O caminho que vai em direção ao povoado de Emaús nos conta uma trajetória feita por dois discípulos de Jesus. Desapontados em relação aos sonhos, aos projetos, aos momentos marcantes dos dias vividos ao lado do Mestre, eles voltavam para casa a fim de retomar a vida que haviam deixado para trás, antes do encontro com Ele. Apenas três dias haviam se passado desde a sua crucificação. Entre seus seguidores reinavam a decepção, o medo, as dúvidas.
Eles estavam se afastando de Jerusalém, do sonho não realizado, distanciando-se de Cristo e de sua mensagem, “tristes” porque, de alguma forma, já haviam tomado a decisão de abandonar o projeto pelo qual haviam seguido o Mestre.
É a história de todos nós, quando nos sentimos desnorteados, em situações que nos obrigam a fazer uma escolha diante das muitas encruzilhadas, e acreditamos com frequência que a única resposta ao nosso mal-estar é optar por voltar atrás, desistir, resignar-nos.
“Quem de nós não tem familiaridade com a hospedaria de Emaús? Quem já não percorreu esse caminho numa noite em que tudo parecia perdido? Cristo havia morrido em nós… Não existia mais Jesus algum na terra.” [1].
“Fica conosco, pois já é tarde.”
Enquanto caminhavam, um forasteiro juntou-se aos dois, aparentando estar alheio aos acontecimentos recentes. Começou fazendo perguntas incisivas, que despertavam toda a amargura e o mal-estar deles. Primeiro, Ele os escutou e depois começou a explicar as Escrituras: um verdadeiro diálogo, um encontro que deixou marcas, tanto que, embora não tendo ainda reconhecido Jesus, pediram insistentemente que ficasse com eles, porque já estava anoitecendo [2].
Este pedido é, talvez, um dos mais belos que encontramos nos Evangelhos. É a primeira oração que os discípulos dirigem ao Ressuscitado. É um convite comovente, que todos podemos dirigir a Ele: que permaneça conosco e entre nós.
Os olhos dos dois discípulos se abriram quando Ele partiu o pão, e a alegria de finalmente o terem reconhecido os instigou a retornarem a Jerusalém para anunciar aos seus amigos que essa ressurreição tinha acontecido.
“Fica conosco, pois já é tarde.”
“Talvez nada melhor do que estas palavras para explicar a experiência de viver com Jesus em nosso meio, feita por nós, focolarinas, desde o início”, escreve Chiara Lubich.
“Jesus é sempre Jesus e quando está presente – ainda que só espiritualmente – explica as Escrituras e faz arder no peito a sua caridade: a vida. Faz-nos dizer com infinita saudade, depois de tê-lo conhecido: ‘Fica conosco, Senhor, pois anoitece’; sem Ti é noite escura (…).” [3]
A noite é símbolo das trevas, do desconhecido, da falta daquela luz que não conseguimos encontrar porque não acreditamos na Sua presença que nos acompanha continuamente, sempre.
A noite é tudo isso que envolve o nosso planeta, ferido e violentado por lutas fratricidas, por guerras organizadas constantemente para satisfazer a sede de poder e de dinheiro.
A noite é o que vivem milhões de pessoas que já não têm mais voz para clamar contra as injustiças e opressões.
E nós? Como podemos perceber a presença de Jesus, presença que nem sempre se manifesta de acordo com as nossas expectativas? Como podemos entender que Ele caminha conosco e tenta nos ajudar a reconhecer os sinais da sua presença? E, sobretudo, como podemos criar as condições para que Ele se manifeste a nós e permaneça conosco?
São perguntas para as quais talvez nem sempre tenhamos uma resposta, mas que nos incentivam a não desistir da busca por Jesus, a concentrar o olhar nesse companheiro de viagem que muitas vezes não enxergamos, a reconhecer Aquele que pode manifestar sua presença se vivermos o amor mútuo entre nós.
O caminho para Emaús é símbolo de todos os nossos caminhos; é o caminho do encontro com o Senhor, é o caminho que renova a alegria nos corações, trazendo-nos de volta à comunidade para testemunharmos juntos que Cristo ressuscitou.
Org.: Patrizia Mazzola com a comissão da Palavra de Vida
25 de março de 2026. Estamos na Sala da Conciliação do Palácio do Latrão, local onde após decênios de contraposição, a Igreja Católica e o Estado Italiano assinaram os Tratados Lateranenses, em 1929. Nesse mesmo ambiente histórico foi concluída, em 2013, a fase diocesana da Causa de Beatificação de uma das figuras espirituais de maior relevo nos nossos tempos: o cardeal vietnamina François-Xavier Nguyễn Văn Thuận.
Estão presentes 220 pessoas: cardeais, bispos, familiares, sacerdotes, religiosos e leigos vietnamitas e de outros países. Milhares de pessoas participam via streaming, em sete línguas, nos canais YouTube de Vatican Mídia. O motivo desse encontro é o 50º aniversário desde quando Nguyễn Văn Thuận, então jovem bispo, nos primeiros meses de sua prisão, iniciada em 15 de agosto de 1975, conseguiu enviar aos seus fieis 1001 breves meditações, escritas em folhas de velhos calendários. O evento foi organizado pela causa de Beatificação do Cardeal, junto com o Dicastério para ao Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, ator da causa, em colaboração com o Dicastério para o Clero, a Diocese de Roma e a Editora Città Nuova.
O Papa Leão quis reverenciar este momento através de uma mensagem, firmada pelo Secretário de Estado, Card. Parolin, desejando que «o significativo evento favoreça a descoberta do fervoroso testemunho de tão intrépido discípulo do Evangelho e generoso Pastor». O seu exemplo – afirma – «é carregado de atualidade já que recorda que a esperança cristã nasce do encontro com Cristo e toma forma numa vida doada a Deus e ao próximo».
No papel de anfitrião, o cardeal Baldassare Reina, vigário geral do Papa para a Diocese de Roma, recorda a atualidade da figura de Nguyễn Văn Thuận no término do Jubileu da Esperança, num tempo em que o Evangelho é transmitido sobretudo com o testemunho.
Cardinale Baldassare ReinaDr. Waldery HilgemanSig.ra Élisabeth Nguyễn Thị Thu Hồng
Mas, quem era este Cardeal vietnamita? A resposta foi dada, com breves acenos biográficos, pelo Dr. Waldery Hilgeman, postulador da Causa de beatificação. Descendente de uma família que, no século XIX, teve mártires entre seus antepassados, desde jovem François-Xavier sentiu-se atraído pelo exemplo dos santos e, mais tarde, também por espiritualidades do seu tempo, entre as quais os Cursilhos e os Focolares. Entrou no seminário e tornou-se sacerdote; concluiu o doutorado em Direito Canônico. Em 1967 foi sagrado bispo de Nha Trang. Quando o Papa Paulo VI, em 1975, o nomeou Arcebispo coadjutor de Saigon, teve início para ele uma grande provação: foi preso e passou 13 anos no cárcere, dos quais nove em isolamento. «Lá eu aprendi – ele conta – a escolher Deus e não as obras de Deus». Compreende que Deus o quer no meio dos prisioneiros, quase todos não católicos, como presença Dele e do Seu amor «na fome, no frio, no trabalho pesado, na humilhação e na injustiça». Foi libertado em 1988, e a partir de 1991 morou em Roma, onde Papa João Paulo II o nomeou, inicialmente Vice Presidente, depois Presidente do, então, Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz; em 2001 o criou cardeal.
Elisabeth Nguyễn, irmã do cardeal, conta a aventurosa história dos 1001 pensamentos. Subtraídos da prisão domiciliar, «começaram uma viagem de evangelização, de uma família a outra, de uma sede prisional a outra, antes de atravessar o oceano nos barcos de refugiados». Anos depois nasce o livro “O caminho da Esperança”.
Experiências fortes e tocantes, intercaladas por uma apresentação, ao piano, da “La Campanella”, de Franz Liszt, interpretada virtuosamente por Pe. Carlo Seno.
No decorrer de apenas uma hora e meia, tendo como moderador o jornalista Alessandro De Carolis, de Vatican Mídia, outros perfis de Nguyễn Văn Thuận vem à tona. O Cardeal Lazzaro You Heung-sik, Prefeito do Dicastério para o Clero, fala dele como «evangelizador em qualquer circunstância», referindo-se à narrativa de um monge budista: «Era inverno, com dois graus abaixo de zero, e nós não tínhamos cobertores suficientes, no campo de reeducação. Então, todo dia, o bispo saía várias vezes para pegar ramos e pedaços de madeira, para aquecer a noite no campo… Era aquilo que, nós budistas, chamamos de ‘Bo tac’: um homem muito santo».
O cardeal Luis Antonio Tagle, Prefeito do Dicastério para a Evangelização, recorda como, em 1995, tinha começado uma amizade pessoal com Nguyễn Văn Thuận: «Fiquei tocado com o fato que, enquanto ele contava experiências dolorosas e até humilhantes, a sua voz permanecia calma e o seu rosto sereno. Nele não havia nenhum sinal de amargura e nem de ódio. Eu não conseguia tirar o olhar do seu rosto radioso e sorridente».
Ao lado da sua estatura espiritual, emerge a grande sensibilidade diante das questões mundiais da justiça e da paz. Fala sobre isso o cardeal Michael Czerny, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que, para esta ocasião, publicou a tradução italiana de uma nova biografia de Nguyễn Văn Thuận, escrita por sua irmã, Elisabeth, juntamente com o sacerdote belga, Stefaan Lecleir.
Cardinale Michael Czerny, S.J.Cardinale Luis Antonio TagleCardinale Lazzaro You Heung-sik
«A sua principal contribuição, em nível mundial – precisa o cardeal Czerny – foi o seu papel no nascimento do Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2004)», e refere esta vibrante questão colocada pelo Arcebispo vietnamita: «Diante da atual situação política e econômica, há quem se pergunte: conseguiremos atravessar com esperança o limiar do novo milênio?». Em resposta, citava uma conhecida jornalista que previa «três fases catastróficas» para as sociedades empobrecidas: exploração – exclusão – eliminação. «Quando penso em tudo isso – comentava Nguyễn Văn Thuận – o meu coração fica dilacerado e deseja gritar: impossível!».
Na conclusão do encontro, o ator e jornalista Rosario Tronnolone, lê alguns trechos do livro O Caminho da Esperança, que soam como um selo de ouro: «Tu queres realizar uma revolução: renovar o mundo. Poderás cumprir essa preciosa missão que Deus te confiou apenas com “a potência do Espírito Santo”. Cada dia, lá onde vives, prepara um nova Pentecostes. Compromete-te em uma campanha que tem a finalidade de tornar todos felizes. Sacrifica-te constantemente, com Jesus, para levar paz às almas, desenvolvimento e prosperidade aos povos. Tal será a tua espiritualidade, discreta e concreta ao mesmo tempo».
Um verdadeiro encorajamento pastoral, fruto de uma leitura profunda do tempo que estamos vivendo: foi isso que representaram para nós as palavras proferidas pelo papa Leão XIV no encontro do dia 21 de março, um momento de graça especial e de profunda alegria que deixou uma marca indelével nos corações dos 300 participantes na audiência no Vaticano. Tínhamos concluído a Assembleia geral, convocada de cinco em cinco anos para eleger a presidente, o copresidente e o governo da Obra de Maria – Movimento dos Focolares, e acolhemos o que o Papa nos disse como uma orientação plena de sabedoria para o futuro e para o serviço que somos chamados a prestar hoje à Igreja e ao mundo.
O Pontífice reconheceu, inicialmente, o dom que o carisma de Chiara Lubich representa para a Igreja: um dom que moldou a vida de muitas pessoas, famílias, consagrados e sacerdotes, e que continua a gerar frutos de comunhão, de diálogo e de paz nos contextos mais diversos. Ao mesmo tempo, situou esse dom no dinamismo vivo da história, recordando-nos que cada carisma é confiado à responsabilidade de quem o recebe e é chamado a encarná-lo de forma sempre nova.
Leão XIV reafirmou-nos na essência do nosso carisma: a unidade. Uma unidade que não nasce de equilíbrios organizacionais ou de estratégias humanas, mas que é “fruto e reflexo da unidade de Cristo com o Pai”. Por isso — recordou-nos — ela não pode ser confundida com a uniformidade de pensamento, de sensibilidade ou de estilo de vida. Pelo contrário, a unidade autenticamente evangélica valoriza as diferenças, respeita a liberdade e a consciência de cada um, e constrói-se na escuta recíproca e na busca partilhada da vontade de Deus.
Em uma época marcada por profundas polarizações, tensões sociais e conflitos armados, o Papa apontou a unidade como uma verdadeira força profética. Uma semente simples, mas potente, capaz de servir de contrapeso contra “o veneno da divisão” que contamina os corações e as relações, por meio do testemunho evangélico do diálogo, do perdão e da paz. É um apelo que sentimos profundamente nosso e que interpela cada membro do nosso Movimento a ser fermento de reconciliação nos contextos quotidianos.
Com particular clareza, o Santo Padre indicou depois uma responsabilidade específica na fase pós-fundação, que se segue, isto é, à morte da nossa fundadora, Chiara Lubich. Não se trata de uma etapa já concluída, mas de um tempo que continua e que exige um discernimento constante, maduro e, sobretudo, partilhado. Chamou-nos a distinguir aquilo que pertence ao núcleo essencial do nosso carisma daquilo que, embora tenha acompanhado a nossa história, já não o é, ou revelou, ao longo do tempo, limites, ambiguidades e pontos críticos. Esse discernimento — sublinhou — não pode ser confiado a poucos, mas envolve todo o corpo do Movimento. O carisma, de fato, é uma dádiva do Espírito Santo, e todos têm o direito e o dever de se sentirem corresponsáveis pela obra à qual aderiram com dedicação.
Gostaria também de referir as palavras que o novo copresidente, padre Roberto Almada, proferiu, comentando esta parte do discurso do Santo Padre, captando o seu grande alcance: reconheceu que Ele nos falou “como um pai”. Acrescentou ainda que o Papa nos encorajou no caminho que, de fato, já empreendemos há alguns anos, de escuta das pessoas que sofreram e de revisão das práticas, mas, ao mesmo tempo, chamou-nos a uma conversão mais profunda.
A conversão a que o Papa nos chama parte de uma mudança pessoal de mentalidade e, portanto, não se trata apenas de reformar estruturas ou instituições. No centro de tudo está a forma de viver as relações, o respeito pela dignidade da pessoa e o exercício correto das funções de responsabilidade, vividos como serviço. Neste sentido, o Papa recordou-nos que só um estilo evangélico pode fazer “brilhar a beleza” do Evangelho nas relações e nas estruturas.
Impressionou-me particularmente a insistência do papa Leão XIV na caridade, como alimento indispensável da unidade. Recorrendo à primeira carta aos Coríntios, recordou que a caridade é paciente, magnânima, respeitosa, e que sem ela a unidade corre o risco de esvaziar-se. Nessas palavras, reencontrei o cerne da intuição de Chiara Lubich, que via na unidade não apenas um ideal espiritual, mas a “rocha” sobre a qual se alicerça toda a vida do Movimento.
Começa agora para o Movimento dos Focolares um novo mandato; cinco anos em que sentimos que olhar para o futuro significa acolher e fazer uma verdadeira guinada. Uma guinada que exige conversão pessoal e comunitária, uma escuta renovada do grito da humanidade de hoje e o compromisso de testemunhar a unidade não tanto com palavras, mas com a vida. A nossa Assembleia Geral, formada por pessoas que representavam todas as vocações, inúmeras culturas, línguas e povos, fez-nos experimentar a riqueza de uma corresponsabilidade difusa e um novo entusiasmo: sinais de que o Espírito continua a acompanhar-nos também nesta passagem delicada.
Com profunda gratidão, acolhemos, então, o encorajamento do Santo Padre e o seu convite a prosseguir no caminho. Fazemos isso com humildade e confiança, certos de que, se vivermos a unidade como um dom gratuito e como uma tarefa diária, ela poderá contribuir para a missão da Igreja e ser cada vez mais fermento de paz para o mundo.
Margaret Karram Presidente do Movimento dos Focolares
[…] Qual é a Palavra que o Espírito imprimiu como um timbre nesta casa, no nosso Movimento, quando o Céu o imaginou e iniciou a sua realização aqui na terra?
Nós sabemos, a palavra é: Unidade. Unidade é a palavra que sintetiza toda a nossa espiritualidade. Unidade com Deus, unidade com os irmãos. Aliás, unidade com os irmãos para alcançar a unidade com Deus.
O Espírito Santo, de fato, revelou-nos um caminho muito nosso, plenamente evangélico, para nos unirmos a Deus,
para o encontrarmos. […] Nós o procuramos e o encontramos através do irmão, amando o irmão. Nós o encontramos quando nos esforçamos para realizar a unidade com cada um dos irmãos: quando estabelecemos a presença de Jesus entre nós, irmãos. Somente deste modo temos a garantia inclusive da unidade com Ele e o encontramos vivo e palpitante no nosso coração. Esta unidade com Deus, por sua vez, nos impulsiona novamente aos irmãos e nos ajuda a fazer com que o nosso amor por eles não seja fictício, insuficiente ou superficial, mas sim, radical, pleno, completo, denso em sacrifício, sempre pronto a dar a vida e capaz de realizar a unidade.
Os nossos Estatutos colocam a unidade na base de tudo, como norma de todas as normas,
como regra a ser vivida antes de qualquer outra regra. É a palavra unidade para nós, é a rocha.
A vida não tem sentido para nós, a não ser nesta palavra; nela tudo ganha significado: cada gesto nosso, cada oração, cada respiro. Se nos concentrarmos nesta Palavra, vivendo-a o melhor possível, tudo estará salvo para nós: nós mesmos estaremos salvos e salva estará também aquela porção da Obra que nos foi confiada.
Talvez, no futuro, para a Obra no seu conjunto ou em alguma região,
virão momentos diferentes do atual, marcado por muitas consolações, frutos, luz, fogo.
Poderão sobrevir momentos de escuridão, de desânimo, ou surgir perseguições,
tentações, […]; poderão acontecer desgraças, catástrofes… Mas se nós estivermos firmes sobre a rocha
da unidade, nada poderá nos atingir, tudo prosseguirá como sempre.
Chiara Lubich in “Conversazioni in collegamento telefonico”, 2019, Città Nuova Editrice, p. 373
Um regresso a Loppiano depois de muitos anos, sentimentos e sonhos reacendidos com a ideia de lançar novos projetos. É o que descreve Roberto Brundisini no lançamento do website dos concidadãos de Loppiano.
Voltei, um dia, para visitar Loppiano, onde morei por alguns anos atrás. E percebo que me sinto em casa. Fico admirado por ter ficado tanto tempo longe e penso em tantos que, como eu, perderam o contato com essa realidade. Compreendo e compartilho que este é o lar não só daqueles que vivem aqui, mas também daqueles que o amam. E sei que são muitos.
A notícia se espalha, circuitos adormecidos são reativados e, como que de um longo sono, rostos antigos e novos despertam. Loppiano está lá, está lá, ainda está lá! Os sonhos que haviam adormecido voltam à vida, com a determinação da humildade. Porque sonhos que permanecem na gaveta mofam.
Então, o que devemos fazer? Nos perguntamos. Por onde começar?
Ah, veja só, dizemos a nós mesmos, talvez possamos criar uma comunidade energética. Certo! – alguém responde. Talvez possamos estabelecer uma agricultura alternativa. Ótimo! Contribuir para a requalificação urbana e ambiental da Cidadela de acordo com os critérios da encíclica Laudato si’.
Que sonho! Pensamos: Por que não organizamos um centro de acolhimento onde possamos passar alguns dias relaxando e nos reeducando sobre a natureza e as relações humanas? Fantástico”, continua outra pessoa, “Gostaria de encontrar um ponto de encontro, um local para intercâmbios culturais entre jovens e talvez até artistas. Muito interessante! E se criássemos uma rádio online com alcance universal, dada a variedade de habilidades, experiências e conhecimentos que muitos de nós, espalhados pelo mundo, adquirimos ao longo dos anos? Outro sonho! (…)”
Durante nossa visita ao Centro Internacional, entrevistamos o presidente da Associação, Alessandro Agostini, e um de seus conselheiros, Nicola di Settimo.
Ative as legendas e escolha o idioma desejado.
Nicola
Meu nome é Nicola e sou membro da Associação de Concidadãos. Significa “construtores cidadãos” de Loppiano, porque vivemos em Loppiano quando jovens por alguns anos e depois a vida nos levou para o outro lado do mundo. Quase todos nós tivemos outras experiências profissionais desde então.
Alessandro
Meu nome é Alessandro, sou originário da Úmbria e sou o presidente desta nova associação chamada “Co-cittadini di Loppiano” (Concidadãos de Loppiano, ndt). Ela foi fundada há cerca de três anos. Atualmente, atende aos nossos membros em 11 países, e somos cerca de cinquenta homens e mulheres de diversas origens e profissões.
Nicola
Para nós, é um retorno, por um lado, à nossa juventude, mas também à escolha fundamental de nossas vidas que nunca abandonamos: seguir o ideal de Chiara Lubich de “Que todos sejam um”, de amor mútuo. Agora queremos dar uma contribuição concreta, realizando ações concretas em prol de Loppiano.
Alessandro
É cada vez mais necessário nos unirmos como comunidade, como um todo. Em tempos tão difíceis como os que o mundo atravessa, precisamos que as pessoas se unam para lutar por uma humanidade justa e correta. Por isso, estamos aqui para dar a nossa pequena contribuição. Muitos, como nós, viveram em Loppiano, e a Cidadela nos une porque a construímos ao longo dos dois anos que passamos aqui. Esta é uma oportunidade para nos reunirmos e, portanto, mesmo aqueles que já não fazem parte da Obra de Maria, ou que ainda guardam com carinho esta cidadela e a construção de um mundo unido, temos o prazer de recebê-los e incluí-los em nossa Associação.
Nicola
Sim, em todo caso, a ideia é criar uma comunidade aberta a todos, portanto, às pessoas que amam Loppiano e querem mantê-la viva. Então, gostaríamos de canalizar essas forças para, repito, dar uma mãozinha na construção, para continuar ajudando Loppiano a crescer.