De 26 de janeiro a 01 de fevereiro de 2026, Roma hospedou 100 jovens líderes políticos de 36 países para a conclusão do 1º ano do programa bienal de formação para a política “Uma Humanidade, Um Planeta: Liderança Sinodal”, o desafio de um estilo de governança diferente a partir do paradigma da fraternidade.
Depois desse percurso de trabalho online em 16 comunidades de aprendizagem, se reencontraram para um hackathon político – literalmente uma maratona criativa e colaborativa – dedicado ao que hoje fere mais o tecido social global: corrupção, desigualdade, violência, transição digital sem ética, emergência ecológica, participação civil em declínio. O programa, promovido pelo Movimento Político pela Unidade e pela ONG New Humanity com a Pontifícia Comissão pela América Latina, tem como objetivo restituir aos jovens um papel ativo nos processos de decisão, do local ao global.
Veja o vídeo com entrevistas a jovens de diferentes países. Ative as legendas e escolha o idioma desejado.
A Economia de Comunhão (edc) completa 35 anos em 2026 e já começou a convidar toda a sua rede global para uma comemoração diferente, que ocorrerá de 25 a 30 de maio na América Latina. Com o tema “Um caminho de regeneração – 35 anos de Economia de Comunhão”, o evento reunirá participantes de diversos países para uma experiência única de encontro, celebração e compromisso.
Diferente dos formatos tradicionais, o evento será dividido em duas fases complementares, com o propósito de proporcionar uma vivência prática da cultura de comunhão, marca distintiva da edc desde sua fundação, em 1991.
Primeira fase: encontro com experiências locais (25 a 27 de maio)
Cerca de 20 iniciativas locais da América Latina receberão pequenos grupos de participantes na primeira fase do evento.
Os grupos terão a oportunidade de imergir em comunidades ricas em identidade e saberes tradicionais que sofrem as consequências do sistema econômico atual. Essas ações buscam colocar em prática a cultura da Economia de Comunhão com o intuito de transformar o contexto socioeconômico em que as comunidades se encontram com base no florescimento humano e no empreendedorismo.
“Nossa proposta é que cada pessoa se insira no cotidiano dessas iniciativas locais e que, ao olhar o mundo a partir desse encontro, experimente o potencial de regeneração e de transformação que nasce por meio da comunhão e da reciprocidade”, disse Isaías Hernando, coordenador da comissão internacional da Economia de Comunhão.
Os participantes deverão chegar às comunidades escolhidas em 24 de maio.
Segunda fase: celebração e compromisso em buenos aires (29 e 30 de maio)
Após essa imersão, todos os participantes se reunirão em Buenos Aires para a etapa final, que terá duração de um dia e meio.
O programa, que será divulgado em breve, terá caráter de laboratório, no qual se espera uma participação ativa dos presentes e muito intercâmbio. “O objetivo desse um dia e meio será, naturalmente, não só celebrar os primeiros 35 anos da edc, mas também nos comprometer a implementar juntos os próximos passos para responder melhor aos desafios do sistema econômico atual e nos aproximarmos cada vez mais do cumprimento da vocação da Economia de Comunhão”, completou Hernando.
Como participar
A Economia de Comunhão global lançou um hotsite com todas as informações sobre o evento, no qual também já é possível realizar a inscrição: https://www.edc-online.org/it/argentina-2026
Podem participar pessoas que já fazem parte da rede global da edc, integrantes de projetos, professores, estudantes, pesquisadores, empresários, empreendedores sociais, membros de organizações, movimentos e redes com propósitos semelhantes, além de qualquer pessoa interessada na proposta.
“Eu os exorto a cooperar cada vez mais, no estudo de formas participativas, que envolvam todos os cidadãos… sobre estas bases será possível construir aquela fraternidade universal que, entre vocês, jovens, já se mostra como sinal de um tempo novo”.
Com estas palavras, o Papa Leão não apenas encorajou os cem jovens líderes políticos, reunidos em Roma: ele “reconheceu” a missão deles. Viu neles aquilo que com frequência, infelizmente, a política tradicional custa a ver: que o futuro nascerá de processos inclusivos, não de contraposições; de comunidades vivas, não de estruturas rígidas; de uma fraternidade que não é sentimento ingênuo, mas categoria política concreta.
Na audiência do dia 31 de janeiro eles eram 100, de 36 países. Estavam em Roma para a semana conclusiva do primeiro ano do curso político “One Humanity, One Planet”. Em sete dias tiveram a confirmação de que a fraternidade não é um ideal, já é um método, um estilo e prática cotidiana. Eles chegaram após um percurso de trabalho online, divididos em 16 comunidades de aprendizado; reuniram-se para um hackathon político – literalmente, uma maratona criativa e colaborativa – dedicado a tudo o que mais fere o tecido social global, atualmente: corrupção, desigualdades, violência generalizada, transição digital sem ética, emergência ecológica, declínio da participação cívica. O programa, promovido pelo Movimento Político pela Unidade e pela ong New Humanity, com a Comissão Pontifícia para a América Latina, mira restituir aos jovens um papel ativo nos processos decisórios, em nível local e global.
O Santo Padre indicou-lhes uma visão exigente e ao mesmo tempo libertadora. Pediu aos jovens que olhem para o mundo através da lente da escuta e da colaboração entre culturas e crenças diferentes; que busquem a paz não como conceito abstrato, mas como escolha cotidiana nos locais aonde vivem, estudam e trabalham; que construam políticas capazes de envolver todos os cidadãos, homens e mulheres, nas instituições. Recordou que a paz é dom, aliança e promessa ao mesmo tempo, e que nenhuma sociedade poderá dizer-se justa se continua a excluir os fracos, ignorar os pobres, permanecer indiferente aos refugiados e às vítimas da violência.
Jesús Morán – Pasquale FerraraEmilce CudaJavier Baquero – Margaret Karram
A presidente do Movimento dos Focolares, Margaret Karram, durante seu encontro com eles, falou de uma cultura política nova, fundada sobre a fraternidade, no rastro do que Chiara Lubich, fundadora do Movimento, havia dito. Ela os encorajou a “viver” uma liderança que coloca no centro o “nós”, que gera confiança, que busca convergência na diversidade. Não é um método para poucos, mas uma abordagem que pode chegar a toda parte: às instituições, aos partidos, aos movimentos sociais, à sociedade civil.
Le testimonianze dei partecipanti lo confermano con forza. Cristian, dall’Argentina, racconta: “E’ la esperienza di fraternità universale più importante della mia vita… ognuno, con la sua lingua, le sue danze e il suo carisma ha creato la sinfonia di una armonia globale”. Per Joanna, polacca residente in Italia, l’esperienza è stata “uno stimolo all’impegno concreto”, alimentato da laboratori, buone pratiche e incontri con parlamentari italiani e coreani. Zé Gustavo, dal Brasile, parla di una “esperienza intensa e provocatoria”, capace di riaccendere una speranza adulta, lucida, nata non dall’ingenuità ma dalle cicatrici della politica vissuta. E Uziel, dal Messico, riassume tutto in una frase semplice e vera: “Questa è la vera globalità”.
Agora o curso entra na sua segunda fase, envolvendo 600 jovens dos cinco continentes, para continuar a compartilhar modos de ver, instrumentos e ações de impacto real.
Por uma semana, Roma foi um laboratório vivo daquilo que a política poderia voltar a ser: um espaço generativo. Uma academia de fraternidade. Um espaço onde as diferenças deixam de ser muros e tornam-se matéria prima do futuro. Um testemunho concreto e crível de que uma outra política não só é possível, mas já começou.
Organizada pelo Conselho Irlandês de Igrejas (ICC, na sigla em inglês) e pelo Encontro Inter Igrejas Irlandês, a presença de líderes das Igrejas na Irlanda, evidenciou a importância do encontro; participaram: O arcebispo Eamon Martin (da Igreja Católica, de Armagh), o arcebispo John McDowell (da Igreja da Irlanda, de Armagh), o Rev. Dr. John Kirkpatrick (da Igreja Presbiteriana na Irlanda), a Rev. Dra. Heather Morris (Secretária Geral da Igreja Metodista na Irlanda) e a bispa Sarah Groves (da Igreja Morávia e Presidente do ICC).
A crise ecológica que atinge o Lago Neagh foi o principal movente da conferência, que abriu um diálogo profundo sobre a água, a justiça, e sobre a nossa responsabilidade coletiva pela terra que compartilhamos.
Uma visão da ecologia integral
Para os representantes do Movimento dos Focolares, os conteúdos da conferência encontravam-se perfeitamente alinhados com o direcionamento estabelecido pela Assembleia Geral do Movimento, de 2021. Durante aquela Assembleia todo o Movimento foi chamado a uma “conversão à ecologia integral”, uma mudança de mentalidade e de estilo de vida, que reconheça a profunda conexão entre as relações humanas, a justiça social e a natureza.
Tal visão foi claramente refletida no encontro de Newry, que conectava diferentes tradições cristãs e contextos urbanos e rurais. Fran Maher, membro do grupo Laudato Sì, do focolare de Balbriggan, salientou este aspecto: “Fiquei impressionado com todos os relatores, especialmente com Gail Heffner, quando falou da reconciliação das relações”. Hilda Killian, da Arquidiocese de Dublin, acrescentou: “Foi uma oportunidade maravilhosa de encontro e partilha com outras Igrejas. Conversando com os outros tive a confirmação que somos mais unidos de quanto pensamos” – uma reflexão oportuna, nas vésperas da Semana de Oração pela Unidade Cristã.
Perspectivas de especialistas e urgência moral
Os relatores convidados abordaram o tema da crise ecológica sob múltiplas perspectivas: o ministro Andrew Muir, MLA, falou sobre responsabilidade política e legislativa; Hilary Marlow, sobre os fundamentos bíblicos e teológicos; Jim McAdam sobre a pesquisa científica e agrícola; Gail Heffner sobre reconciliação educativa e comunitária.
As suas particulares contribuições mostraram uma convicção compartilhada: o dano ecológico é inseparável da injustiça social. Uma mudança significativa exige seja uma conversão pessoal seja uma transformação estrutural. Os arcebispos Martin e MacDowell acrescentaram outras reflexões, sublinhando a necessidade de escutar os depoimentos científicos, em fase de cooperação entre a liderança cívica e política.
Vozes da terra
Um ponto de força, que marcou o evento, foi a participação de grupos locais comprometidos em ações práticas, desde a restauração de habitats e a proteção de cursos de água até à educação ambiental; paróquias e escolas partilharam experiências radicadas nas suas comunidades.
Recordava-se que a fé nos chama a ser “agentes, não simples ouvintes”. E tudo era visível em atitudes pessoais e comunitárias: plantar árvores típicas do lugar e proteger os insetos polinizadores; conservar a água e reduzir o consumo; trabalhar como os agricultores como guardiões da terra; reforçar a oração nas paróquias e construir pontes entre as comunidades.
De Castelgandolfo e Newry
A Conferência de Newry deu continuidade à Conferência Raising Hope, realizada em Castelgandolfo (Itália) em outubro passado. Durante o encontro internacional, em Castelgandolfo, emergiu a esperança que se alicerça na ação concreta e na unidade, temas que ecoaram fortemente na conferência de Newry. Ambos os eventos confirmam que a ecologia integral não é algo “extra”, opcional, mas uma dimensão central para que o carisma da unidade seja vivido, hoje.
Um olhar ao futuro: água viva
Com um olhar ao futuro, os participantes foram encorajados a apoiar iniciativas que enfrentem as raízes da crise, entre estas a defesa de uma transição sustentável e o compromisso com o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis fósseis.
Houve ainda um forte chamado a preparar-se para a Estação da Criação 2026, centralizada no tema “Água Viva”. Para a comunidade do Movimento dos Focolares na Irlanda, será uma oportunidade concreta para aprofundar ações e estudos sobre a água como fonte de vida, comunhão e justiça.
O arcebispo Eamon Martin recordou um ditado irlandês: “Ní neart go cur le chéile” (não existe força sem unidade). A conferência de Newry foi um convite potente para lembrar-nos que quando caminhamos juntos, escutando, aprendendo e agindo, também os pequenos gestos podem se tornar uma corrente viva de esperança.
“À medida que se prossegue com a leitura do livro, percebe-se que todos são chamados à ‘proximidade’, cresce a percepção de ser capaz de concretizá-la e a convicção libertadora de que tal estilo de vida traz alegria e constrói, tijolo por tijolo, o caminho rumo um mundo mais coeso.”
São as palavras usadas pelo cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, no prefácio do livro “Prossimità, via alla pace. Pagine di vita.”, de Margaret Karram, Presidente do Movimento dos Focolares.
Um texto fortemente autobiográfico no qual a autora percorre a história da sua família e fala sobre si mesma, sobre as suas origens, a sua infância em Haifa (Israel), as pessoas que conheceu e a sua decisão de se consagrar a Deus. Ao mesmo tempo, porém, é um verdadeiro itinerário, um guia, ou, como o cardeal Pizzaballa descreve, “uma viagem multidimensional para dentro e fora de si e para o Alto”, que dá ao leitor a possibilidade de acolher o convite da autora para se aventurar no encontro com o outro.
O livro foi apresentado na Sala Jubileu da Universidade Lumsa (Roma, Itália) no dia 30 de janeiro de 2026, durante um evento que se transformou em uma ocasião especial de partilha e diálogo, focalizado na reflexão sobre a “proximidade” e que levou a vivenciá-la de modo concreto.
O Prof. Francesco Bonini, Reitor da Lumsa, acolheu a todos com uma saudação e deu início ao encontro moderado depois por Alessandro Gisotti, vice-diretor editorial do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. Entre os palestrantes, além da autora, estavam o Imã Nader Akkad, conselheiro para assuntos religiosos da Grande Mesquita de Roma; Irene Kajon, membro da Comunidade Judaica e professora emérita de Filosofia Moral da Universidade La Sapienza de Roma; e Alberto Lo Presti, professor associado de História das Doutrinas Políticas da universidade Lumsa.
“O debate, à luz do livro de Margaret Karram, abordou diversas temáticas. Entre as observações iniciais, destacou-se a análise cuidadosa do valor da própria identidade, como processo, como movimento. Um tema que se repete especialmente nas primeiras páginas – explica a professora Kajon – no qual se revela uma realidade que expõe o entrelaçamento e a convivência de muitas culturas, línguas e religiões diversas. Na lógica da proximidade – continua Kajon –, é bom que a identidade, mesmo em meio ao entrelaçamento de diversos elementos, mantenha sempre uma inquietação, (…) porque é precisamente isso que garante a abertura ao outro (…). O que unifica a identidade é justamente a proximidade, ou seja, o ser humano. É a família humana que permite unificar as identidades peculiares de cada indivíduo”.
O Imã Nader Akkad, ao refletir sobre sua cidade natal, Aleppo (Síria), afirmou que a proximidade não é um conceito abstrato, mas sim algo concreto que encontra na fraternidade o único caminho possível para a realização da proximidade com o outro. A proximidade torna-se a possibilidade de alcançar um “significado compartilhado”, e é o conceito de “família” que está no alicerce da sociedade. O Imã Akkad prosseguiu: “Uma ponte suspensa no ar é inútil. É necessário o apoio de duas margens. Às vezes, as margens se tornam rígidas (…). A proximidade encurta as distâncias, nos faz entender o quão próximos estamos. Quando me aproximo, reconheço o irmão, seus sofrimentos, suas alegrias. A proximidade nos ajuda a explorar as diversas identidades (…) e a nos sentirmos não como minorias, mas como cidadãos” para construirmos juntos a paz.
O professor Lo Presti, referindo-se ao conceito de “Amor Inventivo” como agente de transformação social, política e cultural proposto por Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, à luz das crises atuais, afirma: “Quando vemos conflitos e divisões no sistema internacional, não é a visão de um mundo unido de Chiara Lubich que está em crise (…), mas sim todas aquelas crenças, filosofias e visões excessivamente modernas que acreditavam que o ser humano alcançaria os maiores objetivos de sua aventura civil por meio da racionalidade, ou confiando no progresso científico e tecnológico, ou simplesmente expandindo os mercados em uma globalização indiscriminada, e assim por diante (…). O mundo unido, que deveria ter como fruto a proximidade’, continua Lo Presti, “não é uma marcha triunfal, é uma corrida de obstáculos. Precisamos de personalidades capazes de olhar além do obstáculo e que não se deixem dominar por ele. Precisamos de pessoas capazes de fazer brotar a esperança em seus corações, que vejam nas crises oportunidades futuras. E tudo isso significa, precisamente, ser inventivo, criativo”.
Uma tentativa de elevar o nosso olhar, portanto, uma tentativa que, a partir de encontros com diversas pessoas e personalidades, levou Margaret Karram a escrever este texto. Este momento de diálogo autêntico, afirmou Margaret, “faz-me compreender que muitos de nós carregamos em nossos corações as esperanças e os questionamentos do nosso tempo. Este livro não se origina apenas em mim. É uma história plural. O tempo em que vivemos é particular, corre muito rápido, vivemos constantemente conectados. No entanto, isso também gera novas distâncias, muitas vezes invisíveis, mas profundas. É por isso que, para mim e para o Movimento dos Focolares, refletir sobre a questão da proximidade não foi uma escolha pré-concebida. À medida que eu ouvia as pessoas, as comunidades, os jovens e as famílias, tanto mais eu via emergir uma necessidade universal: a necessidade de nos sentirmos próximos uns dos outros, não próximos por meio de uma tela, mas próximos na concretude da vida.”
O evento, que começou como a apresentação de um livro, transformou-se em um momento de comunhão que abriu caminho para uma visão do outro como primeiro passo rumo à paz. Transformou-se em uma oportunidade de reencontro, de escuta do outro de forma sinodal, de descoberta de que construir relações no quotidiano, pequenas centelhas de esperança, pode fazer a diferença.