28 Ago 2017 | Sem categoria
Realiza-se de 25 a 30 de agosto, em Tonadico (Trento, Itália), a quarta Escola de Verão “Interfaith Engagement in Theory and Practice” (“o compromisso inter-religioso na teoria e na prática”, numa tradução livre), promovida pelo Instituto Universitário Sophia em colaboração com o Instituto Islâmico da Inglaterra (Londres), e o Instituto Risalat (Qum, Irã). Participam 42 estudantes cristãos e muçulmanos xiitas. Entre os professores estão Piero Coda (reitor do IUS) e Mohammad Shomali (Diretor do Centro Islâmico de Londres). O objetivo da Escola de Verão é oferecer um espaço de reflexão e partilha sobre os patrimônios culturais e religiosos do cristianismo e do islamismo, e sobre as perspectivas do diálogo e da colaboração recíproca, diante dos desafios atuais.
28 Ago 2017 | Palavra de Vida, Sem categoria
Jesus está em plena vida pública, anunciando abertamente que o Reino de Deus está próximo, e se prepara para ir a Jerusalém. Seus discípulos, que intuíram a grandeza da sua missão e reconheceram nele o Enviado de Deus esperado por todo o povo de Israel, não veem a hora de se libertar da dominação romana, e sonham com a aurora de um mundo melhor, de paz e de prosperidade. Mas Jesus não quer alimentar essas ilusões: diz claramente que a sua ida a Jerusalém não o levará ao triunfo, mas, pelo contrário, à rejeição, ao sofrimento e à morte. Revela também que ao terceiro dia ressuscitará. São palavras difíceis de compreender e de aceitar. Tanto que Pedro reage e se opõe abertamente a um projeto tão absurdo; pelo contrário, procura convencer Jesus a mudar de ideia. Depois de repreender Pedro severamente, Jesus se dirige a todos os discípulos com um convite assombroso: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” Mas o que é que Jesus pede aos seus discípulos de ontem e de hoje, com essas palavras? Será que Ele quer que desprezemos a nós mesmos? Que nos dediquemos inteiramente a uma vida ascética? Que procuremos o sofrimento para agradar mais a Deus? Mais que isso: esta Palavra de Vida nos exorta a caminharmos nos passos de Jesus, acolhendo os valores e as exigências do Evangelho para ficarmos cada vez mais semelhantes a Ele. E isso significa viver a vida com plenitude, integralmente, como Ele fez, mesmo quando no caminho aparece a sombra da cruz. “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” Não podemos negar o fato de que cada um tem a sua cruz: a dor, nas suas múltiplas formas, faz parte da vida humana, mas para nós se mostra incompreensível, contrária ao nosso desejo de felicidade. No entanto, é exatamente ali que Jesus nos ensina a descobrir uma luz inesperada. Como acontece às vezes quando, entrando em certas igrejas, descobrimos como são maravilhosos e luminosos os seus vitrais que, vistos de fora, parecem escuros e sem beleza. Se quisermos seguir Jesus, Ele pede que façamos uma completa reviravolta nos nossos valores, deixando de nos colocar no centro do mundo e rejeitando a lógica da busca do interesse pessoal. Ele propõe que prestemos mais atenção às exigências dos outros do que às nossas; que saibamos empenhar as nossas energias para que os outros sejam felizes, fazendo como Ele, que não perdeu ocasião para confortar e dar esperança àqueles com quem se encontrou. Desse modo, libertando-nos do egoísmo, pode começar para nós um crescimento em humanidade, a conquista de uma liberdade que realiza plenamente a nossa personalidade. “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” Jesus nos convida a sermos testemunhas do Evangelho, mesmo quando essa fidelidade é colocada à prova pelas pequenas ou grandes incompreensões do ambiente social em que vivemos. Jesus está conosco e quer que estejamos com Ele nessa aventura de arriscar a vida pelo ideal mais audacioso: a fraternidade universal, a civilização do amor. Esse radicalismo no amor é uma exigência profunda do coração humano, como testemunham também personalidades de tradições religiosas não cristãs que seguiram a voz da consciência até as últimas consequências. Gandhi, por exemplo, escreve: “Se alguém me matar e eu morrer com uma oração pelo meu assassino nos lábios, e com a lembrança de Deus e a consciência da sua presença viva no santuário do meu coração, só então se poderá dizer que tenho a não-violência dos fortes”.1 Chiara Lubich encontrou no mistério de Jesus crucificado e abandonado o remédio para sanar toda ferida pessoal e toda falta de unidade entre pessoas, grupos e povos, e compartilhou essa descoberta com muitos. Em 2007, por ocasião de uma manifestação de Movimentos e Comunidades de diversas Igrejas em Stuttgart, na Alemanha, escreveu: “Também cada um de nós, na vida, sofre dores ao menos parecidas com as suas. (…) Quando sentirmos (…) essas dores, lembremo-nos Dele que as assumiu como próprias: são como que uma sua presença, uma participação na sua dor. Façamos como Jesus, que não ficou estarrecido, mas, acrescentando àquele grito as palavras: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’ (Lc 23,46), abandonou-se novamente ao Pai. Como Ele, também nós podemos ir para além da dor e superar a provação dizendo-lhe: ‘Nela, eu te amo, Jesus Abandonado; amo a ti, ela me faz recordar-te, é uma expressão tua, um semblante teu’. E se, no momento seguinte, nos lançarmos a amar o irmão e a irmã e a atuar aquilo que Deus quer, experimentaremos, na maioria das vezes, que a dor se transforma em alegria (…). Os pequenos grupos em que vivemos (…) podem conhecer pequenas ou grandes divisões. Também nessa dor podemos ver o Seu semblante, superar aquela dor em nós e fazer de tudo para recompor a fraternidade com os outros. (…) A cultura da comunhão tem como caminho e modelo Jesus crucificado e abandonado.”2 Letizia Magri ______________________________
- K. Gandhi, Antiche come le montagne, Ed. di Comunità, Milão 1965, pp. 95-96.
- Lubich, Por uma cultura de comunhão – Encontro Internacional “Juntos pela Europa” – Stuttgart (Alemanha), 12 de maio de 2007 – http://www.together4europe.org/ .
27 Ago 2017 | Sem categoria
Ap
ós ilustrar os pontos da arte de amar, expressão muito usada por Chiara Lubich, Maria Voce se pergunta: «Mas o que fazer para viver esta arte que não se fundamenta em sentimentos ou bons propósitos, mas que é praticada na medida desejada por Jesus, ou seja, até o ponto de dar a vida. Existe uma chave, um segredo, que nos torna cada vez mais aptos para viver esta medida?». E fala do “momento ápice” da paixão de Jesus quando, sentindo-se abandonado pelo Pai (Mt 27,46), se entrega assim mesmo em suas mãos (Lc 23,46), superando «aquela imensa dor, levando assim os homens à união com o Pai e à comunhão entre eles». «Como podemos viver este mistério de Jesus abandonado-ressuscitado? Como conseguir progredir quando no caminho ecumênico temos divergências em relação à verdade?», se pergunta ainda a presidente. «Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus: – escreve o apóstolo Paulo aos Filipenses – Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fil 2,5-7). Com esta atitude, podemos transmitir de modo autêntico a verdade de Cristo. Cristo esvaziou-se de tudo, como dom de amor». E cita Papa Francisco na conclusão da Semana de Oração pela unidade dos cristãos, no dia 25 de janeiro passado: “Se vivermos este morrer para nós mesmos por amor de Jesus, o nosso velho estilo de vida é relegado para o passado e, como aconteceu a São Paulo, entramos numa nova forma de existência e comunhão”. «Chiara Lubich chama esta nova forma de existência de comunhão: “Jesus em meio a nós”. Essa expressão se refere à promessa de Jesus de estar presente entre aqueles reunidos em seu nome, que significa em seu amor (Mt 18,20). Esta presença do Ressuscitado entre os seus é decisiva para o ecumenismo». A partir de 1996, após um encontro com cerca de mil entre anglicanos e católicos, Chiara começa a falar do ecumenismo “do povo”. É com este espírito que nasce o caminho de “Juntos pela Europa”, comunhão e colaboração entre 300 movimentos e comunidades de diversas Igrejas. «Sem uma verdadeira reconciliação – afirma Maria Voce – não se progride no caminho na direção da unidade. E esta reconciliação caracteriza até hoje a comunhão entre os movimentos». Enfim, conclui a presidente: «Na esteira dos acontecimentos de Lund em 31 de outubro de 2016 – continua –, quando o Papa Francisco, junto com o Presidente da Federação Luterana Mundial, o bispo Dr. Munib Younan, quiseram comemorar juntos o início dos 500 anos da Reforma, senti o dever de dar um novo impulso ao empenho ecumênico que caracteriza o nosso Movimento». Surgiu assim na Mariápolis permanente, nas proximidades de Augsburg, “A Declaração de Ottmaring” que «quer nos ajudar a pensar ecumenicamente: lembrar que qualquer irmão que encontro, seja da minha Igreja, seja de outra, pertence ao corpo de Cristo, àquele corpo pelo qual Cristo deu a sua vida. É este, em absoluto, um compromisso que assumimos como Movimento dos Focolares, e que podemos fazer penetrar hoje em todas as dimensões da vida humana. O ecumenismo é uma necessidade dos tempos. Deve ir adiante. Porque responde à necessidade de Deus que as pessoas têm, ainda que inconscientemente. E se as pessoas encontrarem Jesus presente entre cristãos que se amam, a fé nascerá neles, mudarão o modo de se comportarem, buscarão a paz e as soluções de justiça, trabalharão pela solidariedade entre os povos. Somente através de cristãos unidos o mundo poderá encontrar Deus». Leia o texto integral em italiano
26 Ago 2017 | Sem categoria
«No mundo de hoje, tão globalizado e interdependente, o diálogo se mostra como o único caminho para a sobrevivência da humanidade. Ou combatemos uns com os outros até a destruição mútua ou dialogamos. Na verdade, apenas a abertura ao outro e ao diálogo geram vida e conduzem à vida, porque cada ação se fundamenta no reconhecimento de que somos irmãos, filhos de Deus. E o Espírito Santo, parece-me entender, está empurrando, de certa forma por toda parte, as nossas Igrejas, nesta direção: dialogar para reencontrar a unidade rompida ao longo dos séculos, para dar como cristãos um testemunho comum para o mundo conforme a oração de Jesus: “Pai, que todos sejam um para que o mundo creia” (cfr. Jo 17)». Inicia assim Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, no seu discurso articulado. Narra o seu testemunho ecumênico pessoal desde o momento em que conheceu a espiritualidade da unidade: «Na década de sessenta, através da experiência de Chiara Lubich, que tinha estabelecido um contato com alguns cristãos membros da “Fraternidade de vida comum” da Alemanha», teve início o diálogo ecumênico para o Movimento. Em 1965 surgiu a Mariápolis permanente de Ottmaring (Alemanha), onde convivem católicos e evangélicos». Durante o Concílio Vaticano II, Chiara entra em contato com alguns Observadores de diversas Igrejas. Têm início assim as chamadas “Semanas ecumênicas”, nas quais, anualmente, cristãos de diversas Igrejas comunicam reciprocamente as experiências da Palavra de Vida, evidenciando sobretudo o Mandamento novo de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34). No histórico encontro de 13 de junho de 1967 entre o Patriarca ecumênico Atenágoras I e Chiara Lubich, Maria Voce se encontra em Istambul, na Turquia, como responsável local do Movimento. «Foi o primeiro de 25 encontros que Chiara terá com aquela grande figura carismática. Atenágoras se declara “seu discípulo” e deseja um focolare em Constantinopla». Seguem-se outros encontros ecumênicos importantes. «Cristãos de diversas Igrejas quiseram compartilhar a espiritualidade da unidade e muitos sentiram o chamado para as diversas vocações específicas do Movimento, permanecendo cada um bem inserido em sua própria Igreja». Na verdade, lembra Maria Voce, «o diálogo não se faz entre as culturas, mas entre as pessoas. Ou melhor, se vive em diálogo». E ainda: «A base do diálogo é Deus, Deus que é amor e pai de todos nós e que nos torna todos filhos no Filho, todos irmãos, todos uma família. Desde o início Chiara fez da oração de Jesus “Que todos sejam um” – que pode ser traduzida em “fazer de toda a humanidade uma única família” – o lema de sua vida e convidou milhões de pessoas em todo o mundo, a comprometerem-se a viver para alcançá-la» Para os Focolares, «o diálogo é um estilo de vida, uma nova cultura, que o Movimento pode e quer oferecer aos homens e mulheres de hoje» E que deve ser «suportado e substanciado de misericórdia, de compaixão e de caridade». Maria Voce cita Chiara Lubich que, em 1970, escreve: “Se nós não tivermos a caridade, não teremos a luz de Deus e o diálogo, qualquer diálogo, pode se tornar estéril, infrutuoso»[i]. E, sempre Chiara Lubich: «Quem me está próximo foi criado como um dom para mim e eu fui criada como um dom para quem me está próximo. Na terra tudo está em relação de amor com tudo: cada coisa com cada coisa. Mas é preciso ser o Amor para encontrar o fio de ouro entre os seres»[ii]. A presidente dos Focolares, depois, ilustra a assim chamada “arte de amar”, que se resume em poucos pontos: amar a todos, amar sempre, ser os primeiros a amar, “fazer-se um” com o outro (cfr. 1Cor 9,22). «De tal maneira o próximo se sente compreendido, aceitado, consolado». (Primeira parte) [i] C. LUBICH, Discurso aos focolarinos, 1970. Texto não publicado cit. in Vera Araújo, Il quinto dialogo del Movimento dei Focolari. Cosa è, cosa vuole, cosa fa, 7 [ii] C. LUBICH, Ideal e Luz – Pensamento, espiritualidade, mundo unido, Cidade Nova/Editora Brasiliense, São Paulo 2003, p. 129.
25 Ago 2017 | Sem categoria
Em Castel Gandolfo (Roma), o encontro anual dos representantes mundiais do Movimento, juntamente com os responsáveis de quatro Mariápolis permanentes.
25 Ago 2017 | Sem categoria
A sala de espera do ambulatório estava superlotada, porque vários médicos atendiam ali. Havia só duas cadeiras livres, uma ao lado de uma senhora muito elegante, e a outra ao lado de um senhor que exalava um cheiro muito forte – a sua roupa demonstrava uma higiene precária -. Talvez estivesse ali para se resguardar do frio intenso da rua. O meu primeiro impulso foi sentar-me ao lado da senhora, porque aquele cheiro me dava náuseas. Contudo, não pude evitar o pensamento que se Jesus estava presente em cada próximo, certamente estava também naquele pobre. Não havia desculpas: o meu lugar era ao lado dele, aquela era a pessoa que devia preferir, justamente pelo seu aspecto pouco apresentável, porque era um “descartado”. Então sentei-me, vencendo a natural repugnância que sentia, sob os olhares atônitos das pessoas. Imediatamente aquele homem começou a falar comigo: “Mas que lindo blusão, que calças bonitas! Que maravilha seria ter roupas assim!”. Quando começou a tocar nas minhas calças para verificar a qualidade e a falar com entusiasmo das minhas roupas, devo admitir que comecei a me sentir bem desconfortável.
Todos olhavam e esperavam a minha reação. Então dediquei-me completamente a ele, tratando-o com dignidade, sem julgá-lo, vendo nele um irmão. Pouco importava se era verdade ou não o que me contava de sua vida… entendia que ele precisava de alguém que o escutasse, o valorizasse, fazendo-o sentir-se importante. Procurava não levar em conta o fato de que, quando falava, espirrava saliva nas minhas roupas. Sentia que este esforço me levava para fora de um modo de viver cômodo e que fazendo assim conseguiria amar aquela pessoa. Propus que nos víssemos no dia seguinte para tomar um café. O meu novo amigo ficou surpreso e contente. Obviamente, muitas pessoas nos escutavam. No final, escutei chamar o meu nome e entrei para a consulta. Quando saí o “meu” pobre não estava mais lá. Na sala de espera, já quase vazia, estava só a senhora elegante que se aproximou de mim com um sorriso: «Desculpe-me se o incomodo – ela me disse -. Acompanhei toda a sua conversa com aquele senhor. Parecia que a sua paciência não tivesse limites. Eu gostaria de ter feito o mesmo, mas não tive coragem. Escutei todas as suas palavras e parecia realmente interessado naquela conversa tão peculiar. Quando o senhor entrou no consultório, ele levantou, agradeceu-nos pela paciência e nos disse: “Ele sim que é um amigo. Nunca o tinha visto antes, mas me tratou realmente bem. Para ele eu sou mesmo importante!”. Depois ele saiu. Mas, me diga, por que agiu assim com ele?». Eu lhe respondi que sou cristão e que quero amar e servir cada próximo, especialmente aqueles que mais sofrem, como faria um pai com seu filho. A senhora se mostrou surpresa. Refletiu um pouco e depois, sorrindo, disse: «Se viver como cristão significa isso talvez eu possa me reencontrar com a fé que perdi tanto tempo atrás». No dia seguinte fui tomar o café com o meu novo amigo. Levei-lhe algumas roupas limpas. Quando nos despedimos ele me abraçou. Entre lágrimas confessou: “Há muito tempo ninguém me tratava como um ser humano que precisa de afeto e amor». Retirado de Urs Kerber “La Vida se hace camino” (“A Vida abre caminho”) – Ed. Ciudad Nueva, Buenos Aires (RA) 2016, pagine 15 e 16.