Movimento dos Focolares
What’s UP? Vamos lá!

What’s UP? Vamos lá!

Um novo espaço para conhecer e divulgar de forma direta e informal. Um momento dedicado à partilha de notícias, histórias e iniciativas para descobrir o que está acontecendo no Centro Internacional e nas diferentes regiões do mundo e fortalecer o senso de comunidade.

Neste primeiro episódio começaremos pelo Centro Internacional (Rocca di Papa, Roma), coração do governo do Movimento dos Focolares, e, após algumas curiosidades, conheceremos melhor alguns dos Conselheiros que, com a Assembleia Geral de março de 2026, concluíram seu mandato.

Vamos lá!

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De Caracas (Venezuela): a solidariedade é tangível

De Caracas (Venezuela): a solidariedade é tangível

Na quarta-feira, 24 de junho de 2026, às 18h04, a Venezuela teve seu destino transformado em menos de um minuto. Dois terremotos, de magnitudes 7,1 e 7,5, em um intervalo de apenas 39 segundos, atingiram a região centro-norte do país. O epicentro foi próximo a Morón, no estado de Carabobo, mas o impacto foi devastador principalmente em La Guaira, Caracas e áreas vizinhas, onde inúmeras casas e edifícios desabaram. O número de mortos, desaparecidos e feridos continua aumentando enquanto as operações de resgate seguem em andamento. Equipes especializadas de diversos países estão chegando para se unir às buscas por sobreviventes, juntamente com ajuda humanitária e itens de primeira necessidade, em uma resposta internacional que cresce a cada hora.

Os tremores secundários não dão trégua; já são mais de 100. Alguns são quase imperceptíveis, outros nos obrigam a sair correndo de casa várias vezes. Vivemos em estado constante de alerta. Dormimos pouco. O cansaço pesa, mas o medo também. Soma-se a isso a dificuldade de uma cidade que tenta continuar funcionando: o sinal de telefone e a internet operam de forma intermitente, o fornecimento de energia elétrica sofre oscilações constantes e, em muitos prédios, o fornecimento de gás foi interrompido por precaução. Até mesmo as decisões mais simples exigem um grande esforço: organizar-se, colocar ações em prática, coordenar equipes ou simplesmente conseguir falar com pessoas queridas para saber se estão bem. Tudo se torna mais difícil quando a terra continua nos lembrando que ainda não parou de tremer.

A Venezuela enfrenta esse terremoto partindo de um estado de vulnerabilidade. Muitos edifícios foram construídos sem critérios de resistência sísmica, hoje adotados como padrão em outras regiões, e vários deles estão com anos de desgaste e manutenção insuficiente. Essa emergência se sobrepõe a uma realidade socioeconômica já bastante desafiadora, tornando ainda mais complexo o processo de resposta.

No entanto, em meio a essa realidade tão frágil, também estamos descobrindo uma enorme força que nasce da comunhão.

Como Movimento dos Focolares, abrimos nossas casas (os focolares que, felizmente, não sofreram danos estruturais) para acolher aqueles que precisaram abandonar suas próprias moradias. Algumas famílias já não podem voltar para casa, porque seus edifícios correm risco de desabar; outras perderam tudo. Oferecemos abrigo, comida, roupas e tudo o que pode aliviar as necessidades mais urgentes e imediatas.

Infelizmente, a dor também atingiu nossa família muito de perto. Uma voluntária do Movimento perdeu alguns familiares devido ao desabamento dos edifícios onde moravam. Apenas uma sobrinha conseguiu ser resgatada e já recebeu atendimento hospitalar. Como eles, muitas outras famílias esperam notícias entre os escombros; outras choram por seus entes queridos e muitas seguem agarradas à esperança de encontrar com vida aqueles que ainda estão desaparecidos.

A solidariedade faz parte da nossa identidade e, nestes dias, ela se tornou visível e concreta. Desde as primeiras horas após o terremoto, multiplicaram-se as viagens entre Caracas e La Guaira: carros particulares, voluntários, paróquias, organizações e vizinhos levando água, alimentos, medicamentos, roupas e equipamentos. Comunidades inteiras de outras regiões do país, que sentiram apenas pequenos tremores, se organizaram espontaneamente para montar centros de arrecadação, separar as doações e preparar a ajuda que continua chegando às áreas mais atingidas por meio da Igreja. Cada pequena iniciativa, cada telefonema, cada pacote preparado com carinho, cada pessoa que oferece seu tempo, vai tecendo uma rede de fraternidade que sustenta aqueles que mais precisam hoje.

Também nos comove profundamente a quantidade de pessoas, dentro e fora da Venezuela, que desejam ajudar. Ainda não conseguimos responder todas as mensagens que recebemos. São familiares, amigos, membros do Movimento e pessoas que simplesmente querem saber como estamos ou perguntar de que forma podem colaborar. Estamos mobilizando todas as sinergias possíveis para que essa enorme generosidade encontre caminhos concretos e chegue aonde é mais necessária.

Queremos expressar nossa sincera gratidão a todos. Obrigado pelas orações, mensagens de proximidade e gestos concretos de solidariedade que já estão acontecendo. Em momentos como este, experimentamos de forma muito viva aquilo que Chiara Lubich nos deixou como referência: “Sejam uma família”.

Talvez o maior desafio seja viver o momento presente. Não antecipar o medo do próximo tremor nem permanecer paralisados diante da dimensão da dor. Permanecer no presente é, hoje mais do que nunca, o caminho para descobrir o que o Amor nos pede em cada instante.

Viver o carisma da unidade nos leva, neste contexto, a dar uma resposta concreta: ser pontes onde há isolamento, oferecer fraternidade onde o medo divide e semear esperança onde a incerteza parece querer prevalecer.

Ainda há um longo caminho pela frente. A emergência não acabou, e a reconstrução levará tempo. Mas, em meio a tantas perdas, também somos testemunhas de uma humanidade que não desiste, que se organiza, que compartilha o pouco ou o muito que possui e que volta a nos lembrar de que, mesmo quando a terra treme, o amor pode continuar sendo o solo mais firme sobre o qual reconstruir a esperança.

A comunidade do Movimento dos Focolares de Caracas
Fotos: © fotospublicas.com

Chiara Lubich: Unidade

Chiara Lubich: Unidade

[…] A unidade. Mas o que é a unidade? É possível atuá-la?

A unidade é o que Deus quer de nós.

A unidade significa realizar a oração de Jesus: “Pai, que sejam um como eu e tu. Eu neles e tu em mim, para que sejam um” (cf Jo 17, 21-23).

Mas a unidade não pode ser atuada apenas com as nossas forças. Somente uma graça especial pode realizá-la, que vem do Pai, se encontrar em nós uma certa disposição, um requisito específico e necessário.

Trata-se de viver o amor recíproco pedido por Jesus.

O “seu” amor recíproco, aquele que Ele deseja e que não é simples amizade espiritual, acordo ou afinidade.

É amar-se mutuamente como Ele nos amou, até o abandono, até o desapego completo – material e espiritual – das coisas e das criaturas, para nos “fazermos um” reciprocamente e com perfeição.

Assim teremos feito a nossa parte e estaremos nas condições de obter a graça da unidade, que não faltará, que não pode faltar.

Que gratidão nasce em nós ao pensarmos que somos chamados a realizar a unidade! Que impulso a viver a fim de obtermos este dom que, onde não se vive assim, está ausente.

Lembremos que na nossa espiritualidade comunitária temos uma graça a mais, que o Céu pode se abrir a qualquer momento para nós; e se fizermos o que Ele nos pede, permeados por essa graça, podemos realizar muito, muito pelo Reino de Deus.

Sem dúvida, é essa graça que explica a grande expansão do nosso Movimento e as suas muitas conquistas.

Conscientes desse extraordinário privilégio, nos primeiros tempos dizíamos assim:

“Gravem bem em suas mentes uma única ideia. Foi sempre uma única ideia que forjou os grandes santos e a nossa ideia é esta: Unidade”.

“Que tudo desmorone. A unidade jamais!
Levem sempre entre vocês este Fogo aceso. E não tenham medo de morrer. Já experimentaram que a unidade exige a morte de todos para dar vida ao UM! Façam isso como um sacrossanto dever, que lhes trará imensa alegria! Jesus prometeu a plenitude da alegria para quem vive a unidade! (…)”.

Durante o próximo mês, esforcemo-nos para obter sempre esse dom.

E que não seja só para a nossa felicidade, mas para conseguirmos realizar a nossa típica evangelização que vocês conhecem: “Que sejam um, para que o mundo creia” (Cf. Jo 17, 21).

O mundo precisa muito da fé, de acreditar! E todos somos chamados a evangelizar. Um dia São Francisco disse aos seus discípulos: “Vamos fazer o nosso sermão”. E com as mãos dentro das mangas, de cabeça baixa, caminharam pela cidade pregando com o próprio ser a mortificação e a pobreza total.

Lancemos também nós, no mundo, o nosso sermão. Quem observar dois ou mais membros da Obra unidos – nos focolares, nos núcleos, nas unidades, nas nossas reuniões ou casualmente juntos – seja tocado por um raio da nossa fé e acredite no amor, porque o viu.

Mãos à obra! É isso o que Deus quer de nós através do nosso carisma que está gravado nos Estatutos: a unidade é a premissa de qualquer outra vontade de Deus. E podemos também falar para irradiar o Evangelho, mas só depois.

Chiara Lubich
(Convesazioni, Città Nuova, Roma 2019, pp 522/4

Foto: © JGH – CSC Audiovisivi

Emergência sísmica na Venezuela

Emergência sísmica na Venezuela

A Coordenação de Emergências do Movimento dos Focolares lançou uma campanha extraordinária de angariação de fundos em apoio à população da Venezuela, através da Ação para um Mundo Unido (AMU) e da Ação para Famílias Novas (AFN). As contribuições recebidas serão geridas conjuntamente pela AMU e pela AFN para fazer chegar às populações afetadas pelo terramoto de 24 de junho de 2026 ajuda de primeira necessidade para alimentação, cuidados médicos, habitação e acolhimento em várias cidades do país, também em colaboração com as Igrejas locais.

Cada contribuição permitirá levar alívio imediato e imaginar, juntos, caminhos de esperança e reconstrução.

É possível fazer a doação online

Azione per un Mondo Unito ETS (AMU) IBAN: IT 58 S 05018 03200 000011204344 – Banca Popolare Etica Codice SWIFT/BIC: ETICIT22XXX

Azione per Famiglie Nuove ETS | Banca Etica – filiale 1 di Roma – Agenzia n. 0 | Codice IBAN: IT 92 J 05018 03200 000016978561 | BIC/SWIFT: ETICIT22XXX

Motivo: Emergência Venezuela

Para essas doações são previstos benefícios fiscais em muitos países da União Europeia e em outros países do mundo, segundo as normas locais. Os contribuintes italianos poderão obter deduções no Imposto de Renda, de acordo com a legislação prevista para as ETS (Entidades do Terceiro Setor).

Foto: © fotospublicas.com

A unidade, uma prioridade para Maria Voce Emmaus

A unidade, uma prioridade para Maria Voce Emmaus

No cotidiano da vida no focolare, Maria Voce Emmaus vivia de modo simples e luminoso o Evangelho da unidade que se comunica com inteligência, liberdade e criatividade.

Tinha uma característica que logo chamava a atenção: usava o coração, a fantasia e toda a sua inteligência para amar a cada uma como realmente desejava ser amada, sem padrões, sem soluções pré-concebidas. Cada uma era única, e ela levava isso a sério.

Uma de nós lembra, por exemplo, que quando chegou não podia comer queijo. Podiam dizer que era um detalhe. Mas não era. Para Emmaus, não era. Sem fazer pesar, tomava sempre o cuidado de ter uma alternativa nas refeições. Não era só atenção, mas uma maneira de dizer que cada uma é importante assim como é. E isso também valia para escolhas ou sensibilidade alimentares diversas: as respeitava com uma liberdade que sabia acolher, inclusive o que poderia parecer debatível.

Com Emmaus, tudo se tornava realmente possível. Não por grandes programas, mas pela capacidade de escutar os desejos mais profundos e fazê-los florescer. Assim, o sonho de cada uma de nós, como ir para um país de língua inglesa para melhorar o idioma, se tornou, com simplicidade surpreendente, seu presente de aniversário.

No focolare, também tinha uma sensibilidade especial por culturas diversas. Não só as apreciava, mas as acolhia e valorizava com profundo respeito. Quando chegou o dia de uma festa tradicional coreana, encorajou uma de nós a viver aquele momento plenamente: vestir as roupas tradicionais, fazer os rituais segundo a tradição, sem simplificações. E não se limitou a observar: quis participar até o fim, preparando um belo envelope com uma soma em dinheiro, como prevê o gesto do mais velho para com o mais jovem. Era a sua maneira de dizer que toda cultura é um dom a ser custodiado.

Também sabia reconhecer e apoiar os gostos e preferências de cada uma. Para quem amava os eventos culturais, não se limitava a dizer: “vai, é legal”. Ela mesma os procurava mas redondezas, fazia propostas, encorajava, acompanhava. Era como se cuidasse dos sonhos das outras, tornando-os um pouco dela.

E haviam os presentes. Nunca considerava que davam muito trabalho. Eram pensados, procurados, preparados com cuidado. Eram sinais concretos de um amor personalizado, como um determinado relógio ou um passeio ao mar no aniversário, que chegava não só a nós ou outros focolares, mas também a nossas famílias, irmãs, pais, sobrinhos.

A arte também nunca faltou no nosso focolare, como uma aliada dela para fazer crescer a unidade entre nós. Quantas vezes cantamos juntas! Ela sabia muitas músicas e poesias de cor! Também encenamos pequenas apresentações! É inesquecível aquela preparada para a festa de Maria: uma releitura livre e alegre, inspirada na Divina Comédia de Dante, grande poeta italiano, vivida com ela e para ela, que soube transformar um momento simples em uma experiência profunda com Maria.

No fundo, sua vida era isso: criava família. Um episódio exprime bem: um domingo à tarde, sem avisar, com todo o focolare, visitamos uma focolarina casada que havia acabado de se mudar para o Centro. Quando ela, surpresa, perguntou quem era no interfone, Emmaus respondeu com simplicidade e alegria: “A sua família!”.

Outra vez, nos chamou no fim de semana para encontrá-la onde estava de férias. Para nossa surpresa, ela havia visto em uma loja algumas roupas que poderiam servir em cada uma de nós. E assim foi, experimentamos e escolhemos segundo o gosto e estilo de cada uma, com a alegria que se prova quando há Jesus em meio!

Olhando para a nossa vida com Emmaus, podemos dizer que a unidade não é uma ideia abstrata. É algo que toma forma dia após dia, que pede que nos coloquemos em jogo em primeira pessoa no relacionamento com o outro, nos detalhes, na atenção, na criatividade do amor. Ela nos mostrou isso: a unidade é possível quando cada um ama e se sente realmente amado.

As focolarinas que viveram no Focolare com o Emmaus
Nas fotos, vários momentos da vida quotidiana – © Archivio CSC Audiovisivi