Movimento dos Focolares
Chiara Lubich: “desatar os nós mais difíceis da humanidade”

Chiara Lubich: “desatar os nós mais difíceis da humanidade”

Sem dúvida, este momento da humanidade é muito difícil: guerras que se prolongam, polarizações de todos os tipos, muitas pessoas que deixam suas terras em busca de um futuro melhor que lhes é negado, mudanças climáticas, catástrofes naturais…

Chiara Lubich, no final de 2001, escreveu esta oração à Nossa Senhora Desatadora dos Nós a pedido de uma pessoa que lhe enviara um cartão postal com a imagem de uma pintura do século XVIII conservada na igreja de são Pedro, em Augsburgo (Alemanha). Parece ter sido escrita para os momentos atuais que o mundo está atravessando.

Virgem Desatadora dos Nós,

Tu, Imaculada,

Onipotente por graça

ajuda-nos neste momento presente,

no qual a humanidade precisa

desatar

nós extremamente difíceis.

Com o teu amor de mãe, faz

que todos os homens

formem uma única família,

a dos filhos de Deus.

É a solução para tudo!

Amém!

Chiara Lubich – 30 de novembro de 2001

Foto: © Calips -Own work; Johan Georg Melchior Schmidtner; Archivio Generale MdF.

Evangelho vivido: olhar para o irmão

Evangelho vivido: olhar para o irmão

Ontem, com uma das minhas colaboradoras, vivi um daqueles momentos que não se esquecem facilmente. É uma jovem mulher que tem um filho portador de deficiências e um ex-marido violento, com quem existe um processo em andamento.

Ela se esforça muito no trabalho e tinha concluído, com muita dedicação, uma tarefa que eu lhe havia confiado, por isso pensei em lhe dar um bônus financeiro. Ainda que ela falte algumas vezes, devido ao processo com o ex-marido ou por alguma dificuldade com o filho, está sempre disposta a trabalhar. Quando eu lhe dei o prêmio em dinheiro ela começou a chorar. Durante o fim de semana tinha sido assaltada, num caixa eletrônico, e aquela soma ia servir para compensar a perda; e o valor era maior do que havia sido roubado. Foi uma ocasião para falar da Providência, e depois me lembrei do que havia escutado num encontro da Economia de Comunhão, que “devemos antecipar as necessidades dos outros”. Eu lhe dei também um adiantamento do salário, que ela, por discrição, não ousava pedir. Somos apenas administradores.

CK (Argentina) (da “Notícias de familia”)

Sou um sacerdote idoso, e colaboro em uma paróquia em Milão, na Itália.

Acompanho algumas pessoas necessitadas, que vivem sozinhas, e ajudo com as ofertas que recebo. Ultimamente uma situação se agravou. Eu já tinha reservado lugar numa pousada, para alguns dias de férias no verão, e para as despesas extras havia reservado 140 euros. Depois de um momento de oração decidi dar a metade para a pessoa que precisava e eu ficaria com o resto.

Hoje de manhã, depois da Missa, um senhor se aproximou e me deu um envelope com 150 euros. Mais uma vez eu estive apenas administrando a solidariedade.

PL (escreveu-nos de Milão, Itália)

Faz algum tempo que comecei a prestar atenção naquelas pessoas que poucos notam e a quem ninguém dirige nem um cumprimento. Um dia, enquanto eu estava correndo para pegar um ônibus, perdi a carteira e voltei atrás para procurá-la. Encontrei um varredor de rua que a tinha encontrado e já estava me procurando. Samuel não quis aceitar nenhuma recompensa e desde então já nos vimos muitas vezes para tomar um café juntos.

Fátima é do Marrocos, é muçulmana, e trabalha com a limpeza em um restaurante do bairro. Com o passar do tempo ela me contou muitas coisas de sua família e da sua terra. Falamos sobre as crenças, sobre a fé e o respeito; ela demonstra seu afeto por mim cada vez que me vê, porque ninguém se detém para falar “com aquela moça da limpeza”.

Chaouki é um cozinheiro da Tunísia que trabalhou na Itália e na Alemanha, fala muitas línguas e é uma pessoa de grande cultura. Ele assumiu o controle de um restaurante que se chama “Cidadão do Mundo”: um verdadeiro programa de respeito e tolerância. Eu disse que pensava como ele e que me agradava muito compartilhar suas ideias e ações por um mundo melhor. Um dia fui tomar o café da manhã com algumas amigas e, como tinha acontecido comigo, elas se surpreenderam ao ver pessoas de várias proveniências que pensam como ele. É fantástico sentir-se cercados por pessoas ótimas, que não fazem barulho.

LL (Majadahonda, Madri), da Revista “Lar

editado por Carlos Mana
Foto: © Ivan S by Pixabay

Franco Fortuna, um santo da porta vizinha

Franco Fortuna, um santo da porta vizinha

Franco e Anna se casaram em 1991 e têm três filhos: Benedetta, Francesca e Federico. Em agosto de 2025, Franco partiu inesperadamente para o céu, aos 63 anos. Essa notícia comoveu as almas de muitas pessoas, não só na cidade deles, Poggio Mirteto (Itália), mas também as de muitos amigos do Movimento dos Focolares que o conheceram, tanto quando era Gen (jovens do Movimento dos Focolares) e, inflamado pelo Ideal da Unidade, havia dito seu “Sim” ao chamado de viver por Jesus, quanto também pelo seu trabalho (trabalhou por muitos anos na editora Città Nuova) que o levou a encontrar tantas pessoas.

Ao lado de Anna, o “Sim” inicial para formar uma família fiel ao “onde dois ou mais…” se enriqueceu ao longo do percurso de vida deles, com dedicação à comunidade local, em particular no Movimento Famílias Novas (setor do Movimento dos Focolares composto por famílias que se propõem a viver a espiritualidade da unidade) e com o acompanhamento de casais em percurso de preparação ao matrimônio e ao batismo dos filhos.

Depois de um longo período na editora, Franco começou uma nova experiência de trabalho como docente de religião em um instituto técnico, dedicando-se totalmente a procurar ajudar seus alunos a crescer serenamente, mesmo nas dificuldades e nas dores pessoais que eles mesmos lhe confiavam. A recordação mais viva em todos são as aulas ao ar livre, sob as sombras das árvores, no jardim externo da escola, sua profunda capacidade de escuta, seu sorriso. Sorriso que era conhecido também pelos colegas, além da sua dedicação em criar na escola um clima de família com passeios nas montanhas e momentos de convivência.

Em seu último período de vida, deu seu “Sim” ao chamado para se tornar diácono da Igreja. Foi feito com humildade, no silêncio, mas sempre presente, pronto a ajudar quem estava em dificuldade. Quem o encontrou lembra que, sempre com o grande sorriso dele, conseguia transformar as almas de quem passava ao seu lado.

Nas fotos: Franco com toda a família; um passeio à montanha; no seu ministério como diácono

A casa deles estava sempre aberta a todos e é assim até hoje: muitos amigos dão suporte a Anna e seus filhos, graças ao amor semeado ao longo desses anos.

Mesmo durante a recuperação de Franco no hospital, na última semana antes da partida, os médicos ficaram tocados pelo contínuo fluxo de jovens que iam visitá-lo para uma última saudação, um abraço na família, ou simplesmente estar ali presentes ao lado dele para uma oração conjunta.

Um colega dele, que se definia como não religioso, se referiu a ele como “a pessoa mais próxima do Evangelho” que já havia conhecido.

No seu funeral, a igreja estava lotada, inclusive com muitos jovens no adro: “Você falou de fé, mas nos ensinou a amar”, dizia uma de suas faixas; no altar, uma fileira de sacerdotes e diáconos ao lado do bispo monsenhor Ernesto Mandara.

Durante a homilia, o padre Mauro Guida, pároco da Catedral de Maria Assunta em Poggio Mirteto, citando os Santos Lourenço, Clara, Joana, Ponciano e Hipólito, lembrados pela igreja nos dias anteriores, disse: “Cada vez, cada nome, cada palavra, cada face de santidade parecia o retrato do nosso querido Franco. Como uma vez as crianças, mostrando as figurinhas, repetiam o refrão ‘eu tenho, eu tenho…’, assim Franco se tornou, de repente, a imagem de quem tinha todas as qualidades que podiam ser descritas, ou mesmo só imaginadas; ‘santidade da porta vizinha’, o havia chamado o papa Francisco”.

“Ficamos profundamente comovidos com a notícia do chamado ao céu de Franco e extasiados em seguir seu exemplo”, afirmaram em uma carta Margaret Karram e Jesus Moran, presidente e copresidente (em 2025) do Movimento dos Focolares. “Orações e profunda gratidão pela sua vida tão bonita e luminosa. Na certeza de que já foi acolhido por Jesus, o sentimos como protetor de Famílias Novas e das Novas Gerações. Unidos de modo muito especial a Anna e aos filhos.”

Nas fotos: inauguração do pátio ao ar livre na escola onde lecionava

A escola na qual Franco trabalhou, o IIS Gregorio da Catino di Poggio Mirteto, quis fazer uma sala ao ar livre dedicada a ele. Este foi o post publicado na página do Facebook da escola: “há professores que deixam uma marca inapagável pelo seu modo de olhar o mundo: Franco Fortuna era um deles. Para lembrar o amor que tinha pelas aulas ao ar livre, hoje (5 de junho de 2026), fizemos uma verdadeira sala na parte externa (…). Desejamos que possa se tornar um lugar onde os estudantes possam continuar a aprender, confrontar-se e sonhar, justamente como desejava o professor Fortuna”.

Lorenzo Russo
Foto: por cortesia da família Fortuna

Uma amizade realmente vale um rim

Uma amizade realmente vale um rim

Este vídeo faz parte da série On Point, produzida por Focolare Media. Esta web série explora os pontos cardeais da espiritualidade do Movimento dos Focolares por meio de reflexões e experiências de vida. Visite Focolare Media ou o canal do YouTube para acessar outros conteúdos deste tipo, disponíveis com legendas e dublagens em diversas línguas.

De ateu a presidente do conselho paroquial

De ateu a presidente do conselho paroquial

Há alguns anos, longe da minha família, tive de dividir casa por um tempo com um colega de trabalho. Alberto, meu colega, era ateu. Falávamos de esporte, cultura, religião, etc. Algumas vezes, lhe contei o que a conversão havia significado para mim, o encontro com Deus, em Jesus. Ele me agradecia com gentileza, mesmo se, obviamente, permanecesse fiel a suas convicções.

Por outro lado, eu sabia que colocar em prática a palavra de Deus significava amar concretamente essa pessoa. Portanto, comecei a me interessar pela sua vida, pela sua família, pelo que ele gostava, pelo que o chateava ou o fazia sofrer.

Vendo que Alberto estava muito ocupado, me ofereci para cozinhar nos dias que eram dele e até a lavar suas roupas. Ele gostava de ir correr e, mesmo não sendo meu esporte favorito, comecei a ir correr com ele para entrar mais em sintonia com seus interesses.

Um dia, me propôs que saíssemos para nos divertir com algumas mulheres. Respondi gentilmente que não ia e expliquei que para mim o sexo era algo muito profundo. Ele me olhou um tanto incrédulo e me disse: “Tenho que refletir sobre isso que você me disse”.

Nossos caminhos se separaram. Eu o encontrei anos depois em um aeroporto. Nós nos abraçamos e me disse: “Sabe de onde estou vindo? De uma reunião. Sou presidente do conselho paroquial”. Que surpresa! Eu não conseguia acreditar.

Alberto continuou: “Miguel, lembra quando, há muitos anos, você cozinhava nos dias que eram meus ou quando lavava minhas roupas e saía para correr comigo? Eu te observava e via que tinha algo dentro de você, uma luz, uma força na sua vida que estava faltando na minha. E foi justamente isso que me tocou e começou, pouco a pouco, a mexer com o meu coração e a minha mente. Qual foi o resultado? Um profundo diálogo interior com Deus. Comecei a ler o Evangelho e a mudar meu estilo de vida. Chegou o batismo e agora estou aqui: de ateu a presidente do conselho paroquial. Obrigado por aqueles meses que moramos juntos!”

M. N. – México
(de focolaresciudadnueva.com)

Foto: © Kampus by Pexels