Movimento dos Focolares
Um pacto planetário

Um pacto planetário

Em 16 de julho de 1949, Chiara Lubich e Igino Giordani fizeram um “Pacto de Unidade”. Foi uma experiência espiritual que deu início a um período particular, de luz e de união com Deus.

E marcou a vida da então primeira comunidade dos Focolares, mas também marcou a história de todo o Movimento e o seu empenho por um mundo mais fraterno e mais unido.

Setenta e cinco anos depois daquele dia, um olhar mais aprofundado sobre o significado daquele Pacto na época e o que pode significar hoje continuar a atuá-lo.

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Criar uma mentalidade de paz

Criar uma mentalidade de paz

Violência, ódio, atitudes de disputa ocorrem com frequência inclusive nos países que vivem “em paz”. Todo povo, toda pessoa sente um profundo desejo de paz, de concórdia, de unidade. Mesmo assim, apesar dos esforços e da boa vontade, após milênios de história, continuamos incapazes de manter uma paz estável e duradoura. Jesus veio trazer-nos a paz, uma paz – diz Ele – que não é “à maneira do mundo”, porque não consiste em ausência de guerra, de lutas, de divisões, de traumas. A “sua” paz é também tuto disso, mas é muito mais: é plenitude de vida e de alegria, a salvação integral da pessoa, é liberdade, é fraternidade no amor entre todos os povos. Mas o que fez Jesus para nos dar a “sua” paz? Ele pagou em primeira pessoa. Justamente enquanto nos prometia a paz, Ele era traído por um dos seus amigos, era entregue nas mãos dos inimigos, condenado a sofrer uma morte cruel e humilhante. Ele se colocou em meio aos rivais, assumiu os ódios e as separações, abateu os muros que separavam os povos. Morrendo na cruz, depois de ter provado por amor a nós o abandono do Pai, reuniu os homens a Deus e entre si, trazendo à terra a fraternidade universal. Também de nós, a construção da paz requer um amor forte, capaz de amar até mesmo aqueles que não retribuem, capaz de perdoar, de superar o conceito de “inimigo”, capaz de amar a pátria alheia como a própria. (…)

A paz inicia justamente aqui, a partir do relacionamento que eu sou capaz de estabelecer com cada um de meus próximos. “O mal nasce do coração do homem” – escreveu Igino Giordani – e “para remover o perigo da guerra é preciso remover o espírito de agressão, de exploração, de egoísmo, do qual a guerra provém. É preciso reconstruir uma consciência”. (…) O mundo só muda se nós mudarmos. É verdade que devemos trabalhar – cada um de acordo com as suas possibilidades – para solucionar os conflitos, para elaborar leis que favoreçam a convivência das pessoas e dos povos. Mas é sobretudo colocando em evidência aquilo que nos une que poderemos contribuir para criar uma mentalidade de paz e trabalhar juntos para o bem da humanidade. Se testemunharmos e difundirmos valores autênticos tais como a tolerância, o respeito, a paciência, o perdão, a compreensão, então as outras atitudes que contrastam com a paz desaparecerão por si mesmas. Foi essa a nossa experiência durante a Segunda Guerra Mundial, quando entre nós, poucas moças que éramos, decidimos viver somente para amar. Éramos jovens e tímidas, mas, tão logo fizemos o esforço de viver umas pelas outras, de ajudar os outros começando pelos mais necessitados, servindo-os, dispostas inclusive a dar a vida, tudo mudou. Brotou nos nossos corações uma força nova e vimos a sociedade começar a mudar de fisionomia: uma pequena comunidade cristã foi se renovando, como semente de uma “civilização do amor”. No final, é o amor que vence, porque ele é mais forte do que tudo.

Chiara Lubich

(Chiara Lubich, Parole di Vita, Città Nuova, 2017, p. 709/12)

Chiara Lubich: foi publicado o Diário 1964-1980

Chiara Lubich: foi publicado o Diário 1964-1980

Recentemente foi publicado o volume “Diário 1964-1980” de Chiara Lubich. O texto foi organizado por Pe. Fabio Ciardi, OMI, e lançado pela Editora Città Nuova, em colaboração com o Centro Chiara Lubich. “O Diário revela-se um instrumento extremamente precioso, que permite ultrapassar o limiar dos acontecimentos externos (a ‘vida externa’) e penetrar na maneira como estes são vividos (a ‘vida íntima’)”. Com estas palavras o Pe. Fabio Ciardi, OMI, explica o conteúdo dos Diários de Chiara Lubich,fundadora do Movimento dos Focolares, recentemente organizados por ele e publicados pela Editora Città Nuova, em colaboração com o Centro Chiara Lubich. Esta publicação faz parte da coleção “Obras de Chiara Lubich” que já possui 5 tomos. “Estão sendo elaborados cerca de quinze volumes. Não é a opera omnia – esclarece Pe. Fabio Ciardi – porque a opera omnia exigiria um enorme volume de trabalho. A impressão em papel inclui a obra de Chiara Lubich, ou seja, as obras principais, sobretudo as escritas. Desde um primeiro volume introdutório, que será uma biografia histórica”, até as cartas, os discursos públicos, os discursos de fundação, os diálogos. “Certo que as cartas e os diários talvez sejam a parte mais íntima de Chiara – acrescenta -. Aquela que a revela totalmente. Quando Chiara apresenta um discurso é um texto elaborado, preparado, revisto. Ao invés, quando tenho acesso à sua correspondência, ao seu diário, não existem filtros. Trata-se de um enxerto direto com a alma de Chiara. Diário e cartas são páginas que nos consentem ter um relacionamento com ela imediato, direto, não filtrado”. “O diário de Chiara Lubich tem a sua particularidade – explica ainda Pe. Fabio – porque é escrito não como um diário pessoal, mas quer justamente envolver todos os membros do Movimento em suas viagens. (…). Ela inicia com a descrição do que acontece, é como uma crônica, mas logo depois torna-se um diário íntimo. Porque o que ela deve comunicar não são simplesmente os fatos que está vivendo, mas como os está vivendo”. Os diários percorrem dezesseis anos, e para ajudar o leitor a situar e entender melhor os textos de C. Lubich, Pe. Fabio fez uma opção editorial precisa: “Após ter feito uma introdução geral a todo o Diário, proponho uma introdução para cada ano, contextualizando-o inclusive na vida da Igreja, na vida do mundo, de forma que se possa perceber o que Chiara está vivendo, mas com o horizonte mais amplo da vida da Obra, da Igreja e da humanidade”. A quem deseja saber como é melhor ler este livro e por onde começar, Pe. Fabio responde assim: “O primeiro conselho que eu daria é de abri-lo aleatoriamente e ler uma página. Certamente será envolvente. Por isso será um convite a ler mais uma e outra ainda. Não importa ler, digamos, de uma forma continuada. Pode-se ler um dia, outro dia, um ano, depois outro. E talvez isso possa suscitar o desejo de descobrir o fio que liga tudo. E então, recomeçar do começo, aos poucos, a percorrer este caminho, porque é um caminho… não é fácil o caminho de Chiara. É um caminho atribulado. Há momentos de provação, de doença. São períodos nos quais ela não escreve o diário. E por que não escreve? Talvez porque viva um momento de escuridão. Portanto, percorrer todo o caminho cronologicamente também ajuda a entender este mundo. Mas, para começar, talvez abrir aleatoriamente e ler, aqui e ali. Depois virá a vontade de uma leitura contínua e completa”. “O diário é seu, é pessoal, é a sua vida – conclui -. E isso se pode deduzir sobretudo pelo colóquio constante, que existe no diário, com Deus, com Jesus, com Maria, com os santos. (…). Faz-nos ver a sua alma, ver o que existe dentro dela. E isso ressoa em mim, porque é como um convite a fazer a mesma viagem, a possuir, eu também, a mesma intimidade. Lendo Chiara, no fundo eu me espelho não naquilo que sou, infelizmente, mas naquilo que eu sinto que deveria ser”.

Carlos Mana

Vídeo: Em diálogo com Pe. Fabio Ciardi (ativar as legendas em português)

Sete de maio de 1995: 20 anos (e mais) de diálogo

Sete de maio de 1995: 20 anos (e mais) de diálogo

20150523-04Maio de 1995. É noite na Mariápolis internacional de Loppiano (Itália). Durante o jantar, um grupo de pessoas de convicções e extrações culturais diferentes discute animadamente. Estiveram juntos o dia inteiro para verificar se é possível entender-se, aceitar-se e estimar-se entre cristãos e não crentes, superando barreiras ideológicas e preconceitos milenares. Iniciou em 1978 o intercâmbio entre pessoas assim tão diferentes por linguagem e convicções, desde quando Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, instituiu o “Centro para o diálogo com os não crentes”, no âmbito da vasta experiência realizada pelos Focolares. Aquele encontro em Loppiano era, portanto, um balanço e um desafio a olhar-se nos olhos e certificar-se que, sim, é possível estimar-se. Com o passar dos anos passaram a ser “amigos”, e por isso dialogar e estar juntos, além de ser um estímulo, passou a ser um prazer. Nesse jantar, porém, falta um deles, talvez o mais ativo de todos: Ugo Radica, um focolarino um pouco especial que teve uma ideia: foi se colocar próximo à casa de Chiara que, naquela noite, deveria chegar em Loppiano. A sua paciente espera foi premiada. O carro chegou, Ugo se aproximou, Chiara baixou o vidro e perguntou surpresa: “Ugo, o que você está fazendo aqui?”. Ele respondeu decidido: “Estou com um grupo de amigos de convicções diferentes. Por que você não vem nos encontrar amanhã? Acho que seria importante para eles terem uma conversa diretamente com você”. Chiara fica indecisa, mas depois aceita. Pede que eles preparem algumas perguntas que ela responderá. Ugo volta entusiasmado para contar aos outros.

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Loppiano, 7 de maio de 1975

E assim, no dia seguinte, 7 de maio de 1975, Chiara Lubich passou meia hora com alguns daqueles que depois seriam as colunas de uma experiência realmente especial, delicada e forte, de diálogo entre pessoas que, normalmente, sentem dificuldade em falar-se e estimar-se entre si. O chamado “quarto diálogo” do Movimento dos Focolares nasce oficialmente naquela meia hora, com aquelas respostas a um pequeno grupo ao qual Chiara fala de respeito recíproco, de “não proselitismo” (conceito quase revolucionário naqueles tempos!), de amor mútuo possível entre pessoas de ideias e culturas diferentes. Uma experiência entusiasmante, que deve ser levada adiante com tenacidade e convicção, porque, se o objetivo do Movimento é “que todos sejam um”, sem os não crentes faltaria uma parte essencial e insubstituível da humanidade. Naquela noite, um dos amigos que chegara a Loppiano no último momento, Tito, telefona à sua esposa, “católica convicta”, membro do Movimento há muitos anos, para anunciar, muito feliz, que enquanto ela, em todos aqueles anos, nem de longe tinha conseguido ver Chiara, ele havia falado com ela pessoalmente! 20150523-03Maio de 2015, vinte anos depois. A festa se faz novamente em Loppiano. Uma comemoração nostálgica? Não. Armando, Morena, Tito, Dolores, Piero, Luciana, Roberto, Silvano e muitos outros alternam-se no palco para recordar aqueles momentos, fazer um balanço dos vinte anos passados e organizar os próximos vinte. Se existe uma coisa clara para todos é essa: quanto é precioso esse tipo de diálogo! 20150523-01Ao contrário dos momentos de partilha entre crentes, um encontro do “quarto diálogo” nunca se sabe como acabará. Mas precisamente isso é garantia de autenticidade, porque cada um, por força, deve dar tudo de si, pronto a oferecer a própria ideia, mas também a acolher a ideia do outro, num intercâmbio difícil, mas frutuoso. Um diálogo que, não sem dificuldades, com os anos tornou-se internacional, tocando muitos países; uma difusão que todos sentem hoje como uma responsabilidade ainda mais urgente. Um estilo de vida a ser vivido antes de tudo entre os membros do Movimento, para depois ser oferecido a toda a humanidade.