Movimento dos Focolares
Evangelho: voltados para o outro, com generosidade

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O sangue

O automóvel que vai na minha frente derrapa, bate contra um muro e capota. Consigo frear. Há quem pare para socorrer os feridos: uma idosa, uma criança e um jovem. Mas ninguém quer levá-los ao hospital, pelo receio da acusação de ter provocado o acidente. Mesmo se por ver o sangue, muitas vezes já perdi os sentidos, procuro ser forte e coloco-os no meu carro. Para serem atendidos, o hospital pede um pagamento, mas aquelas pessoas não têm dinheiro. Assino um cheque e asseguro-me de que os feridos sejam bem tratados, feliz por ter vencido a minha emotividade, mas principalmente por ter feito algo por aquele “irmãos”. M. S. – Argentina

Vencer o cansaço

Muitas vezes, ao chegar em casa, sofro com o vazio deixado pela morte da minha esposa e prefiro ficar sozinho, tranquilo, mas sinto que devo esquecer-me de mim mesmo e alimentar o relacionamento com os meus filhos. É difícil ser pai e mãe ao mesmo tempo. Outro dia, voltando para casa, dei-me conta que todos ainda estavam acordados: gostaria de ir descansar, mas fui brincar com eles, sem pensar no cansaço. Para a minha surpresa, um deles, com quem o relacionamento sempre foi difícil, aproximou-se de mim com afeto e sentou-se no meu colo. Isto nunca tinha acontecido. S. R.- EUA

Chocolates

Levei uma caixa de chocolates de presente para alguns amigos, que, por sua vez, quiseram dar-me uma ainda maior: «Para as tuas filhas!». No ônibus, quando voltava para casa, entrou um casal, com uma menina que talvez tivesse cinco anos. A criança olhava para a caixa de chocolates com grande desejo. No início fiz como se não me tivesse apercebido, mas não estava tranquilo. «Jesus, faz-me entender o que devo fazer». Precisamente naquele momento, a menina aproximou-se de mim, estendendo a mão para os chocolates. Não podia rejeitá-la e dei-lhe a caixa. Mas ao descer do ônibus, sentia-me um pouco descontente por voltar com as mãos vazias. Entretanto, ao entrar em casa, a minha esposa veio dizer-me que uma amiga, ao passar para cumprimentá-la, tinha deixado um cesto muito grande, cheio de chocolates. Fiquei sem palavras, feliz. W.U. – Itália

Fonte: O Evangelho do dia (Il Vangelo del giorno), Città Nuova Editrice

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Começa a viagem ao Brasil!

As etapas da viagem. O Brasil é a quinta potência econômica mundial, com 8,5 milhões de km2e quase 200 milhões de habitantes, descendentes da imigração europeia e asiática, dos africanos vindos nos séculos passados como escravos e dos povos indígenas, além dos imigrantes do mundo inteiro, que falam uma única língua: o português. Um país de dimensões continentais, com diferentes condições climáticas e geográficas, grandes riquezas naturais e um forte potencial de crescimento. Um país marcado igualmente por grandes contrastes sociais que, graças aos esforços dos últimos governos, começam a diminuir. São os desafios de uma democracia jovem, de uma nação que há menos de 30 anos saiu de uma ditadura militar.

Mariapoli Ginetta

Foi aqui que, em 1991, Chiara Lubich, tocada pelos graves problema sociais, lançou as bases de uma verdadeira revolução no âmbito econômico com a Economia de Comunhão (EdC), projeto conhecido atualmente no mundo inteiro. Mas a vida dos Focolares no Brasil não se desenvolveu apenas no campo da economia. Os seus reflexos encontram-se em vários campos no tecido social: educação, saúde, política, arte, promoção humana – como testemunham as experiências de Santa Teresinha e Magnificat, no nordeste; e do Bairro do Carmo e do Jardim Margarida, em São Paulo – assim como em várias disciplinas. Um exemplo é o grupo de pesquisa sobre “Direito e fraternidade”, ativo desde 2009 no Centro de Ciências jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina. São várias as atividades do Movimento, em todos os estados: a escola de formação política Civitas, em João Pessoa; as ações de solidariedade dos Jovens por um Mundo Unido e os encontros para famílias no estado de Alagoas; as olimpíadas para adolescentes em Rio Grande do Sul; o projeto Unicidade, na Mariápolis Ginetta – que este ano celebra o seu 40º aniversário – apenas para citar algumas. Mas de onde nasceu esta vida? Voltemos brevemente o olhar ao passado. Era o ano de 1958. Em Recife chegam três focolarinos vindos da Itália: Marco Tecilla, Lia Brunet e Ada Ungaro. Comunicam a sua experiência em escolas, universidades, paróquias, associações, hospitais, famílias. Passado um mês prosseguem a viagem: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, e depois Uruguai, Argentina e Chile. No retorno à Itália o avião deve fazer um pouso de emergência em Recife, por causa de uma pane grave, e lá permanece por quatro dias. Tempo utilizado pelos três para uma infinidade de contatos. Nasce assim a comunidade do Movimento dos Focolares no nordeste brasileiro. Será a primeira de uma longa série.  Com a vinda definitiva de outros focolarinos, em 1959, abrem-se em Recife os primeiros centros do Movimento. Acontece uma grande difusão do Ideal da unidade nas metrópoles e nos vilarejos, entre jovens e adultos, brancos e negros, ricos e pobres… com uma característica: a harmonia social. Surgem muitas obras sociais como efeito de uma vida enraizada no Evangelho. Em 1962 abre-se um centro em São Paulo. Nascem a Editora Cidade Nova e a revista Cidade Nova. Surgem outros centros: Belém, 1965; Porto Alegre, 1973; Brasília, 1978. Hoje existem centros em quase todas as 27 capitais dos estados e em muitas outras cidades.  Em 1965, nos arredores de Recife, nasce a primeira Mariápolis permanente, pequena cidade de testemunho do Movimento, com o nome de Santa Maria, salientando o amor deste povo por Maria. Dois anos depois surge em São Paulo a Mariápolis Araceli, hoje Ginetta, para recordar uma das primeiras focolarinas, que teve uma função proeminente na difusão e no crescimento do Movimento no Brasil. Em seguida a de Belém, Glória, e em Porto Alegre o Centro Mariápolis Arnold, com um timbre ecumênico; e a Mariápolis permanente de Brasília, dedicada a Maria, Mãe da Luz. Chiara Lubich sempre demonstrou um grande amor pelo Brasil e o seu povo, “um povo que assemelha-se muito àquele que escutava Jesus: magnífico, magnânimo, bom, pobre, que doa tudo: coração e bens”. A sua primeira visita aconteceu em 1961, em Recife. Retornou mais cinco vezes. Recebeu vários reconhecimentos públicos e doutorados honoris causa. Em 1998, em sua última visita, inaugurou o Polo Spartaco, primeiro conjunto empresarial da EdC no mundo. Nesta ocasião, um dos pais do Brasil democrático, o prof. Franco Montoro, dirigindo-se a ela durante um discurso proferido na Universidade de São Paulo (USP), reconheceu no pensamento e na obra do Movimento, não apenas no Brasil, um “testemunho coerente que arrastou milhões de pessoas. Salvou os direitos do homem no tempo das ditaduras e, no boom da ciência, demonstrou qual ética deve guiar-nos. Promoveu o amor, a fraternidade universal”. Valores estes que os membros do Movimento comprometem-se em viver, juntamente com muitas outras pessoas, num momento histórico que vê o Brasil emergir no panorama mundial, e ser protagonista de eventos como a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, e o Copa do Mundo de Futebol, em 2014. Website: www.focolares.org.br/sitenacional Aprenda sobreNoticiário Mariápoli – Área Reservada

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Chiara e as religiões, artífices de unidade

“Quando estamos na escuridão e alguém acende uma luz, não perguntamos se esta pessoa é homem ou mulher, jovem ou ancião”, assim será com Chiara que “nos falará da luz que descobriu”. Tornaram-se célebres as palavras ditas pelo Grande Mestre budista Ajahn Thong, em 1997, na Tailândia, durante a visita de Chiara Lubich a um mosteiro, convidada por ele. A de hoje não foi apenas uma recordação, mas um passo para lançar-se rumo ao futuro, enraizado na experiência aberta por Chiara Lubich, mas vivida por muitos, para além das próprias diversidades. “Nós nos encontramos em várias partes do mundo e descobrimos que podemos tornar-nos irmãos. Somos chamados a continuar juntos este caminho e torná-lo realidade no cotidiano. Um testemunho unânime, uma polifonia, a confirmação de uma opção e de um compromisso comum” – afirmou Roberto Catalano, corresponsável pelo Centro para o Diálogo Inter-religioso do Movimento dos Focolares, diante da plateia de 500 pessoas reunidas, entre as quais 250 que nos três dias anteriores haviam participado de um congresso inter-religioso, em Castelgandolfo (Roma – Itália). Uma representação de 20 pessoas, de oito religiões, encontrou o Papa Francisco antes da audiência geral do dia 19 de março: “Uma figura paterna que aumentava a fraternidade entre nós”, comentou a teóloga muçulmana iraniana Shahrzad Houshmand, que entregou ao Papa uma carta, em nome dos muçulmanos reunidos no congresso organizado pelos Focolares. Nela está expresso “o profundo amor e respeito pela Sua pessoa e pela mão estendida, várias vezes, aos muçulmanos no mundo”. Kala Acharya, hindu, professora em Mumbai, contou ter acolhido com alegria o convite do Papa a caminhar sem deter-se: “Também para nós, a alegria de caminhar é mais importante do que aquela de chegar ao destino”. No final o Papa pediu a todos: “Rezem por mim”. Após a riqueza deste momento, o congresso inter-religioso, abriu as portas para um evento público. A sede escolhida foi a Pontifícia Universidade Urbaniana, uma academia caracterizada pela atenção especial às culturas dos povos e às grandes religiões mundiais. O título foi “Chiara e as religiões”, mas poder-se-ia falar também de Chiara e os crentes de vários caminhos religiosos. “Entre as suas grandes capacidades, talvez a que mais falou ao nosso mundo foi a de saber dialogar” – afirmou a presidente dos Focolares, Maria Voce. “Chiara havia intuído que o caminho da humanidade podia ser diferente, direcionado à paz, mas com a condição de uma radical mudança de mentalidade”, porque o outro “não apenas não é uma ameaça, mas é uma dádiva”. Qual o seu segredo? Maria Voce o explicou dizendo: “O amor, que ela, cristã, descobriu no Evangelho e em Jesus, mas que encontrou também nos outros credos e culturas”. Uma proposta que, dessa maneira, transforma um “potencial confronto de civilizações em um verdadeiro encontro de homens e mulheres de culturas e religiões diferentes”.

(C) CSC Media

Reflexões sobre o impacto produzido pelo carisma de Chiara no diálogo foram propostas pelo cardeal Arinze, ex-presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, que conheceu pessoalmente Chiara: “Os focolarinos e focolarinas são um povo em caminho, em comunhão, em movimento. Vão à periferia: saem, encontram, dialogam, escutam, colaboram”. E finalizando, uma série de depoimentos do mundo muçulmano, budista, hindu e judaico que revelou um poliedro de mil faces. O Dr. Waichiro Izumita, japonês, budista da Risho Kosei Kai, o monge tailandês Phra Thongrattana Thavorn, que gosta de ser chamado pelo nome que, afetuosamente, lhe foi dado por Chiara, Luz Ardente. Ele contou sobre o seu primeiro encontro pessoal com ela: “Fui envolvido pela sua pessoa, os seus olhos, a sua simplicidade, o cuidado, o respeito por aquilo que eu sou, a escuta profunda, pela indizível atmosfera… Ela falou-me da sua vida cristã, do carisma da unidade… sinto-me, eu também, um filho seu, além de que pela luz que recebi, pela paixão de difundir a luz da unidade entre todos”. O rabino David Rosen, de Jerusalém: “O mandamento de amar a Deus pede-nos para seguir o exemplo de Abraão: fazer com que Deus seja amado também pelos outros. Isso nós vemos no Movimento dos Focolares”. Falaram ainda o Imã Ronald Shaheed, da Mesquita de Milwaukee, um dos mais estreitos colaboradores do Imã W. D. Mohammed, e Ahmar Al-Hafi, docente de religiões comparadas, na Jordânia:

(C) CSC Media

“Chiara ajudou-me a entender o Alcorão em seus significados mais profundos. Com Chiara entendi que o amor é a essência de Deus, e que a religião do amor é uma só”. E Vinu Aram, hindu, presidente honorária de “Religiões pela Paz”, contou ter conhecido Chiara ainda menina, porque era “amiga de seus pais”, e que descobriu a sua mensagem já adulta, mensagem que a inspira constantemente no caminho para “construir um mundo unido, um mundo onde cada um possa sentir-se em casa”. “Diálogo e profecia” de Chiara Lubich que continuam. “Chiara tinha um sonho?”, perguntou uma jornalista a Maria Voce, que respondeu: “O seu sonho, ela confidenciou uma vez, era levar a Deus o mundo em seus braços. Nós procuramos ser os seus braços, para ajudá-la a levar este mundo a Deus, todo unido”. Assista aos vídeos da conferência sobre vimeo

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Juntos, em diálogo com o mundo

«Era um desejo de Chiara Lubich que fosse realizado um encontro como este, mas isto não foi possível durante a sua vida terrena» – afirmou Maria Voce na abertura do congresso inter-religioso, dia 17 de março, em Castelgandolfo – «Hoje, certamente, ela nos vê com alegria do céu, todos juntos, como irmãos e irmãs, nesta riquíssima variedade de trajes, etnias, culturas, credos e tradições». Um momento que ela definiu “solene” por vários motivos, mas especialmente porque, pela primeira vez, encontram-se reunidos judeus, cristãos, muçulmanos, hindus, budistas, sikhs, xintoístas e membros da Tenrikyo.

O encontro é o resultado de um percurso, para alguns recentes, mas que na maioria dos casos já dura decênios, que permitiu aprofundar o conhecimento recíproco, e que «tornou-se amizade e, depois, fraternidade». A presidente dos Focolares citou as etapas do diálogo inter-religioso dos últimos seis anos, correspondentes ao seu mandato, o primeiro após a morte da fundadora. As dúvidas e incertezas iniciais eram legítimas: o que iria acontecer com aquela experiência de diálogo depois de Chiara? Mas já em 2008, somente dois meses após a eleição de Maria Voce, realizou-se um encontro com irmãos e irmãs muçulmanos. Sucessivamente, com as religiões africanas, nos Camarões, um simpósio judaico-cristão em Jerusalém e um simpósio com os hindus.

Como demonstração que a experiência carismática inicial abriu um caminho, «devemos agradecer a cada um dos presentes nesta sala – continuou Maria Voce – pela grande fé em Deus e pela amizade que nos ligou. Principalmente devemos ser gratos pela dádiva do diálogo à qual Chiara nos conduziu. É justamente graças a esta confiança recíproca que pudemos continuar neste itinerário traçado por ela e por aqueles que, nas respectivas crenças religiosas, fizeram nascer esta experiência de diálogo: o reverendo Nikkyo Niwano, o Imã Barkat, o Dr. Aram e sua esposa Minoti, o Dr. Somaya e outros».

A nova presidente fez numerosas viagens, em várias partes do mundo, como a Ásia, em 2010. «Impressionou-me – recordou – como os irmãos e irmãs, hindus e budistas, sentiam-se plenamente parte da nossa grande família. Não estávamos em diálogo uns com os outros, mas juntos, cristãos, hindus e budistas, abríamo-nos ao diálogo com o mundo». Em 2011 esteve em Haifa (Israel) e confidenciou sua comoção ao ver «judeus, cristãos e muçulmanos que procuram crer, viver e rezar pela paz» e escutar «fatos de vida cotidiana, de descoberta de quem é diferente», de pessoas que apostaram na paz.

E ainda o momento vivido com os irmãos e irmãs judeus em Buenos Aires e a visita à comunidade dos Focolares na Argélia, formada quase totalmente por muçulmanos, em 2012. Em Tlemcen encontrou «a expressão muçulmana do Movimento, animada pelo mesmo ideal de Chiara. Realmente tornamo-nos uma única família». E esta experiência começa a difundir-se em outros países.

«É uma experiência profunda, não fácil de ser transmitida e que não deixa de suscitar questionamentos – afirmou -. É um testemunho de que a unidade, na distinção, é verdadeiramente possível, mas é preciso ter a coragem de experimentá-la».

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Chiara e as Religiões. “Em peregrinação em direção à verdade”

Budista-cristão Simpósio em Castel Gandolfo (2012)

Um simpósio terá início às Castel Gandolfo, ao qual participarão hebreus, muçulmanos, cristãos, budistas, hindus, sikhis, xintoístas e membros da Tenrikyo, de muitas regiões do mundo: vinte e três hebreus provenientes de Israel, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, México e de vários países da Europa; sessenta e nove muçulmanos, xiitas e sunitas, de Maghreb  e alguns países do Oriente Médio, Bangladesh, Paquistão, Estados Unidos e de países europeus; trinta e quatro budistas, das tradições mahayana e therevada, provenientes da Tailândia, Nepal, Sirilanka, Taiwan, Coréia, Japão e Itália; dezenove hindus da Índia.

Trata-se de um evento inédito também para a história do diálogo no âmbito do Movimento dos Focolares. Nos anos passados, de fato, foram realizados simpósios nos quais o conhecimento e a reflexão recíproca acontecia entre o cristianismo e outra religião (simpósio islâmico-cristão, cristão-budista, hebreu-cristão, e assim por diante…). E agora, pela primeira vez, uma pluralidade de tradições religiosas se encontrará e colocará em evidencia a riqueza deste diálogo que é um dos aspectos mais atuais do carisma de Chiara Lubich: a unidade. Retoma-se o convite feito por Chiara: “mirar sempre o único Pai de muitos filhos” para, depois, “olhar todas as criaturas como filhas do único Pai.” É um caminho comum de diálogo com irmãos e irmãs de diferentes credos religiosos, um mosaico que se compôs nos últimos anos, tanto nos simpósios quanto nas comunidades do Focolare, em diversos países.

Na programação do simpósio em Castelgandolfo se alternarão momentos de diálogo e de testemunhos, em grupos homogêneos por religiões e em outras plenárias, que permitirão aos participantes uma total abertura indo além do próprio específico, sem ignorar as inevitáveis dificuldades encontradas e com reflexões amadurecidas ao longo do tempo.

Diante dos novos desafios, procedentes da história dos povos, da política e economia da atualidade e do imaginário coletivo, o caminho do diálogo interreligioso apresenta-se não somente como algo que está em jogo, mas, “uma peregrinação em direção à verdade”.

Esta é a visão na qual se fundamenta a conferência “Chiara e as Religiões. Juntos, rumo à unidade da família humana” que se realizará em homenagem a Chiara Lubich, no dia 20 de março, quinta-feira, na Aula Magna da Pontifícia Universidade Urbaniana, e será a conclusão de um simpósio que acontecerá em Castelgandolfo.

O objetivo é oferecer um testemunho público e multíplice sobre Chiara Lubich. Contará com a participação do monge Phramaha Thongratana Tavorn e do Reverendo Waichiro Izumita, budistas; do Dr. Vinu Aram, hinduísta; do Imã Ronald Shaheed e do professor Amer Al Hafi, muçulmanos; e do Rabino David Rosen, hebreu. O Cardeal Francis Arinze e Maria Voce darão início ao evento.

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Chiara Lubich

No dia 7 de dezembro de 1943, Silvia Lubich, jovem professora, jamais teria imaginado que, alguns decênios mais tarde,  tantas personalidades do mundo civil e religioso – dentre as quais quatro Papas – teriam pronunciado palavras muito comprometedoras sobre a sua pessoa e sobre a sua família espiritual. Não tinha nenhuma ideia do que teria visto e vivido em seus 88 anos de vida. Não podia calcular os milhões de pessoas que a seguiriam. Não imaginava que com o seu ideal chegaria a 182 nações. Teria podido pensar que iria inaugurar uma nova era de comunhão na Igreja e que teria aberto canais de diálogo ecumênico nunca antes percorridos?

E muito menos podia imaginar que na sua família teria acolhido fieis de outras religiões, pessoas sem uma referência religiosa. Aliás, não tinha nem mesmo a ideia que teria fundado um movimento.

Naquele dia 7 de dezembro de 1943 “Silvia” tinha apenas os sentimentos de uma jovem e bela mulher enamorada pelo seu Deus, com o qual firmava um pacto de núpcias, timbrado com três cravos vermelhos.  Isso lhe bastava. Poderia imaginar a coroa de gente de todas as idades, posições sociais e pontos da terra, que a teria acompanhado em suas viagens, chamando-a simplesmente “Chiara” (“Clara”, nome tomado da admirada santa de Assis)?

Poderia supor, na sua pequena Trento,  que suas intuições místicas teriam descerrado uma cultura da unidade, adequada à sociedade multiétnica, multicultural e multirreligiosa? Chiara Lubich precedeu os tempos.

Mulher, leiga, ela propôs na Igreja temas e aberturas que mais tarde seriam retomadas pelo Concílio Vaticano II. Quando ninguém falava de aproximação entre civilizações, ela soube indicar, na sociedade internacionalizada, o caminho da fraternidade universal. Respeitou a vida e buscou o sentido do sofrimento. Traçou um caminho de santidade, religiosa e civil, praticável por qualquer pessoa, não reservada a poucos eleitos.

Em 1977, no Congresso Eucarístico de Pescara, na Itália, ela disse: «A caneta não sabe o que deverá escrever, o pincel não sabe o que deverá pintar e o cinzel não sabe o que deverá esculpir. Quando Deus toma em suas mãos uma criatura, para fazer surgir uma obra Sua na Igreja, a pessoa escolhida não sabe o que deverá fazer. É um instrumento. Creio que este é o meu caso». E continuou: «Fecundidade e difusão desproporcionais a qualquer força ou capacidade humana, cruzes, cruzes, mas também frutos, frutos, frutos abundantes. E os instrumentos de Deus tem, em geral, uma característica: a pequenez, a fragilidade… Enquanto o instrumento move-se nas mãos de Deus, Ele o forma, com muitos e muitos expedientes, dolorosos e jucundos. E assim o torna cada vez mais apto ao trabalho que deve realizar. Até que, tendo conquistado um profundo conhecimento de si, e uma certa intuição de Deus, pode dizer com competência: eu sou nada, Deus é tudo. Quando a aventura iniciou, em Trento, eu não tinha um programa, não sabia nada. A ideia do Movimento estava em Deus, o projeto no Céu».

Chiara Lubich está na origem do Movimento dos Focolares. Nasceu em 22 de janeiro de 1920, em Trento, morreu em 14 de março de 2008, em Rocca di Papa, circundada pelo seu povo. Nos dias seguintes, milhares de pessoas, de simples operários a personalidade do mundo político e religioso, chegaram a Rocca di Papa para homenageá-la.  O funeral realizou-se na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, que não pode conter a grande multidão (40 mil pessoas). Enviado por Bento XVI – que em sua mensagem, definiu Chiara, entre outras coisas, “mulher de fé intrépida, mansa mensageira de esperança e de paz” – o Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, presidiu a celebração eucarística, concelebrada com outros nove cardeais, mais de 40 bispos e centenas de sacerdotes.

Ressoam as palavras pronunciadas um dia por Chiara: «Gostaria que a Obra de Maria, no final dos tempos, quando estiver à espera de comparecer diante de Jesus Abandonado-Ressuscitado, em bloco, pudesse repetir-lhe: “No teu dia, meu Deus, caminharei em tua direção… com o meu sonho mais desvairado: levar para ti o mundo em meus braços”. Pai que todos sejam um!».