Movimento dos Focolares
“Se Olho para esta Roma…”

“Se Olho para esta Roma…”

Uma exposição dedicada a Chiara Lubich (1920-2008), testemunha e inspiração do valor universal da fraternidade. Uma etapa para quem for a Roma. O tema da cidade, como lugar privilegiado para a construção de relações fraternas, abertas ao mundo, está no centro do percurso de exposição multimídia, que foi organizado pelo Centro Chiara Lubich em parceria com a Fundação Museu Histórico do Trentino.

Si può visitare dal lunedì al venerdì nel orario: 10:00-12:30 e 14:00-17:00. Il sabato tra le 10:00 e le 13:00.

Informações

Proximidade, o estilo de Deus

Proximidade, o estilo de Deus

Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, citou a proximidade várias vezes em seus discursos como o caminho de Deus para estar próximo da humanidade. Como lê-se no título deste livro, “A proximidade” é o estilo de Deus, que Jesus nos revelou com a vida dele. É também a estrada para levar Deus aos homens e mulheres de hoje. Para saber mais do conteúdo deste volume, entrevistamos as autoras: Judith Povilus e Lida Ciccarelli.

Lida, Judith: de que se trata este livro?

Lida: “Trata-se de uma coletânea de pensamentos de Chiara Lubich sobre o tema do amor para com o próximo sob a perspectiva da proximidade. É um assunto muito querido ao papa Francisco que já solicitou algumas vezes que cuidemos do mundo que nos circunda, que estejamos próximos dos nossos irmãos e irmãs segundo o estilo de Deus: justamente a proximidade.

Judith: “Para a edição em inglês, nos perguntaram como traduzir o título. E a solução responde um pouco a sua pergunta: Learning closeness from God: aprender com Deus sobre a proximidade, ver e perceber como Deus fez-se próximo a nós para aprender a estar próximos de quem está perto de nós, ao nosso redor”.

Judith Povilus, doutora em teologia fundamental, é docente emérita de lógica e fundamentos de matemática no Instituto Universitário Sophia (Loppiano, Florença). É autora de: La Presenza di Gesù tra i suoi nella teologia di oggi, em tradução livre, A presença de Jesus entre os seus na teologia de hoje (1977); Gesù in mezzo nel pensiero di Chiara Lubich, em tradução livre, Jesus em meio no pensamento de Chiara Lubich (1981); Numeri e luce. Sul significato sapienziale della matematica, em tradução livre, Números e luz. Sobre o significado sábio da matemática (2013); co-editora de Um Olhar do Paraíso de 1949 de Chiara Lubich, A Unidade (2021). (2021).

Como levar Deus nos tempos de hoje, em que há tanta solidão, indiferença, guerras e divisões?

Lida: “Se olharmos ao nosso redor, há razões para sermos pessimistas; mesmo assim, enquanto cristãos, somos chamados a testemunhar sempre o amor de Deus. Para mim, o caminho a se seguir é aquele de Jesus: a sociedade daquela época não era melhor que a atual, todavia Jesus sempre doou a vida do céu. Então, nós também colocamos amor onde não há amor; onde há solidão, vamos ser companheiros de vida; onde há divisão, vamos ser instrumentos de reconciliação e unidade”.

Quem é o “próximo” a quem devemos levar Deus?

Judith: “A encíclica Fratelli tutti – Todos irmãos traz a parábola do bom samaritano, na qual o Escriba pergunta a Jesus: quem é o meu próximo? Jesus devolve a pergunta e dá a entender que todos são candidatos a ser o meu próximo. Não há limites, depende de mim estar próximo dos outros. Estar próximo é um ato performativo. A sua pergunta é muito bonita: encontrar Deus é aquilo que todos os seres humanos mais querem, mesmo que não tenham consciência disso. Portanto, vamos deixar que Deus viva em nós e que seja Ele, por meio do nosso amor, a tocar os corações”.

Muitas vezes acontece de a diversidade encontrada no plano cultural, social, político resultar em fragmentação e polarização. E aumenta o medo com relação ao outro. Chiara Lubich com o ideal da unidade vai contra esse fenômeno.

Lida: “É verdade, Chiara vai contra essa tendência. Dentro de nós está estampada uma ideia simples, mas revolucionária: somos todos irmãos porque somos filhos do Pai que está nos céus. Uma ideia simples, sim, mas que nos torna livres e que derruba o muro das divisões. Se a colocarmos em prática, a nossa vida muda. O outro, quem quer que seja, jovem ou idoso, com ideias iguais às minhas ou não, rico ou pobre, estrangeiro ou conterrâneo, é visto com olhos novos: são todos filhos do Pai, e todos, todos mesmo, são amados pelo Pai como eu”.

Lida Ceccarelli, graduada em filosofia e teologia moral, é docente de História da Igreja e Teologia Espiritual no Instituto internacional Mystici Corporis (Loppiano-Itália). Ex-membro da Comissão para a Espiritualidade da Secretaria Geral do Sínodo, é Postuladora no Dicastério das Causas dos Santos.

A proximidade é um conceito central tanto nas Igrejas cristãs como nas diversas tradições religiosas. Portanto, é o caminho para a fraternidade universal?

Lida: “Foi justamente isso que vivemos esses dias com um grupo de jovens muçulmanos xiitas, estudantes do dr. Mohammad Ali Shomali, diretor do Instituto Internacional dos Estudos Islâmicos de Qum, no Irã. Esses estudantes vieram à Universidade Sophia, na Mariápolis permanente de Loppiano, para um breve curso sobre cristianismo. Não falamos muito sobre fraternidade, mas a vivemos”.

Judith: “Eu fiquei responsável por dar várias aulas sobre a espiritualidade da unidade. Ao falar de Deus amor, contei a parábola do filho pródigo. Disse a eles: “Algum de vocês é pai e entende a profundidade desse amor ‘temperado’ de misericórdia?” Sete deles eram jovens pais de família. Durante um intervalo, me mostraram as fotos de seus filhos com alegria e emoção. Nesse clima, as perguntas espontâneas deles sobre a espiritualidade nos fizeram entrar no carisma da unidade cada vez mais em profundidade. Com alegria, descobríamos os pontos em comum ou esclarecíamos as verdades do cristianismo que eles não entendiam antes. Constatei que a proximidade, com todas as nuances humanas e com interesse em compartilhar a vida do próximo, é realmente o caminho para compartilhar o dom do carisma, que é para todos, inclusive para os não cristãos, e podemos ser juntos construtores de um mundo mais fraterno”.

Que conselhos dar ao leitor? Qual deve ser o “olhar” para com o outro?

Lida: “Se o leitor já conhece os escritos de Chiara, eu sugeriria que olhasse para estes como se fosse a primeira vez. E depois, que parasse assim que for tocado por algo para escutar a Sabedoria que está à porta e bate em nosso coração”.

Judith: “Sim, de fato, os textos de Chiara na parte da antologia são de grande profundidade, de vários gêneros e conteúdos. Não se pode ler tudo de uma vez. Pessoalmente, todas as vezes, meditando sobre um texto ou outro, descubro novas intuições ou novos passos a dar”.

Lida: “Portanto, para concluir, que olhar ter para com o outro, para com o próximo? Aquele de Jesus com o jovem rico: ‘olhando para ele, o amou’. Como teria sido o seu olhar? Um olhar de amor e gratuito que entra dentro de você e diz: você é importante para mim, eu o amo assim como você é”.

Lorenzo Russo

“Tenho um só Esposo na terra”

“Tenho um só Esposo na terra”

Já se passaram 75 anos do dia em que Chiara Lubich escreveu “Tenho um só Esposo na terra”, proposto novamente aqui. É um escrito destinado a ser, desde o início, um verdadeiro Manifesto programático para Chiara e para aqueles que a seguiriam aderindo à Espiritualidade da Unidade.

O manuscrito autógrafo, conservado no Arquivo Chiara Lubich (AGMF) e escrito em uma única folha, frente e verso, registra a data da redação: 20.9.1949. Publicado pela primeira vez em 1957 de forma incompleta e com algumas variações na edição italiana da revista “Cidade Nova”, foi depois reapresentado em outras publicações de escritos de Chiara, até ser finalmente retomado, de forma integral e correspondente ao manuscrito original, no livro O Grito (Roma: Città Nuova, 2000. São Paulo: Cidade Nova, 2000), que Chiara Lubich quis escrever pessoalmente “como um canto de amor” dedicado precisamente a Jesus Abandonado.

O trecho nasceu como uma espécie de diário, escrito de ímpeto. Pela particular intensidade lírica que o permeia, poderia ser definido como um “hino sagrado”. Essa definição parece apropriada se levarmos em conta que o termo “hino” se origina do grego hymnos. A palavra, embora com etimologia discutível, tem uma estreita relação com o antigo Hymēn, o deus grego do matrimônio, em cuja honra os antigos cantavam. Por outro lado, nessa redação, a dimensão esponsal está presente mais do que nunca, inclusive porque – e precisamente porque – nos encontramos em um contexto altamente místico. É realmente um “canto” de amor a Jesus Abandonado.

O contexto da redação nos remete ao período do verão italiano de 1949, quando Chiara, com as suas primeiras companheiras e os dois primeiros focolarinos, estava nas montanhas – no vale de Primiero, no Trentino-Alto Ádige – para um período de férias. Por alguns dias, também Igino Giordani (Foco), que havia tido a oportunidade de conhecer Chiara no Parlamento pouco antes, em setembro de 1948, uniu-se ao grupo. Ele tinha ficado fascinado pelo carisma dela.

Foi um verão definido pela própria Chiara como “luminoso”, pois – percorrendo as suas etapas – ela não hesitou em afirmar que, precisamente naquele período, compreendeu melhor “muitas verdades da fé e, em particular, quem era Jesus Abandonado, que recapitulou tudo em si, para os homens e para a Criação”. “A experiência foi tão forte – observa – que nos fez pensar que a vida seria sempre assim: luz e Céu” (O Grito, p. 57). Mas chegou o momento – solicitada pelo próprio Foco – de “descer das montanhas” para ir ao encontro da humanidade sofredora e abraçar Jesus Abandonado em cada expressão de dor, em cada “abandono”. Como Ele. Somente por amor.

Nessa ocasião, ela escreveu: “Tenho um só Esposo na terra: Jesus Abandonado”.

Maria Caterina Atzori

20-9-49

Tenho um só Esposo na terra: Jesus Abandonado. Não tenho outro Deus além Dele. Nele está todo o Paraíso com a Trindade e toda a terra com a Humanidade.

Por isso, o seu é meu e nada mais.

Sua é a Dor universal e, portanto, minha.

Irei pelo mundo à sua procura em cada instante da minha vida.

O que me faz sofrer é meu.

Minha, a dor que me perpassa no presente. Minha, a dor de quem está ao meu lado (ela é o meu Jesus). Meu, tudo aquilo que não é paz, gáudio, belo, amável, sereno… Numa palavra: aquilo que não é Paraíso. Pois eu também tenho o meu Paraíso, mas Ele está no coração do meu Esposo. Outros Paraísos não conheço. Assim será pelos anos que me restam: sedenta de dores, de angústias, de desesperos, de melancolias, de desapegos, de exílio, de abandonos, de dilacerações, de… tudo aquilo que é Ele, e Ele é o Pecado, o Inferno.

Assim, enxugarei a água da tribulação em muitos corações próximos e – pela comunhão com meu Esposo onipotente – distantes.

Passarei como Fogo que devora tudo o que há de ruir e deixa em pé só a Verdade.

Mas é preciso ser como Ele, ser Ele no momento presente da vida.

Chiara Lubich
O Grito (Cidade Nova, São Paulo, 2000, p. 58)

Fonte: https://chiaralubich.org/

Chiara Lubich: além da natureza

Chiara Lubich: além da natureza

“Ama o teu próximo como a ti mesmo” (1)

É uma tensão constante porque a nossa natureza ama a si própria.

Com frequência, a crônica registra desastres, terremotos, ciclones que provocam vítimas, feridos, desabrigados. Mas, uma coisa é ser um deles e outra coisa é sermos nós.

E, ainda que a providência nos proporcione algo para correr ao socorro deles, nós não somos nunca os mais prejudicados.

Amanhã pode ser o inverso: eu sobre um leito (se eu tiver um leito!) de morte e os outros fora, ao sol, gozando, como podem, da vida.

Tudo o que Cristo comandou supera a natureza.

Mas, inclusive o presente que ele nos deu, aquele mencionado à samaritana, é de natureza não humana. De forma que, a ligação com a dor do irmão, com a alegria e as preocupações do outro, é possível porque temos em nós a caridade, que é de natureza divina.

Com este amor, ou seja, o amor cristão, o irmão pode ser verdadeiramente confortado e, amanhã, eu por ele.

Desse modo é possível viver, porque, de outra forma, a vida humana seria por demais dura, difícil, aliás, às vezes pareceria impossível.

Chiara Lubich

(1) Cf. Lv 19, 18.
Foto: © Pixabay

(Do Diário 1964-1980, Chiara Lubich, Città Nuova, 2023)

A edição do Diário de Chiara Lubich foi organizada por Fabio Ciardi. Convidamos todos a assistirem a entrevista, realizada por nós, no momento da sua apresentação.

Chiara Lubich: Campeões da unidade

Chiara Lubich: Campeões da unidade

Nestes dias, vi, pela televisão, atletas, muito jovens, na sua maioria dos países do Leste, que se exibiam em maravilhosos exercícios de ginástica artística. Eram magníficas nos seus repetidos saltos mortais, nas piruetas e em todos os seus movimentos. Que perfeição! Quanta harmonia e quanta beleza! Possuíam um domínio tão perfeito do próprio corpo que os exercícios mais difíceis pareciam naturais. São as melhores do mundo.

Enquanto as admirava, senti várias vezes dentro de mim, um convite urgente (talvez do Espírito Santo). Era como se Alguém me dissesse: Você também e todos vocês devem se tornar campeões do mundo. Mas campeões em quê? No amor a Deus. Sabem quanto essas jovens tiveram que treinar? Vocês sabem que dia após dia, hora após hora, elas repetem os mesmos exercícios, sem nunca desistir? Você também e todos vocês devem fazer o mesmo. Quando? No momento presente. Sempre, sem parar jamais. No meu coração nasceu um desejo enorme: o de trabalhar, momento a momento, para atingir a perfeição.

Caríssimos, São Francisco de Sales disse que não existe índole tão boa que de tanto repetir atos viciosos não possa adquirir o vício. Então, podemos pensar que não existe índole tão perversa que à força de atos virtuosos não possa conquistar a virtude. Portanto, coragem! Se treinarmos, nos tornaremos campeões do mundo no amor a Deus. (…)

(…)

Que Palavra Deus disse ao nosso Movimento? Nós sabemos: Unidade. Assim sendo, devemos nos tornar campeões da unidade com Deus, com a sua vontade no momento presente, e campeões da unidade com o próximo, com qualquer próximo que encontrarmos durante o dia.

Treinemos sem perder minutos preciosos! O que nos aguarda, não é uma medalha de ouro, mas o Paraíso

Chiara Lubich

(da Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova Editrice, Roma 2019, pp 67-68)
Foto: © Ania Klara – Pixabay