Movimento dos Focolares
As cidades: pontes de fraternidade e diálogo

As cidades: pontes de fraternidade e diálogo

Um momento de partilha e troca que, de Trento, sua cidade natal, até os Castelos Romanos e Roma, traçou o caminho da fundadora do Movimento dos Focolares, tornando visíveis os frutos nos territórios e comunidades.

Durante o evento, falaram: Franco Ianeselli, prefeito de Trento; Mirko Di Bernardo, prefeito de Grottaferrata (Roma); Massimiliano Calcagni, prefeito de Rocca di Papa (Roma); Francesco Rutelli, ex-prefeito de Roma, que entregou a cidadania honorária da capital a Chiara Lubich em 2000; Mario Bruno, ex-prefeito de Alghero e corresponsável do Movimento Humanidade Nova do Movimento dos Focolares; Giuseppe Ferrandi, diretor da Fundação Museu Histórico do Trentino.
A exposição, montada no Focolare Meeting Point (Via del Carmine 3, Roma) e realizada pelo Centro Chiara Lubich com a Fundação Museu Histórico do Trentino, ficará aberta durante todo o ano de 2026.

Veja o vídeo com as entrevistas aos presidentes de câmara presentes. Original em italiano. Para outros idiomas, ative as legendas e selecione o idioma.

Chiara Lubich: l’umanità come famiglia

Chiara Lubich: l’umanità come famiglia

A fraternidade universal, prescindindo até do cristianismo, nunca esteve totalmente ausente da mente de raras personalidades espirituais. Mahatma Gandhi afirmava: «A lei deouro é ser amigo do mundo e considerar “uma só” toda a família humana. Quem distingue entre os fiéis da própria religião e aqueles de outra, deseduca os membros da própria e fomenta a rejeição e a irreligião» [1]. (…)

Mas quem trouxe a fraternidade, como dom essencial para humanidade, foi mesmo Jesus, que assim rezou antes de morrer: «Pai, que todos sejam um» (Cf Jo 17,21). Revelando que Deus é Pai e que os homens, por isso mesmo, são todos irmãos, Jesus introduz a idéia da humanidade como “uma família”, a idéia da “família humana”, que è possível graças à fraternidade universal vivida. E, com isso, abatem-se os muros que separam os iguais dos diferentes, os amigos dos inimigos, que isolam uma cidade da outra. A fraternidade livra cada homem das amarras que o prendem, das mil formas de subordinação e de escravidão, de qualquer relacionamento injusto, realizando, assim, uma autêntica revolução existencial, cultural e política. Desse modo, a ideia da fraternidade começou a penetrar na história. E seria possível recuperar a evolução do pensamento das diversas épocas, a fim de ressaltar a sua presença, como patamar de muitas e fundamentais concepções políticas, e essa presença por vezes era evidente, por vezes oculta.

Chiara Lubich


[1] “In buona compagnia”, aos cuidados de Claudio Mantovano, Roma, 2001, p. 11.

Fotos © Horacio Conde-CSC Audiovisivi

Chiara Lubich: “A mim o fizeste”

Chiara Lubich: “A mim o fizeste”

(…) “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber…” (Mt 25,35) “Senhor, quando…?”. “Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,37-40).

(…)  

Por causa do amor que dirigíamos aos pobres, sempre fonte de luz, o Espírito nos fez compreender a necessidade de amar não só os pobres, mas todos: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 19,19), quem quer que ele fosse.

Assim, tivemos uma ideia esplêndida, e tomamos a decisão de transformar a nossa vida cotidiana, em contato com todo o tipo de pessoa, em uma série de obras de misericórdia materiais e espirituais, porque também nesse caso vale: “a mim o fizestes”.

Quantos irmãos passavam ao nosso lado! E em cada um víamos Cristo, que pedia ajuda, conforto, conselho, correção, instrução, luz, pão, casa, roupas, orações…

(…) 

Esperemos que Jesus um dia responda a cada um […] que lhe perguntar: “Mas quando, Senhor, lhe dei de comer, de beber, quando o consolei?” “Cada vez que o fizeste a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste”.

Chiara Lubich

7 de dezembro de 1943: o início de uma divina aventura

7 de dezembro de 1943: o início de uma divina aventura

(…) no dia 7 de dezembro de 1943 fui sozinha… no meio de um grande temporal! Eu tinha a impressão de ter o mundo inteiro contra mim!

(…) Entro na capela. Tinham-me preparado um banquinho perto do altar e eu levava comigo um missal pequenino. Fazem-me formular a promessa de doar-me totalmente a Deus para sempre. Eu estava tão feliz, que nem me dava conta – provavelmente – daquilo que fazia, porque eu era jovem. Só quando pronunciei a fórmula é que tive a impressão de que uma ponte desmoronava atrás de mim; que eu já não podia voltar atrás, porque era toda de Deus; a minha escolha estava feita. Foi ali que caiu uma lágrima sobre o missal.

Porém… a minha felicidade era imensa!! E sabem por quê? “Eu desposo Deus, portanto espero o maior bem possível! Será fantástico! Será uma divina aventura extraordinária! Eu desposo Deus!” E depois vimos que foi mesmo assim.

(…) Qual é o meu conselho? Um conselho que daria a mim mesma. Temos uma vida só, miremos alto! Miremos alto! Arrisquemos tudo por tudo! Vale a pena, vale a pena (…) no que depende de vocês, façam este ato de generosidade: mirem bem alto, não se poupem!

Trecho tirado do discurso de Chiara Lubich, A quarta estrada, 30 de dezembro de 1984
Foto: © Horacio Conde – CSC Audiovisivi

Chiara Lubich no Genfest 1990

Chiara Lubich no Genfest 1990

Imaginemos que passam diante de nossos olhos algumas cenas sintomáticas do mundo de hoje. […]

Observamos […] em países que viram as mudanças recentes, gente que exulta de alegria pelas liberdades reencontradas e, ao mesmo tempo, pessoas com medo, desiludidas, deprimidas pelo desmoronar dos seus ideais. […]

Ou se víssemos imagens de lutas raciais com massacres e violação de direitos humanos?… ou conflitos intermináveis, como aqueles no Oriente Médio, com destruição de casas, feridos, mortes e o contínuo cair de bombas ou de outros engenhos mortais? … Perguntemo-nos de novo: o que diria Jesus diante de tantos dramas? “Eu tinha dito para vocês se amarem. Amai-vos como eu vos amei”.

Sim, é o que Ele diria diante de tudo isso e das mais graves situações do mundo atual.

Mas a sua palavra não é somente um lamento por aquilo que não foi feito. Ele a repete hoje, de verdade. Porque Ele morreu, mas ressuscitou e – como prometeu – está conosco todos os dias até o fim do mundo.

O que Ele diz é de suma importância. Porque este “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é a chave principal para a solução de qualquer problema, é a resposta fundamental para cada sofrimento humano. […]

Jesus definiu o mandamento do amor como “meu” e “novo”, porque é tipicamente seu, tendo-o preenchido com um conteúdo singular e novíssimo. “Amai-vos”, disse Ele, “como eu vos amei”. E Ele deu a vida por nós.

Portanto, é a vida que está em jogo neste amor. E um amor pronto a dar a vida é o que Ele pede também a nós em favor dos irmãos.

Para Ele, não é suficiente a amizade ou a benevolência para com os outros; não lhe basta a filantropia, nem apenas a solidariedade. O amor que Ele exige não se esgota na não-violência.

É algo ativo, ativíssimo. Pede que não vivamos mais para nós mesmos, mas para os outros. E isso requer sacrifício, esforço. Pede a todos que se transformem […] em pequenos heróis quotidianos que, dia após dia, estão a serviço dos irmãos, prontos até a dar a vida por eles. […]

Este amor recíproco entre vocês trará consequências de um valor infinito, porque onde há amor, ali está Deus e – como disse Jesus: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome [isto é, no seu Amor], eu estou no meio deles”. […]

Será Ele mesmo que agirá com vocês em seus países, porque, de certo modo, Ele voltará no mundo, em todos os lugares onde vocês estiverem, será presente pelo amor recíproco e pela unidade entre vocês.

Ele os iluminará sobre o que fazer, os guiará, sustentará, será a força, o ardor, a alegria de vocês. […] […]

Portanto, amor entre vocês e amor semeado em muitos cantos da Terra entre as pessoas, os grupos, as nações, com todos os meios, a fim de que a invasão de amor, que falamos de vez em quando, seja realidade e a civilização do amor, que todos esperamos, adquira consistência, inclusive pela contribuição de vocês.

É para isso que são chamados. E verão grandes coisas. […]

Chiara Lubich
Foto © Archivio CSC Audiovisivi

Chiara Lubich aos jovens: a alegria dos primeiros cristãos

Chiara Lubich aos jovens: a alegria dos primeiros cristãos

(…)

A alegria dos primeiros cristãos – como de resto a alegria dos cristãos de todos os tempos e séculos, quando o cristianismo é compreendido na sua essência e vivido na sua radicalidade – a alegria dos primeiros cristãos era uma alegria verdadeiramente nova, jamais experimentada. Não tinha nada a ver com a hilaridade, com a alegria normal, com o bom humor. Ou, como diria Paulo VI, não tinha nada a ver com “a alegria exaltante da vida e da existência”, com “a alegria portadora de paz da natureza, com a alegria do silêncio”. (…) Não era essa. São alegrias belas…

Mas a alegria dos primeiros cristãos era diferente. Era uma alegria semelhante àquela atração que arrebatou os discípulos quando receberam o Espírito Santo.

Era a alegria de Jesus. Porque Jesus tem a sua paz e também a sua alegria.

E a alegria dos primeiros cristãos, que jorrava espontânea do profundo do próprio ser, saciava-os completamente.

Eles tinham encontrado realmente aquilo que o homem de ontem, de hoje e de sempre precisa e procura. Tinham encontrado Deus, a comunhão com Deus e esta os saciava completamente e os levava à plena realização. Eram criaturas.

De fato, o amor, a caridade com a qual Cristo por meio do Batismo e dos outros sacramentos enriquece o cristão, pode ser comparada a uma pequena planta. Quanto mais cresce a raiz (à medida que se ama o próximo), mais veloz cresce a planta, o caule. Isto é, quanto mais se ama o próximo, o coração fica cada vez mais invadido pelo amor de Deus. Contudo, não é um amor, uma comunhão com Deus em que se acredita pela fé, mas é uma comunhão que se experimenta. E isso é felicidade; esta é a felicidade, amamos e nos sentimos amados.

Assim era a alegria dos primeiros cristãos… Era essa a felicidade dos primeiros cristãos, adultos ou jovens como vocês, que se exprimia em liturgias maravilhosas, festivas, com muitos hinos de louvor e de ação de graças.

(…)

Chiara Lubich

(Para aceder ao texto completo: https://chiaralubich.org/archivio-video-it/la-gioia/)
Foto: © Archivio CSC Audiovisivi