Movimento dos Focolares

Reviver o Crucificado

O que o mistério de um Deus que morre na cruz diz ao homem e à mulher de nosso tempo? Neste sacrifício extremo, Deus toma sobre si todas as nossas culpas e nos pede a coragem de revivê-lo para amar o mundo. De um escrito de Pasquale Foresi. “Como Jesus pode ter sofrido uma tal separação, um tal abandono por parte do Pai, se Ele era o Filho de Deus, se Ele mesmo era Deus? […] Procuremos penetrar, pelo menos um pouco, naquilo que pode ter acontecido no momento da Paixão, quando Jesus sofreu o abandono por parte do Pai. […] Jesus experimentou em si, como homem, a separação de Deus. E Ele pôde alcançar isso porque, como homem, estava unido a toda a humanidade. […] Ali, na cruz, todos nós, um por um, estávamos presentes em Jesus, por meio do misterioso desígnio de Deus que queria que Ele recapitulasse em Si toda a humanidade. Ali, Nele, foram sintetizadas todas as nossas dores, todas as nossas culpas. Ele as tomou sobre Si, sentindo-as próprias, para depois dirigir-se ao Pai, dizendo: “Em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46) Naquele momento tudo estava consumado, as nossas culpas, redimidas. Portanto, se também nós, como cristãos, somos chamados a viver Cristo, devemos viver aquilo que Ele viveu. E Cristo viveu, de uma maneira muito especial, a redenção do gênero humano. Por isso, reviver em nós Jesus crucificado e abandonado será uma identificação com os sentimentos íntimos de Jesus. Será muito mais, será deixar reviver em nós, pela graça, aquela dor-amor que Ele experimentou na cruz, participando, assim, também nós da sua Paixão e compartilhando com Ele a sua glória”.

Pasquale Foresi

(Pasquale Foresi, Deus nos ama, cf Cidade Nova, 2006, pág. 67-76)

Até o fundo

Uma reflexão sobre o dia de hoje, Quinta-feira Santa, tirada de uma homilia de Klaus Hemmerle (1929–1994), filósofo, teólogo e bispo, preparada exatamente para esta solenidade em 1993. Se os discípulos veem em Jesus o grande e poderoso Deus lá do Céu, não o encontram. Devem se inclinar até o fundo, olhar para a poeira; ali está Jesus que lava os pés dos seus. Doação, humilhação, serviço, levar a sério as banalidades das exigências humanas, tornar-se pequenos, renunciar, a dureza da exaustão, ser modestos, estar escondidos: tudo o que não tem nada a ver com o esplendor divino é o esplendor do verdadeiro Deus é o conteúdo mais íntimo da nossa adoração a Deus, é Eucaristia.

Klaus Hemmerle

(Klaus Hemmerle, Gottes Zeit-unsere Zeit, München, 2018, p. 65 – tradução elaborada pela redação)

Rumo ao centenário de Chiara

No dia 16 de abril de 2019, uma delegação trentina visitou o Centro Internacional do Movimento dos Focolares tendo em vista as celebrações dos 100 anos do nascimento da fundadora. “Não estamos aqui para celebrar Chiara Lubich, para transforma-la em um monumento ou para colocar seu nome na história; isso não é necessário. Estamos aqui para reviver a mensagem, para acolher a herança e para nos confrontar hoje com o seu carisma.” Alessandro Andreatta, prefeito de Trento, usou essas palavras para explicar a motivação da visita de uma delegação trentina que, no dia 16 de abril, foi a Rocca di Papa (Roma) no Centro Internacional do Movimento dos Focolares, devido às próximas celebrações do centenário do nascimento de Chiara, previstas para 2020. Também estavam presentes o presidente da província autônoma de Trento, Maurizio Fugatti, o presidente da comunidade de Primiero, Roberto Pradel, o diretor da Fundação Museu Histórico de Trento, Giuseppe Ferrandi, e Maurizio Gentilini (arquivista e historiador do Conselho Nacional de Pesquisa), autor de uma biografia de Lubich que deverá ser lançada em 2020. Para recebe-los estavam presentes a presidente, Maria Voce, o copresidente, Jesús Morán, e representantes dos 60 membros do Conselho Geral do Movimento dos Focolares. Também participaram alguns prefeitos das comunas dos Castelos Romanos, onde Chiara viveu e trabalhou por mais de 50 anos. O objetivo da visita era reforçar o vínculo de amizade e colaboração entre Trento e a comunidade trentina e o Movimento dos Focolares, que promoverão juntos numerosas iniciativas no ano do centenário na cidade e no vale de Primiero, além de muitas outras cidades no mundo. As celebrações começarão no dia 07 de dezembro de 2019, com a abertura da exposição multimídia “Chiara Lubich Cidade Mundo” promovida pelo Centro Chiara Lubich com a Fundação Museu Histórico do Trentino. “Gostaríamos que muitas pessoas conhecessem Chiara, seu pensamento”, explicou Alba Sgariglia, corresponsável pelo Centro, “assim como sua espiritualidade, sua obra, sua figura de promotora incansável de uma cultura de unidade e de fraternidade entre os povos”. Giuseppe Ferrandi falou sobre o desafio cultural e a complexidade enfrentada no percurso de realização da mostra: “Trata-se de pegar o extraordinário patrimônio de vida e de pensamento de Chiara Lubich e transforma-lo em um formato comunicativo com o estilo essencial e imersivo que nossos espaços de exposição permitem. Como diz o título da exposição, a categoria ‘cidade’ é central no pensamento de Lubich; para ela, a cidade é um polo dialético que pode se relacionar com o mundo. Portanto, nos oferece a possibilidade de não nos fecharmos no local, mas de abrir-nos”. A exposição terá também um destaque no vale de Primiero que, a partir dos anos 40, hospedou primeiramente Lubich com um pequeno grupo, e depois milhares de pessoas do mundo inteiro que iam fazer a experiência de um estilo de vida centrado na fraternidade. Depois, a exposição será reproduzida em nove capitais fora da Europa e será muito diferente, de acordo com a cultura local, em uma visão que se alarga ao mundo. Durante o ano, além o fluxo de visitantes de todo o mundo em Trento, estão no programa também uma série de encontros nacionais e internacionais que acontecerão tanto em Trento quanto nos vários centros do Movimento dos Focolares espalhados pelos cinco continentes. O presidente da província autônoma de Trento foi porta-voz do orgulho de “estar aqui hoje para representar essa unidade de objetivos. O Trentino é uma terra central, de fronteiras: Chiara Lubich soube assumir as características desse território e exporta-las. Quando, em junho de 2001, Lubich falava em Trento de fraternidade no horizonte da cidade, respeitava todos que compunham a comunidade e sabia escuta-los. Deste modo, é possível interpretar da melhor forma os interesses e as necessidades das pessoas”. Na conclusão da manhã, também Maria Voce destacou o valor da ação de Chiara Lubich pela cidade: “Ela estava no vale de Primiero quando Deus lhe fez entender que deveria voltar a Trento e nas cidades do mundo que encontrou ao longo de sua vida, muitas das quais conferiram-lhe a cidadania honorária, achou em todos os lugares aquele fascínio que vinha da descoberta das dores e dos problemas, assumindo-os e levando germe de vida e de amor”.

Stefania Tanesini

Venezuela: não fazer a esperança morrer

Venezuela: não fazer a esperança morrer

Os contínuos e longos blackouts em todo o país paralisam os serviços básicos e as atividades comerciais tornando dificílima a vida da população. Um drama humanitário que cria inclusive profundas fraturas sociais. Rosa e Óscar Contreras, família da comunidade dos Focolares, contam como é possível não se deixar arrastar pelo desespero e continuar, com fé e coragem, a ser tecedores de fraternidade. “A situação continua a piorar – conta Rosa –. Algumas semanas atrás, após 105 horas sem energia elétrica, a nossa cidade estava destruída, sobretudo no âmbito comercial e financeiro. O que torna tudo mais complicado é a ausência ou a presença não constante de serviços públicos como a distribuição de água, a coleta do lixo, a telefonia e internet. E, depois, o fato de que os blackouts nacionais continuem…” “De qualquer forma, sentimos que, também neste momento, a vida deve continuar – explica Óscar –. Conseguimos reabrir a nossa empresa, que produz artigos em madeira e em acrílico, e retomar algumas atividades. É sempre um desafio permanecer de pé e operativos apesar da redução das vendas. Enorme é o esforço para poder respeitar os compromissos em relação aos fornecedores e aos dependentes, sem que isto represente um risco de falência. Com criatividade e disponibilidade a mudar constantemente de estratégia, reagimos à hiperinflação e às complexas políticas fiscais. WhatsApp Image 2019 04 15 at 20.23.30 2Para isto, procedemos com uma mudança total nas estruturas salariais dos dependentes, encontrando novos modos para melhorar a renda deles, encorajar uma maior motivação ao trabalho e obter resultados melhores. E neste meio tempo, também os imprevistos não faltam. Até algum tempo atrás, estávamos em condições de viajar para ir visitar as pessoas e estar perto delas, mas, neste momento, o nosso carro foi danificado e consertá-lo é caro, os tempos longos dependem também da falta de eletricidade. Entretanto as nossas economias estão acabando, mesmo se a Providência de Deus não nos abandona e recentemente conseguimos comprar algumas coisas necessárias para nos mantermos neste período”. “E percebemos uma quantidade inimaginável de oportunidades para viver radicalmente o Evangelho – continua Rosa –. Diariamente nos vizinhos e nos parentes encontramos muito desespero e mil necessidades que obrigam a ficar atentos, cada momento, a compartilhar aquele pouco que temos. Cada vez nos perguntamos o que Maria, José e Jesus fariam no nosso lugar. Vimos com alegria que um bom grupo de vizinhos, ao invés de ficarem fechados na própria casa, começou a fazer amizade, fruto, nos parece, de muitas iniciativas que realizamos em silêncio para ajudar e gerar estas relações”. “A realidade, porém, é que estamos exaustos fisicamente, mentalmente e emocionalmente – confidencia Óscar – mas, embora estando assim, temos a certeza de que o Espírito Santo nos ajude e, através de nós, seja Ele a poder dar aos outros a alegria e a esperança que procuramos transmitir. Uma semana atrás, mesmo se estávamos sem energia elétrica, pensamos em nos encontrar com um grupo de jovens e adolescentes do Movimento para compartilhar experiências, reflexões e assistir a um filme juntos. Todos contaram que estes dias difíceis são, todavia, favoráveis para gerar muita comunhão nas famílias deles: graças à ausência de telefones celulares, tv, escola, trabalho e outros compromissos, nascem diálogos profundos nas famílias e se abordam questões das quais nunca se fala. Muitos puderam rezar juntos e compartilhar com os vizinhos aquilo que tinham. Interessante é constatar que existe em todos uma atenção diferente quando se adquire algo, porque se faz isso não só em função da própria família, mas avaliando quanto possa ser útil também a outros”.

elaborado por Anna Lisa Innocenti

Jerusalém: A cidade de todos

Das vozes dos habitantes de Jerusalém, uma perspectiva que descobre sementes de esperança na cidade mais disputada do mundo para além do que as notícias nos mostram diariamente. https://vimeo.com/320465249