Movimento dos Focolares
Papa Francisco no Sri Lanka e nas Filipinas

Papa Francisco no Sri Lanka e nas Filipinas

logo_sri-lanka2015O Papa Francisco não economiza esforços nas suas viagens, nunca economizou. Mas, esta viagem à Ásia tem todas as características de uma viagem muito exigente. Além dos eventos de caráter institucional – entre os quais, o encontro inter-religioso em Colombo, na sua chegada ao Sri Lanka e a canonização do missionário hindu Giuseppe Vaz – à espera do Papa está o sufocante clima tropical, e, especialmente, uma inteira população que espera desta visita uma forte mensagem de esperança.

Para Francisco é, portanto, a ocasião de uma profunda imersão em uma das muitas periferias do mundo, aquelas que ele ama muito, atingida também em um passado recente, por calamidades naturais que se repetiram e que se entrelaçam aos trabalhosos e não fáceis programas de promoção social naquelas terras.

A espera é grande e crescente, especialmente em Manila, onde se prevê uma participação até mesmo superior aos cinco milhões de pessoas registradas em 1995, na Missa da Jornada Mundial da Juventude, celebrada por João Paulo II. Nos centros comerciais e nas igrejas as pessoas se fazem fotografar ao lado dos pôsteres com fotos enormes do Papa Francisco, enquanto que as crianças se preparam para acolher o Papa, trajadas com o uniforme da guarda suíça.

Por ocasião do Natal os jovens dos Focolares foram à região de Tacloban e Palo, metas de visitas do Santo Padre previstas para o dia 17, e festejaram com as crianças das escolas, fizeram brincadeiras, jogos, cantos e mímicas. Levaram também os presentes para a ‘Noche Buena’. Esta iniciativa foi levada adiante também com a colaboração dos jovens de diversas partes do mundo que estão vivendo uma experiência de doação na Mariápolis permanente, em Tagaytay.

20150114-01Foi este o modo que eles encontraram para responder ao convite do Cardeal Tagle, arcebispo de Manila e de Dom Villegas, presidente da Conferência Episcopal Filipina, a preparar-se para a vinda do pontífice, intensificando a vivência das obras de misericórdia com os pobres e os marginalizados. Estes gestos já eram habituais para eles. Desde novembro de 2013, ou seja, quando se desencadeou o tufão Yolanda, de uma violência nunca registrada antes na história, os Focolares iniciaram uma grande série de ações a favor da população atingida: desde o socorro de emergência com distribuição de alimentos, roupas e gêneros de primeira necessidade até a reforma das casas atingidas; o apoio moral às famílias e a quem havia perdido parentes; a realização de um projeto de reconstrução e guarnição básica de mobília de quarenta pequenas casas. O Projeto ‘Start Again’, é específico dos jovens, sempre em andamento e é direcionado especialmente para as escolas.

Não é o único modo com o qual as pessoas pertencentes aos Focolares estão se preparando para a chegada do Santo Padre nas Filipinas. Por meio de uma corrente de informação todos os membros dos Focolares de Manila colocaram-se de acordo para se distribuírem ao longo da estrada que dá acesso ao aeroporto, no dia 15, para – junto aos outros – ser uma acolhida viva ao Santo Padre.

Muitos da comunidade de Leyte fazem parte da Comissão de organização da visita aos lugares devastados pelo tufão: ajudarão no serviço de ordem durante a celebração da missa em Tacloban, bem como no encontro ao Pope Francis Center for the Poor com cerca duzentas pessoas, idosas, doentes e crianças pobres. Um jovem dos Focolares vai animar a espera da chegada do Papa.

Mas, os mais felizes são eles: os sobreviventes. Eis uma declaração de Farah: “Ofereço todos os meus sofrimentos pela segurança e pela saúde do Papa”. E de Mark: “Estou feliz porque ficarei bem próximo ao Papa. Sinto-me um privilegiado. Estamos já muito gratos pela sua visita!”

Cerca de dez pessoas do Movimento foram chamadas a ser “colaboradores” para os trabalhos do Simpósio sobre a Nova Evangelização, que será realizado do dia 15 ao dia 18 de janeiro, na Universidade São Tomas. A este Simpósio já se inscreveram cinco mil delegados e o Papa os encontrará no dia 18, antes da sua viagem de retorno a Roma.

E, ainda, Papa Francisco – que iniciara a sua visita a Manila encontrando as famílias – dedicará o último dia aos jovens reunidos no campo de futebol da Universidade para concluir, depois, a sua viagem – durante a tarde – no Rizal Park com uma missa solene diante de uma multidão.

Boa viagem Santo Padre!

 

Manifestação do Senhor aos Magos

Manifestação do Senhor aos Magos

20150106-01A estrela convida-nos a colocar-nos em caminho,
a estrela quer libertar-nos das correntes que nos mantém presos a nós mesmos ou a um puro e simples sistema,
quer estimular-nos a caminhar,
quer fazer-nos caminhar para um lugar onde nunca tínhamos estado antes.

Isto quer a estrela.
E a natureza desta estrela é que ela vai mais além, mas também para.

Atravessa o deserto e lança-se até as distâncias mais remotas,
mas depois para sobre a casa.
Sobre qual casa?
Sobre a minha escola, por exemplo, ou sobre o meu escritório,
ou, de qualquer modo, lá onde é o meu local de trabalho habitual.
A estrela para ali e diz: «É este o teu lugar: aqui!».

E depois quando volto para casa,
ela para sobre a minha casa, sobre o meu pequeno mundo: a estrela também para ali.
É ali no lugar onde estou que devo encontrar aquilo que é precioso,
aquilo que tem valor.
Mas o que é precioso, que tem valor,
encontro-o aqui junto a mim somente quando descubro que a estrela para também sobre a casa do meu próximo.

Lá encontrarei Jesus.

 

(K. Hemmerle, La luce dentro le cose. Meditazioni per ogni giorno. Città Nuova, Roma 1998).

Enzo Fondi, a última vontade de Deus

Enzo Fondi, a última vontade de Deus

EnzoFondi_a«Uma pessoa enamorada por Deus». Enzo «vivia constantemente na presença de Deus, sempre unido a Ele. Sempre». Assim Enzo Fondi foi definido por Chiara Lubich, pouco depois da sua morte inesperada, no dia 31 de dezembro de 2001, silenciosamente, serenamente. «Enzo Fondi nasceu para o Céu», escreveu Chiara a todos os membros do Movimento: «É uma grande alegria, mesmo se nunca na nossa vida […] deparamo-nos com um sofrimento tão agudo. É uma grande alegria porque quase não se pode dizer que o Enzo tenha morrido, mas sim que tenha passado docemente para um outro “quarto”. A atitude na qual foi encontrado, depois do Te Deum, com o semblante sereno sem nenhuma sombra de preocupação, demonstra que foi “acolhido” por Maria, a nossa Mãe, que amava de modo particular, com extrema doçura. E tivemos a mesma impressão que, se fomos privados, aqui na terra, de um “gigante” da Obra, agora temos um santo no Céu. Era assim que o considerávamos sobretudo nestes últimos anos, quando a doença o preparou». Entusiasta construtor da unidade, uma frase do Evangelho foi uma guia para ele, de modo particular: «…como tu, ó Pai, estás em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós». (Jo 17,21)

Enzo Fondi nasceu em Velletri em 1927; era médico, pertencia a uma família abastada. Em 1951, começou a fazer parte do primeiro focolare romano. Pertenceu ao primeiro grupo de médicos focolarini que, ainda nos inícios dos anos ’60, ultrapassou a fronteira do bloco socialista, para trabalhar como cirurgião-assistente no hospital católico de Leipzig, na Alemanha oriental. Dali a espiritualidade da unidade difundiu-se em todo o Leste europeu. Em ‘64 foi ordenado sacerdote ao serviço do Movimento. Depois foi para os Estados Unidos.

Em 1977, ano em que Chiara Lubich recebeu o Prêmio Templeton pelo progresso da religião, foi confiado a Enzo o desenvolvimento do diálogo inter-religioso dos Focolares, ao qual, junto com Natalia Dallapiccola, uma das primeiras focolarinas, deu uma contribuição muito fecunda. «Com qual simplicidade Enzo doou-nos as regras da “arte de amar” e como ajudou-nos a perceber a universalidade da obra de Chiara e a que ponto o milagre da unidade estava ao nosso alcance, quotidianamente!», escreveram no dia seguinte da sua morte, entre outros, os amigos muçulmanos de Argel. Além disso, por muitos anos, Enzo foi encarregado – sempre junto com Natalia – pela formação espiritual dos membros do Movimento dos Focolares. Dele conservam-se muitas respostas, escritos, discursos, com os quais ajudou muitas pessoas a uma mais profunda compreensão do carisma da unidade.

EnzoFondi_ChiaraLubich«Enzo passou os últimos anos da sua vida na cruz», escreveu ainda Chiara. Uma doença grave tinha-o posto várias vezes diante da cruz. «Mas tinha acolhido aquela presença de Jesus abandonado de modo – segundo o que nos parece – perfeito. Não tinha um momento de impaciência, nem um mínimo lamento com os irmãos; o seu drama era só seu e vivia com Jesus. Confiava-me, mesmo se raramente, as suas condições físicas, mas sempre com um sorriso. E assim, neste último tempo, a sua vida, numa subida sem trégua, enriqueceu-se de virtudes e Deus deu-lhe a graça da união consigo».

Encontramos este seu testemunho nas últimas palavras que Enzo deixou escritas, com a data de 15 de dezembro de 2001: «Os últimos desejos, o testamento. Para mim é a última vontade de Deus, aquela que Ele quer de mim agora. Não existe nenhum outro. Deixar feita com perfeição a última vontade de Deus, qualquer que seja, este é o meu último desejo. Não sei qual realmente será a última vontade de Deus que farei na minha vida. Porém, de uma coisa sei: assim como aquela deste momento, terei a graça atual que me ajuda a fazê-la, na medida em que me tiver exercitado a desfrutar desta graça, vivendo bem o momento presente». Pouco depois, no dia 31 de dezembro, deixou esta terra cumprindo a Sua última vontade.

Enzo Fondi, a última vontade de Deus

Tikkun ‘Olam, contribuição comum de hebreus e cristãos

20141230-03“Não foi um simpósio, mas, uma experiência e, para ser mais exato e mais inserido no contexto do evento, eu o definiria uma experiência de tikkun, ou seja, a reparação, como explica a tradição hebraica”, escreve Roberto Catalano, do Centro para o Diálogo Inter-religioso dos Focolares, voltando de Salerno.

As três jornadas de “estudo, escuta e oração”, de 24 a 26 de novembro, abordaram vários temas, do antijudaísmo durante os séculos, ao Reconhecimento de Israel, a Shoah, o progresso nos relacionamentos hebraico-cristão a partir do Concílio Vaticano II e o Caminho em direção ao Tikkum Olam. Todas as palestras foram realizadas a duas vozes: cristã e hebraica. Jornadas, as primeiras desde gênero na Europa, que assinalaram um passo de “reparação de relacionamentos entre a tradição hebraica e a cristã que, nestes dois mil anos, passaram por momentos trágicos”, escreve ainda Roberto. “As relações entre hebreus e cristãos, durante séculos, sofreram por estes acontecimentos que guiaram a história em direção a tragédias da humanidade que culminaram na Shoah. Recentemente, como sabemos a declaração conciliar Nostrae Aetate e, também, pessoas como João Paulo II e o cardeal Martini, muitas vezes citado especialmente pelos hebreus, e cristãos, retomaram elementos importantes de uma relação que contribuíram da parte dos cristãos e a uma decisiva reaproximação”.

20141230-02Desejado inicialmente pelos bispos e encarregados diocesanos para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, depois, o evento foi alargado a todos os coordenadores de diálogos e não só, mas, a hebreus e cristãos, leigos e religiosos. Os participantes, mais de quatrocentos, dos quais cinquenta sacerdotes; os cristãos provenientes, sobretudo da Itália; os hebreus da Itália, Israel e Estados Unidos.

“O simpósio, realizado em Salerno, foi um evidente passo em frente neste caminho. Falou-se com extrema clareza de uma e outra parte sem desconsiderar a história e com realismo otimista. Causava impressão ver sacerdotes católicos, bispos e cardeais sentados ao lado de rabinos. As kippah hebraicas se misturavam com os solidéus vermelhos dos bispos. A fraternidade reinou naqueles dias: a impressão era a de ter começado um projeto comum. Conversando com Joseph Levi, principal rabino de Florença, comentávamos que até mesmo há dez anos teria sido impensável um acontecimento deste gênero.

A história prossegue e, contrariamente a quanto os meios de comunicação negativamente nos apresenta ou a quanto que, mesmo tragicamente acontece em diversas partes do mundo no nosso tempo, a tikkun do mundo já iniciou ou, talvez, prossegue porque se enriqueceu de uma dimensão nova: a contribuição comum de cristãos e hebreus. É necessário o desejo de trabalhar juntos para a fraternidade: recompor a família à qual todos pertencemos. Isto foi afirmado muito eficazmente pela Nostrae Aetate: “Os homens constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro gênero humano; têm também todos um só fim último, Deus” (NA 1)