Movimento dos Focolares
Evangelho vivido: “Levantai-vos, não tenhais medo” (Mt 17,7)

Evangelho vivido: “Levantai-vos, não tenhais medo” (Mt 17,7)

Como um grão de trigo maduro

Quase três anos após a chegada, os exames revelaram que Elio tinha um tumor com metástases disseminadas. A cirurgia foi inútil. Uma pergunta surgiu espontaneamente em mim: por que isso aconteceu justamente com ele, uma pessoa no auge de sua maturidade humana e espiritual, que ainda podia contribuir tanto para nossa comunidade, onde sua presença sábia e serena já havia melhorado uma situação tão difícil? Meu grito foi doloroso, quase de revolta. Então, conversando com os irmãos, revisamos alguns exemplos da Bíblia, de Abraão a Jó, sem respostas imediatas. Certos eventos não podem ser explicados sem fé. Naqueles dias, por acaso, li um texto esclarecedor de São Leão Magno: “A Igreja é o campo do Senhor que se cobre de uma colheita cada vez mais rica, porque os grãos que caem um a um renascem multiplicados”. Pronto! Somente com essa perspectiva pude aceitar a partida de um querido amigo para o Céu. Caiu como um grande grão de trigo maduro. Eu precisava acreditar que ele cresceria e se tornaria uma espiga cheia e bela.

(G. – Bélgica)

Pequenos e grandes milagres

Nasci no Brasil, mas vivi por nove anos em outro país da América Latina, com inflação galopante e pobreza generalizada, o que alimentava a criminalidade. Um dia, uma amiga veio até mim chorando porque acabara de ser roubada, perdendo a única fonte de renda que sustentava sua família, já que seu marido estava desempregado e ela tinha quatro filhos. O que eu poderia fazer? Simplesmente tentei consolá-la, aconselhando-a a perdoar e orar para que o ladrão se convertesse. Mas ela respondeu que jamais faria isso. “Nesse caso”, respondi, “vou orar por ele”. Alguns dias depois, essa mesma amiga voltou a me procurar, mas desta vez com um semblante e uma alma completamente diferentes: feliz, ela me contou que o ladrão devia ter se arrependido de verdade, pois havia deixado a bolsa roubada em uma loja que ela conhecia. E, surpreendentemente, seu dinheiro ainda estava lá dentro; nada havia sumido.

(T.G.S.C. – Brasil)

Em uma cadeira de rodas

Por muito tempo, devido à artrite reumatoide, vivi em uma cadeira de rodas. Entre internações e cirurgias, passei três anos da minha vida no hospital. Muitas vezes, devido à dor excruciante, me vejo completamente imóvel, incapaz até mesmo de pentear o cabelo ou pegar um copo. Há tantas coisas que antes me eram caras e que tive que abandonar. No entanto, tenho uma natureza brincalhona e costumo reagir à doença com um toque de humor. Aos poucos, compreender a “sabedoria da cruz” me ajudou a abraçar a dor como a forma mais sublime de amor e a oferecer o sofrimento da minha vida especialmente por aqueles que mais precisam, pela Igreja, pela unidade que Jesus pediu. Agora não pergunto mais a Deus “Por quê?”, mas apenas: “Ajuda-me, Senhor”. Tento não sobrecarregar os outros com meus problemas físicos e parece que tenho bastante sucesso, tanto que eles me acham muito alegre. Tudo coopera para o bem se estivermos abertos ao amor de Deus. Na verdade, todos na família sentiram a necessidade de dar um salto em frente. As próprias crianças amadureceram rapidamente, tornando-se mais responsáveis.

(Branka – Croácia)

Por Maria Grazia Berretta

(extraíso de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, ano XII– n.1° março-abril de 2026)

Fotos: ©Pexels-Shvets-Production

Uma ação conjunta realizada em unidade

Uma ação conjunta realizada em unidade

Sou um voluntário do Movimento dos Focolares e, no verão passado, durante uma viagem à montanha com Anna e Toni, amigos do nosso grupo das Famílias Novas, contei que eu havia trabalhado como comissário de bordo para a companhia aérea nacional italiana durante muitos anos. Imediatamente me perguntaram se eu conhecia um vizinho deles que também havia trabalhado para a mesma empresa. Quando ouvi o nome dele, lembrei-me imediatamente, mesmo tendo se passado 30 anos. Soube por eles que a situação dele era muito triste. Abandonado pela família, sofrendo de doenças graves, ele vivia sozinho numa casa grande e deteriorada que precisava urgentemente de reparos. Depois do nosso encontro, entendi que precisava ajudá-lo.

Então, junto com Toni e Anna, minha esposa Rita e outros, criamos um plano de ação. Começamos consertando uma porta francesa com o vidro quebrado, graças à ajuda de um amigo carpinteiro. Depois, instalamos uma porta nova que dava para o porão e consertamos a porta do banheiro que havia sido roída pelo cachorro. Em seguida, consertamos uma porta de correr por onde entrava água da cchuva e o terraço que estava infiltrando água na casa. Contratamos uma faxineira, consertamos a parte elétrica com a ajuda de um dos nossos eletricistas voluntários, que também consertou o sistema de aquecimento com a ajuda de Toni. Minha esposa deu um toque delicado decorando o pátio com vasos de ciclâmen. Resumindo, Cesare, como é chamado, agora vive em condições mais humanas e se sente feliz porque está cercado por pessoas que o amam. Ele foi hospitalizado durante as festas de Natal e fizemos muitas visitas.

É gratificante saber que esses gestos renovaram sua fé na humanidade.

Recolhido por Carlos Mana

Fotos © Pexels-Ksenia Chernaya

Levantar-se mais uma vez e sem medo

Levantar-se mais uma vez e sem medo

“Só quem cai consegue se levantar”, diz um provérbio. Um exemplo que transmite ternura e coragem é o das crianças nos primeiros estágios de desenvolvimento. Quanta força de vontade é necessária, nos primeiros passos incertos, para se levantar a cada vez com determinação, até ganharem confiança e começarem a fazer movimentos cada vez mais seguros… o caminho da vida!

À medida que crescemos, em meio a desafios e dificuldades, é cada vez mais difícil se levantar. As provações da vida nos sobrecarregam, o medo de perder as nossas seguranças (ao encontrar aqueles que são diferentes ou que não pensam como nós) nos impede de seguir em frente. A força de vontade nem sempre é suficiente, nem o desejo sincero de sermos coerentes com os valores e as escolhas. Nesses momentos difíceis, poder contar com uma mão amiga pode nos dar o impulso para recomeçar sem medo e criar um silêncio profundo no fundo da nossa consciência. Isso nos ajuda a “nos reconstruirmos” internamente.

Chiara Lubich diz: “Quem é que não passa pela provação? Ela às vezes assume a fisionomia do fracasso, da pobreza, da depressão, da dúvida, da tentação […]. Também nos assusta a sociedade materialista e individualista que nos rodeia, com as guerras, as violências, as injustiças […] Chiara nos demonstrou isso com a sua vida: nos momentos de escuridão e dificuldades aquilo que importa é encontrar a força de “recomeçar”, primeiramente dentro de nós, com a confiança de que “ainda podemos ter esperança”[1].

Foi o que aconteceu com Emilia, da Terra Santa. Ela trabalha como funcionária pública ao lado de judeus, cristãos, muçulmanos e drusos. Depois do dia 7 de outubro de 2023, ela compreendeu que o amor era a única resposta possível para aquela grande dor e se comprometeu a amar a todos ao seu redor, principalmente ouvindo, para acolher a todos em seu coração. Escutar com amor e humildade, procurando entender o que o outro tinha a dizer, fosse árabe ou judeu. Assim, ela, e muitos dos seus colegas, conseguiram se tornar tão abertos uns com os outros a ponto de conseguiram conversar livremente sobre a situação. Isso deu aos demais colegas a coragem de expressar seus medos e sofrimentos, mantendo o grupo unido e em paz[2].

Existem muitas histórias de comunidades feridas que não desistem, que encontram, dia após dia, vivendo a reciprocidade e compartilhando tudo, a força para acreditar que o ódio não pode ter a última palavra.

Mesmo que não vejamos os frutos do nosso empenho, cada vez que nos levantamos, contribuímos para formar “homens novos” porque — como disse Bonhoeffer na prisão, pouco antes de morrer — “Para quem é responsável, a questão fundamental não é quão heroicamente eu lido com uma determinada situação, mas como será a vida da próxima geração”.

Foto © Pexels-Allan Mas


[1] “Recomeçar” Gen Rosso

[2] Experiência contada no encontro inter-religioso One Human Familyem junho de 2024 em Castelgandolfo, Itália.

“Levantai-vos, não tenhais medo.” (Mt 17,7).

“Levantai-vos, não tenhais medo.” (Mt 17,7).

Após subirem com Jesus uma alta montanha, Pedro, Tiago e João contemplam a glória do Mestre e ouvem a voz do Pai, que reconhece Nele o Filho.

Uma experiência extraordinária, face a face com Deus, que permite à sua criatura conhecê-lo no seu esplendor. O medo os faz cair por terra, mas Jesus os toca e lhes diz:

“Levantai-vos, não tenhais medo.”

O verbo “levantar-se” é o mesmo que o Evangelho usa frequentemente para expressar a Ressurreição, da mesma forma como “não tenhais medo” são as primeiras palavras que o Ressuscitado, após uma saudação, dirige às mulheres junto ao túmulo vazio[1]. As palavras de Jesus, fortes e claras, são, portanto, um convite vigoroso a uma vida nova, que se tornou possível para os discípulos pelo toque de sua mão.

Às vezes, também nós somos reprimidos pelos nossos medos, sobrecarregados pelas provações da vida, pelas situações sem saída. Para retomar o ímpeto do nosso testemunho, não podemos confiar apenas nas próprias forças, mas sim na graça de Deus que sempre nos precede.

“Quem é que não passa pela provação? Ela às vezes assume a fisionomia do fracasso, da pobreza, da depressão, da dúvida, da tentação […]. Também nos assusta a sociedade materialista e individualista que nos rodeia, com as guerras, as violências, as injustiças… Diante dessas situações pode se insinuar até mesmo a dúvida: onde foi parar o amor de Deus? […] Jesus realmente penetrou em toda dor, assumiu sobre si todas as nossas provações […]. Ele é o Amor, e é próprio do amor afastar todo temor. Toda vez que um medo nos assalta, que nos sentimos sufocados por uma dor, podemos reconhecer a realidade verdadeira que se esconde por trás: é Jesus que se apresenta […]. Então deixemos que Ele entre na nossa vida. E, depois, continuemos a viver aquilo que Deus quer de nós, lançandonos a amar o próximo. Descobriremos que Jesus é sempre Amor. Desta forma poderemos dizer-lhe, como os discípulos: ‘Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!’ (Mt 14,33) [2].

“Levantai-vos, não tenhais medo.”

Todo aquele que fez a experiência de encontrar Deus em sua vida ficou fascinado pela sua presença, tocado e curado pela sua Palavra. Muitas vezes, o testemunho de uma comunidade cristã o acompanha nessa aventura divina e lhe dá a coragem de se levantar, de sair de si mesmo, para retomar a caminhada com Jesus e com os irmãos.

Vejamos o testemunho de uma jovem síria: “No final do ano passado, meu país passou por um período muito difícil e minha cidade foi atingida por uma onda de caos e de medo. Eu estava profundamente preocupada com minha família, com meus amigos e comigo mesma. Em meio a tantas incertezas, eu procurava me manter firme na esperança em Deus, tentando permanecer forte apesar de tudo. Antes desses acontecimentos, eu e os jovens com os quais me esforço para viver o Evangelho tínhamos elaborado alguns projetos para apoiar famílias necessitadas por meio de cestas básicas e outras iniciativas. Mas a situação nos obrigou a suspender temporariamente todas as atividades.

Depois de alguns dias, conseguimos nos reunir novamente; naquela ocasião encontramos, uns nos outros, força e coragem. Decidimos não nos deixar vencer pelo medo, mas depositar nossa confiança em Jesus e continuar a caminhada que havíamos começado. Com a fé compartilhada, conseguimos ajudar mais de 40 famílias que realmente precisavam de apoio. Em meio a essas dificuldades, sentimos que, graças ao amor de Deus e à nossa unidade, podíamos realmente fazer a diferença.”

“Levantai-vos, não tenhais medo.”

Depois de termos subido a montanha com Jesus para encontrar Deus e escutar a sua voz, podemos também descer com Ele, a fim de “[…] voltar para a planície, onde encontramos tantos irmãos sobrecarregados pelo cansaço, doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual.”[3].

Também enquanto comunidade cristã, podemos sofrer e ficar desnorteados, mas esta Palavra nos estimula a caminharmos juntospara levar a todos “os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando a graça recebida.”[4].

Org.: Letizia Magri
com a comissão da Palavra de Vida


[1] Mt 28, 10; cf, 28, 5.

[2] 1 LUBICH, Chiara. As faces do amor. Palavra de Vida, agosto de 2002.

[3] Cfr. 1 Papa Francisco, Angelus, 16 de março de 2014.

[4] Ibidem.

Foto © Willian_2000-Pixabay

Início da assembleia geral do movimento dos focolares

Início da assembleia geral do movimento dos focolares

De acordo com o artigo 1º do Regulamento da Assembleia Geral do Movimento dos Focolares, os participantes viverão este encontro em profunda comunhão, para fomentar a unidade em todo o Movimento e orientá-lo para a realização de seus objetivos. A Assembleia é, de fato, um dos momentos mais importantes para o Movimento dos Focolares e acontece a cada cinco anos, conforme estabelecido pelo Decreto do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (2021).

A Assembleia se realizará no Centro Mariápolis de Castel Gandolfo (Roma, Italia), local onde serão acolhidos os 320 participantes – entre os quais cerca de 50 observadores – provenientes de países, culturas e contextos eclesiais e religiosos diversos, unidos pela adesão ao espírito e aos valores do Movimento fundado por Chiara Lubich (1920-2008) e reconhecido pela Igreja Católica como uma Associação de fiéis de caráter privado e universal, de Direito Pontifício.

A Assembleia será aberta com três dias de retiro espiritual. No dia 5 de março, a atual presidente, Margaret Karram, apresentará o seu relatório de fim de mandato, acompanhado de algumas reflexões do Copresidente Jesús Morán. Nos dias seguintes, se alternam sessões plenárias e trabalhos em 30 grupos, dedicados ao aprofundamento das temáticas enviadas pelas comunidades do Movimento espalhadas pelo mundo.

As temáticas que orientarão os trabalhos terão como foco a questão de como implementar o carisma, ou seja, criar relações de fraternidade e unidade, no contexto global atual, por meio do compromisso com a paz e a justiça social, o diálogo em um mundo polarizado, o uso responsável das tecnologias, o diálogo como instrumento privilegiado entre as Igrejas cristãs e com pessoas de diversos credos e convicções, a ecologia integral e uma governança participativa. Uma das temáticas será também a transmissão do carisma do Movimento dos Focolares às futuras gerações do Movimento. Estão previstas, além disso, sessões de debate sobre as propostas de alteração aos Estatutos Gerais e aos Regulamentos das diferentes ramificações do Movimento.

O dia 12 de março será dedicado à eleição da Presidente e do Copresidente, figuras que – segundo os Estatutos Gerais do Movimento dos Focolares – devem ser confirmadas pela Santa Sé. Em seguida, no dia 15 de março, a Assembleia procederá à eleição dos Conselheiros gerais, completando assim a formação do novo governo do Movimento.

Em preparação para esta Assembleia, as comunidades do Movimento dos Focolares em 150 países participaram de um amplo caminho de escuta e discernimento sinodal, oferecendo ideias e prioridades para o futuro. Isso resultou em centenas de contribuições sobre temas-chave e sobre os desafios que o Movimento está enfrentando internamente e no contexto global. As comunidades territoriais também expressaram suas preferências pelas candidaturas ao governo do Movimento.

Stefania Tanesini
Foto Centro Mariapolis Castel Gandolfo: © CSC Audiovisivi