23 Fev 2021 | Sem categoria
Um centro social na Bolívia oferece suporte a 220 crianças e famílias com dificuldades. A história de Silvio: acolhido quando era criança, hoje trabalha para a associação que o salvou. Silvio mora em Cochabamba, tem 10 irmãos, seu pai era minerador e morreu quando ele tinha apenas 10 anos. A partir daquele momento, sua mãe teve de criar sozinha os 11 filhos: moravam em um cômodo de 4 por 5 metros em um bairro em que as drogas e os furtos eram as principais atividades dos adolescentes. Agora, Silvio trabalha para a Fundação Unisol, a mesma associação beneficente que um dia tirou ele e seus irmãos das ruas. Essa fundação é sustentada também pela AFN (Associação Ação por Famílias Novas), uma ONLUS (organização de utilidade social sem fins lucrativos) que oferece por meio de programas específicos de sustento a distância serviços que têm como objetivo apoiar os menores no âmbito escolar, alimentar e médico, cuidando também do contexto familiar e comunitário ao qual o menor pertence, a fim de que possa crescer o máximo possível em um ambiente saudável. A realização desses programas é coordenada a distância por uma equipe competente local. Mas o que a fundação faz de concreto? Perguntamos justamente a Silvio, cuja história está entrelaçada com a da Unisol que hoje apoia 220 crianças e famílias em dificuldade. Pode nos contar alguma coisa sobre a sua família e a sua infância? “Somos uma família muito numerosa, ao todo, somos 11 filhos. Antes, morávamos em Quillacollo, um dos bairros mais perigosos de Cochabamba (uma das cidades mais populosas da Bolívia). Meu pai trabalhava em uma mineradora. Morreu com um tumor quando eu tinha 10 anos e, a partir daquele momento, minha mãe ficou encarregada de tudo e nos criou sozinha. Pela primeira vez, foi obrigada a procurar um trabalho e foi contratada como responsável pela limpeza de uma escola de outra cidade. Para facilitar os deslocamentos, lhe ofereceram moradia dentro da escola, na portaria: um pequeno cômodo de 4 por 5 metros em que já moravam 8 pessoas. O bairro para o qual nos mudamos era melhor que o anterior, mas também era bastante perigoso. Muitas vezes, as famílias não conseguem cuidar dos filhos porque trabalham o dia inteiro, e os garotos entram facilmente no mundo das drogas, portanto vendem ou roubam para pagar as doses. Muitos dos meus colegas que frequentavam a escola acabaram nas gangues. E eu falava com eles, inclusive com os mais perigosos. É claro que eu não queria ser inimigo de ninguém que mais tarde poderia se vingar de mim ou da minha família! Alguns dos meus amigos e drogavam muito. E também me ofereciam. Mas sempre recusei, sobretudo pelo respeito que tinha para com a minha mãe, que se sacrificava por todos nós, os filhos, e sempre a admirei muito.” Mas um dia algo mudou… “Sim. Um dia chegaram na escola algumas pessoas do Movimento dos Focolares que ofereceram à minha mãe ajuda para nós, os filhos. Eles nos davam lanches e doces, nos deixavam jogar, nos escutavam, nos davam aquilo de que precisávamos. E finalmente nos sentíamos felizes. Mais tarde, pouco a pouco fomos ficando bem mais numerosos e nasceu a ideia de encontrar um espaço, que não fosse a rua, para brincar, estudar, ficar juntos. Assim, nasceu o centro Rincón de Luz (Canto de Luz) em Cochabamba. Mais tarde, também nasceu ao lado dele o centro Clara Luz (Luz Clara), em Santa Cruz. Esse espaço mudou nossas vidas; por exemplo, uma das minhas irmãs é surda-muda. Era impossível encontrar um trabalho para ela e não tínhamos dinheiro para fazê-la estudar. Mas graças à ajuda que recebemos dos doadores da Fundação, ela conseguiu se formar e agora também tem uma profissão.” O que a Fundação Unisol faz concretamente? “Ajuda os mais indigentes, em particular, as famílias. Fornece comida, remédios e material escolar para eles; oferece também apoio educativo com atividades depois da escola para as crianças; organiza momentos recreativos, almoços, lanches, workshops para ensinar a elas atividades práticas e manuais, de conscientização à reciclagem e ao meio-ambiente, formação pessoal, partilha de experiências… Depois de ter feito essa experiência de ser acolhido pela Fundação, agora é você mesmo que acolhe crianças e famílias em dificuldade. O que o incentiva a ficar? “Antes de tudo, preciso explicar um pouco o contexto: em outubro de 2019, na Bolívia, tivemos eleições presidenciais. Logo depois, houve uma crise política que reduziu notavelmente o fornecimento de fundos aos órgãos públicos, depois, chegou a pandemia. A situação se agravou: muitos médicos e operadores sanitários pararam de trabalhar por medo do contágio; quem aceitasse trabalhar nos hospitais recebia salários altos. Foi nesse momento que recebi uma proposta de trabalho muito vantajosa. Fiquei tentado: quem não gostaria de ter mais comodidade? Mas depois me dei conta de que o dinheiro não me faria feliz. Entendi que viver pelos outros me faria feliz: eu devia continuar no Rincón de Luz.” Como mudou a ajuda às famílias com a pandemia? E há algo que você gostaria de dizer em particular para quem vai conhecer a Fundação Unisol? “A pandemia atingiu duramente as famílias. Muitos vendiam objetos ou alimentos nas ruas e agora não podem mais fazer isso e não ganham dinheiro. Muitos estão perdendo a esperança de se reerguer dessa situação. Além disso, houve vários divórcios e isso também tem muitas consequências para as crianças que acolhemos. Neste momento, também a minha mãe acolheu um menino em casa, filho de um casal que acabou de se separar e não tem praticamente nada. O que fazemos é isso, estar disponíveis para tudo o que essas famílias precisam. Infelizmente não temos recursos para chegar a um número maior de pessoas, mesmo que isso seja o que gostaríamos de fazer. Continuamos a ajudar as famílias que seguíamos antes. Além das outras coisas, procuramos oferecer a eles também um lugar onde possam se distrair, porque a situação é realmente pesada. Mas os que precisam de um apoio são muito mais, por isso, convido os que estão conhecendo a Fundação Unisol a dar uma mão, começando por quem está ao nosso lado, que talvez não conheçamos, mas que precisam do nosso tempo, da nossa atenção e do nosso amor.”
Por Laura Salerno
Entrevista de Laura Salerno com Silvio (Escolher subtítulos em português): https://youtu.be/UVTztN2UoUE Contatos: www.fundacionunisol.org Facebook: @Fundaciónunisol https://www.afnonlus.org/ Facebook: @afnonlus Instagram: @afn.onlus
22 Fev 2021 | Sem categoria
A escolha mais radical na vida de Chiara Lubich foi amar Jesus sobretudo na sua maior dor: o seu abandono na cruz. Mas amar ‘Jesus Abandonado” significa, portanto, amar acima de tudo aquele próximo que sentimos estar mais “distante” de nós. “Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, terá de responder em juízo”1. […] Voltamos ao tema do amor ao irmão. É útil, é necessário, é importante para nós reconsiderá-lo. O objetivo geral [do nosso Movimento] é a perfeição da caridade. Amor ao irmão! Amor cada vez mais sentido, profundo, aperfeiçoado, lapidado. Às vezes parece difícil dobrar o nosso coração a um amor mais refinado do que aquele que já nutrimos pelos nossos irmãos. Nosso coração ainda é um pouco de pedra, nosso amor é rude, superficial, apressado. Por quê? Porque ainda temos o coração ocupado pelo nosso eu, em dar importância a nós próprios. Mesmo sem percebermos, somos egoístas e soberbos. Constatamos isso quando sofremos uma dura prova espiritual (daquelas que, como um terremoto, parecem arrancar tudo com a raiz, tendo como efeito desprender-nos de nós mesmos, de nossas coisas, humilhar-nos, destruir o nosso orgulho), quando sofremos uma dura prova espiritual, experimentamos um amor mais compreensivo, mais profundo, mais fácil, mais espontâneo pelos nossos irmãos. Disto podemos deduzir que a pobreza e a humildade estão na base da caridade. A pobreza e a humildade. Mas como adquiri-las, como conquistá-las sem ter de esperar pelas tempestades espirituais? […] É preciso “viver o outro” […] e isto pressupõe o não voltar-se para si mesmo, pressupõe uma total pobreza e humildade. […] Diante de cada próximo, coloquemo-nos na atitude de acolher perfeitamente em nós a sua vida. […] E uma vez que falamos de irmãos, perguntemo-nos: A quem devemos amar primeiro? Quem devemos amar mais? A quem dar preferência? Na nossa vida escolhemos Jesus Abandonado. Prefiramos aquelas pessoas que, pelas suas condições ou pela situação em que se encontram, nos lembram a fisionomia de Jesus Abandonado: Quantos, embora católicos, vivem longe da Igreja; e também todos aqueles que, de várias maneiras, estão de certa forma distantes da verdade que é Cristo, e também os que não professam fé alguma. Voltemos nossa atenção especialmente para todos estes. Precisamos cuidar daqueles que nos foram confiados, com cartas, visitas e telefonemas? Comecemos pelas pessoas que, de certa forma, estão mais distantes de nós. Reavivemos, então, o amor aos irmãos “fazendo-nos um” com eles, a ponto de viver a sua vida, se podemos dizer assim. Comecemos pelos que percebemos estar mais distantes do nosso modo evangélico de pensar e viver. […] Jesus Abandonado nos espera lá. É lá o nosso lugar.
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa, 12 de fevereiro de 1987) Tirado de: “Cominciare con l’amare i più lontani”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova Ed., 2019, pag. 273. 1) Mt 5,22a
19 Fev 2021 | Sem categoria
O compromisso de uma pequena comunidade em Murcia (Espanha) deu origem a muitas atividades para abrir espaços de diálogo e solidariedade: encontros entre cidadãos e políticos, eventos culturais, atividades para emergências sociais e humanitárias.
Aljucer é uma pequena cidade na região de Murcia, no sul da Espanha. Há doze anos, a comunidade local dos Focolares perguntou-se como poderia concretizar seu compromisso de viver a fraternidade e causar impacto no nível social desta cidade, imersa em uma área fértil e próxima ao Mar Mediterrâneo, onde não faltam emergências grandes e pequenas. O primeiro passo foi encontrar a maneira de implementar formas mais abertas e inclusivas de participação na vida da cidade. Para isso, em colaboração com outros grupos, criaram a associação cultural “ACLF Aljucer”. “A primeira experiência que tivemos como associação – dizem – foi reunir os vários prefeitos que administraram a cidade durante o período democrático espanhol. Não foi fácil fazer os convites, mas, no final, todos concordaram em participar. Eles tiveram a oportunidade de se apresentar, lembrar os tempos em que ocupavam seus cargos e, em alguns casos, de se reconciliar. No final, agradecendo-nos, eles nos encorajaram a continuar nesta linha”.
Essa experiência que deu origem a uma idéia: repetir reuniões todos os anos para aproximar políticos e cidadãos. Assim nasceram “Em Nossas Mãos” e “O Orador”. “O primeiro evento, agora em sua décima segunda edição – explicam – ocorre antes das eleições e oferece um ambiente sereno que promove o diálogo entre cidadãos e candidatos. No segundo evento, por outro lado, é escolhido um tema atual e é dada a palavra a políticos e cidadãos. As intervenções e propostas são coletadas, publicadas no site da Associação e oferecidas como uma contribuição à Câmara Municipal. Alguns dos temas propostos foram estudados em profundidade e, a partir desta experiência, surgiu a idéia de um Centro Cultural sob o controle da Prefeitura, que agora está sendo realizado”. Outro campo de atividade da Associação é o cultural: concertos, apresentações de livros e exposições. E depois “Aljucereños”, um evento no qual personalidades da cultura, música, pintura, literatura, política, economia e medicina contam suas experiências de vida e as razões de suas escolhas. Com outras associações eles promovem uma reunião mensal e organizam uma Feira Anual de Associações.
Mas para alcançar a fraternidade também é necessário ouvir e responder aos sofrimentos e feridas da região. O primeiro passo no campo da solidariedade”, continuam eles, “foi um jantar para o projeto ‘Fraternidade com a África’, para financiar bolsas de estudo para jovens africanos que se comprometeram a trabalhar em seu país por pelo menos cinco anos”. Em pouco tempo, essa tornou-se nossa principal atividade, aquela pela qual muitas pessoas nos conhecem”. Lojistas e associações colaboram na realização dos jantares, que reúnem cerca de duzentas pessoas. Em cada edição, fornecemos atualizações sobre a evolução do projeto”. A Associação colabora ainda em iniciativas promovidas por outros órgãos em apoio a emergências humanitárias (Filipinas, Madagascar, Croácia) e tem trabalhado em prol dos refugiados devido à guerra na Síria. A última atividade foi uma angariação de fundos para o Líbano, após as explosões em Beirute em agosto de 2020. E mesmo quando as emergências chegaram perto de casa, eles não recuaram. “No ano passado – explicam – nossa prioridade era coletar água e alimentos para as pessoas afetadas pelas inundações em nossa região. Também organizamos atividades voluntárias e coletas de material escolar para uma escola em nossa área com uma alta porcentagem da população em risco de exclusão social. No último ano, apoiamos três famílias afetadas pela pandemia, fornecendo alimentos, medicamentos e ajuda financeira. Divulgamos todas essas atividades através do site e do perfil da Associação no Facebook, o que nos ajuda a promover uma cultura de solidariedade em larga escala”.
Anna Lisa Innocenti
15 Fev 2021 | Sem categoria
Se a espiritualidade dos Focolares, centrada no amor ao irmão, é uma expressão do Evangelho, então também a “perfeição nas virtudes”, segundo a tradição cristã, deve se concretizar na relação com os outros, com os irmãos. Essa é a convicção que Chiara Lubich expõe no texto a seguir. Para podermos fazer de nossa vida uma Santa Viagem, e para que esta tenha a conclusão desejada, A Imitação de Cristo, livro de meditação rico em espiritualidade, diz que são necessárias algumas qualidades que exigem todo nosso esforço pessoal, como o completo desprezo pelas coisas do mundo, o desejo ardente de progredir na virtude, o amor ao sacrifício, o fervor na penitência, a renúncia de si mesmo e o saber suportar toda e qualquer adversidade… Estas são qualidades que todos nós devemos possuir. Porém é necessário que nos interroguemos: segundo a nossa espiritualidade, de que modo podemos adquiri-las? A resposta é clara e segura: nós não somos chamados por Deus a realizar tudo isto através de uma vida monástica e separada do mundo. Somos chamados a permanecer em meio ao mundo e a chegar a Deus através do irmão, portanto, mediante o amor ao próximo e o amor mútuo. Empenhando-nos em caminhar por esta estrada toda original e evangélica ao mesmo tempo, como por encanto encontraremos a nossa alma enriquecida por todas estas virtudes. É necessário o desprezo do mundo: e não existe maior desprezo a alguma coisa do que ignorá-la, não a levando em consideração. Se estivermos completamente projetados no outro, a pensar no outro, a amá-lo, nós não consideraremos o mundo, e ele será ignorado, portanto, desprezado. Isso porém não nos dispensa do dever de fazer toda a nossa parte para afastar as suas sugestões negativas, quando elas nos irrompem. E preciso progredir na virtude? É com o amor que o conseguiremos. Por acaso, não está escrito: “Correrei pelos caminhos dos vossos mandamentos, porque sois vós que dilatastes com o amor o meu coração?1.” Se, amando o próximo, corremos no cumprimento dos mandamentos de Deus, significa que estamos progredindo. É necessário o amor ao sacrifício. Amar os outros significa justamente sacrificar a si mesmo para se dedicar aos irmãos. O amor cristão é sinônimo de sacrifício, mesmo se traz em si grande alegria. É preciso o fervor da penitência. E através de uma vida de amor que encontraremos a melhor e a principal penitência. É necessária a renúncia a si mesmo. No amor para com os outros está sempre implícita uma renúncia a si mesmo. É necessário, enfim, saber suportar todas as adversidades. E no mundo, porventura, os sofrimentos não são causados pela convivência com os outros? Devemos saber suportar a todos e amá-los por amor a Jesus Abandonado. Com isto superaremos muitos obstáculos em nossa vida. Sem dúvida, no amor ao próximo encontraremos o modo por excelência para fazer da vida uma “Santa Viagem”. […]
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa, 27 de novembro de 1986) Tirado de: “Qualità impegnative per chi vuol fare un santo viaggio”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova Ed., 2019, pag. 261. 1) Sl 118, 32
12 Fev 2021 | Sem categoria
É o título do Congresso que acontecerá de 18 a 19 de fevereiro, promovido pelo Centro Chiara Lubich e a Biblioteca Nacional Central de Roma (Itália). Consonâncias e interseções da espiritualidade da unidade com as ideias e o pensamento dos grandes do nosso tempo. Como imaginamos um diálogo entre Chiara Lubich, Dietrich Bonhoeffer, Simone Weil, Mahatma Gandhi, e ainda com Giorgio La Pira, Martin Luther King ou até mesmo Michail Gorbaciov? Quando acontece que a visão de uma personalidade se intersecta com a de outros “grandes” do seu ou de outros tempos, tais convergências muitas vezes fortalecem e enriquecem um movimento transversal de ideias, capaz de alcançar amplas faixas da humanidade e imprimir uma trajetória de marcha para uma mudança duradoura. Colocar a ideia de unidade de Chiara Lubich em diálogo com várias personalidades que marcaram a história, é a intenção da conferência “Chiara Lubich em diálogo com nosso tempo” (18 e 19 de fevereiro de 2021), promovido pelo Centro Chiara Lubich e pela Biblioteca Central Nacional de Roma. Será possível acompanhar o evento online no canal da Città Nuova no YouTube em italiano, inglês, espanhol e português. QUINTA 18/02 ITALIANO https://youtu.be/hePSudSFdbo PORTUGUÊS https://youtu.be/91uF6G4uJ80 ENGLISH https://youtu.be/_vKWn0NNP_Q ESPAÑOL https://youtu.be/Awo4Z3sbQU0 SEXTA 19/02 ITALIANO https://youtu.be/R1NtYaCUifA PORTUGUÊS https://youtu.be/pQKtuCs1loQ ENGLISH https://youtu.be/s8H4u-LHC70 ESPAÑOL https://youtu.be/TNFO84-RZBM A conferência abordará o pensamento, a experiência histórica, política, econômica e literária de Chiara Lubich, graças à contribuição de acadêmicos e estudiosos de diferentes disciplinas: desde Michel Angel Moratinos até Andrea Riccardi, passando por Piero Coda, Alessandra Smerilli, Vincenzo Buonomo, Pasquale Ferrara, Maurizio Gentilini, Giulia Paola De Nicola, Adriano Roccucci, Cristiana Freni, Lucia Tancredi, Aldo Civico, com participações de outros países como Andras Fejérdy da Hungria e Vinu Aram da Índia, apenas para citar alguns. A conferência será realizada em quatro sessões: histórica, literária, sócio-política e a última, dedicada a algumas figuras do século XX. Chiara Lubich atravessou o século XX e viveu o início do novo milênio, observando esta passagem de época sob a perspectiva da fraternidade universal, convicta – como ela disse muitas vezes – que “a unidade é um sinal dos tempos”. As consonâncias que a conferência visa enfatizar vão muito além da análise do pensamento de Chiara Lubich, pois o colocam em diálogo e confronto com grandes figuras que, com diferentes trajetórias de vida e culturais orientaram, todavia, seu olhar para a mesma direção. Para a realização do Congresso além do Movimento dos Focolares, também são parceiros o Instituto Universitário Sophia, Città Nuova, New Humanity e a Fondazione Museo Storico del Trentino.
Stefania Tanesini
12 Fev 2021 | Sem categoria
29 de março de 1922 – 1° de novembro de 2020. Jesuíta e religioso do Movimento dos Focolares, foi um grande educador e pai espiritual. Pouco antes do amanhecer do dia da festa de todos os santos, na enfermaria dos padres jesuítas de Roma, o pe. Paolo Bachelet subiu para a casa do Pai. No dia 29 de março de 2020 havia completado 98 anos. Pe. Paolo entrou para a Companhia de Jesus em 07 de dezembro de 1941. Foi ordenado sacerdote no dia 07 de julho de 1951. Terminou sua formação com os últimos votos solenes em 03 de fevereiro de 1958. Conheceu o Movimento dos Focolares e a espiritualidade da Unidade nos anos 50, quando era estudante de Teologia na Universidade Gregoriana, onde encontrou como colega de estudos Pasquale Foresi, cofundador do Movimento. Logo se criou entre eles um vínculo espiritual que nunca foi interrompido. Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, “confiou-lhe” uma frase do Evangelho a ser vivida em seu cotidiano, para que se tornasse sua Palavra de Vida: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). Tendo aderido à espiritualidade do Movimento dos Focolares, começou a participar do grupo dos religiosos do Movimento e morou muitos anos antes no seminário regional de Anagni (Itália), depois na capela da Universidade de Roma La Sapienza. Foi um grande educador e pai espiritual. Muitos ex-seminaristas de Agnani, inclusive os que se tornaram bispos, continuaram a ser guiados espiritualmente por ele. Na capela universitária da La Sapienza, onde viveu de 1987 a 2003, foi muito amado e era procurado para acompanhar espiritualmente tanto alunos como docentes universitários. Poder viver com ele um relacionamento espiritual muito forte sempre foi uma fonte de enriquecimento e edificação espiritual. Era capaz de escutar muito. Sabia realmente deixar a si mesmo de lado para acolher plenamente o outro. Quando fazia comunhão de almas com o grupo restrito dos religiosos que compartilhavam com ele a espiritualidade da unidade, muitas vezes relatava como em muitos colóquios se deparava com temas para os quais não tinha uma resposta pronta. Não se preocupava, porque constatava que quem lhe confiava seus problemas, com a escuta tão discreta e atenta do pe. Paolo, encontrava por si mesmo a luz e a resposta. Contava como um fruto da presença espiritual de Jesus naquele momento entre ele e seu interlocutor, segundo o Evangelho que diz “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18:15-20). Tinha muito conhecimento em Teologia Moral e Direito Canônico. Sempre deu muita atenção às famílias e, com a colaboração de um focolarino casado e outros do Movimento dos Focolares, nos anos 90 contribuiu com a formação da associação Famílias Cristãs Separadas. Acompanhou com muito comprometimento o grupo romano da associação até 2017, quando foi transferido para a enfermaria da Via dei Penitenzieri em Roma. Acompanhou com atenção a preparação e o desenvolvimento do Sínodo dos Bispos sobre a família. Algumas das suas observações, que chegaram à Secretaria Geral do Sínodo, podem ser encontradas no documento final: Amoris Laetitia. Lembremo-nos do padre Paolo como um filho espiritual de Chiara Lubich e como um verdadeiro irmão em compartilhar a espiritualidade da unidade, que agora nos acompanha do Céu.
Pe. Armando Ceccarelli S. J.