“Comecemos pelos últimos, pelos descartados e abandonados da sociedade”. Assim nasceu o Centro de idosos Hogar “Chiara Lubich” na Amazônia peruana. Um lugar onde, graças à generosidade de uma família e da comunidade do Movimento dos Focolares, são acolhidos idosos abandonados, que precisam de ajuda, de cuidados, de uma refeição ou simplesmente do calor de uma família.
Recebi a notícia do falecimento do bispo Christian Krause justamente enquanto eu estava começando uma chamada via zoom com bispos de várias Igrejas amigos do Movimento dos Focolares, do qual o bispo Christian foi um fiel companheiro de viagem por muitos anos. Há muito tempo sabíamos que seu estado de saúde havia se agravado e rezávamos por ele, portanto foi espontâneo recitar juntos um “Pai Nosso”, agradecendo a Deus pela sua presença profética e encorajadora em meio a nós. Era um homem de coração grande e horizontes amplos.
“Bispos coloridos”
Haveria muito a se dizer sobre o bispo Christian. Enquanto escrevo, tenho diante de mim uma foto na qual estão o cardeal Vlk, de Praga (República Tcheca), o cardeal Kriengsak, de Bangkok (Tailândia), o doutor Mor Theophilose Kuriakose, da Igreja sírio-ortodoxa Malankara (Índia), eu, católico, e o bispo Christian Krause, enquanto caminhávamos em direção ao centro da cidade de Lund (Suécia), vestidos com os nossos hábitos eclesiásticos, diretamente para a cerimônia na catedral, que sinaliza o início do 500º aniversário da Reforma protestante. O encontro ecumênico, hospedado pela Federação Luterana Mundial (LWF) e com a presença do Papa Francisco, foi a primeira vez em que católicos e luteranos comemoraram juntos a Reforma a nível global.
A foto me recorda a simpatia com a qual o bispo Christian chamava os bispos de várias Igrejas amigos do Movimento dos Focolares de “bispos coloridos”. Era apaixonado pela experiência da variedade e da diversidade na unidade, inspirada por um carisma e por uma espiritualidade de unidade e sustentada pelo Movimento dos Focolares, um movimento que colocou em evidência muitas vezes pelo seu aspecto prevalentemente leigo. Os nossos paramentos coloridos eram um sinal exterior que indicava a riqueza mais profunda da troca de dons que experimentamos no diálogo da vida que os bispos de várias Igrejas escolheram em 1982 e que o bispo Klaus Hemmerle e Chiara Lubich, com o encorajamento do papa João Paulo II, começaram.
Um dia histórico
Apesar de conhecer o Movimento dos Focolares desde os anos 80 graças ao contato com o bispo Klaus Hemmerle, o encontro com Chiara Lubich em 31 de outubro de 1999 foi para ele um momento especial. Um encontro que aconteceu no contexto daquele que, sem dúvidas, foi um momento fundamental em sua vida: a assinatura, em nome da LWF, da Declaração conjunta sobre a doutrina da justificação com a Igreja católica romana, no dia 31 de outubro de 1999 em Augusta, na Alemanha. No decorrer dos anos, o bispo Krause nos contava frequentemente sobre aquele evento, indicando a importância de ter o documento assinado antes de entrar no século 21. Mas ele também gostava de recordar que justamente naquela ocasião, durante a tarde, um grupo de fundadores e responsáveis de Movimentos e comunidades, evangélicos e católicos, se reuniram na Mariápolis permanente de Ottmaring e lançaram o projeto “Juntos pela Europa”. O encontro com Chiara Lubich, naquele dia, lhe abriu um horizonte a uma experiência ecumênica que ele entendeu, talvez mais do que muitos de nós, por suas possibilidades e implicações proféticas.
Abrir horizontes
Quando me tornei bispo, em 2013, tive muito mais contato com o bispo Christian no âmbito dos bispos de várias Igrejas amigos do Movimento dos Focolares. Depois de Lund, nos encontrávamos mensalmente em diversas teleconferências online. O encontro com Christian sempre abria os horizontes, porque ele gostava de ver as coisas no quadro geral. Seu senso de humor se manifestava no brilho de seus olhos e no sorriso gentil.
O bispo Christian Krause era apaixonado pela Igreja, pela unidade da Igreja e pela necessidade de dar um passo avante. Para ele, a vida não é feita para ficarmos parados. E se queremos melhorar o futuro, devemos estar prontos a desconstruir o presente! No caso dos bispos amigos do Movimento dos Focolares, o bispo Christian nos encorajava a alargar o círculo e a nos empenhar para promover círculos de diálogo vivo entre os bispos de várias igrejas do Sul do mundo. Ficou muito contente quando, em setembro de 2021, em plena pandemia de Covid, conseguimos organizar um encontro online para 180 bispos de 70 Igrejas de todo o mundo. Foi um encontro maravilhoso de três dias.
Olhares de esperança
Recentemente, fui encontrar o bispo Christian na clínica para a qual havia sido transferido nas últimas semanas de vida. Foi uma conversa sobre a qual me lembrarei por muito tempo. Ele me falou da sua gratidão pelo encontro com o carisma do Movimento dos Focolares, do suporte e da amizade que experimentou. Crescido na tradição da “renovação” (pietismo), o encontro com o Movimento estava alinhado com a sua convicção pessoal da necessidade de piedade, de espiritualidade.
Não escondia a dor pelo fato de que às vezes parece que o mundo tenha perdido a dinâmica visionária da esperança dos anos 60, quando a missão mundial e os horizontes da paz pareciam ter sucesso. Era doloroso para ele também o fato de que ainda não fosse possível receber a comunhão da Igreja católica.
Ele me contou também de um acontecimento nos anos 90, quando Chiara Lubich não estava bem. Enquanto estava em um encontro, o cardeal Miloslav Vlk o convidou para ir com ele telefonar brevemente a Chiara. Seria somente um telefonema breve. Assim, para não torná-lo longo, o bispo Christian pediu simplesmente a Chiara: “Tem uma palavra para nós?”. Chiara não hesitou em responder: “Sempre avante!”. Christian ficou muito tocado.
“Sempre avante” era o estímulo que o bispo Christian sempre nos levava. Ao falar sobre a sua preparação para a morte, manifestou a sua forte fé com a qual sabia olhar para o futuro, mesmo para a morte, com esperança. Compartilhou comigo a oração tirada de uma poesia famosa de Dietrich Bonhoeffer que o inspirava naquele último período: “Por bons poderes muito bem guardados, confiantes esperamos o que há de vir. Deus é conosco sempre noite e dia. Assim é certa hoje sua alegria”.
Bispo Brendan Leahy Bispo de Limerick (Irlanda)
O bispo emérito Christian Krause nasceu no dia 06 de janeiro de 1940, em Dallgow-Döberitz, em Brandeburgo (Alemanha). Estudou teologia na Alemanha (Marburgo, Heidelberg, Gottinga) e nos Estados Unidos (Chicago). Foi ordenado pastor da Igreja evangélica luterana de Hannover em 1969. Trabalhou como assistente no então Departamento de Teologia da Federação Luterana Mundial em Genebra (Suíça) de 1969 a 1970 e na sede do Serviço Cristão para os refugiados de Tanganica a Dar es Salaam, na Tanzânia, de 1970 a 1972. De 1972 a 1985, foi responsável dos negócios ecumênicos internacionais, no papel de secretário executivo (Oberkirchenrat) na Igreja evangélica luterana unida da Alemanha e no Comitê nacional alemão da LWF em Hannover, Alemanha. De 1985 a 1994, foi secretário geral do Kirchentag evangélico alemão (Movimento leigo da Igreja protestante). Foi bispo da Igreja evangélica luterana de Brunswick, Alemanha, de 1994 a 2002. De 1997 a 2003 foi presidente da Federação Luterana Mundial (LWF). Faleceu no dia 28 de novembro em Wolfenbüttel, Alemanha, aos 84 anos. Krause deixa a esposa Gertrud Krause e quatro filhos.
Hoje de manhã, enquanto fazia as despesas no supermercado, passei ao lado de um grande carrinho onde uma funcionária estava guardando papelão, e notei que dois pedaços tinham caído no chão.
Pensando que poderia ter sido eu que, sem perceber, os tivesse derrubado, pedi desculpas, os peguei do chão e coloquei no carrinho.
A funcionária me agradeceu dizendo que não me preocupasse. Depois, comentando em voz alta disse: “a gentileza é rara!”. Uma outra pessoa que passava perto confirmou: “Isso é verdade!”. E então a funcionária explicou o que havia acontecido.
Eu fiquei bem feliz, inclusive porque este pequeno acontecimento me fez relembrar uma frase ouvida tempos atrás e que me havia tocado pois convidava a “semear a gentileza”. Tudo isso me pareceu uma “carícia” de Deus.
G.S. – Itália (*)
Sanar os relacionamentos
Tenho um irmão, cristão católico, que se casou com uma mulher alemã da Igreja evangélica. Quando eles vieram morar na Itália, a relação entre minha mãe e minha cunhada não foi fácil, mesmo se ela não tinha se oposto a que os filhos fossem educados na Igreja católica. Da minha parte, procurava ser “mediadora” entre ela e minha mãe. A minha cunhada também sofria por esta incompreensão que, no entanto, foi superada pouco antes do falecimento de nossa mãe. Desde algum tempo compartilho com ela, todos os dias, no whatsapp, a “Palavra do Dia”, que nos ajuda a viver o amor evangélico. Um dia o pensamento convidava a “ser misericordiosos” e trazia esta breve reflexão: “A misericórdia é um amor que sabe acolher cada próximo, especialmente o mais pobre e necessitado. Um amor que não mede, abundante, universal, concreto”. A sua resposta foi imediata: “Se eu fiz você sofrer em alguma circunstância, nos anos passados, perdoe-me”. Surpresa, eu lhe respondi: “Eu também lhe peço desculpas”. E ela: “Não lembro de nenhum motivo pelo qual deveria lhe desculpar…”.
C. – Itália (*)
Chamados e testemunhas
Uma pessoa muito querida pediu-me que escrevesse algo sobre a minha experiência como professora, para alguém de um outro país que estava fazendo um projeto sobre a educação aos valores.
Entendi que era uma oportunidade para transformar em testemunho e “anúncio” aquilo que, durante toda a vida, tinha sido, de alguma maneira, a minha resposta pessoal ao “chamado” para viver segundo os ensinamentos do Evangelho, como professora e como mãe.
Redigir exigiu muitas horas de trabalho, escrever, cancelar, corrigir, escrever novamente relembrando os aspectos que eu poderia acrescentar, eliminando outros que pareciam irrelevantes e, principalmente, filtrando cada palavra com o amor. Procurei me colocar no lugar da pessoa para quem estava escrevendo porque, mesmo sem conhecê-la, poderia amar Jesus nela.
Enviei o trabalho à minha amiga, consciente de que talvez não fosse exatamente o que ela precisava, e disposta a mudar tudo.
Para a minha surpresa, ela respondeu: “Já enviei sua carta e agradou muito!”. Sem dúvida não era o escrito em si que agradava, mas a obra que Deus realizou em mim e que, tendo sido compartilhada, podia ser uma pequena luz para os outros.
E, naturalmente, as outras coisas que eu devia fazer naqueles dias foram facilmente resolvidas, já que houveram mudanças de programa que me deixaram o tempo livre para fazê-las.
A província espanhola de Valência sofreu há alguns dias um dos maiores desastres naturais de sua história, depois que fortes chuvas causaram inundações massivas – a DANA – nas cidades da região.
Até o momento, somam-se 214 mortos e 32 pessoas ainda desaparecidas. Estima-se que 800.000 pessoas tenham sido atingidas, um terço dos habitantes da província de Valência. Cerca de 2000 pequenos comércios locais foram invadidos pelas águas e lama e perderam tudo. Os carros boiavam, como se fossem barquinhos de papel, pelas ruas amontoando-se uns sobre os outros. Ainda não foi feita uma lista de quantas famílias perderam sua fonte de sustento. Um grande desastre agravado pela prorrogação indefinida de obras públicas necessárias para evitar que ocorram inundações como essas.
Um grande desastre que, porém, foi cercado de uma grande rede de solidariedade. Nos dias seguintes, quando a água começou a baixar e pôde-se ver o acúmulo de lama que cobria tudo, milhares de voluntários, principalmente jovens, começaram a chegar à região do desastre caminhando com pás e vassouras para começar a trabalhar.
“Esta foi e continua sendo uma tragédia imensa. Muito além do que poderíamos imaginar. Não conseguíamos acreditar que estivesse acontecendo”, afirma José Luis Guinot, médico oncologista e presidente da Associação Viktor E. Frankl, de Valência, para o apoio emocional durante a doença, o sofrimento, a morte e qualquer perda vital. Foi convocado pelo Conselho municipal para colaborar com um centro de assistência sanitária e de apoio criado para a ocasião, para “escutar e acolher aqueles que precisam contar o que aconteceu com eles e o que estão vivendo”.
O doutor Guinot conta que alguns dias depois, ao participar da missa dominical, sentiu-se mal ao ouvir as orações somente pelos falecidos, pelas pessoas atingidas pelas inundações, sem propor algo. Assim, refletiu: “Atenção, não basta apenas orar, mesmo que devamos rezar muito. É necessário ficar perto das pessoas para dar esperança. E ali nós, como cristãos, como Movimento dos Focolares, devemos dar aquela esperança apesar das coisas difíceis que vivemos. Mas juntos e unidos é o modo como podemos ajudar a sair desta situação”.
Em um dos locais atingidos, uma família do Movimento dos Focolares com crianças pequenas teve a casa alagada. Não houve consequências graves, mas nada do que tinham presta mais: máquina de lavar, geladeira, todos os eletrodomésticos, os móveis… A ajuda das outras famílias não tardou: lavaram suas roupas, deram uma máquina de lavar nova…
Eugenio é um membro do Movimento dos Focolares que tem uma deficiência devido à poliomielite. Durante anos se dedicou à Federação dos Esportes Adaptados de Valência, da qual foi presidente. Tem muitos problemas de mobilidade e, nos dias seguintes à enchente, não pôde se mover. Mas, com o telefone ao alcance das mãos, mobilizou de sua casa associações locais de pessoas com deficiência que se organizaram para pedir ajuda. “Devemos dar ideias, ajudar a criar solidariedade, gerar doações”, esclarece José Luis Guinot, e, assim, essas associações encontraram cadeiras de rodas para aqueles que perderam as suas nas enchentes.
“Acho que é um alarme para toda a sociedade. É notável que na Espanha estamos vivendo um período de conflito político muito polarizado”, reflete José Luis. “Mas há outra sociedade de pessoas, há muitos jovens que pensamos que estão sempre grudados nas redes sociais e que, em vez disso, agora estão ali, na lama, e nos pedem uma sociedade solidária, um mundo unido, uma sociedade em que a fraternidade seja sentida. Esta mensagem, até agora, não havia sido aceita bem pelos políticos. Mas agora nenhum deles pode discutir”.
A comunidade do Movimento dos Focolares se encontrará no próximo fim de semana para pensar e fazer planos juntos, passados esses dias emergenciais, sobre o serviço que podem oferecer. Porque “daqui a dois ou três meses será necessário um suporte emocional, sentir-se parte de algo, de uma comunidade ou de uma paróquia… E ali teremos uma grande missão: usar muito o telefone, estar prontos a ir ao encontro das pessoas, deixar que nos contem, encorajá-las sabendo que o que estão vivendo é muito difícil, mas que estamos ao lado delas”. Uma tarefa na qual todos podem e devem se envolver como diz José Luis: “Mesmo se não puder sair de casa, se for idoso, se tiver crianças pequenas… tem a possibilidade de falar com seus vizinhos, de telefonar e encorajar. Transmitir um senso de comunidade… Para aqueles que estão sofrendo pela perda de pessoas queridas, de bens essenciais, não explicarei nada, darei a eles um abraço e direi: ‘Ajudaremos vocês a encontrar as forças para continuar’”. .
A comunidade do Movimento dos Focolares lançou uma campanha de arrecadação de fundos com a Fundación Igino Giordani, fundos esses que serão administrados no local para ajudar as vítimas. Os danos materiais e as perdas são incontáveis. Quem sobreviveu se encontrou sem cama, mesa, geladeira, lavadoras, carros, materiais de trabalho…
As contribuições de solidariedade podem ser feitas pela: Fundación Igino Giordani CaixaBank: ES65 2100 5615 7902 0005 6937 Titular: Fundación Igino Giordani Titular: Emergencia DANA España Se desejar deduzir a sua doação, envie seus dados fiscais para info@fundaciongiordani.org
“Foi uma graça imensa para mim, um dom de Deus não apenas pessoalmente, mas, acredito, para todo o Movimento dos Focolares.” Com estas palavras a presidente Margaret Karram abre algumas reflexões sobre a experiência sinodal e o documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2-27 de outubro de 2024) “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão”.
Há alguns meses, fui diagnosticado com um tumor. O médico me aconselhou a começar um tratamento alternativo e depois concluir com a radioterapia.
No primeiro dia do ciclo de radioterapia, encontrei uma grande sala de espera com muitos pacientes com a cabeça baixa… Mostrei o cartão de acesso para entrar, fiquei em pé, porque não havia mais cadeiras, esse foi o momento mais forte, no qual abracei e aceitei a dor que essa situação me provocava. No segundo dia, pedi a Deus que me desse força e comecei a falar com um, dois e até três pacientes, perguntando de onde vinham, como havia sido a viagem para chegar, já que eram de diversos lugares. Assim, dia após dia, a sala de espera se transformou em um lugar de alegria. Respirávamos outro ar, o amor, a paciência, o comedimento; nos demos apelidos inspirados em personagens famosos. No meu último dia de tratamento, levei doces para todos, colocamos chapéus para tirar fotos e finalmente colocamos a mão direita no meio para fazer um pacto de fraternidade “até que a morte nos separe”.
A médica diretora do serviço me chamou para entregar o relatório médico que eu devia levar para o especialista que me acompanha e me cumprimentou com um abraço e um beijo, dizendo: “Você fará falta, nos fez rir muito… eu o ouvia da minha sala”. Na saída, passei pela sala de espera e todos estavam de pé, me aplaudindo, as lágrimas começaram a cair, fiz uma saudação e, já na rua, me disse: “Como é bonito colocar em prática as palavras do Evangelho. Com um pouco de amor, tudo se transforma”.
J.J.A
O empregado
Na fábrica, precisávamos de alguém que cuidasse da limpeza: dos escritórios, da cozinha, dos banheiros e dos outros espaços comuns.
Durante o meu horário de trabalho, tenho que falar muito no celular e, sempre que posso, aproveito para dar uma volta, assim posso passar um pouco de tempo no sol. Um dia, saí determinado a encontrar alguém que pudesse cuidar da limpeza. A apenas meia quadra de distância, havia um senhor na porta de casa, cortando o mato e aproveitei para me aproximar, me apresentar e dizer que estava procurando alguém que nos desse uma mão com a limpeza. Talvez conhecesse alguém que estivesse procurando um trabalho.
Ele me olhou e me disse que seu filho poderia fazer essa tarefa. Respondi: “Está bem, peça que me encontre amanhã”. Então, ele me explicou que o filho tinha esclerose múltipla. “Peça que me encontre amanhã”, repeti.
No dia seguinte, chegou Mauro, um homem de 36 anos. Ele me disse que fazia parte de um programa de pesquisa no qual lhe era injetado um fármaco especial uma vez por semana e que sentia-se enfraquecido no dia seguinte, além disso, o tratamento não era sempre no mesmo dia. Também me falou que era difícil para ele encontrar um trabalho justamente devido a essa dificuldade.
Mauro está conosco há cinco meses. Ele não só faz a limpeza, conforme o combinado, mas também cuida do jardim e da manutenção, entre outras coisas.
A reciprocidade, o dar e o receber, a comunhão, a valorização da pessoa é o modo como quero viver e trabalhar.