23 Jul 2019 | Sem categoria
Entrevista com Lucia Abignente que, com Giovanni Delama, reconstruiu a história das primeiras Mariápolis no livro Una città tutta d’or (Uma cidade toda de ouro, em tradução livre), que será publicado em setembro pela Città Nuova. A primeira aconteceu há 70 anos nas Dolomitas trentinas. Era verão de 1949 e Chiara Lubich, que em Trento compartilhava a escolha de viver o Evangelho com algumas companheiras, estava passando um período de férias em Tonadico di Primiero. Foi um momento decisivo na história do Movimento dos Focolares: uma experiência mística que permitiu que Chiara compreendesse o projeto de Deus para a Obra que estava nascendo: Obra de Maria. A partir daquele momento, experiências parecidas, chamadas Mariápolis, foram repetidas todos os anos durante o verão, e, com o passar do tempo, seriam replicadas no mundo inteiro. Na história das Mariápolis, os 10 primeiros anos, de 1949 a 1959, foram particularmente significativos. Pode nos explicar o porquê? Aqueles anos marcaram as origens da Mariápolis, a força do carisma da unidade, doado a Chiara por Deus por meio da Igreja, produziu frutos novos. Experimentava-se uma comunhão fortíssima, participada, enriquecida entre pessoas de todas as idades e classes sociais provenientes de diversos países do mundo (em 1959 eram 12.000 de 27 países). É uma intensa experiência de Deus, um caminho de santidade que se faz juntos como irmãos. Delineia-se, assim, a realidade do povo de Deus que o Concílio Vaticano II colocará em luz. Por que o nome Mariápolis? O nome só surgiu em 1955: crescendo ao longo dos anos, essa convivência se configurou como se fosse uma cidade, um povo que se sentia guiado por Maria. O amor evangélico vivido entre todos gerava a presença do divino. As palavras de Jesus se tornavam realidade: “Onde dois ou mais estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt, 18,20). É essa a realidade de luz que inspirou o título do livro. Quais são as características principais desses encontros que, de diversos modos, acontecem ainda hoje? Eu resumiria em uma palavra: comunhão, ou melhor, comunhões. A comunhão na Eucaristia, renovada cotidianamente; a comunhão na Palavra do Evangelho; a comunhão com os irmãos. É essa característica que deu um forte tom à experiência de 1949 e que reencontramos também nos anos seguintes. Daí nasce o empenho de continuar essa experiência nos lugares habituais em que se vive, para contribuir com o desígnio de amor de Deus sobre a Criação e sobre a realidade social que nos acolhe. O que lhe tocou nos relatos de quem participou das primeiras Mariápolis? Ao encontrar aqueles testemunhos, pude constatar que a experiência da Mariápolis não é uma recordação, mas uma realidade ainda viva hoje. Dos relatos escritos, colhi uma autenticidade de uma vida vivida como corpo, em busca da unidade. As Mariápolis produziram também frutos de grande alcance… Primeiramente, o jornal “Città Nuova”, que nasceu durante a Mariápolis para manter os participantes em contato quando voltassem para a casa. Depois, as Mariápolis “permanentes”, cidadelas internacionais estáveis, sobre as quais Chiara já falava em 1956. E os percursos de diálogo, que começaram com pessoas de outras igrejas cristãs, presentes em Fiera já em 1957, e com outras figuras carismáticas dentro da Igreja católica: caminhos de comunhão que se desenvolveriam com o Concílio Vaticano II e com o Magistério seguinte. Além disso, são visíveis os primeiros sinais do comprometimento do Movimento com realidades políticas e sociais. Nas Mariápolis “permanentes” convivem pessoas de diferentes idades, países, culturas e denominações cristãs que colocam em prática o Evangelho. Realidade em que a diversidade se compõe em unidade. Nesta Europa fragmentada de nacionalismos e populismos, que mensagem vem dessas cidadelas? É muito significativo o que o Papa Francisco disse na cidadela de Loppiano há um ano sobre “mística do nós”, que nos faz caminhar juntos na história. Uma realidade já muito viva nas primeiras Mariápolis. Em 1959, por exemplo, apesar dos ecos da guerra, italianos e alemães, e pessoas de várias nacionalidades, superados todas as barreiras, consagram seu povo a Maria: querem faze-lo juntos, como ato de amor recíproco que exprime a realidade de um único povo.
Claudia Di Lorenzi
21 Jul 2019 | Sem categoria
«Percorrendo o Evangelho, vemos que Jesus sempre convida a dar – escreveu Chiara Lubich em 2006 –: dar aos pobres, a quem pede, a quem deseja um empréstimo. Dar de comer a quem tem fome. Dar o manto a quem pede a túnica. Dar gratuitamente… Ele mesmo foi o primeiro a agir assim: deu a saúde aos doentes, o perdão aos pecadores, a vida a todos nós. Ao instinto egoísta de acumular Ele opõe a generosidade; ao invés da preocupação com as próprias necessidades, propõe a atenção ao outro; em lugar da cultura do ter, a cultura da partilha” . O casamento Uma das minhas filhas ia se casar, mas sendo a nossa, uma família de condições muito modestas, era difícil arcar com todas as despesas. Faltavam dez dias e eu ainda não tinha um vestido adequado para a cerimônia, mas também achar um para emprestar não era fácil, tendo em vista o meu tamanho. Bem naqueles dias, chegou de Florença um container cheio de roupas e objetos para a casa, preparado e expedido por algumas famílias italianas para a nossa comunidade. Uma amiga começou a procurar no meio daquele mar de coisas algo para mim. Com grandíssima alegria encontrou um tecido muito bonito e pensou no modelo de um vestido. No dia do casamento, a quem me elogiava pela minha elegância, eu respondia que a providência de Deus se serviu de amigos de longe e de perto. (M.A. – Paraguai) Na diálise Faz três anos que devo me submeter a três diálises por semana, à espera de um transplante. Na clínica aonde vou, convivo com situações difíceis e procuro construir com cada doente um relacionamento. Se alguém gosta de falar de comida, falo de comida; se alguém se interessa pelo esporte, falamos de esporte. Mas um dia, eu estava particularmente cansada de lutar e desanimada. Não tinha a força para sorrir e nem mesmo para cumprimentar. Um enfermeiro que me conhece bem me disse: “Você também, Araceli?”. A angústia e o desencorajamento desapareceram e recomecei a não pensar mais em mim mesma, mas nos outros. (Araceli J. – Brasil) Adotado Sempre tive vergonha por não saber quem são os meus pais naturais, mesmo se a família que me adotou fez de tudo para preencher os meus vazios. Quando me apaixonei e depois me casei com K., os meus problemas, que antes pareciam cancelados, voltaram à tona. Na educação dos nossos filhos, de fato, estávamos de lados opostos. Eu o deixei sem explicação. Quem teve uma família não pode compreender quem se sente existencialmente só. Mas agora, depois de muito tempo, procurar extrair o amor para fora de um coração árido está ajudando a me curar. (T.A.F. – Hungria) O desafio Um dia uma colega me mostra um folheto, me dizendo que era uma frase do Evangelho com um comentário que ajudava a vivê-la. Leio: “Amai os vossos inimigos”. Penso nisso e no dia seguinte me sinto pronta para aceitar o desafio. Encontro na cozinha a minha mãe, com quem não falo há dois meses. Eu me sento para tomar o café com ela. “Dormiu bem?”, lhe pergunto. À tarde, o meu irmão vem ao meu quarto para me pedir emprestado um suéter. “Abra o armário e escolha aquele que quiser!”, lhe respondo. São pequenos fatos, mas já me sinto diferente. (A.F. – Itália)
por Chiara Favotti
20 Jul 2019 | Sem categoria
O evento ocorrerá nos dias 26 a 28 de março. Entre outros, estarão presentes: Yunus, Frey, Meloto, Petrini, Raworth, Sachs, Sen, Shiva e Zamagni ASSIS (PERÚGIA), JULHO – Começaram as inscrições para o encontro de três dias pensado pelo Papa Francisco para jovens economistas, empreendedores e change-makers do mundo inteiro. De 26 a 28 de março, Assis hospedará o evento internacional The Economy of Francesco. Os jovens, um pacto, o futuro. O convite vem diretamente do Santo Padre e é dirigido a jovens de até 35 anos. É possível se inscrever até o dia 30 de setembro pelo site www.francescoeconomy.org
O evento The Economy of Francesco será articulado em laboratórios, manifestações artísticas e plenários com economistas renomados, especialistas do desenvolvimento sustentável, empreendedores que hoje estão comprometidos a nível mundial com uma economia diversa e que farão reflexões e trabalharão com os jovens. Já confirmaram presença os vencedores do prêmio Nobel Muhammad Yunus e Amarthya Sen. Além deles, entre outros, estarão presentes Bruno Frey, Tony Meloto, Carlo Petrini, Kate Raworth, Jeffrey Sachs, Vandana Shiva e Stefano Zamagni. Não será um congresso tradicional, mas uma experiência em que a teoria e a prática se cruzam para construir ideias novas e colaborações. Um programa em que o tempo desacelerará para dar espaço também à reflexão e ao silêncio, às histórias e aos encontros, à arte e à espiritualidade, para que o pensamento e o agir econômico dos jovens possam emergir. O encontro é voltado a jovens com menos de 35 anos, empenhados nos ambientes da pesquisa: estudantes e estudiosos de Economia e outras disciplinas correlatas (estudantes de mestrado, doutorado, jovens pesquisadores); e do mundo dos negócios: empreendedores e dirigentes. Também podem participar os change-makers, promotores de atividades a serviço do bem comum e de uma economia justa, sustentável e inclusiva. A proposta é firmar com os jovens, indo além das diferenças de credo e nacionalidade, um pacto para mudar a economia atual e dar uma alma àquela de amanhã, para que seja mais justa, sustentável e com um novo protagonismo que é excluído hoje. Dentre os candidatos, serão escolhidos 500 jovens para participar de um pré-evento, previsto para os dias 24 e 25 de março: uma ocasião de trabalho e aprofundamento que continuarão nos dias do evento (26 a 28) juntamente com todos os outros participantes. Todas as informações estão disponíveis no site www.francescoeconomy.org
18 Jul 2019 | Sem categoria
Acabou de começar a primeira Mariápolis Europeia promovida pelo Movimento dos Focolares, em Tonadico nas Dolomitas, de 14 de julho a 8 de agosto No contexto histórico e político de uma Europa dividida e conflitiva, o evento quer testemunhar que o sonho da fraternidade entre os povos não é uma utopia. A intuição original de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, na virada dos anos 40 e 50 do século passado, encontra atuação nos diversos campos do saber, assim como no coração das relações entre os indivíduos e entre os povos. Falamos disso com Padre Fabio Ciardi, responsável do centro de estudos interdisciplinar do Movimento “Escola Abba”: Qual é a ligação entre as experiências místicas que Chiara Lubich teve nos anos 1949 e 1950, durante e depois da primeira Mariápolis, e o nascimento da Escola Abba? “A Escola Abba nasceu para aprofundar o que aconteceu naqueles anos. Chiara teve ocasião de escrever daquela experiência na medida em que acontecia, consciente de que lá havia uma doutrina, valores tão profundos e ricos que poderiam nutrir não somente a Obra, mas também a Igreja. A um certo ponto, sentiu a necessidade de retomar nas mãos aqueles papéis e começou a chamar, ao seu redor, pessoas de um certo nível cultural para entrar em profundidade dentro desta sua experiência e fazer brotar dela a doutrina que já está inerente em si mesma”. Entre as disciplinas objeto de estudo da Escola Abba estão presentes a história e a politologia. A reflexão da Escola nestes âmbitos pode ajudar a compreender as razões de fundação da União Europeia? “A experiência que Chiara fez em 1949, lhe consentiu ter uma visão, do alto, do desígnio de Deus para a humanidade e para a história. Portanto, aqui se encontram valores que estão na base inclusive da Europa. A Escola Abba quer colocá-los em luz e mostrar a sua atualidade. Hoje a Mariápolis nos ajuda a redescobrir aquele desígnio, a compreender qual é o projeto de Deus para a nossa história, para a nossa identidade”. Naqueles primeiros tempos Chiara intuiu que a Europa era chamada a ser unida internamente – Igino Giordani, cofundador do Movimento, desejava o nascimento dos Estados Unidos da Europa – e a se colocar como entidade federativa dos povos no contexto mundial. Hoje, porém, estamos longe daquela visão e a Europa é atravessada por nacionalismos e populismos. Como reencontrar aquele ímpeto e torná-lo “contagioso”? “Tenho a impressão de que na experiência inicial de 1949 haja todos os componentes para alargar o coração, para fazer com que cresça o sentido de fraternidade, acolhimento, partilha, e para promover um caminho juntos. No início, a reflexão de Chiara estava concentrada na Itália: falava de Santa Catarina e São Francisco como os padroeiros da Itália. Mas logo os horizontes se alargaram porque se uniram ao Movimento pessoas de outros países da Europa e de outros continentes e ela via o carisma da unidade vibrar em todos, e cada um encontrava nele os seus valores mais profundos. Chiara via toda a humanidade em marcha na direção da unidade. E isto me parece que seja o ideal fundamental que pode ser atuado também hoje. É preciso uma reflexão cultural que saiba conjugar o grande projeto de Deus para a humanidade com a situação política, histórica, econômica atual”. Portanto, a experiência de uma Mariápolis europeia, que mensagem pode mandar aos cidadãos da Europa? “A ideia de que a unidade europeia não é uniformidade ou imposição, mas é riqueza que vem de uma grande diversidade. Não somente dos povos europeus históricos, mas também dos novos povos que chegam. A Europa se faz, está em construção contínua desde as suas origens, e deveria saber conjugar estes dois elementos: promover a fraternidade, a partilha, a comunhão, a unidade e, ao mesmo tempo, valorizar a grande diversidade cultural, a história particular de cada povo. Acho que a Mariápolis pode ser o novo cadinho no qual se aprende a se respeitar, se amar, a viver juntos”. Portanto, a Mariápolis como “laboratório” de unidade para a Europa. Poder-se-ia objetar que se trata de uma perspectiva utópica… “Os lugares da utopia são lugares imaginários nos quais alguém sonha uma realidade que de fato não existe. A Mariápolis, pelo contrário, é um lugar diferente, não é utópico, mas real, e acho que seja necessário repropor experiências como esta, significativas, mesmo se pequenas, que mostrem como poderia ser o mundo se se vive de verdade a lei da fraternidade, do amor e da unidade”.
Claudia Di Lorenzi
15 Jul 2019 | Sem categoria
Setenta anos atrás foi Chiara Lubich mesma que definiu assim a experiência mística com que Deus abriu para ela e – através dela, para o Movimento nascente – a plena compreensão do carisma da unidade e da Obra que dali teria nascido. Experiência que há anos é objeto de estudo e aprofundamento por parte da “Escola Abba”, o Centro cultural dos Focolares, que justamente nestes dias, junto com outros estudiosos, estão fazendo um seminário de estudos sobre o “Paraíso 1949”. Dele participa também Jesús Moràn, Copresidente dos Focolares, a quem pedimos para explicar a sua atualidade e perspectivas. https://vimeo.com/348249423 “Aquilo que no Movimento dos Focolares e, penso também fora dele, conhecemos como ‘Paraíso 1949’ é uma experiência mística, de algum modo inédita, única – Deus nunca se repete; inédita e única na sua forma e conteúdo. Tudo teve início de um pacto de unidade entre Chiara Lubich e Igino Giordani: portanto uma mulher e um homem; uma jovem depositária de um carisma que vem de Deus e um homem político e empenhado no social; uma virgem e um casado: isso já indica muitas coisas. É verdade que é preciso considerar o contexto que o precede: isso é muito importante. Os pródromos desta experiência são uma profunda vivência da Palavra – portanto o logos humano unido ao logos divino –; Jesus crucificado e abandonado, que une Céu e terra e preenche todo o vazio; a comunhão eucarística como símbolo da fraternidade universal, da comunhão universal. Os estudiosos dessa experiência nos dizem que tudo nasceu dali, tudo nasceu neste contexto e é lógico que, se foi isso que aconteceu, ela deu vida a um movimento de amplo respiro eclesial e social, com uma metodologia de diálogo a 360°: diálogo na Igreja católica, diálogo ecumênico, diálogo inter-religioso, diálogo com a cultura. É um movimento capaz de dar vida a movimentos sociais importantes como a Economia de Comunhão e o Movimento Político pela Unidade, também a elementos culturais de relevo como a Editora Città Nuova, o Instituto Universitário Sophia. O que estamos celebrando hoje é mesmo este evento especial num contexto maravilhoso, onde a natureza se funde com a cultura; onde o Divino resplandece no humano e o humano resplandece no Divino e nos relacionamentos sociais. Certamente num mundo como esse em que vivemos hoje, fragmentado e marcado por uma polarização extrema, penso que esta experiência exprima uma atualidade muito importante e que pode dar uma contribuição notável ao caminho que a humanidade está percorrendo”.
Foto: © Fabio Bertagnin – CSC Audiovisivi
15 Jul 2019 | Sem categoria
Chiara Lubich e Igino Giordani fizeram, no dia 16 de julho de 1949, um especial pacto espiritual. Dele jorrou uma experiência mística original, aberta à humanidade e que transformou a história de comunidades e povos. “Todos estes papéis que escrevi não valem nada se a alma que os lê não ama, não está em Deus. Valem, se nela é Deus que os lê. Ora aquilo que eu quero deixar a quem seguir o meu Ideal é a segurança de que basta o Espírito Santo (e a fidelidade a quem iniciou) para prosseguir a Obra. Depois, de acessório posso deixar também aquilo que escrevi: mas vale se for tomado como “acessório”. Também Jesus, mesmo sendo Deus e tendo tudo em Si, não veio para destruir e fazer ex-novo, mas para cumprir. Assim, quem me seguir poderá completar aquilo que eu fiz. Eu não quero amar os meus pósteros menos do que a mim mesma e, portanto, quero que eles tenham o Espírito Santo jorrante como Deus O deu a mim. Não o terão diretamente; eles O terão por mediação, mas O terão vivo da viva boca de quem O transmitir vivendo aquilo que Ele ensina por meio de mim. Assim, é bom eliminar decididamente toda e qualquer preocupação senão aquela de fazer a divina vontade que momento por momento nos é manifestada, mas sem sugerir nada a Deus. (Chiara Lubich, Paraíso 49) Quais são “esses papéis” a que Chiara Lubich se refere? São as páginas do famoso texto chamado Paraíso 49, escritas por Chiara no verão de setenta anos atrás, sob o influxo de uma luz espiritual, que se prolongou nos meses sucessivos. No trecho citado, Chiara se dirige diretamente a quem hoje deseja não só relembrar o que aconteceu na época, mas inserir-se nessa experiência mística que ela e alguns membros da recente comunidade dos Focolares estavam fazendo. As belas palavras, as sugestivas metáforas e os amplos conceitos escritos nesses papéis podem agradar o gosto estético do leitor, fazê-lo saborear o clima religioso que ali se respirava e mais nada. Só quem ama é capaz de penetrar no significado profundo da mística do Paraíso 49. Tal significado nasce da compreensão da realidade humana e de cada criatura inspirada diretamente pela contemplação de Deus e em Deus. Os frutos dessa experiência estão diante dos nossos olhos: a visão da espiritualidade de comunhão, a doutrina que jorra do carisma da unidade, a missão do Movimento dos Focolares, as iniciativas e as obras que nascem do seu empenho social. Não é uma coincidência que a abrir uma brecha para o início desta experiência mística tenha sido um pacto espiritual e especial que Chiara fez com Igino Giordani, que era esposo e pai, parlamentar, escritor. Normalmente a mística é inacessível para quem está mergulhado nos desafios do dia a dia, para quem tem família, trabalho, empenhos obrigatórios e desafios complicados. O fato de o Paraíso 49 se abrir graças à unidade entre Chiara e Igino implica que a espiritualidade de Chiara Lubich não é reservada, não é dedicada a quem vive uma condição religiosa especial, mas é para a humanidade e é chamada a dar suporte à marcha para a unidade de todos os homens e mulheres, das comunidades e grupos, dos povos e nações, em qualquer circunstância e condição. A nós, hoje, Chiara pede para continuarmos a sua obra.
Alberto Lo Presti