Movimento dos Focolares
Sophia: O projeto cultural de Chiara Lubich e a América Latina

Sophia: O projeto cultural de Chiara Lubich e a América Latina

20141115-01“No atual momento de grande virada, de mudança de época, de visão do homem e do mundo, é uma urgência histórica oferecer a contribuição, amadurecida nestes decênios, do dom de um carisma, o carisma da unidade confiado a Chiara Lubich”.

Foram estas as tiradas iniciais do Prof. Piero Coda, reitor do Instituto Universitário Sophia fundado em Loppiano, próximo de Florença, Itália, durante o primeiro encontro com um grupo de professores universitários e ex-alunos de Sophia, provenientes das  várias regiões do Brasil na Mariápolis Ginetta (SP).

Esta urgência já era sentida intensamente há bastante tempo aqui no Brasil. Nos mais de 50 anos que o Movimento dos Focolares está presente neste grande País e nos demais países da América Latina, são várias as iniciativas de caráter cultural nascidas em muitas universidades. É o que se viu por meio dos incontáveis relatos apresentados nesses dias, onde a fraternidade é proposta como categoria que pode imprimir renovação tanto na Política quanto na Economia, no Direito, na Pedagogia… como resposta aos muitos desafios, comuns em todo Ocidente: fragmentação do saber e do próprio homem enquanto os problemas são sempre mais transnacionais e multidimensionais; fratura entre o pensamento e a vida; grande riqueza de meios técnico-cientificos; pobreza dos fins.

Agora, a expectativa era a de dar um novo passo, que também neste continente nascesse um Centro Universitário com a mesma inspiração que deu vida à Sophia. Esta é a prospectiva que emergiu durante a intensa troca de experiências, propostas, reflexões que caracterizou os três dias de encontro, que se concluiu domingo 2 novembro.

Trata-se de um projeto embrionário, com conotações especificamente latino-americanas. A teóloga Maria Clara Bingemer, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro,  percorreu a história do caminho conciliar e pós conciliar da Igreja no continente, desde a opção preferencial pelos pobres, passando pelo difícil caminho trilhado pela Teologia da Libertação, até à atual crise religiosa, ou seja, a religião subjetiva e o vazio de sentido. Enquanto, sempre mais, se percebe a sede de Deus e a exigência de testemunhas. O politólogo Juan Estevan Belderrain colocou o dedo sobre uma das feridas mais profundas do Continente: a desigualdade social e as suas causas, com o deficit de coesão social e o deficit de relações.  A isso se acrescentam as necessidades dos povos indígenas, e dos afrodescendentes. Em síntese, veio em evidência a vocação social da América Latina.

O projeto cultural do Instituto Universitário Sophia delineia-se aqui, portanto, como uma dimensão social, com suas raízes na inspiração e na metodologia originais apresentadas, em um vídeo, por Chiara Lubich, em seu discurso programático na ocasião da fundação da Sophia em 15 de agosto de 2001: pensamento e vida inspirados no modelo trinitário, que se tornou acessível pelo mistério de morte e ressurreição de Cristo que, na cruz, gritou o abandono do Pai. Deste mistério jorrou a Sabedoria que gera uma nova cultura, em que são privilegiados os relacionamentos em todos os níveis, cuja norma é a interdisciplinariedade e a transdisciplinariedade.

Atualmente, alunos, professores e pesquisadores do Instituto Sophia provém de 30 países, formados pela sabedoria como “Homens mundo”, cuja cultura típica de cada um deles abre-se à dimensão universal.  É um projeto em profunda sintonia com o trinômio proposto recentemente pelo Papa Francisco ao Movimento dos Focolares: contemplar, sair, ‘fazer escola’.

O presente projeto em estudo, inclusive na América Latina, visa contribuir para a tão esperada reforma do estilo de fazer universidade, que, como escreveu profeticamente Edgar Morin, comentado por Piero Coda, iniciará de modo periférico, por iniciativa de uma pequena minoria, talvez não compreendido inicialmente, mas destinado a uma vasta difusão. Por isso já foram fixados novos encontros:  na  Ásia em 2016, na África em 2017.

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Movimento dos Focolares: o novo logo

focolare_spagnolo_Facebook«Em 2000 – explicam Walter Kostner e Margarida Nobre, encarregados pela realização do logo -, Chiara Lubich indicou a imagem de “Nossa Senhora do Povo”, que reúne todos, como aquela que de alguma maneira poderia representar o Movimento. O novo logo quer exprimir esta ideia: a figura azul evoca Maria que abre os braços à humanidade, para sustentá-la, enxugar suas lágrimas e orientá-la ao paraíso. A figura menor, que tem a mesma forma, indica o Movimento dos Focolares, que deseja “repeti-la”, mas tem a cor de uma chama, o que representa a presença do Ressuscitado entre os seus membros», o efeito do esforço de colocar em prática o mandamento de Jesus, de amar-se reciprocamente. Dois especialistas em comunicação, Andrea Fleming e Ludger Elfgen, da Alemanha, coordenaram o trabalho de gráficos de vários continentes. A última versão foi idealizada pelo gráfico italiano André Re. Considerando a difusão dos Focolares no mundo, o logo foi desenhado em 44 línguas. Utilizado pela primeira vez durante a Assembleia geral do Movimento dos Focolares, foi apresentado oficialmente, em web streaming, no Collegamento de 25 de outubro passado. O uso da imagem que, de agora em diante, identificará os Focolares nas várias realidades que o compõem e os diversos suportes (App, social network, sites, vídeo, manifestos, panfletos, eventos, papel timbrado…) não podia deixar de ter um impacto na gráfica do site oficial. A estrutura continua a mesma, mas pela modificação da gráfica agradecemos especialmente a Gabriele De Sanctis pelo trabalho com o desenho, Marius Teleman, que em colaboração com André Baldas fez a implementação, e Marija Bonici que coordenou o trabalho. Algumas das novidades são a harmonização das cores nas nuances do azul e do amarelo/alaranjado do logo, a galeria multimídia com acesso na homepage, a estilização dos boxes laterais. A navegação dentro do site continua como antes, e assim o leitor poderá continuar a sentir-se em casa!  

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Paulo VI e Chiara Lubich

20141107© Mendes - CSC 5409PaoloVI_ChiaraLUm evento que aconteceu a exatos 50 anos da primeira audiência concedida pelo Papa Paulo VI a Chiara Lubich (31 de outubro de 1964) e no dia seguinte à beatificação do pontífice. Uma ocasião para ilustrar, com uma contribuição paradigmática, o pensamento de Paulo VI sobre os movimentos eclesiais e sobre o significado destes em relação à visão de Igreja proposta pelo Concílio Vaticano II. Foi o concentrado dos Dias de Estudo (Castelgandolfo, Roma, 7-8 de novembro), abertos pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, e pelo professor Pe. Angelo Maffeis, presidente do Instituto Paulo VI, e que contaram com intervenções de estudiosos especialistas de diversas disciplinas. Este grande Papa teve um papel importante na história do Movimento dos Focolares: «Somos seus devedores por vários motivos – afirmou a presidente Maria Voce – antes de tudo pelo seu luminoso magistério que assinalou de modo claro e forte a formação de todos os que se aproximaram do nosso Movimento». Mas também porque, «no exercício do seu ministério, Papa Paulo VI foi determinante em reconhecer, promover e explicitar os caminhos juridicamente praticáveis para exprimir a fisionomia específica desta Obra nova na Igreja», continuou. 20141107© Mendes - CSC 5477PaoloVI_ChiaraLAs palestras dos professores André Riccardi e Alberto Monticone ofereceram um panorama histórico geral sobre o nascimento dos movimentos eclesiais, a novidade que representaram no século XX e sobre o amadurecimento da visão e do papel do laicato. Em seguida passou-se a uma verificação analítica com base em documentos inéditos das duas figuras em questão. Lucia Abignente (Centro Chiara Lubich), partindo do primeiro encontro de Chiara Lubich com D. Montini, em 1953, através de Giulia Folonari, passando por momentos delicados da história até chegar a 1964, por meio de diários e páginas inéditas, mostrou o que foi para Chiara aquela primeira audiência, num período em que achava-se em perigo justamente a laicidade do nascente Movimento dos Focolares. Para os próprios membros dos Focolares, portanto, é importante dar-se conta de quem foi Paulo VI. Chiara Lubich refere-se a ele como «pai da Obra». O Prof. Paulo Siniscalco teve a missão de analisar a importância que Paulo VI dava ao Movimento dos Focolares na ação de manter vivo o espírito cristão nos países do leste europeu, e como o Pontífice encorajou as iniciativas concretas nesse sentido. 20141107© Mendes - CSC 5455PaoloVI_ChiaraLOutro tema de importância central foi o diálogo ecumênico, examinado pela Dra. Joan Back. Basta recordar a história que liga Paulo VI, Chiara Lubich e o Patriarca Atenágoras. A jurista Adriana Cosseddu salientou as dificuldades para que surgissem, dentro do Código de Direito Canônico (de 1917) formas completamente novas como são os movimentos eclesiais. Parecia que uma obra com diversas vocações não fosse possível porque… no direito canônico não estava previsto! «O Papa quis cuidar disso, ele pessoalmente, e assim chegou-se à aprovação», afirmou Chiara numa entrevista à revista Città Nuova, em 1978. DSCF2439O prof. Alberto Lo Presti, diretor do Centro Igino Giordani, descortinou uma perspectiva original da concepção da doutrina social da Igreja em Giordani – considerado cofundador do Movimento dos Focolares – em relação ao magistério social de Paulo VI. Tendo como pano de fundo a Encíclica Ecclesiam Suam, programática do pontificado de Paulo VI, e a experiência mística vivida por Chiara Lubich nos anos 1949-50, o prof. Piero Coda, reitor do Instituto Universitário Sophia, coroou os trabalhos com uma reflexão teológica que evidenciou a profunda sintonia e sinergia entre o ministério petrino do Papa Montini e o carisma da unidade de Chiara Lubich. «Para mim foi especialmente enriquecedor poder ver o Movimento dos Focolares e a sua fundadora através dos olhos de Paulo VI – escreveu Fabio Ciardi, um dos participantes do encontro -. Este “grande”, que possuía uma visão extremamente ampla da Igreja e da sociedade do seu tempo, teve também um olhar particular sobre esta obra de Deus, compartilhando alegrias, dúvidas, apreciações e perplexidades, entusiasmo e esperanças… Colocando-se na sua perspectiva percebem-se novos aspectos desse carisma e do caminho que abre na Igreja». Na conclusão, o prof. José-Román Flecha Andres quis comparar a experiência mística de Chiara à dos místicos espanhóis do século XVI, em especial Teresa D’Ávila, e recordando como estes intuíram a necessidade de doar a toda a Igreja a vida interior, assim se exprimiu: «Aqui vimos como, graças ao Espírito de Deus, ao Espírito Santo, isto se realizou na vida de Chiara, desse Movimento».  

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Focolares: com os 43 estudantes mexicanos desaparecidos

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Foto: Jorge Mejia Peralta / Flickr

«Vivemos num cemitério, exigimos justiça», proclama um dos slogans do protesto que levou às ruas milhares de estudantes. Desde o dia cinco de novembro começou no México uma greve transversal a todas as escolas. Uma manifestação estudantil de três dias pede ao governo um maior compromisso na busca dos 43 estudantes desaparecidos no estado de Guerrero no dia 26 de setembro.

O prefeito de Iguala (município onde o fato ocorreu) José Luis Abarca e sua esposa, Maria de los Ángeles Pineda, foram presos, acusados de serem os mandantes do sequestro. Enquanto aguardam-se os interrogatórios que poderão trazer maiores informações sobre o desaparecimento misterioso, o Movimento dos Focolares no México une-se à reivindicação de que os fatos sejam esclarecidos.

«A violência e a injustiça cometidas contra os 43 jovens desaparecidos e contra milhares de pessoas desaparecidas nos últimos anos em nosso país, são fatos diante dos quais afirmamos o nosso forte repúdio e indignação e exigimos que nunca mais aconteçam episódios semelhantes; estes nos comovem profundamente e nos interpelam como indivíduos e como sociedade», escrevem num comunicado.

Além disso, convidam a um compromisso ainda mais decidido pela construção de um país pacificado: «A paz não se constrói com a violência. Regenerarmo-nos como sociedade mais humana significa responder com a caridade e o perdão. Não como gestos de indiferença e tolerância, mas como empenho em trabalhar concretamente pelo bem comum». O apelo focaliza antes de tudo a transformação do coração, especialmente de quem governa: «Não basta o estado de direito, é necessário transformar o coração de quem faz as instituições».

A mensagem é dirigida «a todos aqueles que professam uma fé, não importa qual esta seja, e a todas a pessoas de boa vontade, a fim de que, todos unidos, possamos manter vivo e renovado o compromisso em ser construtores de paz lá onde vivemos e trabalhamos».

Enfim, propõem ao povo mexicano o “Time out pela paz”, para chamar a atenção à trágica situação que se vive no México e em todos os países onde impera a violência: «Um minuto de silêncio e oração pela paz, todos os dias às 12 horas, como um sinal visível e concreto de fraternidade e solidariedade para com qualquer pessoa sofredora».

O Movimento dos Focolares do mundo inteiro adere ao “minuto pela paz” em apoio ao povo mexicano, com o desejo que o respeito pela vida, a busca da verdade e da justiça, tenham a supremacia sobre qualquer forma de abuso.

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Papa aos bispos amigos dos Focolares: percorrer os caminhos da unidade

Vescovi_PapaFrancesco_2O 33º Congresso, que teve início no Centro Mariápolis, em Castelgandolfo, perto de Roma, no último dia 3 e se conclui hoje com a audiência papal, contou com a participação de representantes de 29 países, entre os quais o Brasil, e de oito igrejas diferentes: católicos, ortodoxos, siro-ortodoxos, anglicanos, metodistas, luteranos e líderes de outras comunidades eclesiais. Em sua saudação, o Papa Francisco disse que “este Congresso é expressão e fruto do amor à Palavra de Deus, como também a vontade de conformar a própria existência ao Evangelho”. Este ideal, alimentado pelo Movimento dos Focolares, suscitado e acompanhado pela graça do Espírito Santo, disse o Papa, faz brotar tantas iniciativas, florescer sólidas amizades e momentos fortes de fraternidade e partilha. Tudo isso manifesta o desejo de um claro testemunho de unidade entre os cristãos e uma explícita confirmação da estima, respeito e fraternidade entre membros das diversas religiões, sinais luminosos e atraentes da nossa fé em Cristo ressuscitado. E o Pontífice acrescentou: “Se, de fato, quisermos, como cristãos, responder de modo decisivo às tantas problemáticas e dramas do nosso tempo, devemos falar e agir como irmãos, de maneira que todos nos possam reconhecer como tais. Talvez, este seja um meio de responder também à globalização da indiferença com uma globalização da solidariedade e da fraternidade”. Neste contexto, o Bispo de Roma recordou que a nossa consciência de cristãos e pastores é interpelada por tantos fenômenos, em diversos países: falta de liberdade de expressar, publicamente, a própria religião; viver abertamente as exigências da ética cristã; as perseguições contra cristãos e outras minorias; o fenômeno do terrorismo; o drama dos refugiados por causa das guerras e outras razões; os desafios do fundamentalismo e secularismo exasperado. E o Papa concluiu: “Tais desafios são um apelo a trilhar, com esforço renovado, com constância e paciência, os caminhos que conduzem à unidade, para que o mundo creia e para que nós, em primeira pessoa, possamos ser repletos de confiança e coragem. Entre estes caminhos existe um principal: a Eucaristia, como mistério de comunhão”. Por fim, o Pontífice afirmou: “Na Eucaristia sentimos claramente que a unidade é dom e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Por isso, o Papa Francisco fez votos de que este Congresso ecumênico dos Focolares possa produzir abundantes frutos de crescimento na comunhão e no testemunho da fraternidade. Rádio Vaticana