Durante a Semana de Oração pela Unidade Cristã [1] somos convidados a concentrar nossa atenção em um tema específico: aquele que nos é apresentado na carta de Paulo aos Efésios. Nas assim chamadas Epístolas da Prisão, ele se dirige aos seus destinatários exortando-os a darem um testemunho autêntico a respeito da própria fé, vivendo a unidade.
Essa unidade se baseia numa única fé, num só espírito, numa só esperança, e somente por meio dela se pode testemunhar Cristo como “corpo”.
“Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança da vocação à qual fostes chamados.”
Paulo nos chama de novo à esperança. O que é a esperança? E por que somos convidados a vivê-la? Ela é o broto de uma semente, um dom e um compromisso que temos o dever de proteger, cultivar e fazer frutificar para o bem de todos. “A esperança cristã atribui a nós, como nosso lugar, aquele estreito divisor de águas na crista da montanha, aquela fronteira onde nossa vocação exige que escolhamos cada dia e cada hora ser fiéis à fidelidade que Deus tem por nós.” [2].
A nossa vocação, o chamado dos cristãos, não é apenas uma relação entre o indivíduo e Deus, mas é “convocação”, ou seja, somos chamados juntos; é o chamado à unidade entre aqueles que se esforçam para viver o Evangelho. Nos discursos e nos escritos de Chiara Lubich encontramos frequentemente referências explícitas à unidade, um aspecto típico da sua espiritualidade: ela é fruto da presença de Jesus entre nós. E essa presença é fonte de uma profunda felicidade.
“Se a unidade é tão importante assim para o cristão, consequentemente nada é mais contrário à sua vocação do que não ser fiel a ela. E pecamos contra a unidade todas as vezes que caímos na tentação – sempre presente – do individualismo, que nos leva a fazer tudo por conta própria, a nos deixarmos levar por nossas ideias, nossos interesses ou nosso prestígio pessoal, ignorando ou até desprezando os outros, suas exigências, seus direitos.” [3].
“Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança da vocação à qual fostes chamados.”
Na Guatemala, o diálogo entre os membros das diferentes Igrejas cristãs é muito ativo. Ramiro nos escreve: “Juntamente com um grupo de pessoas de várias Igrejas, preparamos a Semana de Oração pela Unidade Cristã. No programa incluímos um festival artístico organizado com os jovens, e diversas celebrações nas diferentes igrejas. A Conferência dos bispos católicos nos pediu que déssemos continuidade a essa experiência, a fim de preparar também um momento de partilha entre um grupo de bispos católicos e outras pessoas de diversas Igrejas, que vinham de todas as Américas para um encontro dedicado a comemorar os 1.700 anos do Concílio de Niceia. Para além dessas atividades, estamos experimentando de modo muito marcante a unidade entre todos nós e sentimos os frutos que ela traz consigo: fraternidade, alegria, paz.”
Org.: Patrizia Mazzola com a comissão da Palavra de Vida
[1] Esta reflexão foi escrita no Hemisfério Norte, onde a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) é celebrada de 18 a 25 de janeiro. No Hemisfério Sul ela se realiza entre o domingo em que se festeja a Ascensão e o domingo de Pentecostes (em 2026 será de 17 a 24 de maio). Mas o apelo à esperança e à unidade é sempre atual, em todos os tempos e lugares. As orações da SOUC deste ano foram preparadas por um grupo ecumênico coordenado por cristãos da Igreja Apostólica Armênia.
O mundo hoje precisa de unidade. Percebemos isso nas divisões dentro das famílias, entre vizinhos, entre igrejas e comunidades, para citar alguns exemplos. A polarização parece prevalecer sobre a compreensão. É uma consequência do individualismo, que predomina e nos leva a fazer tudo por conta própria, a buscar os próprios interesses ou prestígio pessoal, ignorando ou até desprezando os outros, suas exigências, seus direitos.
E, no entanto, é possível experimentar a unidade. É um caminho que começa a partir de pequenas atitudes, com um sim interior: sim ao acolhimento, sim ao perdão, sim a viver para os outros. Não se trata de grandes projetos, mas de pequenos atos de fidelidade que, a longo prazo, transformam uma vida, uma comunidade, um ambiente.
E, quando isso acontece, percebemos que a fraternidade deixa de ser um sonho e se torna uma realidade visível e fonte de esperança para todos.
Martin Buber acredita que a unidade é relacionamento. É o espaço do encontro, o espaço que existe entre o Tu e o Eu, um lugar sagrado no qual as diferenças não desaparecem, mas se reconhecem mutuamente. Para ele, a unidade surge quando duas realidades se permitem tocar, e não quando uma se impõe à outra. Esse “entre” pode ser entendido como um espaço que acolhe a diversidade e, precisamente por isso, torna-se fonte de comunhão. Portanto, para Buber, “Toda verdadeira vida é encontro”. (Ichund Du, 1923)
Com as pessoas que encontramos no nosso dia a dia, com os amigos, os familiares, podemos descobrir a grande oportunidade do relacionamento. Em particular, quando uma situação desafiadora parece nos aprisionar em nossos medos, as pessoas nos “salvam”, ajudando-nos a transcender a nós mesmos. Viver para ser unidos significa caminhar juntos apesar das nossas diferenças, transformando-as em tesouros e não em obstáculos. É um convite a passar da simples convivência ao encontro, no qual o que pertence a cada um, na reciprocidade, se torna novo porque é compartilhado e conectado. A unidade, entendida dessa forma, não é a soma de nós dois, nem é fragilidade: é uma força que gera a esperança de que ainda há um amanhã. A diversidade não é mais falta de unidade, mas enriquecimento mútuo. É sentir que o que acontece no outro também ressoa em mim. “A unidade não consiste na igualdade, mas na harmonia”, lembra-nos Rabindranath Tagore.
Que neste mês possamos vivenciar a alegria, a luz, a vida, a paz e a esperança que provêm da unidade vivida.
Quando estamos unidos, tudo é percebido de forma diferente.
A IDEIA DO MÊS é preparada pelo “Centro do Diálogo com pessoas de convicções não religiosas” do Movimento dos Focolares. É uma iniciativa que nasceu no Uruguai em 2014 com o intuito de compartilhar com os amigos que não creem em Deus os valores da Palavra de Vida, uma frase da Escritura que os membros do Movimento se comprometem a colocar em prática. Atualmente, A IDEIA DO MÊS é traduzida em doze idiomas e distribuída em mais de 25 países, adaptada segundo as exigências culturais. dialogue4unity.focolare.org
No dia 28 de outubro de 2025, realizou-se no Vaticano, na Sala Paulo VI, o evento comemorativo intitulado “Caminhar juntos na esperança”, por ocasião do 60º aniversário da Declaração Conciliar Nostra aetate sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs.
Entre testemunhos de fé, diálogo e manifestações culturais, foi um momento para celebrar seis décadas de amizade e colaboração entre os seguidores das várias religiões do mundo e juntos colher os frutos dessa caminhada. Compartilhamos algumas reflexões colhidas logo após o evento.
Assis não é apenas a cidade de São Francisco, mas tornou-se o coração pulsante e a casa de todos aqueles que desejam viver intensamente os valores da ecologia integral. Inspirado pelo Cântico das Criaturas, a poesia escrita por São Francisco, nasceu aqui um projeto que está mudando a maneira como nos relacionamos com o planeta: “ASSIS Terra Laudato Si’” (ATLS). Inaugurado no dia 22 de abril de 2024, ATLS não é um lugar feito de tijolos, mas um verdadeiro “ecossistema” onde podemos nos encontrar, recarregar as baterias espirituais e experimentar o nosso compromisso pela casa comum.
Este projeto crucial está fundamentado sobre quatro aspectos inseparáveis da ecologia integral, indicados pelo Papa Francisco: a preocupação com a natureza, a justiça com os pobres, o comprometimento na sociedade e a paz interior. É a resposta contemporânea ao chamado que sentimos para “ir e consertar a nossa casa comum”.
O Ecossistema do voluntariado: Laudato si’ e Focolares em ação
O projeto “ASSIS Terra Laudato Si’” propõe uma programação intensa de Retiros Laudato Si’, e, principalmente, um Programa Voluntários que permite que as pessoas vivam uma experiência imersiva, oferecendo o próprio tempo aos outros. A atividade é animada por um desejo comum e um forte espírito de troca “sinodal” entre os vários parceiros.
Um exemplo desta colaboração vem do Movimento dos Focolares, confirmando uma parceria carismática de grande importância. Cristina Calvo, uma focolarina argentina, teve a possibilidade de atuar como voluntária durante 40 dias, participando ativamente da metodologia e dos conteúdos de ATLS. Esteve hospedada no Santuário de São Damião e compartilhou com frades, visitantes, grupos de escolas e paroquiais, não somente momentos litúrgicos, mas, inclusive, a atualização da vida de São Francisco e Santa Clara, evidenciando a ligação profética deles com a Encíclica Laudato Si’.
Cristina descreveu esta oportunidade como “um imenso dom de Deus”, a demonstração concreta de que a colaboração gentil e a acolhida discreta são uma fórmula eficaz para uma experiência de vida em favor da criação.
Se você também sente fortemente o chamado a contribuir, e deseja viver os valores da ecologia integral num contexto espiritual único, o convite é simples: “Venham e vejam!”. Você pode se inscrever imediatamente para um Retiro, ou para ser voluntário, no site AssisiLaudatoSi.org. Nós o esperamos em Assis, terra da Laudato Si’!
Em um tempo ainda tão marcado por divisões de todos os tipos, fazemos votos de que, neste Santo Natal se renove em todos nós a alegria do serviço, da partilha e da reciprocidade feita de gestos concretos, especialmente para com aqueles que sofrem. Que este Natal assinale o compromisso de viver a fraternidade e a proximidade semeando esperança para o futuro.