Movimento dos Focolares
Olhos de Páscoa

Olhos de Páscoa

Desejo a todos nós olhos de Páscoa,
capazes de olhar
na morte, a vida,
na culpa, o perdão,
na separação, a unidade,
nas feridas, a glória,
no homem, Deus,
em Deus até ao homem,
no eu, o Tu.
E junto a isso, toda a força da Páscoa!

(Páscoa 1993)

Klaus Hemmerle
(La luce dentro le cose, Città Nuova, Roma 1998, pag. 110)

Foto: © Aakash-Sunuwar by Pexels.com

A cruz, tesouro de comunhão

A cruz, tesouro de comunhão

A solidão, no silêncio, não te assuste: a solidão existe para proteger e não para amedrontar. Todavia, que esse sofrimento também seja aproveitado. A maior grandeza de Cristo é a cruz. Ele nunca esteve tão próximo do Pai e tão próximo dos irmãos como quando nu, ferido, gritou da cruz: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” Com aquele sofrimento redimiu: naquela fratura uniu novamente os homens a Deus.

[…] Comece a escutar. Comece a contemplar, dentro do silêncio no qual Deus fala. É esta, no decorrer da vida, a hora preciosa da contemplação, quando as criaturas se recolhem para fazer um balanço do trabalho realizado e predispõem a ação do amanhã: um amanhã imerso na eternidade […]. Desapego do mundo, portanto, unido a Deus, e, justamente por isso, não se trata de separação dos homens, pois são irmãos, membros da mesma família divina e humana.

(Igino Giordani em “Città Nuova” XXIII/13 10/7/1979, pp.32-33)

Fotos: © Nikolett Emmert by pexels.com

Fazer de todos os dias uma Quinta-feira Santa

Fazer de todos os dias uma Quinta-feira Santa

Este ano, vivencio a Semana Santa de uma forma especial.

Ontem, Quarta-feira Santa, a leitura da Paixão de Jesus tocou-me particularmente. Compreendi novamente (e como isso é importante) o valor tão novo da dor na nossa vida cristã. Mais uma vez fui chamada – gostaria de dizer – a esta que, entre as vocações de cada dia, de cada hora da nossa vida, é a mais sublime. Jesus, o homem da dor: aí está o ápice da sua vocação.

(…) Hoje, uma onda de ternura me invade. É o dia do Mandamento Novo, da Eucaristia, do sacerdócio, do serviço fraterno.

Quantas infinitas riquezas Jesus reservou para o último dia da sua vida aqui na Terra!

Quanto eu desejo fazer de cada dia uma Quinta-feira Santa!

Jesus, Tu que nos escolheste para este caminho tão próximo do teu coração, ajuda-nos a percorrê-lo bem, todos os dias, até ao fim.

(Chiara Lubich, Diario 1964-1980, a cura di Fabio Ciardi, 2023, Città Nuova, Roma, p. 324)

Fotos © Vesal by Pixabay

O selo da unidade

O selo da unidade

[…] Qual é a Palavra que o Espírito imprimiu como um timbre nesta casa, no nosso Movimento, quando o Céu o imaginou e iniciou a sua realização aqui na terra?

Nós sabemos, a palavra é: Unidade.
Unidade é a palavra que sintetiza toda a nossa espiritualidade. Unidade com Deus, unidade com os irmãos. Aliás, unidade com os irmãos para alcançar a unidade com Deus.

O Espírito Santo, de fato, revelou-nos um caminho muito nosso, plenamente evangélico, para nos unirmos a Deus,

para o encontrarmos. […] Nós o procuramos e o encontramos através do irmão, amando o irmão.
Nós o encontramos quando nos esforçamos para realizar a unidade com cada um dos irmãos: quando estabelecemos a presença de Jesus entre nós, irmãos. Somente deste modo temos a garantia inclusive da unidade com Ele e o encontramos vivo e palpitante no nosso coração. Esta unidade com Deus, por sua vez, nos impulsiona novamente aos irmãos e nos ajuda a fazer com que o nosso amor por eles não seja fictício, insuficiente ou superficial, mas sim, radical, pleno, completo, denso em sacrifício, sempre pronto a dar a vida e capaz de realizar a unidade.

Os nossos Estatutos colocam a unidade na base de tudo, como norma de todas as normas,

como regra a ser vivida antes de qualquer outra regra. É a palavra unidade para nós, é a rocha.

A vida não tem sentido para nós, a não ser nesta palavra; nela tudo ganha significado: cada gesto nosso, cada oração, cada respiro. Se nos concentrarmos nesta Palavra, vivendo-a o melhor possível, tudo estará salvo para nós: nós mesmos estaremos salvos e salva estará também aquela porção da Obra que nos foi confiada.

Talvez, no futuro, para a Obra no seu conjunto ou em alguma região,

virão momentos diferentes do atual, marcado por muitas consolações, frutos, luz, fogo.

Poderão sobrevir momentos de escuridão, de desânimo, ou surgir perseguições,

tentações, […]; poderão acontecer desgraças, catástrofes… Mas se nós estivermos firmes sobre a rocha

da unidade, nada poderá nos atingir, tudo prosseguirá como sempre.

Chiara Lubich
in “Conversazioni in collegamento telefonico”, 2019, Città Nuova Editrice, p. 373

Chiara Lubich: «Deus precisa de nós»

Chiara Lubich: «Deus precisa de nós»

“Eis que eu faço novas todas as coisas.”

(…) Não é um sonho, uma utopia, um desejo patético, mas uma certeza repetidamente atestada por Deus na Bíblia. Será a resposta de Deus às fadigas enfrentadas pelos seus filhos no trabalho pelo seu Reino. Será a recompensa pela fidelidade de seus discípulos à vivência de sua Palavra. Será a plena revelação da potência do Espírito Santo que Jesus introduziu na história com sua morte e ressurreição.

Porém, esta renovação – embora em mio a muitas dificuldades – já começou, já está se atuando desde que Jesus veio à terra. Desde agora, todos aqueles que O deixam viver em si mesmos – e Jesus vive em nós se colocarmos em prática a sua Palavra – experimentam este milagre de sua graça, que faz novas todas as coisas: transforma os sofrimentos em paz e serenidade interior; vence a fraqueza, o ódio, o egoísmo, a soberba, a avareza e todo mal; faz passar da escravidão das paixões e do medo à alegre liberdade dos filhos de Deus. E não se limita a transformar o indivíduo, mas através dele transforma toda a sociedade.

(…)

Deus quer, de fato, renovar todas as coisas: a nossa vida pessoal, a amizade, o amor conjugal, a família; quer renovar a vida social, o mundo do trabalho, da escola, da cultura, do lazer, da saúde, da economia, da política…, em síntese, todos os setores da atividade humana.

Mas para realizar isto Ele precisa de nós. Precisa de pessoas que deixem viver em si mesmas a sua Palavra, que sejam a sua Palavra viva, outros Jesus em seus ambientes. E já que a palavra síntese, a plenitude da lei, é a caridade, procuremos colocá-la em prática, amando realmente o próximo como a nós mesmos, sem atenuar, sem reduzir a Palavra de Deus.

Notaremos assim uma contínua renovação antes de tudo no nosso coração, e em breve ela será evidente também ao nosso redor.

Chiara Lubich
Foto: © Kaike Rocha by Pexels

7 de dezembro de 1943: o início de uma divina aventura

7 de dezembro de 1943: o início de uma divina aventura

(…) no dia 7 de dezembro de 1943 fui sozinha… no meio de um grande temporal! Eu tinha a impressão de ter o mundo inteiro contra mim!

(…) Entro na capela. Tinham-me preparado um banquinho perto do altar e eu levava comigo um missal pequenino. Fazem-me formular a promessa de doar-me totalmente a Deus para sempre. Eu estava tão feliz, que nem me dava conta – provavelmente – daquilo que fazia, porque eu era jovem. Só quando pronunciei a fórmula é que tive a impressão de que uma ponte desmoronava atrás de mim; que eu já não podia voltar atrás, porque era toda de Deus; a minha escolha estava feita. Foi ali que caiu uma lágrima sobre o missal.

Porém… a minha felicidade era imensa!! E sabem por quê? “Eu desposo Deus, portanto espero o maior bem possível! Será fantástico! Será uma divina aventura extraordinária! Eu desposo Deus!” E depois vimos que foi mesmo assim.

(…) Qual é o meu conselho? Um conselho que daria a mim mesma. Temos uma vida só, miremos alto! Miremos alto! Arrisquemos tudo por tudo! Vale a pena, vale a pena (…) no que depende de vocês, façam este ato de generosidade: mirem bem alto, não se poupem!

Trecho tirado do discurso de Chiara Lubich, A quarta estrada, 30 de dezembro de 1984
Foto: © Horacio Conde – CSC Audiovisivi