A banda internacional feminina Gen Verde retorna com um novo álbum de canções inéditas, músicas novas, peças rearranjadas e também algumas das que foram lançadas nos últimos anos.
“Tudo fala de ti – Oração em música” é o título do novo álbum dessa banda, que teve sua inspiração no Carisma da unidade, do Movimento dos Focolares.
“Tudo fala de ti: a natureza que nos rodeia, o ar que respiramos, as pessoas que passam por nós, as alegrias e dificuldades, os momentos de profunda felicidade, e também os de escuridão e sofrimento, que Jesus tomou sobre si, na cruz. Este álbum é fruto de uma experiência central para o Gen Verde. Cada nota dele, cada palavra e silêncio, deseja expressar o relacionamento que nós temos com Deus, o coração de tudo que o Gen Verde é e faz”. Com estas palavras descrevem o álbum, e sintetizam a razão, a alma da obra.
Nancy Uelmen (USA), cantora, pianista e compositora do Gen Verde, afirma: “Como diz Chiara Lubich, a fundadora do Movimento: ‘A oração é o respiro da alma, o oxigênio de toda a nossa vida espiritual, a expressão do nosso amor a Deus, o combustível de qualquer atividade nossa’ (Chiara Lubich, Buscar as coisas do alto). Sendo assim, nosso desejo é convidar todos a fazerem uma viagem à sua interioridade, através de cada peça do álbum, esperando que possa ser um instrumento de oração em música, assim como é para nós”.
Como nasceu a ideia desse álbum?
“Para nós, mais do que um álbum é uma experiência muito especial – continua Nancy -, porque quisemos descer ao coração do Gen Verde, naquilo que é e que faz. É isso que inspira a nossa música: o nosso relacionamento com Deus. Por isso quisemos criar um álbum sobre a oração e a música, com canções e alguns trechos instrumentais, para expressar o nosso coração e tudo o que somos e fazemos. A ideia é fazer uma viagem interior: cada peça fala de um aspecto da relação que cada um pode viver com Deus, e uma pessoa com a outra. Como o título afirma, podemos encontrar Deus em toda parte – na natureza, no próximo, no nosso coração – por isso esse álbum é como uma viagem que pode nos ajudar a descobrir a sua presença. É fruto de uma experiência central para nós”.
O Gen Verde tem sua sede em Loppiano, a Mariápolis permanente do Movimento dos Focolares, nos arredores de Florença (Itália) e é composto por 20 focolarinas, de 14 países. Um mix de internacionalidade, um treinamento constante para amar a cultura, as tradições e os diferentes tipos de música que caracterizam cada membro da banda. Há mais de 50 anos elas viajam pelo mundo para testemunhar que a paz, a fraternidade, o diálogo e a unidade são possíveis. Agora, com esse novo projeto, a viagem acontece dentro de cada um de nós, para reencontrar a nós mesmos, Deus e os outros.
O álbum está disponível, desde o dia 6 de junho, em todas as plataformas digitais (Spotify, YouTube, Apple Music, Amazon music, Deezer, Tidal). O álbum físico, que inclui o libreto com as letras das canções e, inclusive, meditações para ajudar a oração, está disponível no site Made in Loppiano.
Um homem, um esposo, um pai; profissional incansável, cristão: são algumas das características que descrevem a pessoa de Giulio Ciarrocchi, focolarino casado falecido há poucos dias, após anos de enfermidade. Um exemplo de grande confiança no desígnio que Deus tinha sobre ele.
Giulio nasceu no Brooklyn (USA), André e Romilda eram os seus pais, e Maria Teresa a sua irmãzinha. Um ano depois a família retornou a Petritoli, cidade da região Marche, no centro da Itália. Mais tarde Giulio foi estudar em Fermo, uma cidade vizinha. Seu pai, corista do Metropolitan, com alguns discos gravados como solista, transmitiu a ele a paixão pelo canto, tanto que ele, desde jovem, compôs canções. Era o ano de 1969, em plena contestação juvenil, e ele mesmo conta: “Dentro de mim tudo estava em discussão. Contestava abertamente, tudo e todos, nada me satisfazia”. Aos 22 anos Giulio conheceu a espiritualidade da unidade, de Chiara Lubich: “uma luz fortíssima que abriu os meus olhos ao amor evangélico – continua. Comecei por coisas aparentemente simples, como cumprimentar as pessoas: o outro não era mais um desconhecido, Jesus vivia nele. Antes eu frequentava somente pessoas que tinham os meus mesmos interesses. Agora me dava conta que existiam também os pobres, os marginalizados. Lembro de uma senhora, muito pobre, que todos evitavam porque repetia sempre as mesmas coisas e não costumava lavar-se. Agora, quando a encontrava eu a cumprimentava, dava carona no meu carro para leva-la aonde quisesse. Quando ela adoeceu fui todos os dias vê-la no hospital, até quando morreu. E havia um rapaz com deficiência, rejeitado pela família, que justamente naqueles dias estava internado por ter tentado o suicídio. Demonstrei a ele a minha amizade, aos poucos o ajudei a ter confiança na vida, a reatar o relacionamento com seus familiares, a encontrar um trabalho. Eu experimentava uma tal alegria, uma liberdade tão grande, que todo o resto desaparecia”.
Seguiram-se anos de grande atuação no Movimento Gen, os jovens do Movimento dos Focolares, e assim ele fez do Evangelho o seu estilo de vida. Era fascinado pelos valores nos quais acreditava e pelos quais dava a sua vida: a justiça, a igualdade, a amizade.
Giulio formou-se em economia e, com 26 anos, conheceu Pìna. Eles se casaram a passaram a morar em Ancona (Marche). Após três anos receberam uma proposta: transferir-se a Grottaferrata (Roma), para ajudar na Secretaria Internacional de Famílias Novas. Giulio fez um concurso em um banco, em Roma, e tendo sido admitido transferiu-se, com Pina e as filhas, Francesca e Chiara (mais tarde nasceria Sara). Chegaram em Grottaferrata em 1979.
Giulio apresenta o Familifest de 1993Giulio com Chiara LubichGiulio e Pina com a famíliaEncontro do centro internacional Famiglie Nuove com Chiara Lubichcom alguns focolarini do focolare de GiulioGiulio com amigos e focolarinosCom o focolare de PinaGiulio e Pina no dia do casamentoGiulio com alguns gen, jovens do FocolareCom filhas
Desde então, quando voltava do trabalho, Giulio não deixava de passar na Secretaria: só para uma saudação, ou para dar uma ajuda, ou para compartilhar com jovens, noivos ou recém casados, as suas experiências de vida, o trabalho de Deus na vida da sua família.
Em 1993, a Secretaria de Famílias Novas, por unanimidade, pede que seja ele – com sua empatia e presença muito vivas – o condutor do Familyfest, o evento mundial que foi realizado no Palaeur, de Roma.
Ele e Pìna estiveram entre os sócios fundadores da AMU (Ação por um Mundo Unido) e da AFN (Ação por Famílias Novas). Por dois anos fizeram parte do Escritório Nacional para a Pastoral da Família, da Conferência Episcopal Italiana (CEI).
Em maio de 1995, inesperadamente, tudo mudou. Giulio teve um derrame. Conseguiu resistir somente pela rapidez da assistência e graças a sua incrível força de vontade para enfrentar longas internações e fisioterapias extenuantes. Após alguns meses, ele conseguiu enviar estas palavras aos amigos:
: “No dia em que entrei nessa clínica, a leitura da Missa falava de Abraão, convidado por Deus a deixar a sua terra, para ir aonde Ele o teria conduzido. Eu senti que aquele convite era para mim. Em todos esses anos, com empenho e esforço, eu tinha encontrado um equilíbrio. Essa doença havia destruído esse equilíbrio. Devia encontrar um novo, e perguntei a Deus para aonde ele queria me conduzir. Eu estava um pouco assustado por ter que começar tudo novamente. Mas Jesus me deu a resposta e a força para prosseguir”.
A experiência da doença tornou-se uma redescoberta da relação com o Pai: “Estou vivendo uma maravilhosa experiência de relacionamento com Deus e com a comunidade – Giulio escreveu -, mesmo se na dor física, ainda que isso, eu lhe asseguro, seja realmente secundário diante dos grandes dons que recebi”.
Giulio nunca se recuperou, dia a dia as suas condições tornavam-se mais precárias. A sua vida, e a da sua família, foi colocada à dura prova, mas a unidade entre eles, especialmente entre o casal, foi real e indestrutível, tão alegre e fecunda que Chiara Lubich desejou dar a eles, como um sinal, as palavras do Salmo: “Nele se alegram os nossos corações” (33,21).
Por sete anos, com muito esforço, Giulio continuou a trabalhar para alcançar o mínimo da sua aposentadoria, profundamente grato aos colegas que, com delicadeza, ajudaram a sua nova inserção na empresa. Finalmente alcançou a trégua do trabalho, mas não do seu compromisso em crescer na fé, com a oração, a Eucaristia, o amor ao próximo.
Em 2007, um novo desafio. Ele escreve: “Estive no hospital por causa de uma febre alta e convulsões epiléticas. Agora que estou em casa, recebi a resposta dos exames: um carcinoma que deverei tratar com a quimioterapia. Diante dessa nova aventura, repito o meu sim a Jesus. Alguém poderia dizer que Deus me pegou de mira, já que há 12 anos estou vivendo o meu, não fácil, “pós derrame”. Eu, ao contrário, penso que sou muito amado e agradeço a Deus pelo privilégio que me dá: participar do mistério do seu amor, pelo bem da humanidade”.
Em maio de 2025 Giulio e Pina festejaram os 30 anos de doença. Exatamente assim, festejaram. E não porque tudo já tivesse sido superado, mas porque, comentou Giulio: “Foram anos de graça”. Ele tinha começado a perder gradualmente a memória, mas a sua dimensão espiritual permaneceu vigorosa. “Vivo no presente – afirmou no dia 2 de fevereiro de 2025 – e olho para o alto. Jesus me diz: não se preocupe, eu estou aqui, atrás de você”. E no dia 25 de junho, aniversário de Pina, num momento de lucidez, ele lhe disse: “Você sempre fez tudo muito bem, desejo que você faça tudo cada vez melhor!”. No último dia, depois de ter recitado juntos três Ave Maria, Giulio concluiu: “Maria, puríssima, ajuda-nos”.
Giulio foi um presente para todos que o conheceram, e muitos são os dons com que preencheu as pessoas, com a sua existência.
Assim disseram as filhas, em seu funeral:
“O que gostaríamos de compartilhar é a sua capacidade de reconhecer a beleza. Não a beleza estética ou superficial, mas a que se descobre indo em profundidade, superando o medo de acolher a existência com o coração. Aquela beleza invisível, mas potente, guardada nas tramas da vida, que é luz na dor e alegria na doença. Aquela beleza que nosso pai nos fez experimentar, envolvendo-nos nas suas tantas paixões, como a arte, a fotografia, a música, o teatro, as viagens, o mar… paixões que hoje são também as nossas, e que nos permitem ter um olhar aberto e confiante para o mundo, exatamente como ele fez, até o fim. Querido papai, muitas vezes pensamos que vida não foi gentil com você, mas aquela gentileza que não recebeu você a doou, à sua vida e à nossa.
Nestes anos o seu mundo físico ficou restrito, mas o seu mundo interior se dilatou, ensinando-nos a gratidão por cada dia que vivemos”.
A redação com a colaboração de Anna e Alberto Friso
Compartilhamos, em seguida, uma entrevista realizada pelo Centro Santa Chiara áudio visuais, com Giulio e sua esposa, Pina: “Re-enamorar-se dia a dia”.
Em julho de 2008, foi realizada a primeira Assembleia Geral do Movimento dos Focolares sem a fundadora. De fato, Chiara Lubich tinha nos deixado alguns meses antes, em 14 de março. Uma incógnita pairava na atmosfera, já impregnada de emoções e perguntas: quem deveria ser a sucessora de Chiara à frente do Movimento? Parecia óbvio pensar nas primeiras companheiras de Chiara, já idosas, mas ainda capazes de guiar uma primeira fase de pós-fundação, pelo menos algumas delas.
Durante a primeira sessão da Assembleia, Carlos Clariá, advogado e conselheiro geral argentino, e Maria Voce, por muitos anos secretária da delegada central, Gisella Cagliari, fizeram um discurso de caráter jurídico sobre um tema relevante para a Assembleia. Eu estava sentado ao lado do conhecido teólogo Piero Coda. Quando terminaram o discurso, eu, com uma certa ousadia, lhe disse: “Eis a nossa nova presidente”. O fato é que a sua maneira de explicar as coisas me impressionou muito.
Maria Voce (Emmaus) foi eleita no terceiro turno, não sem um certo “suspense”. Começava uma nova etapa para a Obra de Maria. Eu também fui eleito conselheiro.
Uma tarde, depois das eleições, enquanto saíamos do Centro Mariápolis de Castelgandolfo, Emmaus se aproximou de mim e me disse mais ou menos estas palavras: “Pensei em confiar a você, no novo conselho, o aspecto dos estudos e da cultura. Você é um intelectual e sempre gostei dos relatórios anuais que você fazia quando era responsável de região na América Latina.” Durante os seis anos seguintes, o relacionamento com ela foi caracterizado pela normalidade.
Na Assembleia de 2014, Emmaus foi reeleita, ao passo que os participantes depositaram a confiança deles em mim como Copresidente. Desde então, o relacionamento se intensificou enormemente, sem perder a normalidade. Lembro-me que, inicialmente, senti uma certa preocupação pelo fato de trabalhar lado a lado com uma presidente que pertencia à geração que vinha logo depois da primeira, mas esse sentimento não durou muito. Sempre senti muito respeito e consideração da sua parte, o que me deu muita liberdade. Eu apresentava as minhas novas ideias e ela, com sua sabedoria e experiência, me apoiava. Nos momentos em que devíamos falar juntos, preparávamos o essencial, completando as nossas respectivas partes com simplicidade. Uma vez eu lhe disse: “Ao contrário do que você poderia pensar, eu me sinto confiante em compartilhar algumas ideias criativas somente quando você está ao meu lado.” Fizemos viagens longas e importantes para a Índia e a China, onde pude testemunhar a sua capacidade de penetrar nas situações mais intrincadas e de se relacionar com personalidades mais diversas.
Maria Voce, Emmaus, entrará para a história do Movimento dos Focolares como a primeira presidente da fase pós-Chiara Lubich. Se considerarmos que, quando ela assumiu o cargo muitas das primeiras companheiras e companheiros de Chiara ainda estavam vivos, podemos entender a “resiliência espiritual” com a qual ela trabalhou naqueles primeiros anos; não porque fossem pessoas difíceis, simplesmente porque eram os primeiros, os braços da fundadora, pessoas que de alguma forma tinham participado do carisma de fundação.
Emmaus entrará para a história do Movimento dos Focolares não somente como a primeira presidente da fase pós-Chiara Lubich, mas também como aquela que deu o primeiro passo inovador-organizativo do Movimento na era de pós-fundação, em perfeita fidelidade criativa ao carisma. Em seu primeiro mandato, quando se sentia a ausência de Chiara e isso poderia desanimar, ela viajou pelo mundo afora para confirmar todas as pessoas das comunidades do Movimento dos Focolares em seu compromisso com um mundo mais fraterno e unido – segundo o carisma da fundadora. Em seu segundo mandato, ela começou a preparar o Movimento para a inevitável fase de “crise” que se anunciava no horizonte, e que o Papa Francisco identificou como uma grande oportunidade. E, a propósito, a grande estima que o papa argentino tinha por ela, demonstrando-o em todas as ocasiões, evidencia outra característica sua: o espírito eclesial.
Sempre admirei a sua sobriedade, a sua liberdade interior, a determinação e a capacidade de discernimento, na qual foi ajudada por uma sólida formação jurídica que lhe era própria.
Maria Voce permanecerá na história do Movimento como “Emmaus” [“Emaús”], evocando a centralidade de Jesus em meio aos seus, princípio absolutamente inegociável para ela.
Obrigado, Emmaus, por ter dito um “sim” solene no momento mais difícil de nossa ainda curta história. Maria certamente acolheu você em seus braços, apresentou ao seu Filho e, juntos, levaram você ao seio do Pai, perene fonte de sua inspiração.
Jesús Morán Copresidente do Movimento dos Focolares
Maria Voce, a primeira presidente do Movimento dos Focolares (Obra de Maria) depois da fundadora Chiara Lubich, deixou-nos ontem, aos 87 anos, em sua casa em Rocca di Papa (Itália), cercada pelo afeto e pelas orações de muitos.
O acontecimento foi anunciado ontem à noite por Margaret Karram, a atual presidente, a todas as pessoas que pertencem ao Movimento dos Focolares no mundo.
Em uma nota, ela expressou a imensa dor pelo falecimento e o vínculo fraterno e filial que a unia a Maria Voce. “Como primeira presidente do Movimento dos Focolares, depois da nossa fundadora, soube administrar com inteligência, clarividência e a necessária determinação a difícil passagem da nossa Obra da fase de fundação à pós-fundação. Soube combinar a sua luminosa fidelidade ao Carisma da Unidade com a coragem de enfrentar os muitos desafios de uma associação mundial como a nossa, que atua em tantos níveis da vida humana, social e institucional.
O nome “Emaús”, recebido como programa de vida de Chiara Lubich, tornou-se também o programa do seu governo: caminhar juntos, de modo sinodal, confiando – apesar dos questionamentos e das perplexidades que podem surgir ao longo do caminho – na presença de Deus entre os seus.
Quando a sucedi como presidente do Movimento dos Focolares em 2021, ela me acompanhou sempre com uma proximidade discreta, mas viva, e com seus conselhos cheios de Sabedoria. Além de sua preparação espiritual, teológica e jurídica, era dotada também de uma humanidade profunda e acolhedora e de um humor envolvente e sempre respeitoso. Sua estatura humana e sapiencial foi reconhecida pelas mais diversas personalidades religiosas e civis: desde o Papa Bento XVI e o Papa Francisco; desde os líderes das várias Igrejas até representantes de outras Religiões e culturas.
Algumas horas antes de sua partida para a outra vida, Jesús Morán e eu pudemos visitá-la pela última vez. Ela estava serena. Consola-me o pensamento de que a Virgem Maria, a quem ela estava ligada por um relacionamento muito profundo, existencial, a esperava no céu, eu diria.”
Jesús Morán, que viveu ao lado de Maria Voce nos primeiros seis anos de seu serviço como Copresidente do Movimento dos Focolares, reconhece que, com a sua eleição, começou uma nova etapa para o Movimento dos Focolares. Escreve: “Ela entrará para a história do Movimento não somente como a primeira presidente da fase pós-Chiara Lubich, mas também como aquela que deu o primeiro passo inovador-organizativo do Movimento na era pós-fundação, em perfeita fidelidade criativa ao carisma”. Em seu primeiro mandato, quando se sentia a ausência de Chiara e isso podia desanimar, viajou pelo mundo para confirmar todas as pessoas das comunidades do Movimento dos Focolares em seu compromisso com um mundo mais fraterno e unido – segundo o carisma da fundadora. Em seu segundo mandato, ela começou a preparar o Movimento para a inevitável fase de “crise” que se anunciava no horizonte, e que o Papa Francisco identificou como uma grande oportunidade. E, a propósito, a grande estima que o papa argentino tinha por ela, demonstrando-o em todas as ocasiões, evidencia outra característica sua: o espírito eclesial.
Sempre admirei a sua sobriedade, a sua liberdade interior, a determinação e a capacidade de discernimento, na qual foi ajudada por uma sólida formação jurídica que lhe era própria.
Obrigado, Emmaus, por dizer um “sim” solene no momento mais difícil de nossa ainda curta história. Maria a terá recebido em seus braços, apresentando-a a seu Filho e, juntos, a terão levado ao seio do Pai, perene fonte de sua inspiração.
I funerali si terranno lunedì prossimo, 23 giugno 2025, alle ore 15.00 presso il Centro internazionale dei Focolari a Rocca di Papa (Roma), via di Frascati, 306 – Rocca di Papa (Roma).(*)
Stefania Tanesini
Nota biográfica
Maria Voce nasceu em Ajello Calabro (Cosenza – Itália) em 16 de julho de 1937, a primeira de sete filhos. Seu pai era médico; sua mãe, dona de casa. No último ano do curso de Direito, em Roma (1959), conheceu um grupo de jovens focolarinos na universidade e começou a seguir a mesma espiritualidade. Depois de terminar os estudos, exerceu a advocacia em Cosenza, tornando-se a primeira advogada da cidade. Mais tarde, estudou teologia e direito canônico.
Em 1963, sentiu o chamado de Deus para seguir o caminho de Chiara Lubich, ao qual respondeu com prontidão. No Movimento, Maria Voce é conhecida como “Emmaus” [Emaús], nome que se refere ao conhecido episódio dos dois discípulos que caminham com Jesus após a ressurreição. Ela mesma conta por que Chiara lhe propôs esse nome: “Chiara confirmou uma intuição que eu tinha sentido muito forte dentro de mim: que minha vida deveria ser vivida para que aqueles que me encontrassem experimentassem Jesus no meio”. Daquele momento em diante, seu compromisso foi construir pontes de unidade, a ponto de merecer a presença de Deus entre as pessoas.
De 1964 a 1972 esteve nas comunidades dos Focolares (Itália) na Sicília, em Siracusa e Catânia, e de 1972 a 1978 fez parte da secretaria pessoal de Chiara Lubich.
Em 1977, Chiara Lubich fez uma importante viagem a Istambul (Turquia), onde há anos cultivava uma profunda relação com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Naqueles anos, Maria Voce esteve em focolare naquela cidade e conta: “Foi uma experiência forte, tanto pelos preciosos contatos com as várias Igrejas, com o Islã, como também porque sentíamos que somente Jesus entre nós nos tornava fortes diante dos muitos problemas daquela terra”.
Em Istambul estabeleceu relações ecumênicas com o então Patriarca de Constantinopla Demétrio I e numerosos Metropolitas, entre os quais o atual Patriarca Bartolomeu I, além de expoentes de várias Igrejas.
Em 1988, Chiara pediu a Emmaus que voltasse à Itália para trabalhar no Centro Internacional de Rocca di Papa e na escola Abbà, centro de estudos interdisciplinares dos Focolares, tornando-se membro em 1995, como especialista em Direito. A partir do ano 2000 é também corresponsável pela Comissão Internacional “Comunhão e Direito”, uma rede de profissionais e acadêmicos envolvidos no campo da Justiça. De 2002 a 2007, colaborou diretamente com Chiara na atualização dos Estatutos Gerais do Movimento.
Em 7 de julho de 2008, poucos meses após a morte de Chiara Lubich, foi eleita presidente do Movimento dos Focolares, e reconfirmada para um segundo mandato em 12 de setembro de 2014. Ela sempre indicou como estilo da sua presidência o compromisso de “dar prioridade aos relacionamentos” e de se empenhar com todas as suas forças para alcançar o objetivo para o qual o Movimento nasceu: buscar a unidade em todos os níveis, em todos os campos, seguindo as vias do diálogo. Ela mesma enfatizou várias vezes a importância do diálogo. “Se há um extremismo da violência”, disse em 2015 nas Nações Unidas, em Nova York, “agora há uma resposta com o mesmo radicalismo, mas de uma forma estruturalmente diferente, ou seja, com o extremismo do diálogo”.
Fez numerosas viagens a todos os continentes para encontrar as comunidades do Movimento espalhadas pelo mundo e para continuar os contatos com personalidades do mundo civil e eclesial, do âmbito cultural e político, ecumênico e inter-religioso; etapas importantes para reforçar os laços de amizade e de colaboração empreendidos pelo Movimento dos Focolares e para favorecer o desenvolvimento no caminho da fraternidade entre os povos.
Durante sua presidência, tanto com o Papa Bento XVI quanto com o Papa Francisco, Maria Voce teve encontros e audiências de onde emergiram expressões de estima e afeto fraterno de ambas as partes. Em 23 de abril de 2010, o Papa Bento XVI a recebeu em audiência privada. Em relação à espiritualidade do Movimento dos Focolares, o Papa falou de “um carisma que constrói pontes, que cria unidade” e incentiva a continuar a atualizá-lo com um amor cada vez mais profundo e na tensão à santidade. Em outubro de 2008, ela participou e falou no Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Em 24 de novembro de 2009, o Papa Bento XVI a nomeou Consultora do Pontifício Conselho para os Leigos e, em 7 de dezembro de 2011, Consultora do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.
Em 13 de setembro de 2013, o Papa Francisco a recebeu em audiência com o então copresidente Giancarlo Faletti. Sobre esse momento, Emmaus relembra: “Ele imediatamente nos recebeu com uma enorme acolhida. Fez com que eu me sentisse em casa. Experimentei uma grande alegria: sentir-me diante de um pai, mas, antes de tudo, de um irmão. Eu me senti como sua irmã e esse sentimento sempre permaneceu”.
E in un’altra occasione, ha detto: “Papa Francesco ci ha sempre incoraggiato ad andare avanti, ad accogliere i segni dei tempi per attualizzare il carisma – lui diceva – ricevuto per il bene di molti, dandone gioiosa testimonianza”. Una di queste occasioni è stata la visita del Santo Padre presso la cittadella internazionale di Loppiano (Firenze, Italia) nel 2018. Maria Voce è lì ad accoglierlo: “Santo Padre, abbiamo una meta alta, vogliamo ‘puntare in alto’. Vorremmo Fare dell’amore reciproco la legge della convivenza, che vuol dire sperimentare la gioia del Vangelo e sentirsi protagonisti di una nuova pagina di storia”.
Com o Papa Bento XVICom o Papa FranciscoCom o Papa Francisco em LoppianoCom o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu ICom Sergio Mattarella, Presidente da República ItalianaDurante o seu discurso na ONUCom Nikkio Niwano, Rissho Kosei-kaiNum encontro inter-religiosoMaria Voce com Chiara Lubich