A alegria dos primeiros cristãos – como de resto a alegria dos cristãos de todos os tempos e séculos, quando o cristianismo é compreendido na sua essência e vivido na sua radicalidade – a alegria dos primeiros cristãos era uma alegria verdadeiramente nova, jamais experimentada. Não tinha nada a ver com a hilaridade, com a alegria normal, com o bom humor. Ou, como diria Paulo VI, não tinha nada a ver com “a alegria exaltante da vida e da existência”, com “a alegria portadora de paz da natureza, com a alegria do silêncio”. (…) Não era essa. São alegrias belas…
Mas a alegria dos primeiros cristãos era diferente. Era uma alegria semelhante àquela atração que arrebatou os discípulos quando receberam o Espírito Santo.
Era a alegria de Jesus. Porque Jesus tem a sua paz e também a sua alegria.
E a alegria dos primeiros cristãos, que jorrava espontânea do profundo do próprio ser, saciava-os completamente.
Eles tinham encontrado realmente aquilo que o homem de ontem, de hoje e de sempre precisa e procura. Tinham encontrado Deus, a comunhão com Deus e esta os saciava completamente e os levava à plena realização. Eram criaturas.
De fato, o amor, a caridade com a qual Cristo por meio do Batismo e dos outros sacramentos enriquece o cristão, pode ser comparada a uma pequena planta. Quanto mais cresce a raiz (à medida que se ama o próximo), mais veloz cresce a planta, o caule. Isto é, quanto mais se ama o próximo, o coração fica cada vez mais invadido pelo amor de Deus. Contudo, não é um amor, uma comunhão com Deus em que se acredita pela fé, mas é uma comunhão que se experimenta. E isso é felicidade; esta é a felicidade, amamos e nos sentimos amados.
Assim era a alegria dos primeiros cristãos… Era essa a felicidade dos primeiros cristãos, adultos ou jovens como vocês, que se exprimia em liturgias maravilhosas, festivas, com muitos hinos de louvor e de ação de graças.
Gratidão e reconhecimento a Deus. Estas palavras resumem a abundância de mensagens que chegaram do mundo inteiro para Paolo Rovea. Em 3 de julho de 2025, em um acidente nas montanhas, Paolo encerrou sua vida terrena. Casado com Barbara, eles têm cinco filhos: Stefano, Federico, Francesco, Miriam e Marco.
Em 1975, ele encontrou o Ideal de Unidade do Movimento dos Focolares. “Isso mudou radicalmente a minha vida”, disse. Naquele ano, participou do Genfest em Roma, retornando com o desejo de viver cem por cento com os Gen, os jovens do Movimento dos Focolares. Por 14 anos, ele se dedicou incansavelmente, fazendo do Evangelho o seu modo de vida.
Com Barbara, que também participa dos Gen, começou a planejar constituir família. Casais de noivos e famílias jovens passaram a vê-los cada vez mais como um modelo de casal. Um deles escreveu: “Com grande pesar por esta perda, somos profundamente gratos pelo amor, respeito e confiança que recebemos de Paolo. Gratos pelos muitos anos de ações extraordinárias e ‘loucas’ que todos compartilhamos. Com Barbara, ele moldou a história das Novas Famílias – o braço dos Focolares para apoio às famílias – e a história de muitos casais, incluindo o nosso.”
Paolo também se afirma cada vez mais em sua profissão, com expertise e sensibilidade. Formou-se em Medicina pela Universidade de Turim (Itália), com especialização em Oncologia e Radioterapia. Na mesma Universidade, lecionou no programa de mestrado por vários anos. Trabalhou como médico hospitalar, tornando-se posteriormente chefe do departamento de Oncologia e Radioterapia em Turim, até sua aposentadoria em 2021. Também obteve um mestrado e cursou cursos avançados em Bioética.
Em 1989, sentiu que Deus o chamava para o caminho do focolare como focolarino casado, e confidenciou isso a Danilo Zanzucchi, um dos primeiros a seguir esta estrada: “Estou em um momento muito importante da minha vida: meu emprego de médico deve se tornar permanente; casei-me há cinco meses. (…) Agradeço a Deus por todos as dádivas que me concedeu: em primeiro lugar, pelo Ideal da unidade (…), pela minha família (…), pela vida Gen (…); por Barbara, minha esposa, com quem estou vivendo meses maravilhosos (…). Garanto que parto com um renovado desejo de santidade neste caminho único que é o focolare.”
Uma vida enraizada em um crescimento constante em seu relacionamento com Deus.
Muitos se lembram de como Paolo raramente dizia não a um pedido ou necessidade; ele estava lá para qualquer pessoa necessitada com um amor concreto. Seus talentos e profissionalismo estavam a serviço daqueles que o cercavam: se era preciso de alguém para cantar ou tocar, ele cantava e tocava; se era preciso de alguém para escrever um texto, ele escrevia; se houvesse necessidade de uma consulta médica, ele estava pronto; se alguém precisasse de um conselho, ele o dava com imparcialidade, encorajando os medrosos e estimulando os inseguros. Sua capacidade de se conectar com a vida de todos ao seu redor fez com que, com o tempo, ele fosse percebido por muitos como um verdadeiro irmão, um membro da família, um amigo fiel.
“Agradeço a Deus por todos as dádivas que me concedeu: em primeiro lugar, pelo Ideal da unidade (…), pela minha família (…), pela vida Gen (…); por Barbara, minha esposa, com quem estou vivendo meses maravilhosos (…) Garanto que parto com um renovado desejo de santidade neste caminho único queé o focolare.”
O compromisso de Paolo e Barbara com o Movimento dos Focolares foi crescente, especialmente no âmbito das Famílias Novas (FN). Uma das áreas pelas quais eram profundamente apaixonados era a educação sobre afetividade e sexualidade. Foi graças a eles que, em 2011, em sinergia com as diversas agências de formação do Movimento dos Focolares, nasceu um programa nessa área, o Up2Me, baseado na visão antropológica típica dos Focolares.
Maria e Gianni Salerno, responsáveis mundiais das Famílias Nuovas, afirmam: “Embora conhecêssemos Paolo e Barbara desde jovens, trabalhamos juntos diariamente nos últimos 10 anos na Secretaria Internacional das Famílias Novas. A paixão, a generosidade, a criatividade e o compromisso incansável com que Paolo realizou tudo, sempre atento às relações com cada pessoa, continuam sendo um enorme testemunho para nós e sempre foram um incentivo para avançarmos juntos, para nos esforçarmos cada vez mais e melhor para servir as famílias em todo o mundo. Muitas vezes, quando discutíamos com ele como enfrentar os desafios que as famílias enfrentam hoje, para estarmos cada vez mais próximos de todos, ele sugeria ideias inovadoras, úteis para acompanhar os tempos e as necessidades das pessoas. Ele viajou muito com Barbara para encontrar as famílias do Movimento e deixou um rastro de luz em todo o mundo.”
“Muitas das novas iniciativas de Famílias Novas”, continuam os Salerno, “foram sugeridas e coordenadas por ele, juntamente com Barbara. Entre elas, estão o programa Up2me, o Formato Família, um programa de discussão e crescimento com outras famílias na cidadela internacional dos Focolares em Loppiano, e, por último, mas não menos importante, a Loppiano Family Experience, um curso de três semanas para líderes de Famílias Novas, também em Loppiano. Mesmo nesta perda tão dolorosa, sabemos que podemos contar com seu apoio insubstituível, que agora, do Céu, será ainda mais forte…”
A cada cinco anos acontece a Assembleia Geral da Obra de Maria, Movimento dos Focolares.
A próxima será realizada de 1º a 21 de março de 2026.
É uma ocasião para responder à vocação do Movimento dos Focolares: viver pela unidade. Trata-se de um dos eventos mais importantes. Durante a Assembleia serão escolhidos os novos dirigentes do Movimento dos Focolares e os trabalhos oferecerão oportunidades para dialogar sobre ideias, propostas e moções, que serão as diretrizes do Movimento para os próximos cinco anos.
O caminho de preparação está começando: todos nós somos chamados a dar a nossa contribuição.
Vem, irmão exilado, vamos nos abraçar. Onde quer que você esteja, qualquer que seja seu nome, o que quer que faça, você é meu irmão. O que me importa se a natureza e as convenções sociais se esforçam para separá-lo de mim, com nomes, especificações, restrições, leis?
O coração não se restringe, a vontade não sofre limites e, com um esforço de amor, podemos atravessar todas essas segmentações e nos reunir como família.
Não me reconhece? A natureza o depositou em outro lugar, feito de outra maneira, dentro de outras fronteiras; talvez você seja alemão, romeno, chinês, indiano… talvez seja amarelo, preto, cor de oliva, de bronze, de cobre… mas, o que importa?
Você é de uma nação diferente, mas isso, que importância tem? Quando este pequeno globo, ainda hoje incandescente, se consolidou, ninguém poderia imaginar que, por causa dessas aberrações momentâneas, os seres se matariam por muito tempo.
E ainda hoje, diante dos nossos ordenamentos políticos, você acha que a natureza nos pede licença para manifestar-se nos vulcões, nos terremotos e enchentes? E você acha que ela se preocupa com as nossas diferenças, aparências, hierarquias?
Irmão desconhecido, ame sua terra, seu fragmento da crosta que nos sustenta, mas não odeie a minha. Sob todos os artifícios, sob todas as classificações sociais, por mais codificadas que sejam, você é a alma que Deus criou irmã da minha, da de todos os outros (o Pai é único), e você é como qualquer outro ser humano que sofre e talvez faça sofrer, que passa necessidades mais do que pode oferecer, que é inseguro, que se cansa, tem fome, sede, sono, como eu, como todos.
Irmão desconhecido, ame sua terra, seu fragmento da crosta que nos sustenta, mas não odeie a minha. (…) Em vós reconheço o Senhor. Sejamos livres e, desde já, irmãos que somos, abracemo-nos. “
Você é um pobre peregrino seguindo uma miragem. Você acredita que é o centro do universo, e não é senão um átomo desta humanidade que se movimenta ofegante, entre sofrimentos, mais do que entre alegrias, por milênios e milênios.
Você é um nada, irmão, portanto, unamos as forças ao invés de buscar o confronto. Não se encha de orgulho, não se separe, não acentue os marcos de diferenciação inventados pelo homem.
Você não chorou como eu, quando nasceu? E não vai gemer como eu, quando morrer? Seja qual for o invólucro terreno, a alma voltará nua, igual. E você, venha. De além de todos os mares, climas, de todas as leis; de além de qualquer compartimento social, político, intelectual; de além de todos os limites (nada mais o homem saber fazer senão circunscrever, subdividir, isolar), você, irmão, venha.
Em vós reconheço o Senhor. Sejamos livres e, desde já, irmãos que somos, abracemo-nos.
Todos os dias observamos tanto sofrimento ao nosso redor, e podemos nos sentir incapazes, se não nos abrirem um vislumbre de humanidade. Às vezes, porém, a resposta viaja pelo WhatsApp, como aconteceu com uma pequena comunidade na Itália que quer viver a unidade: “… no hospital onde trabalho, há um jovem, um estrangeiro, que está completamente sozinho e está morrendo. Talvez alguém possa passar alguns minutos com ele, para dar um pouco de dignidade a esta situação?” É um choque: as respostas surgem rapidamente. A mensagem de alguém que esteve presente nas últimas horas diz: “Estando ali ao seu lado, vimos imediatamente que a assistência foi pontual, atenciosa e amorosa e que, portanto, não tínhamos nada de concreto a fazer a não ser ficar ali. Ele, agora em coma, também não poderia se beneficiar da nossa presença”. Algo inútil? Naquelas poucas horas, uma pequena comunidade, dentro e fora do hospital, acompanhou e deu sentido a isso. Quem sabe se uma mãe poderá chorar por ele no seu país. Certamente a sua “passagem” não foi em vão para aqueles que puderam amar aquele jovem, não mais desconhecido. A compaixão é um sentimento que vem de dentro, do profundo do coração humano. Ela nos dá a possibilidade de interromper o ritmo do nosso dia, cheio de tantos compromissos frenéticos, e tomar a iniciativa de nos aproximarmos do outro, oferecendo um olhar atencioso, sem medo de “tocar” nas feridas. Chiara Lubich explica isso com uma simplicidade incisiva: «Imaginemos estar na sua situação e tratemo-lo como gostaríamos de ser tratados em seu lugar. […] Ele está com fome? Estou com fome eu – pensemos. E demos a ele de comer. Sofre injustiça? Sou eu que a sofro! […] E lhe digamos palavras de conforto, e dividamos com ele suas angústias, e não nos demos sossego enquanto ele não se sentir iluminado e aliviado. […] Veremos, lentamente, o mundo mudar ao nosso redori»1. A sabedoria africana também confirma isso com um provérbio marfinense: “Quem acolhe um estrangeiro hospeda um mensageiro”. Esta Ideia nos oferece a chave para realizar o humanismo mais autêntico: ela nos torna conscientes da humanidade que temos em comum, na qual se reflete a dignidade de cada homem e mulher; ela nos ensina a superar com coragem os esquemas da “proximidade” física e cultural. A partir dessa perspectiva, é possível expandir os limites do “nós” até o horizonte do “todos” e descobrir os próprios fundamentos da vida em sociedade. E é importante cuidarmos de nós mesmos, com a ajuda dos amigos com quem caminhamos juntos, quando sentimos que estamos sucumbindo ao sofrimento que nos cerca. Lembrando que – como diz o psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Almada – “se os bons abandonarem a batalha por cansaço, a humanidade que temos em comum correrá o maior dos riscos: o empobrecimento dos valores”2.
1. Chiara Lubich, A arte de amar, Città Nuova, p. 60 2. R. Almada, O Cansaço dos Bons, Editora Cidade Nova
A IDEIA DO MÊS, é preparada pelo “Centro do Diálogo com pessoas de convicções não religiosas” do Movimento dos Focolares. É uma iniciativa que nasceu no Uruguai em 2014 para compartilhar com os amigos que não creem em Deus os valores da Palavra de Vida, uma frase da Escritura que os membros do Movimento se comprometem a colocar em prática. Atualmente, A IDEIA DO MÊS é traduzida em doze idiomas e distribuída em mais de 25 países, adaptada em alguns deles segundo as exigências culturais. dialogue4unity.focolare.org