Movimento dos Focolares
Cardeal Carlo Maria Martini: com gratidão

Cardeal Carlo Maria Martini: com gratidão

Também o Movimento dos Focolares deseja recordar, com gratidão, o cardeal Carlo Maria Martini, agradecendo a Deus por ter dado à Igreja e à humanidade, na sua pessoa, um grande testemunho. Queremos enriquecer-nos do seu extraordinário amor pela Palavra de Deus e da sua capacidade no exercício do diálogo com a cultura contemporânea. Duas pérolas que esperamos sejam acolhidas também pelas novas gerações, neste momento em que estamos para dar início ao Genfest, com os 12 mil jovens vindos à Budapeste, dos cinco continentes.

Setembro 2012

“Todo o que bebe dessa água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede: porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.”

As palavras de Jesus dirigem-se a todos nós, os sedentos deste mundo: aos que estão conscientes da própria aridez espiritual e ainda sentem os tormentos da sede, bem como aos que nem sequer sentem mais a necessidade de matar a sede na fonte da verdadeira vida e dos grandes valores da humanidade.

Mas, no fundo, é a todos os homens e às mulheres de hoje que Jesus dirige um convite, revelando onde podemos encontrar a resposta aos nossos porquês e satisfazer plenamente as nossas aspirações.

Depende de todos nós, portanto, alimentar-nos de suas palavras, deixar-nos embeber da sua mensagem.

De que forma?

Reenvagelizando a nossa vida, confrontando-a com as suas palavras, procurando pensar com a mente de Jesus e amar com o seu coração.

Cada momento em que procuramos viver o Evangelho é uma gota daquela água viva que bebemos.

Cada gesto de amor ao nosso próximo é um gole daquela água.

Sim, porque aquela água tão viva e preciosa tem isto de especial: jorra no nosso coração cada vez que o abrimos ao amor para com todos. É uma fonte – a fonte de Deus – que libera água na mesma medida em que seu veio profundo serve para saciar a sede dos outros, com pequenos ou grandes atos de amor.

“Todo o que bebe dessa água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede: porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.”

Já entendemos, portanto, que, para não sofrermos sede, devemos doar a água viva que recebemos Dele dentro de nós mesmos.

Muitas vezes bastará uma palavra, um sorriso, um simples sinal de solidariedade, para nos dar novamente uma sensação de plenitude, de satisfação profunda, um jorro de alegria. E se continuarmos a doar, esta fonte de paz e de vida dará água cada vez mais abundante, sem jamais se esgotar.

Existe também outro segredo que Jesus nos revelou, uma espécie de poço sem fundo do qual podemos beber. Quando dois ou três se unem em seu nome, amando-se com o próprio amor de Jesus, Ele está no meio deles (cf Mt 18,20). Então nos sentiremos livres, uma só coisa, plenos de luz; e torrentes de água viva jorrarão do nosso seio (cf Jo 7,38). É a promessa de Jesus que se realiza, porque é Dele mesmo, presente em nosso meio, que jorra aquela água que sacia por toda a eternidade.

Chiara Lubich

Esta  Palavra de Vida foi publicada originalmente em março de 2002                   

Cardeal Carlo Maria Martini: com gratidão

Valeria Ronchetti: “Luz e chama!”

Quem teve o privilégio de conhecer Valeria Ronchetti (Vale) pode falar da extraordinária força de espírito desta mulher excepcional, como são – embora muito diferentes – todas as primeiras focolarinas que começaram ao lado de Chiara Lubich a “aventura da unidade”, como amavam definir o ideal que as arrebatou: fazer do mundo uma família, contribuir na realização da oração de Jesus, “Que todos sejam um” (Jo 17,21).

“É impossível sintetizar a riqueza, a variedade da vida de Vale, como protagonista em muitas regiões da Europa e de outros continentes, e nos mais vários âmbitos do Movimento” – escreveu Maria Voce na mensagem enviada ao todos os focolares do mundo para anunciar o falecimento de Valeria Ronchetti.

Nós a vimos dedicar-se ao desenvolvimento do setor das religiosas que aderem à espiritualidade da unidade, à comunhão entre os movimentos eclesiais e as novas associações, no mundo da arte, do esporte, dos meios de comunicação, apenas para citar alguns.

“Vale muitas vezes contou a sua história, em diversas circunstâncias, e tudo será recolhido, junto com notícias e testemunhos, para poder escrever a sua biografia”, escreveu ainda a presidente. E foi justamente contando a sua história, especialmente o encontro com Chiara Lubich, que quem a escutou ouviu a inesquecível saudação: “Luz e chama!”, em referência à forte descoberta de que “Deus é Amor e nos ama imensamente”, enquanto a Segunda Guerra se desencadeava.

“Preparamos um perfil dela – comunicou ainda a presidente – que será lido durante o funeral, ao qual todos poderão assistir na internet”.

E como sonhavam ainda jovens, em meio às ruínas da guerra, Vale repousará junto aos outros daquele primeiro grupo que “já chegaram”, no cemitério de Rocca di Papa, num túmulo que traz a inscrição da frase do Evangelho: “E nós acreditamos no Amor” (1JO 4,16), como testemunho comum da fé no amor de Deus.

“Estamos recebendo numerosas cartas, do mundo inteiro – continua Maria Voce – de muitas pessoas que contam o que o encontro com ela provocou em suas vidas. É um coro de agradecimento a Deus!”.

“Com imensa gratidão – conclui a presidente em sua mensagem – ofereçamos sufrágios por Vale, certos de que, do Paraíso, continuará a ajudar-nos a manter acesa nos corações a chama do Ideal da unidade e a levar a sua luz ao mundo”.

Cardeal Carlo Maria Martini: com gratidão

Eli Folonari recorda Padre Novo

O meu primeiro contato com Pe. Andrea Balbo e com outro frade franciscano da Ordem dos Frades Menores, foi em Roma, nas escadarias de São João de Latrão, em 1953. Foi um encontro espontâneo, “ideal”, e ele foi convidado a participar do encontro que o Movimento dos Focolares promovia durante o verão. Não sei quanto tempo ele pôde permanecer no local do encontro, nas montanhas Dolomitas; mas, na viagem de retorno, com outros, estávamos no mesmo trem para Roma. Chiara Lubich foi até o vagão onde ele estava e lhe deu o nome Pe. Novo.

Lembro-me também que, em 1954, as suas palavras foram decisivas para que Chiara, que vivia provas espirituais e físicas, participasse à celebração da ordenação sacerdotal do Pe. Pasquale Foresi, que se realizou em Trento.

Mais tarde, os superiores da Ordem enviaram Pe. Novo à Terra Santa e foi exatamente por amor a ele que, em 1956, Chiara visitou aquela região. Formávamos uma pequena comitiva: Mons. Pavel Hniliča (Pe. Maria), Pe. Angelo Beghetto (Nazareno), Pe. Pasquale Foresi, Guido Mirti (Cengia), Aletta e eu. Naquele tempo, grande extensão da Terra Santa era território palestino. Com grande competência Pe. Novo nos acompanhou na visita aos lugares de Jesus: Jerusalém, Betânia, Belém, Emaús, Jericó, o Mar Morto…

Uma semana depois, partindo de Beirute – onde Pe. Novo também nos acompanhou – vendo-o com os olhos cheios de lágrimas, Chiara me disse: “Você gostaria de permanecer?” E eu fiquei na Terra Santa por alguns meses, anunciando o Ideal aos padres franciscanos e às pessoas que eles conheciam.

Naqueles anos, como o Movimento ainda não era aprovado pela Igreja, Dom Gawlina, Pe. Maria, Pe. Nazareno e Pe. Novo, fundaram a Liga Mystici Corporis, e, com essa roupagem, o Movimento encontrou meios para continuar a desenvolver as próprias atividades.

Seguiram-se, depois, anos de muita dificuldade especialmente para os nossos sacerdotes e religiosos.

Ainda me lembro que, depois do Concilio Vaticano II, por treze anos Pe. Novo trabalhou como arquivista com o Cardeal König, no Secretariado para o Diálogo com os não Crentes, instituído naquele período por Paulo VI e que, posteriormente, foi unificado ao Pontifício Conselho para a Cultura.

Em 1962 houve uma primeira aprovação, mas somente depois dos colóquios de Chiara com Paulo VI e, ulteriormente, com João Paulo II, o Movimento dos Focolares ou Obra de Maria pôde adquirir a sua verdadeira fisionomia. Em 1990 Chiara declarou que a Obra de Maria estava constituída, completa, e Maria “contém” todas as vocações.

É o carisma da unidade, totalmente evangélico, ao qual desejam aderir também pessoas que seguem carismas antigos e novos. A Obra de Maria almeja ser “uma outra Maria” que evidencia Jesus e, n’ele, cada expressão particular que os Santos evidenciaram, sublinhando as variadas belezas da Igreja, corpo de Cristo.

Com o passar do tempo nasceram os diversos setores do Movimento: focolarinas e focolarinos, voluntárias e voluntários, sacerdotes, religiosas e religiosos, que eram unidos ao Movimento de diferentes modos, mas todos portadores do carisma da unidade.

Em 1980, sendo dispensado pelos seus superiores para dedicar-se aos religiosos do Movimento, Pe. Novo acompanhou de modo muito concreto os desenvolvimentos, tais como: uma escola de formação ao carisma da unidade para religiosos em Loppiano, a promoção de encontros durante o verão, a constituição de secretarias regionais, onde os religiosos estavam presentes nas várias regiões do Movimento em todo o mundo.

A amizade com Pe. Silvano Cola, responsável pelos sacerdotes diocesanos, era muito grande.

Quando nasceu a Escola Abba, com Dom Klaus Hemmerle, Chiara convidou também vários religiosos para compô-la e eles traziam a riqueza do próprio carisma: Pe. Jesus Castellano, carmelita, Pe. Fabio Ciardi, oblato de Maria Imaculada, e, antes de todos, Pe. Novo, franciscano.

Pe. Novo permaneceu no Centro dos Religiosos, fiel ao Ideal, até quando a saúde o permitiu.

Tinha um relacionamento pessoal com Chiara, era o seu confessor. Nos momentos difíceis, de longas provações, ele a seguiu com extraordinária disponibilidade. Ele ministrou a Chiara a unção dos enfermos, no Policlínico Gemelli.

E hoje, no céu, imaginamos que ele foi acolhido pela Trindade, por Maria como construtor da sua Obra e por Chiara, Foco, Pe. Maria, Pe. Nazareno, Pe. Massimei, Pe. Savastano, Pe. Cik, Pe. Leonardi: componentes do primeiro Centro dos Religiosos, mas também acolhido por tantos focolarinos e focolarinas e outros ainda que se beneficiaram com os seus conselhos.

Agradeçamos a Pe. Novo, pela sua fidelidade à Obra. Ultimamente ele desejava voltar ao Centro da Obra e ora, está sepultado em Rocca di Papa, no túmulo comunitário, sobre o qual se lê: “E nós acreditamos no Amor”.

Cardeal Carlo Maria Martini: com gratidão

“Let’s bridge”: todos protagonistas!

A poucas horas do início do Genfest a expectativa é grande. Este ano será a décima edição do evento, que nasceu de uma intuição profética de Chiara Lubich (1920 – 2008), em 1972, em Loppiano (Itália). Chiara confiou às novas gerações, presentes desde o início do Movimento dos Focolares, o seu “sonho” de um mundo unido: “Sempre tive uma grande confiança nos jovens – dizia – são o futuro do mundo! São feitos para grandes ideais e sabem segui-los com radicalismo. A descoberta de um Evangelho que pode ser vivido e que realiza aquilo que promete, é o que mais os atrai. É o ideal de um mundo unido que os fascina”.

Os jovens dos Focolares estão trabalhando há mais de um ano, junto com um grupo de adultos do Movimento, numa comunhão de ideias e experiências profissionais. São três mil os voluntários envolvidos e 600 atores, técnicos e diretores, provenientes do mundo inteiro. Apresentamos alguns deles.

Ark, das Filipinas: “Sou enfermeiro e não tenho a experiência de um profissional que organiza grandes eventos. Mas procurar viver o Evangelho ajuda-me a ver cada momento (seja positivo que negativo) como uma oportunidade para amar e construir relações de fraternidade com quem está ao meu lado”.

“Trabalho na comissão que cuida da produção geral – diz Lucas, italiano, formado em oftalmologia -. Saber perdoar-se, quando necessário, e conseguir manter a agulha da nossa bússola mirando sempre para o Alto, é extraordinário”.

Zsolt, húngaro, economista de profissão, será o responsável por um dos alojamentos dos jovens, e não freia o seu entusiasmo: “Não vejo a hora de dar uma mão no funcionamento do buffet, quando começarem os ensaios gerais!”.

E ainda, Lisa, que é da Áustria e irá cantar uma das 21 canções compostas pelos jovens do Movimento, de vários países, vencedoras do concurso do Genfest; André, italiano, jornalista, que será um dos três apresentadores do Genfest; Rafael, 27 anos, publicitário, que há mais de um ano deixou o Brasil e o seu trabalho para dedicar-se exclusivamente à preparação deste evento, como um dos responsáveis do setor das comunicações.

Maru, argentina, confidencia: “Fazendo este trabalho – ela ocupa-se da página do Genfest no Facebook, em espanhol – descobri que realizar o mundo unido não será possível apenas em Budapeste, mas que começamos a vivê-lo já na preparação, com a equipe de trabalho”.

E Adélard, do Burundi, que tocará com outros 16 jovens; Pelusa, argentino, um dos quatro membros da banda “Anima Uno”; e não terminaríamos mais…

Fabrício, peruano, engenheiro civil, exprime a experiência de todos: “Temos a forte convicção de que a fraternidade universal não é uma utopia, é um estilo de vida ao qual aderimos e que queremos levar adiante, a partir dos pequenos atos concretos e até nas grandes manifestações. Estamos conscientes que somos jovens e não temos muitos recursos individualmente, mas estamos dando tudo de nós. O caminho já começou”.

Os fãs (entre 18 e 24 anos) que seguem os canais oficiais do evento nas redes sociais, em várias línguas, são numerosos. A cada semana os acessos chegam a 76.000.

Para seguir o Genfest no Twitter: #genfest


The Genfest 2012 project has been funded with support from the European Commission.
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