25 Nov 2014 | Sem categoria
Estamos a poucos quilômetros de Postumia, na Eslovênia, na encruzilhada entre o oriente e o ocidente europeus. Atualmente meta turística, com paisagens de tirar o fôlego, com uma história que deixa às costas a tragédia vivida na Europa com os milhões de mortos das duas guerras mundiais. O horror da guerra é bem retratado, por exemplo, em algumas obras do artista esloveno Ivan Rupnik, e nos seus “mosaicos nos bosques” próximos a algumas foibes.
Com o pano de fundo dessa consciência histórica, os três dias passados juntos pelos “Amigos de Juntos pela Europa” assumiram um novo significado de reconciliação europeia diante de dolorosas feridas ainda abertas, evidenciando o relacionamento de amor mútuo atuado entre cristão de diferentes confissões e proveniências.
Eram 14 os países representados, de Portugal à Rússia, da Suécia à Croácia. É de todos o compromisso em favor de uma Europa reconciliada, na convicção que 500 anos de separação entre as Igrejas “são suficientes” e que deve-se mirar à atualização do sonho dos Padres fundadores da União Europeia, construindo a fraternidade entre os povos.
O programa do encontro concentrou-se na preparação de um grande evento previsto para 2016 em Mônaco da Baviera (Alemanha), como desejo de poder oferecer à sociedade civil e religiosa um forte testemunho de reconciliação realizada, visível, fruto de conhecimento, estima e colaboração em muitas iniciativas sociais comuns, que cresceu a partir de 2002, quando iniciou a experiência de Juntos pela Europa.
Os 108 participantes, de 41 Movimentos e Comunidades de várias Igrejas exprimiram uma autêntica “paixão pela unidade” e plena adesão ao projeto, oferecendo disponibilidade na partilha de ideias, responsabilidades e encargos organizativos.
«Ao lado da surpresa sempre nova e da alegria pelo caminho feito – escreve um dos participantes -, evidente na grande capacidade de escuta e acolhimento recíproco, era geral o entusiasmo e a convicção de que, com a ajuda de Deus e “juntos” é possível mirar na realização do “sonho” de uma Europa sem divisões, que recupere as suas raízes e possa ser modelo para outros continentes».
24 Nov 2014 | Sem categoria

“Criar uma rede que une as mulheres indo além da diversidade de religiões e de culturas; aprofundar os textos sagrados para recuperar o lugar da mulher na sociedade atual e promover o diálogo inter-religioso com uma dimensão humana”, eis algumas das conclusões do Simpósio internacional que se realizou nos dias 12 e 13 de novembro passado, em Rabat, capital do Marrocos.
Organizado pelo Centro de Estudos das Mulheres no Islam (Centre for Women’s Studies in Islam), filiado ao Conselho Ulema do Marrocos (Moroccan Council of Ulama), o simpósio aconteceu no âmbito do Diálogo Estratégico entre o Marrocos e os Estados Unidos, sob o patrocínio do Rei Mohammed VI.
As participantes, uma centena de especialistas, eram provenientes de vinte e cinco nações, a maioria muçulmana, e, também, cristãs e hebreias, estudiosas e comprometidas no campo jurídico e nas organizações em prol dos direitos das mulheres.
O encontro, cujo título foi “Mulheres no coração do monoteísmo: uma história plural” tinha o objetivo de tratar a importante contribuição das mulheres no diálogo inter-religioso no qual, muitas vezes, a voz delas permanece marginalizada.
No início houve um aprofundamento do papel da mulher na história das três religiões monoteístas. Foi evidenciada a importância de iniciar dos textos sagrados e não da lógica da divisão, com o objetivo de encontrar a dignidade da mulher mirando a uma maior igualdade entre homem e mulher, tanto no campo espiritual quanto moral e social. E por isso a necessidade de interpretações corretas dos textos no que diz respeito à figura feminina, frequentemente condicionadas pelo costume do tempo e por outros fatores: políticos, econômicos e sociais.

Christina Lee, corresponsável do diálogo inter-religioso dos Focolares, narrou a experiência do Movimento, fundado por Chiara Lubich, na perspectiva do diálogo inter-religioso. Ela falou sobre o “gênio feminino” – como foi definido por João Paulo II – ou seja, a capacidade que as mulheres têm de viver pelos outros, de dedicar-se e de estabelecer relações entre as pessoas. Esta visão da mulher foi apreciada pela profundidade, espiritualidade e pelas perspectivas futuras.
Houve também outros importantes discursos a respeito das várias formas de diálogo conduzidas pelas mulheres da atualidade, com as próprias dificuldades, esperanças e testemunhos. A professora Aicha Hajjami, do Marrocos, questionou o motivo da persistência ainda hoje, em muitas nações islâmicas, de certas leis injustas em relação às mulheres.
“É uma situação que exige uma profunda reflexão – acrescentou – sobre a maneira de conseguir modificar tais leis com os valores sustentados pelo Islã”. Yolande Iliano, presidente de Religiões pela Paz Europa (Religions for Peace Europe), ofereceu o testemunho de como a sensibilidade feminina dá origem a compromissos coletivos inter-religiosos no âmbito social e político.
Não faltaram as jovens que evidenciaram, com as próprias experiências e expectativas, a função crucial que a mulher deve exercer para construir a unidade da família humana. Como afirmava a professora Asma Lamrabet, diretora do Centro de Estudos, “o simpósio foi já algo real e um desafio, não mais apenas um sonho”.
22 Nov 2014 | Sem categoria
Jesús Morán, filósofo e teólogo espanhol, foi eleito o novo copresidente do Movimento dos Focolares na Assembleia geral 2014 realizada em setembro passado. Conversamos com ele:
«Conheci o ideal da unidade – inicia – quando tinha terminado os estudos no liceu clássico e estava me preparando para entrar na faculdade de filosofia da Universidade Autônoma de Madri. Eram tempos de grande agitação política e social na Espanha. O desejo de mudança era premente. A sociedade, e especialmente os jovens, reclamavam liberdade e democracia. Se eu tinha escolhido cursar filosofia era porque os religiosos do liceu onde tinha estudado nos haviam inculcado um cristianismo comprometido com a transformação social. Conhecer a espiritualidade de Chiara Lubich foi como encontrar a figura daquilo que eu queria ser. Esta espiritualidade, além de mudar a sociedade, podia mudar a minha pessoa e, no fundo, era isso que eu mais queria. Na liberdade de amar encontrei a resposta a todas as minhas exigência».
«Passei a maior parte da minha vida na América Latina – continua Jesùs Morán – Cheguei ao Chile com 23 anos e saí do México com 50. Lá eu vivi as primeiras experiências de trabalho e experimentei na pele a história de povos milenares com os seus contrastes, suas imensas riquezas culturais e seus dramas de identidade. Da América Latina aprendi o valor incomensurável da vida, da natureza e dos relacionamentos interpessoais. Foi uma escola de socialidade. Aquele continente deu-me o sentido do pensamento orgânico, da cultura que se torna práxis cotidiana e história, da religiosidade que toca as fibras mais íntimas do coração».
A experiência dos últimos anos no Centro do Movimento, ele revela, o enriqueceu com uma visão mais universal, além de um intenso amadurecimento humano e espiritual.
«Na minha vida, foram de uma luz especial alguns momentos vividos com Chiara Lubich, nos quais senti a sua maternidade com relação a mim».
Passaram-se pouco mais de dois meses da sua eleição para copresidente e confidencia estar vivendo «uma experiência de Deus, muito forte e ao mesmo tempo muito simples. Nunca como neste tempo senti-me tão profundamente amado por tantas pessoas. E por isso sou imensamente grato a Deus».
Quando perguntamos se, em sua opinião, aconteceu algo de novo com a Assembleia 2014, responde: «A Obra de Maria vive um momento crucial para o seu futuro. Trata-se de verificar quanto esta primeira geração entendeu verdadeiramente o dom carismático que Deus fez à Igreja e á humanidade com Chiara Lubich. Disso depende que a encarnação do carisma esteja à altura dele mesmo. É um momento de forte e nova autoconsciência que deve produzir como fruto um radicalismo de vida semelhante aos primeiros tempos do Movimento, ainda que diferente. É o momento da “fidelidade criativa”. Quanto mais fieis mais criativos, e vice-versa, quanto mais criativos mais fieis. Obviamente, isto significa atualização do carisma em todas as frentes, novo ardor apostólico, dilatação da capacidade de diálogo a 360º. Parece-me que a Assembleia, com o seu documento programático e com o toque final da mensagem do Papa Francisco, orientou-se nesse sentido».
Sobre o seu pensamento com relação a possíveis contraposições entre formação espiritual e formação cultural, afirma: «Em Chiara jamais houve contraposição entre vida e pensamento. Ela decidiu retomar os livros logo após uma experiência mística. Para mim isso é muito significativo. Chiara é a fundadora da Escola Abbà e do Instituto Universitário Sophia. Como todos os grandes fundadores ela era plenamente consciente de que um carisma que não se torna cultura não tem futuro».
Enfim perguntamos o que ele pede, para si e para o Movimento: «Uma dádiva que peço todos os dias é a do discernimento, e a docilidade ao Espírito, sem medo».
Aos cuidados de Aurora Nicosia
19 Nov 2014 | Sem categoria
Cielo Lee, Young-Hee é enfermeira e trabalha a domicílio para um hospital em Seul. Na Coreia a porcentagem de suicídios dos idosos com mais de oitenta anos é a mais alta do mundo. “Depois de tomar conhecimento de alguns dados a respeito eu comecei a trabalhar com afinco para a prevenção, uma vez que 50% dos meus pacientes ultrapassaram a idade de oitenta anos”.
Após uma experiência negativa com uma paciente muito deprimida, Cielo Lee, decidiu organizar um curso de prevenção ao suicídio, para cem educadores de idosos e trinta voluntários que trabalham em paróquias. “Visitando, toda semana, com outro colega, cerca de quarenta pacientes de alto risco, avaliamos o estado geral deles segundo os parâmetros da saúde. Com base nos resultados obtidos decidimos visitar duas vezes por semana as dez pessoas que corriam maior risco”.
O Projeto Gate-keeper – literalmente, “guardião da porta” e também, naquela situação, “guarda-costas” – é um dos serviços públicos oferecidos pelo governo de Seul. Está em vigor em todos os bairros da capital para prevenir os suicídios, em estreita colaboração com as estruturas hospitalares locais. “Neste projeto – explica Cielo Lee – formamos também alguns idosos para atuar como “guarda-costas”. Eles vão com os enfermeiros visitar os pacientes coetâneos dando conselhos úteis à saúde”.
“Na intenção de proteger a vida mesmo se de uma só pessoa, no meu trabalho comuniquei a minha iniciativa à enfermeira chefe, uma religiosa, e em seguida sessenta enfermeiras, minhas colegas, participaram do curso de prevenção”.
Um dos pacientes, há dez anos sofria de uma doença grave: “Ao visitá-lo – nos conta Cielo – eu rezava antes de entrar na sua casa e depois eu ouvia atentamente tudo o que ele me dizia. Já faz um bom tempo que este paciente começou também a rezar e está recuperando condições estáveis”.
Tenho uma amiga que sofria de insônia depois que perdeu o filho mais velho. Conseguia dormir somente com uso de medicamento. Depois que frequentou o curso ela começou a cuidar de uma sua vizinha que é idosa e não tem família. Hoje ela consegue dormir sem uso de medicação e sente-se agradecida pelo fato de poder ajudar outras pessoas.
Continua Cielo: “Um dia recebi um telefonema, chamavam do Centro de Saúde Mental no qual eu trabalho dizendo-me que o prefeito de Seul daria um prêmio a uma pessoa de cada bairro e o meu nome tinha sido proposto por unanimidade! Alguns dias depois recebi outro prêmio, conferido pelo diretor do hospital”.
Os membros do Movimento dos Focolares que frequentaram o curso, em Seul, nos escreveram: “Foi uma ocasião preciosa para aprofundar o conhecimento do mistério da vida e para ir ao encontro das periferias existenciais”.
18 Nov 2014 | Sem categoria
«Agradeço primeiramente Vossa Eminência, o Cardeal Stanisław Rylko, por me ter convidado para participar desta entrevista coletiva. Nesta ocasião desejo agradecer publicamente o Pontifício Conselho para os Leigos por ter promovido este 3º Congresso mundial e creio expressar também o sentimento dos muitos Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades que enriquecem atualmente a Igreja e a sociedade.
O que o Movimento dos Focolares – e talvez também os demais Movimentos – esperam deste Congresso?
Em primeiro lugar, considero que foi convocado em um momento propício e também por outros motivos: Estamos em plena comemoração dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Toda a Igreja e portanto todos nós, nos encontramos diante das suas grandes intuições e do seu ensinamento. O Vaticano II continua sendo, e hoje mais do que nunca, particularmente para nós leigos, estímulo e reflexo da nossa função, vocação e responsabilidade perante a Igreja e o mundo contemporâneo.
Encontramos outro motivo de estímulo na pessoa de Paulo VI, evidenciada por ocasião da sua beatificação, com o seu lúcido e muitas vezes profético magistério, como o Papa do diálogo e como o Papa dos leigos.
Outro grande motivo são os questionamentos que o Papa Francisco continua colocando a toda a Igreja, como instituição e como povo de Deus. Por isso, todos nós, que fazemos parte do Movimento dos Focolares, sentimos o dever de nos deixarmos interpelar pelas suas palavras e escolhas. Não basta admirar, é preciso atuá-las, deixando que nos interpelem profundamente, em termos de radicalidade, de abertura e concretude.
O programa do próximo 3º Congresso, que conhecemos até o momento, percorre as grandes solicitações da Evangelii gaudium. Com estas o Papa Francisco impulsiona e acompanha a Igreja rumo à máxima expansão: faz-nos penetrar em todas as “periferias”, com o dever de oferecer – com o nosso ser e com a nossa ação – a luz que vem da certeza de que “Deus nos ama imensamente”.
Gostaria de falar brevemente sobre a nossa Assembleia Geral, ocorrida há dois meses, com a participação de cerca de 500 representantes de 137 nações, de todos os setores, gerações e diálogos presentes no Movimento, e que se concluiu em prática no dia 26 de setembro passado com a audiência com o Papa Francisco.
Naquela ocasião, o Papa Bergoglio, percorrendo o caminho da Igreja, chamada a uma nova evangelização após os 50 anos do Concílio Vaticano II, desejou entregar ao Movimento três “verbos”. Neles distingo uma perspectiva que – me parece – pode inspirar, solicitar e interessar também outras realidades associativas da Igreja.
Primeiro: contemplar. Contemplar Deus e viver na companhia dos homens; perseverar no amor mútuo, disse o Papa, citando um escrito da nossa fundadora Chiara Lubich, a qual «inspirada por Deus em resposta aos sinais dos tempos» – dizia – escreveu: “Eis a grande atração do tempo moderno: penetrar na mais alta contemplação e manter-se misturados com todos, ombro a ombro com os homens”.
Segundo: sair. Cito: «Sair (…) para comunicar a todos generosamente o amor de Deus» com respeito, gratuidade e criatividade. «Para fazer isto, é preciso se tornar especialista naquela arte que se chama ‘diálogo’ e que não se aprende a baixo preço. Não podemos nos contentar com meias medidas», mas «com a ajuda de Deus, mirar alto e alargar o olhar». Sair com coragem ao encontro dos «gemidos dos nossos irmãos, das chagas da sociedade e dos questionamentos da cultura do nosso tempo».
Terceiro: fazer escola. O Papa Francisco recordou a expressão de João Paulo II na Novo millennio ineunte, com a qual convidava toda a Igreja a se tornar “casa e escola de comunhão” (cfr n. 43). E acrescentou: «Vós levastes a sério esta missão. É preciso formar, como exige o Evangelho, homens e mulheres novos e para tal objetivo é necessária uma escola de humanidade segundo a humanidade de Jesus. (…) Sem uma adequada obra de formação das novas gerações, é ilusório pensar que se possa realizar um projeto sério e duradouro a serviço de uma nova humanidade». É preciso formar “homens-mundo”, disse, citando uma expressão «que Chiara Lubich cunhou, na sua época, e que continua sendo de grande atualidade… Homens e mulheres com a alma, o coração, a mente de Jesus e, por isso, capazes de reconhecer e de interpretar as necessidades, as preocupações e as esperanças que habitam no coração de cada homem».
Esses três verbos se fundem com as três expressões emersas na Assembleia Geral dos Focolares, na tentativa de captar o essencial das 3.650 instâncias recebidas nos meses de preparação das comunidades dos Focolares do mundo inteiro, e oferecer pistas e orientações para o futuro. Três expressões que indicam em extrema síntese o empenho e as perspectivas do Movimento para os próximos anos: “sair, juntos, preparados”.
Este próximo 3° Congresso dos Movimentos eclesiais e das Novas Comunidades se situa em uma história comum e fecunda, que viu nascer e crescer Movimentos que deram a própria contribuição à Igreja e à humanidade, segundo o específico carisma de cada um. Mas não só. Muitas vezes, especialmente a partir do momento fundamental na festa de Pentecostes de 1998, viu também vários Movimentos e/ou comunidades colaborarem juntas em diversas ocasiões e projetos.
Neste trabalho comum, o Pontifício Conselho para os Leigos esteve sempre perto, dando-nos assim a garantia de que tudo o que cada Movimento trazia, era útil para implementar um projeto em benefício de todo o corpo eclesial, vigiando sempre com amor e discernimento, valorizando o positivo e fazendo cair aspectos secundários que poderiam existir. Quantas vezes o Movimento dos Focolares se sentiu apoiado em favorecer com o seu carisma da unidade vários tipos de encontros, às vezes complexos, como por exemplo, as Jornadas da Juventude ou os Congressos de Leigos, como aquele da Coreia…
Fazemos votos de que o próximo Congresso, dando segmento a esta história, assinale um passo de maturidade, ou seja, que reflexões e debates, comunhão de sucessos e de fracassos, de experiências e de projetos, estabeleçam as condições para que Deus, Senhor da história, possa obter dele não apenas frutos de comunhão e de enriquecimento recíproco, mas o fruto de orientar sempre mais a todos, e que, todos juntos, possamos olhar e viver com renovada alegria, para o único objetivo da Igreja de Cristo: “Pai, que todos sejam um” (cf Jo 17,21). É este o “sonho de Deus”. Que saibamos responder às expectativas mais profundas dos homens e das mulheres do nosso tempo, colaborando para que a humanidade se torne uma única grande família. Com esta disposição, nos preparamos para encontrar todos os participantes do Congresso».
Das palavras de Maria Voce na entrevista coletiva para apresentar o 3° Congresso de Movimentos eclesiais e Novas Comunidades
18 Nov 2014 | Sem categoria

O III Congresso mundial, no Vaticano, foi apresentado à imprensa pelo presidente do Conselho Pontifício, D. Stanislaw Rylko, com o secretário D. Josef Clemens. Falaram sobre as expectativas dos Movimentos e Comunidades, Maria Voce, presidente dos Focolares, e Jean-Luc Moens, responsável pelas relações internacionais da Comunidade do Emanuel.
Trata-se da terceira etapa de um “crescimento rumo à maturidade eclesial”. A primeira manifestação foi em 1988 e sucessivamente em 2006, simultaneamente aos dois grandes encontros dos Movimentos, antes com João Paulo II – que definia o fenômeno dos movimentos como “uma corrente de graça”, afirmando que a Igreja esperava deles “frutos maduros de comunhão e de empenho” -, depois com Bento XVI, que via neste caminho “uma provocação salutar” para a Igreja, “minorias criativas” para o futuro da humanidade.
O Papa Francisco encontrou os Movimentos e as novas comunidades dia 18 de maio de 2013, e o III Congresso mundial toma agora as orientações da sua Exortação Evangelii Gaudium. Nela o Papa chama os movimentos a “serem verdadeiros protagonistas de uma nova etapa da missão evangelizadora da Igreja, marcada pela alegria”, lançada nas “periferias geográficas e existenciais do nosso mundo”, “próxima a todos os pobres, sofredores e excluídos – produto amargo da cultura do descarte hoje dominante”.
Diante dos jornalistas o cardeal Stanislaw Rylko assumiu o questionamento de muitos. Por que “num mundo que rejeita Deus de uma forma tão radical, encontram-se ainda muitos homens e mulheres, adultos e jovens, que descobrem a alegria e a beleza de serem cristãos”, e “escolhem Cristo e o seu Evangelho como bússola segura de sua existência?”. A variedade e a riqueza dos novos carismas “propõem itinerários pedagógicos” de vida cristã de “surpreendente eficácia, capazes de mudar a vida das pessoas e acender nelas um extraordinário vigor de evangelização”, com “sua fantasia missionária, a capacidade de encontrar modos e caminhos sempre novos de testemunho e de anúncio do Evangelho”.
O conteúdo do programa foi exposto pelo secretário do Conselho Pontifício para os Leigos, D. Josef Clemens: contexto e diferentes aspectos da evangelização, purificação de obstáculos e impedimentos, dinamismo e colaboração entre carismas, a função das mulheres e percursos de inclusão dos pobres.
Maria Voce, presidente dos Focolares, evidenciou quanto o Concílio Vaticano II seja para os leigos “impulso e espelho” da própria “vocação e responsabilidade diante da Igreja e do mundo contemporâneo”. Ao exprimir as expectativas dos leigos manifestou a esperança que o Congresso “assinale um passo de maturidade”, e que “reflexões e confronto, comunhão de sucessos e de derrotas, de experiências e de projetos, criem as condições para que Deus, Senhor da história, possa extrair dele não apenas frutos de comunhão e de enriquecimento recíproco”, mas possa orientar todos a “olhar e a viver com alegria sempre renovada pelo único grande objetivo da Igreja de Cristo: ‘Pai que todos sejam uma coisa só… que todos sejam um’. Este é o ‘sonho de Deus’. Esperamos saber responder aos anseios mais profundos dos homens e das mulheres de hoje e contribuir a fazer da humanidade uma única grande família”.
“Queremos avançar no caminho da conversão pastoral”, pede-nos o Papa, e principalmente “fazer uma experiência de comunhão”, disse Jean-Luc da Comunidade do Emanuel; e reforçou: “Para nós é muito interessante descobrir como o Espírito Santo trabalha nos outros. O Congresso será uma ocasião única para fazer essa descoberta recíproca”.
Info: www.laici.va
Das palavras de Maria Voce na entrevista coletiva para apresentar o 3° Congresso de Movimentos eclesiais e Novas Comunidades