarefa atual”. O Cardeal transmitiu a saudação do Papa Francisco que “espera que a reflexão sobre o diálogo e a troca de dons espirituais, assim como a partilha da experiência de comunhão vivida nestes anos, seja um encorajamento para realizar diariamente a oração de Jesus ao Pai ‘Para que todos sejam um'”. O Reverendo Ioan Sauca, Secretário Interino do Conselho Ecumênico de Igrejas disse que o amor está “no coração da espiritualidade da unidade de que Chiara sempre falou; todos nós somos abraçados pelo amor de Deus em Cristo no poder do Espírito Santo”. O teólogo católico Piero Coda, referindo-se à presença de Jesus no meio de seus seguidores, disse: “E então será Ele, na luz e na força do Espírito, que nos guiará no caminho da unidade”. “Jesus no meio” é uma expressão cunhada por Lubich que, como lembrou a Prof. Mervat Kelly da Igreja Ortodoxa Síria, “nunca tinha sido ouvida antes”, embora vários Padres da Igreja tenham falado sobre ela. Enquanto o teólogo evangélico luterano Stefan Tobler observou que “o Movimento, querendo apoiar a jornada das Igrejas, pode conduzir a uma experiência que é a base, o alimento de toda jornada ecumênica”. A conferência foi seguida em muitos países do mundo: com 20 idiomas em tradução simultânea, no primeiro dia o webcast ao vivo teve mais de 13.000 visualizações individuais e no segundo dia 8500. Experiências ao vivo de Cuba, México, Peru, Venezuela, Hong Kong, Filipinas, Congo, EUA, Líbano, Romênia, Grã-Bretanha, Irlanda, Itália e o projeto “Juntos pela Europa” confirmaram que o “diálogo da vida” é um caminho viável no caminho da unidade. Outra dimensão que surgiu na conferência foi o “ecumenismo receptivo”, ou seja, o intercâmbio de dons espirituais, a descoberta dos dons que cada Igreja pode oferecer e compartilhar. Dom Juan Usma Gómez, do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, especialista em diálogo com a realidade carismático-pentecostal, delineou as tensões que existem dentro do cristianismo. “Gostaria que tentássemos juntos”, disse ele, “sonhar com um possível caminho entre os membros do Movimento dos Focolares e aqueles que pertencem ao Movimento Pentecostal/Carismático, identificando alguns elementos essenciais para colocá-lo em ação”. A sessão foi enriquecida pelo pastor Giovanni Traettino, fundador da Igreja Evangélica da Reconciliação na Itália e pelo pastor Joe Tosini, fundador do Movimento João 17 nos Estados Unidos, enquanto os testemunhos da Itália de pentecostais e católicos membros do Movimento dos Focolares que trabalham juntos em projetos de solidariedade para suas cidades, validaram a fecundidade do “diálogo da vida”. Na conclusão do encontro, Jesús Morán, co-presidente do Movimento dos Focolares, observou: “O amor mútuo entre nós cristãos é o testemunho mais forte e mais credível para o mundo ao nosso redor” e “no momento atual em que a humanidade vive, a unidade cristã é um imperativo ético”. Afirmando que “não queremos fugir desse esforço de unidade ao qual se referiu Cardeal K. Koch, em seu pronunciameto, concluiu: “Só queremos dar prioridade ao que tem prioridade, e esta é a experiência de Deus que fundamenta toda lógica, todo discurso de pregação sobre Deus. Parece-me que nestes dias tivemos esta experiência, mais uma vez, como um imenso presente de Deus”.
Joan Patricia Back
Link para rever a transmissão de 28 e 29 maio nas diversas línguas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLKhiBjTNojHo9Zx4JZmSokKOePyBL4Prp
8 Jun 2021 | Sem categoria
Para adolescentes e jovens dos 10 aos 35 anos, o concurso quer valorizar aqueles que expressarão de um modo artístico o que lhes inspirou o encontro com Chiara Badano. Prazo de recebimento 30 de junho de 2021. Também este ano será possível participar do Premio Chiara “Luce” Badano – criado em 2018 chegou à sua IV edição promovido pela Fundação Chiara Badano -, dedicado a Chiara Badano, uma jovem do Movimento dos Focolares da comunidade de Sassello (Itália) beatificada dia 25 de setembro de 2010. O concurso visa promover obras artísticas que sejam inspiradas na história de vida e no modelo existencial de Chiara Badano, com o objetivo de apoiar e incentivar o conhecimento da sua figura e da sua história, propondo-a como modelo de vida para muitos jovens. Aos 17 anos Chiara descobriu que estava com um tumor ósseo. Ela percebeu a gravidade do mal que a atingiu, mas o amor por Deus era mais forte. A sua oferta foi decisiva: “Por ti Jesus, se tu queres, eu também quero!” Ela possuía um relacionamento próximo e profundo com Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, que lhe escreveu: “Deus lhe ama imensamente e quer penetrar nas profundezas da sua alma e fazer-lhe experimentar gotas do céu. Chiara Luce é o nome que eu pensei para você, você gostou? É a luz do Ideal que vence o mundo…” Chiara Badano partiu para o Céu dia 7 de outubro de 1990 aos 19 anos de idade. Hoje, sua vida ainda que breve, embora intensa no relacionamento com Deus Amor é um exemplo para milhares de jovens e adolescentes em todo o mundo. E o prêmio Chiara “Luce” Badano é dirigido a todos os jovens dos 10 aos 35 anos e visa promover aqueles que expressarão de modo artístico aquilo que lhes inspirou o encontro com Chiara Badano. Haverá duas categorias de participantes de todo o mundo: individual ou em grupo, nas faixas etárias: dos 10 aos 16 anos, os adolescentes e dos 17 aos 35 os jovens. Poderão participar com um único trabalho em cada edição. A idade considerada será aquela indicada na inscrição ao prêmio. Os artistas poderão participar através de suas expressões criativas favoritas: desenhos, poesias, histórias, músicas, danças, mímicas, história em quadrinhos, videoclipe ou outros. Os trabalhos deverão chegar até o dia 30 de junho de 2021 e não além deste dia, de acordo com as regras e procedimentos indicados no regulamento no site www.chiarabadano.org. Um júri qualificado, presidido pela mãe de Chiara, Maria Teresa Badano, votará sobre os trabalhos subdivididos nas duas categorias adolescentes e jovens. No dia 29 de outubro, dia da sua festa litúrgica se realizará em Sassello a cerimonia de premiação com uma placa em vidro representando Chiara Badano e a exposição e/ou apresentação da obra vencedora.
Lorenzo Russo
7 Jun 2021 | Sem categoria
A caridade, que é uma participação na vida divina, não pode ser improvisada. Devemos buscá-la em Deus e no seu Espírito. Escutando e obedecendo à sua voz, o projeto de Deus abre-se diante de nós, magnífico e majestoso. […] Ser perfeitos no amor! Sabemos que para atingir este objetivo devemos ser cada dia mais perfeitos, pois “quem não progredi, regride”. E por isso devemos ter uma caridade sempre mais refinada, sempre mais delicada pelo próximo que passa ao nosso lado. Mas qual será o melhor meio para atingir este objetivo? Eu não vejo outro meio senão aquele de termos coração, mente e forças fixados em Jesus Abandonado, num desejo continuamente renovado de amá-lo, amá-lo nos sofrimentos inevitáveis do dia a dia […]. E é com este amor, é – como costumamos dizer – “estando para além da chaga”, sempre, em cada momento, que o Ressuscitado pode viver luminosamente em nós, que o seu Espírito pode romper todas as amarras do nosso eu. E se o Espírito Santo agir livremente em nós, ele poderá expandir melhor a caridade, que é difundida por ele mesmo no nosso coração. Nestes dias constato que, procurando viver com o Ressuscitado no meu coração, a voz de Deus cresce dentro de mim. E é esta voz que me orienta nos contatos que devo manter com as pessoas, sejam ou não membros do Movimento. […] Não podemos, pois, improvisar a caridade, que é uma participação na vida divina. Devemos buscá-la em Deus e no seu Espírito. Só então, escutando e obedecendo à sua voz, o projeto de Deus abre-se diante de nós, magnífico e majestoso. E à medida que isto se realiza, a unidade entre nós se aprofunda, cresce […]. Caros amigos, temos um ideal extraordinário, divino! […] Realmente, nós não sabemos o que temos, ou melhor, nós o sabemos sim. Temos Jesus, o Filho de Deus, em nós e em meio a nós, que vive e reina lá onde a caridade é rainha. E para que sejamos sempre e cada vez mais assim, […] voltemos a amar Jesus Abandonado, a fim de que o Ressuscitado resplandeça em nós. A Palavra do seu Espírito se tornará poderosa em todos nós e podemos ser cada vez mais perfeitos no amor, agradando sempre mais a Deus, a Maria e sendo cada vez mais aptos para servir a Igreja. Lembremo-nos deste trinômio: Jesus Abandonado, o Ressuscitado, ouvir a voz do Espírito Santo. Desta forma seremos para todos a expressão da caridade de Deus.
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa 21 de novembro de 1985) Tirado de: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova Ed., 2019, pag. 219.
6 Jun 2021 | Sem categoria
Entramos em contato com a comunidade do Movimento dos Focolares em Goma (República Democrática do Congo) que vive, como toda a população, em um estado de perigo, depois da erupção do vulcão Nyiragongo e dos abalos sísmicos que a sucederam.
Há pouco mais de uma semana o vulcão Nyiragongo, situado na República Democrática do Congo e definido como um dos mais ativos no mundo, explodiu. Segundo a National Geographics “o monte Nyiragongo raramente está calmo e é um dos poucos lugares do mundo que possui, em seu subsolo, um verdadeiro lago de lava que ferve até a borda da cratera”. Na tarde de sábado, 22 de maio, a situação se agravou bruscamente: grandes fendas se abriram nas vertentes rochosas, deixando passar a lava em um movimento rápido, em direção a Goma, uma metrópole com mais de 1,5 milhões de pessoas, localizada a cerca de 10 km do vulcão. “Medo e desespero tornaram-se companheiros da vida de todo dia – conta Asu-Oma Tabe Takang, focolarina dos Camarões que mora em Goma, com quem falamos – um pesadelo que, infelizmente, os habitantes dessa cidade conhecem bem”. Devido ao risco de uma nova erupção, o governo estadual pediu aos moradores de 10 bairros da cidade que deixassem suas casas. A UNICEF advertiu que 200 mil crianças estão entre as 400 mil pessoas que deverão se deslocar e que precisam de proteção e apoio. “A situação ainda não está estabilizada – continua Asu-Oma – e ainda se teme uma nova erupção. Nós moramos num bairro considerado fora de risco, por isso estamos mais tranquilas. Há pessoas que vieram buscar refúgio”. Como vocês estão enfrentando a situação? Desde os primeiros momentos desta tragédia nós assumimos um desafio: fazer o esforço de viver ‘aqui e agora’. Isto é, estar conscientes e atentas ao que está acontecendo ao nosso redor, não nos distrair com as preocupações e o medo para poder ajudar quem tem mais necessidade. E de que modo vivem este desastre? Ainda não conseguimos sair de casa como antes, ainda há muito medo, mesmo se aos poucos a vida está voltando ao normal. Pelos meios de comunicação estamos em contato com amigos, familiares e todos os membros do Movimento nessa região. Os primeiros instantes foram duros para todos, estávamos agitados e na incerteza. Num determinado momento alguém mandou uma mensagem em um dos nossos grupos, recordando a experiência de Chiara Lubich e suas primeiras companheiras, durante a guerra: “Também para Chiara eram tempos de guerra, mas elas tinham feito uma descoberta que mudou suas vidas: Deus é Amor”. Essas mensagens chegavam come centelhas que infundiam coragem nas pessoas, transformando inclusive a nossa atitude diante dos nossos sofrimentos e transtornos, e dos nossos próximos, especialmente os que mais sofriam. Os nossos celulares estavam cheios de mensagens e experiências: uma verdadeira corrente de solidariedade.
Em que sentido? Uma corrente de solidariedade é feita de pequenos gestos de atenção, gentileza, ternura, caridade que qualquer um pode praticar, em qualquer lugar: quem precisou deixar sua casa, mas também quem pode ficar. Foi graças a este apoio que os nossos corações, e também nossas casas, tornaram-se espaços de acolhida. Uma manhã recebemos mensagens de alguns amigos e conhecidos que estavam preocupados conosco e nos aconselhavam a deixar a cidade. E recebemos o telefonema de uma pessoa que precisava se refugiar porque o seu bairro corria sério risco. Estava se preparando para isso, mas não sabia aonde ir. Neste momento eu refleti: “eu estou segura e pensando em ir embora, e essa pessoa que precisa deixar sua casa não tem aonde ir?”. Contei às outras focolarinas sobre isso e decidimos permanecer na cidade, por todos aqueles que iriam precisar de nós. Assim ligamos a essa pessoa oferecendo hospitalidade para ela e seus filhos, no focolare. Estes gestos simples de atenção estão gerando relacionamentos de reciprocidade entre as pessoas, até entre desconhecidos, e nos fazem sentir paz e serenidade. Um dia começou a faltar luz e água na cidade. O nosso porteiro, que ficara tocado pelo fato que decidimos permanecer ali, fez de tudo para que tivéssemos um pouco de água. Foi procurar um nosso vizinho e disse: “… elas não podem ficar sem água”, e juntos fizeram com que tivéssemos toda a água necessária! O desastre atingiu também mais de 17 localidades… Sim, com a perda de centenas de casas, escolas, centros de saúde e até de um aqueduto. São 17 vítimas confirmadas, um número que pode aumentar nos próximos dias; algumas pessoas morreram queimadas, outras em acidentes nas estradas durante a evacuação caótica. Em todos esses dias procuramos estar próximas e rezar com e por todas as famílias que perderam alguma coisa, ou seus familiares, como aconteceu com três famílias da nossa comunidade dos Focolares, que perderam tudo embaixo da lava. Nós nos perguntamos o que fazer para aliviar ao menos um pouco este sofrimento. Uma pessoa da comunidade ofereceu o seu terreno para construir temporariamente uma moradia para cada uma dessas famílias, que garanta a sobrevivência delas e sua intimidade. Estamos assistindo a gestos de enorme generosidade.
De Lily Mugombozi e Ghislane Kahambu