5 Out 2017 | Sem categoria
Território dependente dos EUA, Porto Rico (mais de 3 milhões e meio de habitantes), foi devastado nas semanas passadas pela dupla lâmina de dois furacões, Irma e Maria, naquela que foi considerada a pior catástrofe natural dos últimos 90 anos. O governador Ricardo Rossello anunciou que o número dos mortos se elevou a 34. A ilha caribenha atualmente está em estado de calamidade e sofre uma grave emergência, devida à escassez de alimentos, energia elétrica (inclusive nos hospitais) e água potável. Duas regiões da ilha até agora não foram alcançadas pelos socorros, com muitos pequenos lugarejos nas montanhas abandonados a si mesmos. Também a pequena comunidade local dos Focolares está empenhada em socorrer a população atingida. De qualquer forma, a situação continua crítica.
5 Out 2017 | Sem categoria
Depois que me formei em Letras e Relações Internacionais, fui para o Líbano para continuar o estudo de árabe e mergulhar, finalmente, naquela situação do Oriente Médio que tanto me fascinava. Parece estranho iniciar o relato de uma experiência começando pelo final, pelo momento da despedida, mas, é justamente nesses momentos que mais se entende o real significado de uma experiência vivida. Preparando a viagem de volta à Itália o meu pensamento foi até ao momento da chegada e me perguntei como é possível que o meu tão amado, tão esperado ano no Oriente Médio tivesse já terminado. Lembrei-me daquela jovem que dava os primeiros passos na caótica Beirute com a impressão de que todos a observassem porque é estrangeira. Porém, passado pouco tempo, as pessoas me paravam na rua e pediam informações falando árabe, pensando que eu fosse libanesa. Era, talvez, o meu olhar prevenido em relação a eles e não o contrário! No início surgia involuntariamente a desconfiança em relação ao novo ambiente, que me impedia de sair de mim mesma e querer bem as pessoas que passavam ao meu lado. Eu não havia ainda entendido que o ambiente que me circundava era simplesmente diferente, e não perigoso. Eu percebi o quanto a minha maneira de ver o Líbano mudou durante aquele ano. Antes eu notava especialmente as diferenças em relação à Itália; depois, me apaixonei rapidamente por aquele país, pela riqueza e variedade das religiões, das paisagens, da história: um povo que, não obstante o recente passado doloroso teve a capacidade de voltar a viver, cristãos e muçulmanos, lado a lado. Muito rápido me apaixonei pela espontaneidade e pela acolhida daquele povo e… Pela sua fantástica culinária! Tanto que me custou recuperar um pouco de objetividade para ver um país que, como todos os outros, vive as próprias contradições, como grande pobreza e riqueza ostensiva convivendo muito próximas.
Lembrando-me daquele ano que passei no Líbano, durante o qual muitos aspectos da vida que, estando na Itália, parecem perigosos ou estranhos, difíceis ou desventurados, tornaram-se parte da minha vida cotidiana (por nada infeliz; ao contrário!) até o momento da despedida. Quando eu disse às crianças sírias, refugiadas – eu as ajudava nas tarefas escolares – que voltaria para a Itália, elas me responderam com um simples “Até a vista!”, fazendo-me entender que somos todos importantes e ninguém é indispensável. Dar-me conta de que, provavelmente, não saberei mais o que será da vida delas foi uma grande dor. Eu tive que me despedir dos amigos que conheci lá, a quem eu devo muito, esperando com todo coração de revê-los, sem poder ter certeza disto. Foi uma dilaceração entender que entre nós, de novo, existiria a distância, não só geográfica, mas, especialmente burocrática. Deixá-los sabendo que entre nós, novamente, existiria uma fronteira com vistos cujas exigências burocráticas, às vezes, são irritantes foi uma sensação insuportável. Mas hoje eu sei que esta dor é o preço a ser pago para ser “homem-mundo”, como nós, gen, dizemos. Agora, depois de ter deixado pedaços do coração em alguns lugares do mundo, o mundo unido não é mais somente algo que seria belo se existisse: um mundo sem fronteiras torna-se uma exigência.
4 Out 2017 | Sem categoria
SoyDiálogo, “Sou Diálogo”. Uma aposta, um compromisso assumido em primeira pessoa. Diante da difícil situação que se criou na Espanha, a proposta de rejeitar toda forma de violência e de viver para promover concretamente a cultura do diálogo, é um desafio ao mesmo tempo necessário e corajoso. São muitas as iniciativas nesta direção. No dia 26 de setembro, o Movimento dos Focolares na Espanha havia proposto um documento e uma coleta de assinaturas, amplamente difundidos nas redes sociais, com a intenção de promover ações de escuta, diálogo e respeito. Um apelo a encontrar soluções pacíficas de convivência serena na diversidade, reconhecendo a dignidade de todas as pessoas e das instituições que as representam. A proposta, indicada pelo hashtag #SoyDiálogo, em plena sintonia com o convite lançado logo depois pelos bispos a “avançar no caminho do diálogo e da compreensão recíproca”, soa ainda mais atual hoje, após os resultados da votação do referendum que abre grandes incógnitas sobre o futuro da Catalunha, da Espanha e da Europa. «O diálogo – escrevem os promotores da iniciativa – é um potente instrumento que torna possível o interesse pelos outros, entrando na realidade deles, para vivê-la, acolhê-la e, no quanto é possível, compreendê-la. Entre nós, membros dos Focolares em toda a Espanha, existem pessoas de identidade cultural, ideias políticas e sensibilidades diferentes. Mas consideramos a pluralidade como um desafio positivo e uma riqueza. Estamos empenhados em primeira pessoa a construir pontes, convencidos de que na visão e na escolha do outro exista uma parte da verdade». Os comentários dos signatários pululam no Twitter: “Uma assinatura não decide, mas é pior cruzar os braços e olhar o rio que corre”. “Somos como discutimos, enriquecidos pelo dom da diversidade”. “Creio no diálogo que pressupõe respeito, transparência e aceitação de que no outro haja alguma verdade que eu não possuo totalmente”. “Não é um mal pensar de forma diferente. É o modo com que tudo evolui. É o contrário da uniformidade e imobilidade”.
Eis algumas considerações daqueles que creem no diálogo. De Girona: “São dias estranhos, um misto de tristeza, impotência, preocupação. Ao mesmo tempo é claro para mim o que devo fazer. Em cada circunstância me pergunto o que posso fazer eu, com as minhas possibilidades limitadas? Faço um esforço para não julgar. As oportunidades não faltam para ouvir, com mente aberta”. “Com uma amiga catalã – escreve um jovem de Sevilha – procuramos manter um diálogo aberto. Eu me interesso pela sua família. Quando se conhece em profundidade a realidade do outro, você pode mudar em parte a própria ideia e amar mais esta pessoa, mesmo se temos ideias diferentes”. De Barcelona: “Esta situação oferece muitas possibilidades para manter aberto um diálogo com quem pensa como eu e também com quem não pensa como eu”. “Até agora eu me limitava a rezar e a apagar as correntes de fotos, piadas ou notícias dúbias que circulam na rede e certamente não favorecem sentimentos positivos – escreve uma mulher de Toledo –. Depois, me perguntei: o que posso fazer ainda? Procurei comunicar às pessoas, que conheço na Catalunha, que podem contar comigo para construir e dialogar. Talvez era óbvio, mas pensei em fazer com que elas soubessem disso explicitamente”. “Segundo meu ponto de vista – é uma mensagem que chega de Girona –, quando não somos capazes de ver a parte de verdade que existe também no outro, já o demonizamos. Isto nos dá carta branca para escrever ou compartilhar qualquer comentário incendiário. Estamos imersos nesta situação, às vezes sem perceber, e esta é a coisa pior. Esquecemos que o nosso desafio é mais heroico e difícil do que fazer propaganda das nossas ideias denunciando as dos outros. É construir pontes”. De Sevilha: “Tenho muitos amigos e amigas na Catalunha, irmãos e irmãs com os quais decidimos trabalhar para construir uma humanidade nova. Compartilhamos reciprocamente anseios e dores. Por este motivo, quando nos escrevemos, se sentiram livres para me dizer: espero que na próxima vez, quando nos vermos, já seremos independentes. E por sua vez me ouviram quando respondi: faço votos de que, da próxima vez que nos vermos, terão vencido o bom senso e a razão”.
4 Out 2017 | Sem categoria
World Trade Center Metro de Manila, Filipinas, 6 a 8 de julho de 2018. O encontro marcado é para milhares de jovens do mundo inteiro, movidos por uma ideia que, como uma fixação, dá forma à vida deles e às ações sociais que suscitam: construir um mundo unido e solidário. O Genfest 2018 Beyond all borders é um convite a fazer desmoronar as fronteiras, os limites, as barreiras que impedem este processo. Nascido em 1973 de uma ideia de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, em mais de 40 anos o Genfest reuniu dezenas de milhares de jovens. A de 2018 será a décima primeira edição, a primeira fora da Europa. Na sua longa história, cada Genfest assinalou uma etapa e viu a concretização de muitos projetos: entre estes, a ideia das Jornadas mundiais da juventude, iniciadas em 1985; o nascimento no mesmo ano dos Jovens por um Mundo Unido (JpMU); a Semana Mundo Unido, em ação desde 1996, para evidenciar as iniciativas que promovem a unidade, em todos os níveis, no mundo; e enfim, desde 2012, o United World Project, grande observatório permanente de todas as boas práticas em nível planetário. O próximo Genfest precederá de pouco tempo o Sínodo sobre os jovens, que se realizará em outubro de 2018. Encontrando os organizadores, presentes nestes dias em Castelgandolfo (Roma) no encontro dos delegados do Movimento dos Focolares no mundo, colhemos notícias “em primeira mão”. Ding Dalisay representa, na assembleia, as Filipinas: «Com grande alegria tivemos o apoio do presidente da Conferência episcopal filipina que nos encoraja a trabalhar para levar a realidade do Genfest ao máximo de jovens possível. Já faz um pouco de tempo que os jovens das Filipinas estão circulando em trailers para apresentar o Genfest nas paróquias, nas universidades e em outros lugares. Temos uma grande esperança de que muitos jovens virão». Carlo Gentile, delegado das Filipinas junto com Ding: «Será o primeiro Genfest na Ásia, portanto será muito importante para o aspecto da interculturalidade. Chiara Lubich definia o Genfest uma “cascata de Deus”. A nossa expectativa é de um evento maravilhoso, preparado para oferecer a todos os jovens que vêm da Ásia, mas não só, uma experiência profunda, imersa na cultura asiática».
Uma mobilização mundial já começou. São muitos os contatos com outros Movimentos, como aqueles com os jovens da Rissho Kosei-kai, associação leiga budista japonesa, com seis milhões de seguidores, e com o Youth World Peace Forum, que celebrará o próprio meeting anual em Manila no mesmo período do Genfest. Em algumas áreas do mundo se pensa em reproduzir o Genfest com iniciativas locais. Uma comissão composta por 30 jovens, representantes das diferentes áreas geográficas do mundo, com a coordenação da secretaria internacional dos Jovens por um Mundo Unido, já está em ação. Kiara Cariaso e Diego Lopez explicam: «Estamos trabalhando para poder fazer com que cheguem ao Genfest de Manila jovens do mundo inteiro. Já existem muitas atividades, não só nas Filipinas, porque será um evento planetário, nós o construímos todos juntos». «De fato – lhe faz eco Diego – reunimos ideias que chegam de jovens de todos os países, trabalhamos juntos, e fazemos com que elas cheguem às Filipinas». Explicam: «O Genfest 2018 se articulará em três fases: a primeira, que precede à manifestação, com a possibilidade, para muitos jovens de várias partes do mundo, de conhecerem as culturas asiáticas. Uma experiência intercultural, inter-religiosa e social única, que se realizará em diversos países do continente asiático. A esta seguirá o evento central de Manila, de 6 a 8 de julho, ao qual desejamos que possam participar jovens de todas as partes do mundo, de modo a tornar presente, de algum modo, a própria realidade e ao mesmo tempo levar de volta à comunidade de origem a experiência e o compromisso assumido em Manila. Enfim, um “pós Genfest”, sobretudo para os jovens asiáticos, que permitirá testemunhar uma “Ásia unida por um mundo unido”. Será uma experiência belíssima para 800 jovens na cidadezinha de Tagaytay». Site oficial: y4uw.org/genfest
3 Out 2017 | Sem categoria
A banda internacional Gen Verde apresentou-se em Stadthagen, na Alemanha, no dia 9 de setembro passado, por ocasião dos 500 anos da Reforma luterana. As integrantes da banda nos escreveram: “Não obstante a chuva intensa que caiu até quase o início da apresentação, mil pessoas lotaram a praça da bela cidadezinha de Stadthagen, na Baixa Saxônia. O nosso show, intitulado On the Other Side, ofereceu um momento de fraternidade e internacionalidade. Já nos dias precedentes tínhamos partilhado belos momentos com o bispo luterano Dr. Manzke – que nos convidou – e com os seus colaboradores. No dia da apresentação um grupo de jovens com os pastores nos ajudaram na montagem encharcados pelo temporal, mas, felizes!” As jovens do Gen Verde concluem: “Permanece no nosso coração aquelas pessoas na praça, sob um mar de guarda-chuvas, no frio, que ouviam, se alegravam, cantavam e até mesmo dançavam conosco! Obrigada Stadthagen, juntos construímos e vivemos momentos de verdadeira família.”
3 Out 2017 | Sem categoria
Televisão desligada “Nos primeiros anos de casamento o diálogo com meu marido se interrompia frequentemente por causa das nossas opiniões completamente diferentes. Às vezes, depois de discussões muito fortes, entre nós reinava o silêncio total durante dias. O curto tempo para o almoço, voltando dos nossos respectivos trabalhos, era preenchido pelos telejornais que Gaetano assistia com grande interesse. Um dia, confiando na ajuda de Deus, decidi dar-lhe um recado muito claro: voltei mais cedo da escola e preparei uma comida especial, arrumei a mesa com muito cuidado, com flores e uma vela acesa. Depois, desliguei a televisão. Gaetano chegou e, surpreso, imediatamente me perguntou se havia alguma comemoração. Estando à mesa, como sempre, ele tentou ligar a televisão; mas, entendeu imediatamente que não se tratava de um defeito. Sorrindo, ele me abraçou e me pediu desculpas. Prometemos nos corrigir sempre por amor um ao outro. Aquele foi um momento importante para o crescimento no nosso relacionamento.” (Giulia – Itália) Na cozinha “Durante o meu turno na cozinha eu não suportava os coirmãos que, passando, provavam o que eu estava cozinhando. Todas as vezes eu ficava sempre na defensiva para que ninguém tocasse em nada. Um dia, lendo no Evangelho a passagem que aconselha primeiro a tirar a trave do próprio olho para, depois, tirar o cisco do olho do irmão, me dei conta de que eu havia feito um julgamento dos meus coirmãos e isso me impedia de amá-los. Desde então, quando algum deles passa pela cozinha eu o convido a provar o que estou preparando e peço conselhos, por exemplo, se é necessário colocar mais sal ou outro ingrediente. Desde que comecei a agir desta forma a atmosfera no mosteiro se transformou.” ( Padre Krzysztof – Polônia)
Amar é arriscar “Um jovem de 15 anos, analfabeto, frequentava a nossa casa e sabíamos que ele tinha o hábito de roubar. Muitas pessoas nos aconselharam a repensar se era conveniente continuar recebendo-o em casa e a ponderar se não era mais correto ajudá-lo; mas, mantendo-o à distância. Porém, tínhamos a convicção de que Jesus estava presente nele e era necessário amá-lo concretamente, até mesmo assumindo um risco. Frequentemente ele passava muito tempo conosco, saíamos juntos e ele brincava com os nossos filhos. Depois de muitos meses, movido pelo hábito antigo, ele furtou dinheiro na nossa casa. Quando constatamos o fato, decidimos conversar com ele. Depois de certa resistência ele reconheceu a própria culpa e, chorando, pediu desculpas prometendo devolver o valor roubado. Mas, especialmente, ele tranquilizou-se sabendo que podia continuar contando com a nossa amizade. E mais, se ele tivesse necessidade de dinheiro, deveria somente pedir-nos. Atualmente ele não rouba mais e conseguiu um emprego.” (D. L. – Itália) Colega difícil “Parecia que um dos meus colegas me perseguia: qualquer coisa que eu fazia ele me contestava. Enquanto se tratava de coisas de pouca importância, eu suportava. Mas, às vezes, diante de decisões ou grandes projetos da empresa, ele era contrário a todos. O trabalho tornou-se insuportável. O que fazer? O sacerdote com o qual eu conversei sobre isto me aconselhou – primeiramente, a libertar-me do rancor e das lembranças negativas – e, depois, olhar aquele colega com “olhos novos”. Eu tentei. Coisa inacreditável! Na reunião seguinte ele era outra pessoa! Evidentemente isso não dependia somente dele.” (F. L. – Sérvia)