Movimento dos Focolares

Reflexão de Chiara Lubich sobre a Palavra de vida do mês maio de 2005

Era a noite de Páscoa. Jesus ressuscitado já tinha aparecido a Maria Madalena. Pedro e João tinham visto o túmulo vazio. E mesmo assim os discípulos continuavam isolados em casa, cheios de medo, até a hora em que o Ressuscitado se apresentou no meio deles, a portas fechadas, porque não existia mais barreira alguma que pudesse separá-lo dos seus amigos.
É verdade que Jesus tinha partido, mas, conforme a sua promessa, agora voltava para ficar para sempre: “Ficou em meio a eles”; não era uma aparição momentânea, mas uma presença permanente! Desse momento em diante, os discípulos não estarão mais sozinhos e o temor cede lugar a uma profunda alegria: “Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor”.
O Ressuscitado escancarou os corações deles e as portas da casa para o mundo inteiro, dizendo:

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Jesus tinha sido enviado pelo Pai para reconciliar todos com Deus e recompor a unidade do gênero humano. Agora cabe aos seus discípulos continuar a edificação da Igreja. Assim como Jesus pôde cumprir o desígnio do Pai porque era uma só coisa com Ele, assim também eles poderão continuar sua altíssima missão porque o Ressuscitado está neles. Foi o que Jesus pediu ao Pai: “Eu neles”.  
Do Pai a Jesus, de Jesus aos apóstolos, dos apóstolos aos seus sucessores, o mandato nunca deixou de existir.
Mas também todo cristão deve sentir ressoar no seu coração essas palavras de Jesus. Com efeito, “existe na Igreja diversidade de serviços, mas unidade de missão”, ou seja, as vocações são muitas, mas todos somos chamados a evangelizar.

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Para cumprir este mandato do Senhor, devemos fazer com que Ele viva em nós. De que modo? Sendo membros vivos da Igreja, identificando-nos com a Palavra de Deus, evangelizando primeiramente a nós mesmos.
É um dos deveres da “nova evangelização” anunciada por João Paulo II. Ele escreveu: “Alimentar-nos da Palavra para sermos ‘servos da Palavra’ no trabalho de evangelização: tal é, sem dúvida, uma prioridade da Igreja no início do novo milênio”, porque “somente um homem transformado (…) pela lei do amor de Cristo e pela luz do Espírito Santo pode operar uma verdadeira metanoia (conversão) dos corações e da mente de outros homens, do ambiente, do país ou do mundo”.
Nos tempos atuais não bastam mais as palavras. “O homem de hoje escuta mais as testemunhas do que os mestres” – notava já Paulo VI – “e quando escuta os mestres é porque eles são testemunhas”. O anúncio do Evangelho será eficaz se for apoiado num testemunho de vida como o dos primeiros cristãos, que podiam dizer: “Anunciamo-vos o que vimos e ouvimos…”; será eficaz se for possível dizer de nós, como se dizia deles: “Vede como se amam, e estão prontos a dar a vida uns pelos outros”; será eficaz se concretizarmos o amor, doando, respondendo a quem se encontra em necessidade, e se soubermos dar alimento, roupa, casas a quem não tem, amizade a quem se encontra sozinho ou desesperado, apoio a quem está passando por momentos difíceis.
Vivendo assim, testemunharemos o fascínio de Jesus e, se nos tornarmos “outros Cristo”, a sua obra continuará, inclusive por meio deste contributo.

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Foi essa a experiência de alguns médicos e enfermeiras nossos: em 1966 tomaram conhecimento da situação pela qual passava o nobre povo Bangwa, na República dos Camarões, o qual naquele período estava sendo castigado por graves doenças, com uma mortalidade infantil de 90% que o ameaçava de completa extinção.
Eles partiram da Europa para ficar com aquele povo. Mas sentiram que o seu primeiro dever era continuar a amar-se mutuamente para testemunhar o Evangelho. Amaram indistintamente a todos, um por um. Oferecendo seus serviços profissionais, abriram um ambulatório, que em pouco tempo transformou-se num hospital. A mortalidade infantil caiu para 2%. Em plena floresta, eles construíram uma pequena usina hidrelétrica, e depois uma escola de 1º e 2º graus. Com o tempo, e também contando com a ajuda da população local, abriram doze estradas de acesso para outras aldeias.
O amor concreto foi contagiante, e grande parte do povo começou a compartilhar a nova vida. Aldeias que antes estavam em luta se reconciliaram. Contendas sobre divisas territoriais foram resolvidas em harmonia. Vários reis de clãs diferentes fizeram um pacto de amor mútuo entre eles e vivem como irmãos, oferecendo, numa partilha concreta, um maravilhoso testemunho, um exemplo original e autêntico.

 

Chiara Lubich

 

O diálogo islâmico-cristão do Movimento dos Focolares

 

 Trata-se de uma experiência iniciada há cerca de 40 anos na Argélia, em Tlemcen, onde os focolarinos receberam de presente uma pequena abadia, em estilo árabe, construída pelo beneditinos, a fim de usá-la para um centro de diálogo com o mundo muçulmano. Desde os primeiros contatos causavam surpresa as afinidades existentes entre as duas religiões abraâmicas: acreditar no Único Deus clemente e misericordioso, a dedicação total à vontade de Deus, a enorme estima por Jesus e por Maria, sua mãe.

Alguns milhares de amigos muçulmanos, em muitos países do mundo, estão em estreito contato com o Movimento dos Focolares. Entre eles existem imãs, fiéis praticantes e outros que, através do contato com o Movimento e compartilhando o espírito da unidade, retornaram à prática das cinco colunas do Islã. De fato, o efeito do diálogo não é o sincretismo, mas a redescoberta das próprias raízes religiosas, daquilo que nos une.

“Por meio do diálogo – havia afirmado João Paulo II, em Madras, em 1986 – fazemos com que Deus esteja presente entre nós, porque à medida que nos abrimos uns aos outros, no diálogo, nos abrimos também a Deus. E o resultado é a união entre os homens e a união dos homens com Deus”. Reforça-se o compromisso comum de ser artífices de unidade e de paz, especialmente onde a violência e a intolerância religiosa buscam criar um abismo entre os componentes da sociedade.

Mensagem de Chiara Lubich às famílias

 «Caríssimas famílias, reunidas em Roma e em muitas partes do mundo para o FAMILYFEST! Depois de tanto tempo, estou aqui com essa breve mensagem. Agradeço a vocês por terem vivido com participação e generosidade esse evento, que dedicaram como homenagem ao nosso inesquecível papa João Paulo II, que acreditamos já ser santo. O nosso encontro é também, entre outras coisas, uma ocasião para dar a máxima visibilidade possível ao modelo de família que ele sonhou e ensinou, aquele modelo baseado em valores extraídos da fé cristã. A fonte desses valores é o amor verdadeiro, que jorra do coração de Deus. Portanto, de uma amor que não tem fim, que ama a todos por primeiro, que é capaz de perdoar, que é fecundo e aberto à vida, à atenção para com o mais fraco, à partilha plena de todos os bens, à solidariedade. Mas esses valores podem ser reconhecidos e estão presentes também nas principais religiões e culturas, e portanto vivos nas expectativas de todo homem e de toda mulher da terra. Desse modo, a família, que em todas as culturas e contextos sociais é chamada a viver o amor mútuo, torna-se fonte de socialidade, viveiro de valores fundamentais, de fraternidade universal. Desejo a vocês que sejam assim, que sejam testemunhas, sempre e por toda parte, desse amor que constrói a paz, a fim de que se aproxime a hora na qual na terra “TODOS SEJAM UM”. Vivamos juntos por esse grande Ideal! Caríssimas famílias do mundo inteiro, até breve!» 16 de abril de 2005