Movimento dos Focolares

Deus tomou-nos pela mão e tirou-nos do inferno

O Movimento dos Focolares participa da alegria de Chiara Amirante e da Comunidade Novos Horizontes, fundada por ela, pela visita inesperada do Papa Francisco na “Cittadella Cielo”, nas proximidades de Frosinone (Itália). “Se eu começasse a responder às perguntas seriam palavras, palavras, palavras… Creio que contaminaria a sacralidade daquilo que vocês disseram, porque vocês não disseram palavras, vocês contaram vidas: as vossas vidas. Histórias. Caminhos. Buscas, mas buscas feitas de carne, de espírito, da pessoa inteira”. Com estas palavras o Papa Francisco dirigiu-se espontaneamente a cinco jovens da Comunidade Novos Horizontes que lhe ofereceram seus testemunhos fortes de sofrimento e de renascimento durante a visita privada que o pontífice fez à sede da Comunidade, na província de Frosinone (Itália) em 24 de setembro. “As história de vocês são histórias de olhares – continuou o Papa – e a um certo momento, vocês sentiram um olhar – um – que não era como os outros, era somente aquele: um olhar que te fixou com amor. Eu também conheço aquele olhar. Um olhar que te tomou pela mão e deixou-te caminhar, não te tirou a liberdade”. Recebido com alegria e emoção, Papa Francisco chegou às 9h30min da manhã na “Cittadella Cielo”, sede central desta Comunidade que, graças a percursos de cura e conhecimento pessoal baseados no Evangelho, permite a muitos jovens que saiam do túnel infernal do sofrimento e das dependências, tornando-se testemunhas de esperança para outros jovens em situações de grave sofrimento. No seu discurso, o Papa referiu-se precisamente à “fecundidade do testemunho”: “O testemunho de vocês também é um semear, um semear não uma ideia, o fato que Deus é amor, que Deus nos quer bem, que Deus está nos procurando em cada momento, que Deus está perto de nós, que Deus nos toma pela mão para salvar-nos (…) Nós somos homens e mulheres do Magnificat, isto é, do canto de Nossa Senhora, de ir e contar que Deus olhou para mim, acareciou-me, falou-me, venceu. E está comigo. Tomou-me pela mão e tirou-me do inferno”. Depois o Papa saudou, também pessoalmente, os membros da Comunidade e os responsáveis dos Centros na Itália e no exterior que estavam reunidos para a Assembleia Central anual. Celebrou a missa, almoçou e plantou uma oliveira no jardim desta que é uma das cinco cidadelas da Comunidade fundada por Chiara Amirante. Desde menina Chiara conheceu a espiritualidade dos Focolares e também encontrou pessoalmente a fundadora Chiara Lubich. Mais tarde, na juventude, na escuta do grito dos jovens que viviam pela rua e do pedido de ajuda deles para fugirem do inferno no qual se encontravam, nasceu nela a ideia de iniciar uma comunidade de acolhimento. Esta visita do Papa Francisco aconteceu após um telefonema do pontífice e de uma mensagem-vídeo em junho passado para celebrar este ano especial no qual a Comunidade celebra 25 anos de vida. Ao saudar Papa Francisco, Chiara recordou o início da sua aventura quando, em contato com o “povo da noite”, deixou-se conduzir pela certeza de que o encontro com “Cristo Ressuscitado poderia trazer vida onde eu via somente a morte”. Deste modo, em 1994 fundou a primeira comunidade em Trigoria (Roma) e em 1997, uma comunidade de formação e acolhimento, em Piglio, na província de Frosinone. Atualmente, existem 228 centros de acolhimento, formação e orientação com muitas iniciativas de solidariedade, projetos sociais e iniciativas de promoção humana em vários países. Em 2006, Chiara lançou a proposta de tornar-se “cavaleiros da Luz”, isto é, testemunhar a alegria de Cristo Ressuscitado a quem está desesperado, experimentar viver o Evangelho ao pé da letra para renovar o mundo com a revolução do Amor. Mais de 700 mil pessoas aderiram a este compromisso. “As novas pobrezas constituem uma verdadeira emergência que continua a fazer milhões de mortes invisíveis pela inconsciência da maioria das vítimas”, explicou ainda Chiara diante do Papa Francisco, falando de uso e abuso de alcool e drogas, anorexia, bulimia, depressão, vício do jogo, internet-addiction, bulling, abusos, vício em sexo… “Sentimos mais forte do que nunca – concluiu – a urgência de fazer todo o possível para responder ao grito desconhecido de muitos”.

Anna Lisa Innocenti

Escolha de Jenny e Javier

Escolha de Jenny e Javier

Com o Sínodo Panamazonico às portas, esta história acontece numa cidade peruana do Amazonas. Não fala sobre incêndios, nem desmatamento, nem empresas de petróleo ou sobre os mecanismos de busca de metais preciosos. É a história de Jenny e Javier que optaram por morar no Amazonas com o desejo de levar, como família, a luz do Evangelho até “os últimos”. 5d017b9e 86be 4760 b5b0 397f70e927a2“Morávamos na Argentina, mas decidimos nos mudar para Lámud, a pequena cidade onde Jenny nasceu, na chamada “Ceja de Selva”[1] (meia selva, meia montanha), perto das nascentes dos grandes rios Marañón e Amazonas. Queríamos ficar perto de seus pais, já idosos e frágeis de saúde”. Javier é argentino e conheceu Jenny quando ela estudava em Rosário. Eles têm duas filhas pequenas (2 e 4 anos) e Angie (17 anos). Transferir-se de uma cidade grande como Rosário para uma pequenina cidade perdida com 2.500 habitantes e a 2.300 metros de altura, sem dúvida foi um grande salto. Eles me dizem que venderam “o pouco que tinham” e partiram para o Amazonas, a região mais pobre do Peru, a 1.600 km. de Lima e fica a 14 horas do focolare mais próximo: “Sabíamos que não teríamos uma viagem de volta”. Isso seria, especialmente para Javier, um verdadeiro desafio. Desde pequenos encontraram a espiritualidade da unidade dos Focolares e, também agora como família, decidiram colocar o Evangelho em prática. É por isso que “a maior preocupação deles”, me dizem, era chegar a um lugar onde “estaríamos sozinhos”, sem outras pessoas que pudessem compartilhar seus mesmos ideais. Decidiram, então, fazer de tudo para testemunhar e proclamar o Evangelho com suas vidas, para que, também naquela cidadezinha amazônica, pudesse nascer uma semente da espiritualidade da unidade. Eles decidiram viver o mandamento do amor recíproco, para que Jesus estivesse sempre espiritualmente presente em sua família, de acordo com a promessa de que “onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles (Mt 18,20). Com essa convicção e acreditando na afirmação de Chiara Lubich de que “um dos frutos de ter Jesus no meio é que nasce a comunidade”, eles partiram determinados para o Peru. Alguns dias depois de chegar, o bispo visitou a pequena cidade de Lámud e eles se apresentaram como uma “família focolare”. O bispo abençoou-os e incentivou-os a seguir em frente em seu compromisso. Eles começaram a percorrer a periferia da cidade visitando “os mais pobres dos pobres, os últimos”. Foram às casas (por assim dizer), onde encontraram anciãos que “nem tinham uma cama decente, nem para morrer. Era tal a pobreza!”, dizem eles. Conheceram muitas famílias cuja única expectativa era ter um prato de comida por dia para si mesmos e para seus filhos. “Tentávamos acariciá-los, olhá-los nos olhos, dar-lhes uma palavra de incentivo, trazer-lhes algo para comer. Às vezes, e quando podíamos, ficávamos 2 ou 3 dias com eles compartilhando a sua dor, a sua pobreza, as suas breves alegrias e esperanças”. fcbe210d 829f 476c b96b c281cb1ca22aCom o desejo de gerar uma pequena comunidade, eles começaram a organizar reuniões da “Palavra da Vida”, sem sucesso. Mudaram de tática várias vezes. “Nós nunca ficamos desanimados, porque sabíamos que Jesus tem seu tempo e o importante era estar ao Seu jogo”. Eles insistiram em convidar os vizinhos a reunirem-se entorno à Palavra de Deus e, pouco a pouco, algumas pessoas se juntaram a eles, incluindo algumas mães de crianças que frequentam o jardim de infância com suas filhas. Eles também prepararam momentos para os menores. Foi o começo, uma pequena chama. Enquanto isso, o pároco pediu que eles assumissem a catequese familiar da cidade e outras dez cidades próximas, algumas localizadas a duas horas de distância. Recentemente, eles tiveram a primeira visita de um grupo da comunidade dos Focolares na cidade de Talara, a 650 km de Lámud (12 horas de carro). Uma visita que marcou, segundo eles, “um antes e um depois na vida de nossa comunidade”. Jenny e Javier afirmaram com alegria que encontraram seu lugar no mundo: “Somos pequenos, mas algo nasceu! Não queremos exagerar nas expectativas, mas acreditamos que Jesus tem uma caída pela Amazônia, pelos mais pobres. Talvez porque Ele também nasceu entre os pobres … y entre eles, ficou. Não sabemos por quais caminhos Ele quer nos conduzir, mas esses são os únicos que queremos seguir! Queremos, como Ele, dar vida ao nosso povo. ”

Gustavo E. Clariá

[1]  Trad. de Ceja de Selva ao português, Sobrancelha de Selva

Ponto de partida e ponto de chegada

Ponto de partida e ponto de chegada

Em Rocca di Papa se concluiu o encontro anual dos dirigentes do Movimento dos Focolares. Dentre as prioridades que emergiram para 2020, existe um novo compromisso no campo dos direitos humanos e da justiça, o centenário de Chiara Lubich e a próxima Assembleia Geral dos Focolares. 20190918 162350No final o círculo se fechou. Uma longa comunhão entre os participantes do encontro anual entre os delegados do Movimento dos Focolares no mundo e o Conselho Geral, realizado de 14 a 28 de setembro de 2019 em Rocca di Papa, pôs novamente em luz o princípio que tinha “dado o tom” já desde o início do encontro e que será princípio-guia para todo o Movimento no próximo ano: tudo o que se faz em nome do Movimento no campo eclesial, social ou cultural, como atividades para crianças, jovens ou adultos, famílias ou empenhados em política, só tem sentido se é caracterizado e guiado pela presença de Jesus no meio daqueles que se amam do modo como ele ensinou. Isso não significa que os focolares estão tomando um viés espiritual. De fato, a primeira parte do encontro foi dedicada à coletânea da vida do Movimento. Com a marca dos diferentes ambientes eclesiais, políticos e culturais em que o Movimento está situado, se apresentaram projetos sociais e educativos, empenho por refugiados inclusive em regiões de que pouco se ouve falar nos meios de comunicação, iniciativas artísticas ou então em prol da dignidade humana. 20190926 110353Neste intercâmbio veio em relevo que a reforma, em andamento há alguns anos sob o título de “Nova Configuração”, está dando os primeiros frutos. Em muitas partes do mundo, as estruturas mais frágeis parecem liberar novas forças criativas. Nasceram novas formas de anúncio e evangelização, sinergias entre as várias ramificações do Movimento e com outras realidades eclesiais e leigas. E até o relacionamento entre o governo central e as regiões geográficas, ou seja, entre as sensibilidades globais e a ação local, está projetado em direção a um novo equilíbrio. Neste equilíbrio foi possível identificar juntos, embora no respeito das diversidades presentes inclusive dentro do Movimento, como as de culturas, confissões, forças e recursos, também as prioridades a serem abordadas no próximo ano 2019/2020. 20190924 105445Continuando um percurso proposto por jovens, o Movimento no próximo ano se empenhará com o lema “A tempo pela Paz” nos campos dos direitos humanos, da paz, da legalidade e da justiça procurando envolver também outras pessoas e instituições em dar passos concretos e importantes nestes campos. Um papel especial terá nos próximos meses o Centenário do nascimento de Chiara Lubich. As atividades, que começam no dia 7 de dezembro de 2019 com o título “Celebrar para encontrar”, querem oferecer a possibilidade de um encontro vivo com a fundadora e o seu carisma. O ano de 2020 enfim será também caracterizado pela Assembleia Geral do Movimento, que se realiza a cada seis anos e oferecerá novas perspectivas. “Mas tudo o que fazemos tem um único objetivo – reiterou Maria Voce, Presidente dos Focolares, na conclusão deste encontro –. Queremos transformar o mundo, dando visibilidade à presença de Cristo nele, através do amor mútuo entre nós”. É este – por assim dizer – o típico “soft skill” dos Focolares, a sua “competência transversal”, que não se produz com metodologias e programações, mas que está na base de cada empenho seu, como ponto de partida e ponto de chegada.

Joachim Schwind

Mariápolis de 2019: mil modos de viver uma única experiência

Mariápolis de 2019: mil modos de viver uma única experiência

Também este ano, no mundo inteiro, o Movimento dos Focolares convidou homens e mulheres, pequenos e grandes, pessoas de todas as proveniências a fazer nas Mariápolis a experiência de uma cidade, baseada na lei da fraternidade. Mariapolis 2019 TexasOs modos são diferentes, a experiência é a mesma: a Mariápolis é a expressão típica dos Focolares. Durante alguns dias os participantes destes encontros – geralmente no verão – são convidados a realizar uma utopia: a de uma sociedade baseada no amor recíproco do Evangelho. Com a grande Mariápolis Europeia, realizada em quatro etapas, de uma semana cada uma, no lugar do seu nascimento, em Fiera de Primiero, esta experiência celebrou neste verão europeu de 2019 os seus setenta anos de vida. Mas também em muitas outras partes do mundo atraiu pessoas de todas as proveniências. 235 foram as Mariápolis de 2019 com uma participação de cerca de 46.000 pessoas. À nossa redação chegaram cartas e narrações de Gales, Vietnam, Peru, Canadá, Finlândia, Itália, Bulgária e Brasil. Mariapolis 2019 SveziaNa Turquia a Mariápolis se realizou em Şile, um pequeno lugarejo às margens do Mar Negro nos arredores de Istambul, uma locação que deu um toque de férias apreciadíssimo por todos. Os 70 participantes vinham de Ankara, Iskenderun, Esmirna e também do exterior. O tema central, a santidade pessoal e comunitária, foi abordado, entre outras coisas, através da apresentação de alguns dos santos destas terras: São João Crisóstomo, Santo Efrem, Santa Helena e Santa Tecla, cuja história ofereceu um olhar de gratidão à Igreja dos primeiros tempos. Em Kerrville, no Texas (EUA), se aprofundou o tema que este ano conduziu a vida dos Focolares no mundo inteiro: o Espírito Santo e a Igreja. Dentre as 350 pessoas presentes, 100 participavam pela primeira vez de uma Mariápolis, talvez também pelo fato de que o aprofundamento sobre a Igreja, numa situação caracterizada por muitos escândalos e sofrimentos, era de particular interesse. O mesmo assunto, mas aprofundado com um viés ecumênico, esteve no centro da Mariápolis da Suécia, realizada em Marielund-Estocolmo com a participação de luteranos e católicos. Estavam presentes na Mariápolis também duas pessoas de religião budista e alguns não crentes. Os participantes chegavam de várias cidades da Suécia com uma boa representação da Noruega. Mariapolis 2019 UcrainaApesar desta diversidade, foi possível aprofundar “o Espírito Santo como aquele que é a energia vital da Igreja – escrevem – e que dá a cada um uma graça particular para realizar o próprio chamado em função da unidade de todos os membros do corpo místico de Cristo”. A participação das novas gerações no programa deu um toque alegre à Mariápolis de Leópolis, Ucrânia. Aos jovens, aos adolescentes e às crianças foi confiada a preparação e a condução de um dia inteiro. Realizaram isto de modo vivaz e envolvente. E no início de cada dia foram justamente as crianças que “ensinaram” aos adultos, contando como tinham vivido no dia anterior as palavras do Evangelho. Já a Mariápolis organizada em Penang, na Malásia, foi caracterizada por diversidades de línguas, culturas, proveniências étnicas e também por grandes distâncias. Os participantes que chegaram de Singapura, por exemplo, enfrentaram uma viagem de 700 km. “O esforço de manter vivo entre nós o amor recíproco – escrevem – e assim dar espaço à presença de Jesus no nosso meio, o empenho de enfrentar e superar as dificuldades e a disponibilidade de renunciar às próprias ideias, tornou possível esta empresa”. Mariapolis 2019 VenezuelaNa Mariápolis de Boconó, no oeste da Venezuela, o encontro queria oferecer aos participantes a possibilidade de descansar, vistas as dificuldades de uma vida quotidiana cansativa por causa dos prolongados períodos sem eletricidade, das filas intermináveis para a gasolina e pelas restrições econômicas. A esta oferta – inclusive economicamente – atraente, aderiram mais do que o dobro das pessoas previstas. Porém, na primeira noite, um furacão com granizo, chuva, árvores arrancadas e vento fortíssimo provocou um blackout elétrico que durou até o fim da Mariápolis. A consequência foi o colapso total: banheiros sem água, impossibilidade de cozinhar e problemas para conservar os alimentos. Depois, através dos aprofundamentos de espiritualidade, o amor invencível de Deus se tornou experiência existencial: se encontrou um modo para cozinhar à lenha, um vizinho ofereceu um gerador, a atenção de todos pelas necessidades dos outros cresceu. “Deus não se deixa vencer em generosidade”, escrevem como conclusão desta experiência maravilhosa.

Joachim Schwind

Life, o novo álbum do Gen Rosso

Life, o novo álbum do Gen Rosso

Doze faixas que marcaram a história desse grupo viraram uma coletânea, levada na turnê mundial “Life” que continuará pelos próximos meses. No futuro do Gen Rosso, também estão incluídos cursos, projetos educativos, coproduções e a terceira edição do “Gen Rosso Music and Arts Village”. DSC0080Mais de cinquenta anos de vida e uma proposta artística capaz de se renovar continuamente, mas mantendo a bússola em alguns pontos cardeais: uma vida vivida com a insígnia da fraternidade; uma produção, fruto da colaboração entre artistas de várias nacionalidades, que fala de unidade entre homens e povos; uma mensagem que, atenta aos desafios do nosso planeta, propõe uma cultura do dar e do compartilhar. Esse é o conjunto internacional Gen Rosso, formado por músicos e técnicos de diversas vocações provenientes da Europa, Ásia e América Latina. Recentemente, a turnê “Life” virou um álbum com dezoito faixas escolhidas entre as canções que construíram a história do Gen Rosso. Falamos com um dos seus integrantes, Michele Sole. – No dia 01 de julho, foi lançado o álbum ao vivo da turnê “Life”. Como nasceu esse novo trabalho e quais são as suas características? Desde o outono de 2018 até hoje, fizemos apresentações belíssimas em toda a Itália com o nosso show “LIFE” e dali nasceu o desejo de colocar em um CD esse trabalho “ao vivo” que deixou o público muito entusiasmado e nós também. Depois de copiar as gravações feitas no palco, nós as mixamos procurando manter toda a energia e a emoção que respiramos nos nossos shows. Dá para ouvir o público cantando conosco, com seus aplausos e vozes que dão aos ouvintes a sensação de estar bem ali conosco no palco. Enfim, é realmente um disco ao vivo! IMG 20190210 WA0023– Recentemente, vocês deram vida, na cidadela internacional de Loppiano onde fica a sede do conjunto, ao “Gen Rosso Music and Village”. Do que se trata e quais são os objetivos? O “Gen Rosso Music and Arts Village” chega nesse ano (27 de dezembro de 2019 a 05 de janeiro de 2020) à sua terceira edição e é uma experiência de aprofundamento artístico e de compartilhamento de valores à luz do carisma da unidade. Inclui jovens profissionais e estudantes maiores de 18 anos de diversas disciplinas como música, dança, canto e teatro. A metodologia didática foi projetada por tutores do Gen Rosso juntamente com docentes de capacidade reconhecida e com experiência artística. O programa prevê o aprofundamento de temas específicos do mundo da arte, a troca de experiências, espaços criativos e laboratórios práticos que convergirão em uma performance final. É possível se inscrever pelo email village@genrosso.com. O programa começará no dia 27 de dezembro de 2019 e se concluirá no dia 05 de janeiro de 2020. 1maggio198– Em suas viagens, vocês participam de encontros que promovem a paz, a amizade entre os povos e a fraternidade universal. Há algum recente de que se lembram em particular e por quê? Sim, na primavera, tivemos a alegria de estar na Jordânia, graças à “Caritas Jordan”, para realizar o projeto “Be the change” juntamente a centenas de estudantes de diversas classes sociais, de diversas religiões e diversas nacionalidades para promover o diálogo e uma cultura de paz e amizade, sendo eles mesmos os promotores de uma troca em suas vidas e cidades por um futuro melhor. – Quais são os projetos e encontros futuros de vocês? Antes de tudo, retomaremos as turnês pelo mundo com o show “Life” acompanhado por projetos educativos e participação no palco de jovens preparados em vários workshops. Serão primeiro na Itália (28 de setembro em Venosa; 12 de outubro em Placência; 23 e 24 de outubro em Acerra; 26 de outubro em Prato, 01 de novembro em Teano), depois faremos uma turnê asiática na Indonésia por quase todo o mês de novembro de 2019. IMG 8588 copiaEnquanto isso, continuaremos com os cursos na cidadela de Loppiano com trocas de experiências, formação e arte. De 15 a 17 de outubro, aprofundaremos o light design, destinado a pessoas interessadas a ampliar os próprios conhecimentos no campo de estudo da luz e das cores. Além disso, para sustentar jovens artistas emergentes, começamos as coproduções. A primeira é Stabat in Silentium, a obra teatral do jovem escritor Francesco Bertolini, que nasceu de uma profunda experiência de solidariedade feita depois do terremoto em Amatrice (Itália). “Como pode-se continuar acreditando em Deus depois de um terremoto?” é a pergunta “incômoda” de que parte essa obra em que os protagonistas são as jovens vítimas, mas também os voluntários que deixaram sua tranquila realidade para ir até onde a tragédia ocorreu.

Anna Lisa Innocenti

Uma escola para se tornar “Embaixadores do Mundo Unido”

Uma escola para se tornar “Embaixadores do Mundo Unido”

Na Mariápolis de Arny, 35 km ao sul de Paris (França), de 2 a 7 de setembro, se realizou a primeira escola para “Embaixadores do Mundo Unido” da qual fizeram parte 16 jovens provenientes de 14 países do mundo. DSC00166O slogan que os guiou foi “melhor juntos”. O programa era promovido pela Associação Internacional New Humanity, Organização Não Governamental, expressão do Movimento dos Focolares, que se inspira no espírito e nos valores que o animam. O objetivo era o de potencializar as competências de um grupo de jovens change-makers, peace-builders e líderes de comunidade, formando-os para a cultura da unidade, da paz e da fraternidade, fazendo deles autênticos “embaixadores” de um mundo unido, em condições de se tornarem porta-voz da ONG em nível nacional e internacional. Os 16 jovens envolvidos provinham da Bélgica, Brasil, República dos Camarões, Colômbia, Coreia do Sul, Equador, Filipinas, Quênia, Iraque, Itália, Líbano, México, Nigéria, Espanha e Estados Unidos. “Foi a primeira ‘training school’ para New Humanity”, observa Chantal Grevin, Representante Principal de New Humanity junto à sede da UNESCO de Paris, “Uma experiência eficaz, que nos permitiu, no arco de uma semana, transmitir a eles as competências necessárias para se tornarem operadores ativos da nossa ONG”. 7fa2c653 bb6a 437c a94b 6015be1a66f7“Falou-se do que entendemos por ‘mundo unido’, do que sejam a paz e os direitos humanos e, consequentemente, do que entendemos por ‘pessoa’”, explica Marco Desalvo, presidente da ONG. “Nós nos exercitamos em traduzir numa linguagem que possa servir de inspiração para as Instituições internacionais, todas as boas práticas que os nossos jovens promovem quotidianamente no mundo para difundir em todas as esferas da sociedade, e em todos os níveis, o espírito da fraternidade universal como proclamado na Declaração Universal dos Direitos do Homem”. OS jovens embaixadores foram recebidos pelos funcionários da UNESCO das ciências humanas e sociais (seção juvenil) e do setor da educação (cidadania mundial e cultura da paz). “Daí brotou um diálogo aberto e livre que permitiu que estes representantes descobrissem melhor a ação de New Humanity, através do testemunho dos jovens embaixadores que puderam se envolver juntos, experimentando tudo o que aprenderam nos dias precedentes e a sua experiência positiva de cidadania global” comenta ainda Chantal Grevin. IMG 5211A cada jovem foi oferecida a possibilidade de encontrar pessoalmente os representantes da delegação junto à UNESCO do próprio país e de expor a própria visão em relação aos grandes desafios da paz, da ecologia e da fraternidade. Durante a training school, os jovens também tiveram a oportunidade de se encontrarem e dialogar com D. Follo, Observador Permanente da Santa Sé e Marie Claude Machon, Philippe Beaussant e Patrick Gallaud, respectivamente Presidente, Vice-Presidente e ex Presidente do Comitê de conexão ONG-UNESCO. “Graças a este curso, aprendi muito sobre o sistema das Nações Unidas e sobre as atividades das ONGs em todo o mundo”, conta, no final da experiência, Luciana, advogada, que vem da Itália, “mas sobretudo redescobri as verdadeiras motivações que me impeliram na direção deste mundo. Como embaixadora de New Humanity gostaria de promover a ideia de que ajudar-se reciprocamente pode fazer uma grande diferença na criação de um mundo mais unido, entendi que as pequenas ações podem ter um grande impacto sobre o bem-estar das pessoas. Eis porque me sinto muito honrada em fazer parte deste fantástico projeto!”. DSC00136Pascal, que é libanesa, compartilhou: “Quando cheguei, estava desencorajada por não conseguir encontrar soluções para o meu país. Aqui, encontrei coragem e esperança, entendi que podemos nos apoiar, podemos realmente trabalhar para chegar ao mundo unido. Sei que acontecerá! Estou muito feliz por voltar ao meu país e começar a trabalhar!”. E Noé, do México: “Cheguei aqui com o meu amigo Josef, dos EUA. Vivemos a poucos quilômetros da fronteira que separa os nossos países. Já estamos comprometidos juntos em projetos em prol dos migrantes. Quando voltarmos, teremos a oportunidade de pôr em prática o que aprendemos aqui”.

Tamara Pastorelli